A Última Chance
13 Capítulo 13 - Se eu já não soubesse
Depois de alguns anúncios do Rei Maxon, Gavril veio falar com a Princesa.
— E o nosso maravilhoso grupo de rapazes, como está? — ele deu um leve sorriso.
— Menor e menor...
— Eles são... Quatorze agora, não são?
— Exatamente.
— E como vão os olhos?
— Quê?
— Os olhos dos Selecionados. Já tem um par preferido?
Annie enrubesceu levemente e desviou a atenção para suas unhas.
— Tenho, sim.
— E como ele é?
— Os olhos? Interessantes. Sinceros. Determinados.
— Soa como um bom rei.
Ela riu um pouco.
— Ainda não tenho tanta certeza disso.
* * *
Charlie estava em pânico. A visita dos franceses seria em algumas horas e ele não conseguia decidir quais flores deveriam ir na recepção. Ele tinha pelo menos sete tipos diferentes em cima da mesa.
— Uni duni tê... — começou, mas parou quando viu que Annie estava observando. Fingiu estar arrumando e pensando seriamente no que ia fazer.
Charlie fitou a Princesa por um instante, e teve uma ideia. Pegou um buquê de flores alaranjadas. Combinavam com o cabelo de Annie, e o cabelo de Annie era muito bonito.
Logo, a cor das flores era muito bonita. Problema resolvido.
Ele estendeu a toalha de mesa e tratou de fazer todas as outras flores desaparecerem. Posicionou as flores alaranjadas de um jeito que achou ficar aceitável e suspirou, aliviado.
Foi quando se lembrou de que ainda estava usando calça jeans. Correu para seu quarto e se trocou rapidamente, colocando camisa e calça sociais. Tentou arrumar o cabelo, e depois cambaleou escada abaixo tentando colocar a gravata.
— Precisa de ajuda com isso? — Jasper ergueu uma sobrancelha.
Charlie levantou os olhos.
— Sabe como amarrar uma gravata?
O louro apontou para a própria gravata e deu um leve sorriso.
— Não é difícil, na real.
Jasper fez parecer tão fácil que Charlie sentiu-se levemente estúpido.
Certo, era uma gravata.
— Valeu — Charlie lembrou de dizer.
— Disponha.
O moreno saiu correndo para terminar de arrumar as coisas e se remoeu com a pequena injustiça de Jasper não ter nada para fazer.
Mas depois passou. Os outros não importavam. O trabalho deles não afetava o de Charlie se ele desse seu melhor.
Lucius dirigiu-se ao salão depois de algumas horas e fitou os cinco rapazes.
— Os franceses chegarão em minutos. Eu garantiria que eles fossem bem recebidos, se fosse vocês.
Blair e Alexandre foram os primeiros a chegar. Jasper logo correu até o grande carro para acompanhá-los até o saguão, enquanto Travis xingava baixinho por não ter pensado nisso.
Lucius lhe dera uma vantagem sem perceber, pensou Charlie. Ele não tinha de brigar por atenção. Pierre e Augustine estavam esperando por ele e apenas ele.
O que era uma benção também era uma maldição, pois ele não teria a quem recorrer caso algo desse errado.
E como era a vida de Charlie, alguma coisa definitivamente daria errado. Dois guardas o avisaram que o casal que ele deveria acompanhar havia chegado, então caminhou até o carro e os cumprimentou quando saíram.
— Monsieur — Charlie sorriu, cumprimentando Pierre com a cabeça. Depois virou-se para Augustine e fez o mesmo. — Madame.
— Parlez-vous français? — Pierre franziu o cenho.
— Eu... Hum... Non. Os senhores entendem Inglês?
— Nous comprenons, mais nous ne parlons pas.
— Isso soa como latim... — Charlie murmurou consigo mesmo, frustrado. — Allons-nous?
— Que bela educação — disse uma voz masculina jovem com um pouco de sotaque. Charlie não havia percebido que havia mais um rapaz no carro. — É só por que eu não sou velho?
— Brat , nous comprenons ce foutu de langue que vous insistez pour parler! — Pierre cerrou os dentes.
O rapaz riu e saiu do carro. Era uns três centímetros mais alto do que Charlie. Possuía cabelos castanhos arrumados e pele clara, além de olhos azuis observadores e presunçosos. Ele estendeu a mão e Charlie a apertou.
— Eu só estava esperando duas pessoas — comentou Charlie.
— Foi uma decisão de última hora.
Tentou não demonstrar reação. Ele estava tirando conclusões precipitadas. Mas odiava o fato de estar quase sempre certo, então apenas levou os franceses para o ponto mais longe da Princesa que conseguiu.
— Je m'apelle Charlie, falando nisso — disse ele enquanto ia rapidamente até o jardim. Annie não estava lá. Ele suspirou aliviado.
— Je m'apelle Augustine, et c'est mon mari, Pierre. — Augustine sorriu, apontando.
— Você é um daqueles babacas tentando ganhar o coração da Annie, não é? — o rapaz francês ergueu uma sobrancelha.
