A Última Chance

21 Capítulo 21 - Necessário


Notas iniciais
Esse capítulo está pequeno, eu sei, mas TINHA que acabar ali. Simplesmente. Acho que vocês vão concordar comigo.
Esse fim de semana está bem corrido para mim, tenho muita lição de casa para segunda. Além do mais, sacomé, último bimestre...

Charlie nunca tinha visto os Selecionados tão quietos quanto na noite do jantar com o Rei. Ele desejou que a Rainha estivesse lá — talvez conseguisse algum apoio —, mas eram apenas ele, os outros cinco Selecionados e Maxon Schreave.

Charlie tentava afastar todas as histórias que Annie lhe contara sobre o pai na Seleção. Mesmo tendo beijado quase todas as Selecionadas, jogaria Charlie em uma masmorra se soubesse que ele tinha beijado Annie.

Eles tinham masmorras? Charlie disse a si mesmo que perguntaria a Annie depois (mas não tinha certeza de que queria saber a resposta).

Jasper entrou em uma conversa animada com o Rei sobre hipismo. Zack vez ou outra fazia algum comentário quebra-gelo que nem sempre era apreciado por Maxon. Brad falava sobre todos os seus méritos e conquistas.

Leo, por outro lado, limitava-se a responder as perguntas gentilmente, lançando sorrisos ocasionais e fazendo um comentário singelo ou outro.

Charlie fingia estar vendo algo muito importante no próprio guardanapo. Talvez assim esquecessem que ele existia.

Claro que não deu certo.

— Sr. Charles — disse o Rei em determinado ponto. Charlie pulou na cadeira, quase derrubado o garfo.

— Sim?

— Minha filha me disse que o senhor toca violão.

Assenti.

— Por que acha que merece minha filha? — o Rei Maxon estreitou os olhos.

Charlie ficou surpreso com a pergunta. O Rei fora o primeiro a tratar Annie como o prêmio. Podia até se importar com o país, mas se importava mais ainda com o coração da filha.

O que era ótimo, porque a simples ideia de pensar no país fazia Charlie querer se esconder para sempre.

— Eu... — a voz de Charlie falhou. Ele o quê?! Ele era talentoso? Todos eles eram. Ele era esperto? Jasper também, e possuía uma educação bem melhor. Ele falava o que pensava? Não mais do que Zack.

— Excelente resposta — o Rei debochou e voltou a falar com Jasper.

Charlie encolheu-se na mesa. Nunca tivera um ataque de pânico, mas o que estava sentindo certamente comparava-se.

* * *

— Como foi? — Annie fitou Charlie, esperançosa, no dia seguinte.

Droga.

— Foi... Hm... Bom — mentiu, tentando sorrir.

Certo, agora precisava mesmo consertar a porcaria que fizera.

— Eu já volto — disse ele, e saiu correndo.

Fez a coisa mais insana do universo logo depois: bateu na porta da sala de reuniões do Rei Maxon.

Quis sair correndo no mesmo momento, mas era tarde demais.

Lucius atendeu.

— Hutton, o que diabos está fazendo aqui?!

— Eu... preciso dar uma palavra com Vossa Majestade. Será rápido.

— Você está louco?! Por que acha que...

— Deixe o rapaz entrar — disse o Rei, sério. — E nos dê licença por um minuto, Lucius.

Contrariado, o homem o fez.

Os olhos escuros do Rei cravaram-se em Charlie.

— Sente-se.

Charlie sentou-se na cadeira em frente a Maxon. Havia uma mesa cheia de papéis entre eles.

— É bom que seja importante.

Charlie engoliu em seco.

— Eu... não acho que tenha provado meu valor ontem à noite.

— Não acha?

— Eu não provei meu valor ontem à noite — corrigiu ele, tentando soar confiante. — Minha falta de eloquência tornou-se uma falta de compromisso com a Princesa. Venho pensando nessa falta desde então, e percebi que tenho uma resposta melhor para vossa pergunta, e pretendo fornecê-la ao senhor agora mesmo.

— Praticou isso em frente ao espelho? — Maxon ergueu uma sobrancelha.

Charlie pensou em ignorar o comentário, mas não seria muito sagaz ignorar o Rei de Iléa, então apenas assentiu e continuou:

— Veja bem, eu sou um Quatro. Essa coisa de Rei de Iléa me pareceria insana há algum tempo. Na verdade, ainda parece um pouco. Mas eu não ligo, porque se o reino vem de brinde se eu tiver o coração da Princesa, vou dar o meu melhor.

— Percebe que está se referindo ao comando de meu país como um fardo?

— Não é um fardo — agora ele já tinha certeza do que estava falando. — É uma parte da vida da sua filha que não posso ignorar se quiser passar o resto de minha vida com ela. Serei o melhor rei que Iléa já teve. Farei tudo o que estiver ao meu alcance. Por ela.

O Rei fitou-o em silêncio, esperando que concluísse.

—... Estou apaixonado pela sua filha, sr. Maxon. E não vou a lugar algum tão cedo.