A Última Uchiha
1 Gotas do passado
Notas iniciais
Era uma tarde chuvosa do mês de agosto. Talvez a maior tempestade que acontecia na vila da folha. A chuva não perdoava ninguém acertando seus grossos pingos com brutalidade nos telhados das casas e nos guarda-chuvas de quem se arriscava a sair de casa naquele temporal.
Ou na própria pele da pessoa no caso dela estar fugindo de um ser vestido de manto negro e aura assassina.
O garoto corria como nunca correu antes. Em seus braços carregava algo que na velocidade em que estava era difícil dizer o que era. Em suas costas uma cesta de palha trançada. Fugia como podia do ser que o perseguia. Usava clones, jutsus de substituição e até apelou para o Goukakyuu no jutsu, mesmo na chuva. Mas parecia que nada atrasava a sombra.
– Tenho que deixá-la em segurança. E rápido. – resmungou o garoto consigo mesmo.
Desviou de uma kunai. Após isso conseguiu fazer um clone e distrair momentaneamente o ser que o perseguia, fazendo-o seguir seu clone.
– É agora!
O menino se afastou o máximo que podia, procurando seu destino.
– Tenho certeza de que é por aqui. Tenho certe... Achei! – o garoto pulou em uma árvore e observou seu ponto de destino: uma casa comum onde uma família iria ser formada em breve.
Ele colocou o que carregava em seus braços dentro da cesta – após ter tirado esta das costas – com uma carta ao lado dela.
– Amaterasu... Eu... Espero que me perdoe...
O barulho de movimento das árvores atrás de onde estava o pôs em alerta. Ele pegou a cesta e seguiu para a casa. Atravessou o quintal e deixou a cesta na frente da porta da residência. Bateu três vezes com urgência na madeira que dava acesso à entrada da casa.
Depois disso, sumiu.
A porta foi aberta. Um homem jovem olhou o lado de fora. Os cabelos loiros e repicados foram molhados pelas grossas gotas da chuva que caía sem piedade. Os olhos azuis vasculhavam algum sinal de vida.
– Será que foi o vento? – perguntou ele a si mesmo, estranhando. Foi quando ele abaixou a vista para o chão e se deparou com a cesta de palha trançada – Heim?!
Ele se agachou e examinou a cesta com cuidado. Tinha um pano azul de aparência úmida cobrindo parcialmente o conteúdo da cesta que se mexia devagar.
– Hm? – ele tirou o pano e abriu mais os olhos devido ao espanto – Um... Bebê?! Mas... Como... – Foi então que viu o envelope lacrado ao lado da criança. Este o pegou e abriu para ler o conteúdo.
– “Cuidem bem da minha irmã. Gêmeos do nosso clã não podem ser cuidados juntos, assim diz a profecia. O nome dela é Amaterasu. Sei que ela deixará vocês felizes assim como deixou meus pais e a mim. E não revelem o clã que ela pertence até o dia de sua graduação na academia ninja.” – o loiro leu em voz alta, um pouco surpreso – E no final... O emblema do clã Uchiha...
Ele olhou para a criança que começava a se agitar, desconfortável. Os cabelos eram negros como a noite, a pele pálida como a lua.
O loiro suspirou. Pegou a menina nos braços e a trouxe para dentro juntamente com a cesta. Em seguida fechou a porta.
– Quem era querido?! – perguntou uma mulher de aparência jovial e longos cabelos vermelhos e lisos, os olhos azul-índigo, se aproximando do loiro.
– Não sei... Mais deixaram ela aqui na porta. – o homem estendeu os braços para que a mulher pudesse ver melhor a criança. Estava envolta pelo pano azul claro, mas podia se ver a pele pálida da criança e seus cabelos negros ensopados pela chuva. A ruiva olhou para a criança e olhou para o loiro.
– Minato...
– Ela estava em uma cesta, na frente da nossa casa... — Minato falou em um tom sombrio — E pela a aparência, não tem nem mais do que um mês de vida.
– Quem seria tão cruel em fazer isso? – a mulher um pouco surpresa.
– Os Uchihas. – ele entregou a carta à mulher para ela ler – Mas do jeito que estava escrito aqui parecia que estavam sofrendo pela perda da garota, Kushina.
– Gêmeos que não podem ser criados juntos... Que coisa estranha. – ela franziu o cenho – Acho que deveríamos devolver a garota.
– Aí diz o clã que ela vem, não quem são os pais ou a família dele. – Minato comentou sério – Não podemos arriscar.
– Ou você se afeiçoou a essa garota muito rápido. – Kushina riu ao ver Minato fazer uma careta.
– Tá, tá, pode até ser. – o loiro riu.
A ruiva abraçou Minato.
– Pelo jeito seus instintos paternais começaram logo cedo. – Kushina sorria enquanto afagava a grande barriga de 7 meses que estava coberta pelo vestido verde.
Minato sorriu.
– Acho que sim.
A bebê deu um espirro.
– Saúde. — Kushina sorriu — Posso pegá-la?
Minato entregou a criança à mulher. Esta a olhou sorrindo.
– Na carta que veio na cesta veio dizendo o nome dela. – informou Minato.
– Eu vi. Amaterasu, não é?
A criança abriu os olhos. Olhos negros e profundos que parecia guardar muitos mistérios, mas que, do jeito certo, poderia desvendá-los com facilidade. Os cabelos lisos e escuros perfeitamente penteados em dois coques na cabeça. Ela encarou o bebê. Era como se ela soubesse o que eles estavam falando.
– Ringo. – Kushina falou de repente.
– Hã? — Minato encarou a ruiva.
– Que tal dar-mos o nome dela de Ringo? — perguntou Kushina sorrindo.
– Por quê? Amaterasu já é um bonito nome.
– Sei disso. – Kushina voltou a encarar a criança em seus braços — É que eu acho Amaterasu um nome sério pra ela.
– Se diz... – Minato sorriu – Mas e quanto ao nome do clã?
– A carta dizia que ela só podia saber do seu clã de origem a partir da graduação na academia, não foi?! – perguntou Kushina um pouco triste.
– Verdade. – Minato suspirou — Então vamos deixar Amaterasu Ringo mesmo. – ele sorriu – Mas, por que Ringo?
– Ela tem a pele tão clarinha. – a ruiva roçou o nariz de leve na testa da morena, fazendo ela sorrir – Me lembrou a cor da carne da maçã. – Kushina sorriu.
Minato afagou os cabelos da criança.
– Quer saber? – o loiro sorriu — Vamos ficar com ela. O Naruto vai gostar de ter uma irmãzinha.
Ringo Amaterasu. A mais nova filha de Minato e Kushina. Irmã de Naruto Uzumaki. Essa nova família teria uma vida feliz... Se o Naruto não estivesse destinado a ser o novo Jinchuuriki da vila.
Fale com o autor