Charlie podia voar no pescoço dele por diversas razões. Primeiro por lhe chamar de babaca, depois por ousar chamá-la de Annie. Ou simplesmente por estar ali.
Charlie já não ligava mais para a cor das drogas de flores. Tinha problemas bem maiores.
"Tudo fica bem se você não retrucar", ele lembrou a si mesmo, respirando fundo.
— E você é...?
Jamie — o quebrador do coração de uma das pessoas que Charlie mais gostava, a única outra pessoa que chamava a Princesa Annabelle pelo apelido de que ele mais gostava, a síntese completa de um babaca — sorriu.
— Como se ela não tivesse falado de mim.
— A Princesa diz muitas coisas. Posso ter uma memória ruim.
Sem esperar uma resposta, Charlie continuou caminhando.
* * *
— Annabelle! — Catherine abriu um grande sorriso ao vê-la. Era, das duas irmãs, a que menos causava estrago. — Quanto tempo! Você está tão bonita! Tem tanta sorte!
— Sorte? — Annie ergueu uma sobrancelha.
— Tem quatorze rapazes lindos no seu palácio! Deve ser uma toooortuura.
Catherine sempre usava excesso de vogais para enfatizar sua fala, o que irritava a Princesa levemente.
— Não é tão legal assim.
— Oh mon Dieu, que fome! — Danielle apareceu, bufando. — Ah, bonjour Annabelle.
— Tem comida no jardim. Vamos lá?
Elas assentiram e seguiram Annie. Quando ela estava se aproximando do jardim, uma figura veio correndo e quase a atropelou:
— Annie — Charlie encarou-a por um minuto, parecendo ter visto um fantasma.
— Ah, olá Charlie. Meninas, esse é o Charlie. Charlie, essas são...
— Eu preciso te mostrar uma coisa. Bem longe. Longe do jardim.
— Mas preciso acompanhá-las até a mesa de petiscos.
— Princesa, é importante.
Annie sussurrou para ele sem que as francesas ouvissem:
— Não posso deixá-las sozinhas por nem um minuto. As consequências seriam muito desastrosas. Aonde estão Brad e Rick, falando nisso?
Charlie suspirou.
— Sério, você não quer ir ao jardim.
— Sim, eu quero. Que droga, Charles, me deixe p...
— Ô... Ô... Qual seu nome mesmo? Charlie? Chuck? Chinchila? Onde você se meteu? — eles ouviram uma voz ao longe.
O rosto de Annie perdeu totalmente a cor. Charlie pensou que ela fosse desmaiar e quase entrou em pânico novamente.
— Eu conheço essa voz. Charlie, eu conheço essa voz. Eu...
E então ela saiu correndo, tropeçando no vestido longo. Charlie correu atrás dela.
Eles se sentaram no salão que levava aos dormitórios.
— Annie. Annie, você está bem? Meu Deus, vai ficar tudo...
— Charles Hutton. Por que diabos Jamie Beaumont está na minha casa?!
— Acha que eu sei? Ele apareceu aqui com Pierre e Augustine. Disse que foi uma decisão de última hora.
Ela soltou um leve grunhido, frustrada.
— Eu odeio aquele estúpido país indeciso!
Annie caminhou até o jardim e pegou um copo de líquido escuro. Suco de uva? Vinho? Veneno? Ela não ligava realmente.
Quase cuspiu tudo quando sentiu uma mão apertando seu ombro.
— Jamie. Me solte. Agora. — disse, pausadamente. Inspire. Respire.
— É assim que você recepciona um velho amigo?
Ele sorriu quando ela se virou. Inspire. Respire.
— É assim que você se considera? — ela ergueu uma sobrancelha.
Jamie suspirou, afastando os cabelos castanhos do belo rosto.
— Très bien. Tem um minuto?
— Não, eu não tenho um minuto.
— Qual é, Annie. Pelos velhos tempos.
Ouvir aquele apelido saindo dos lábios dele lhe deu arrepios. Ela só não tinha certeza de que era um tipo bom de arrepio.
— Não devo nada a você.
— Eu sinto sua falta.
Ela soltou o copo, achando que aquela coisa de quase cuspir o tempo todo não fazia muito bem.
— Como é que é?!
Jamie fitou-a com aqueles olhos azuis limpos, que pareciam tão inocentes. Ela poderia até acreditar, se não soubesse.
— Sinto sua falta. E quero você. Só você.
— Sério? Isso é tudo o que você tem na manga?
Jamie a empurrou para uma parte vazia do jardim e segurou sua cintura.
— Melhor assim?
— Não. Me SOLTE!
— Você ainda tem cócegas no pescoço? Aposto que tem.
— Tente. Vou tentar não quebrar todos os seus dentes quando te der um murro.
— A mais delicadas das princesas. Por isso gosto de você.
— Ah, não me venha com essa — Annie bufou, se afastando. — Como se você algum dia tivesse dado a mínima para mim!
— Isso não é nem um pouco verdade. Sempre me importei com você.
— Ah, é? Estava pensando nisso enquanto dava uns amassos com aquela princesa russa cinco minutos depois de ter jurado lealdade a mim? — ela cerrou os dentes. Ele não respondeu. — Foi o que pensei.
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