A Última Chance

10 Capítulo 10 - Fogo e Água


Charlie estava no quarto, depois do Jornal Oficial, repassando rapidamente o que acontecera. As criadas ouviam com atenção enquanto ele colocava as roupas de dormir. Ainda tinha problemas em ser visto de cueca, mas parecia ser necessário ali. As três moças não pareciam se importar, de qualquer modo.

Foi quando ouviu uma batida na porta. Jane foi atender.

— Alteza — e fez uma reverência.

— QUÊ?! — Charlie deixou escapar, tropeçando na própria calça.

— Sr. Charlie, a Princesa está...

— Peça que espere um minuto!

Jane lançou-lhe um olhar desaprovador. Não era exatamente correto deixar Vossa Alteza esperando.

Mas Annie não estava irritada. Estava rindo baixinho.

— É um prazer vê-la — comentou com Jane. — Eu não sabia que haviam passado você para o sr. Charles.

— Ah, é. Ele é um excelente rapaz. Totalmente perdido. Mas um excelente rapaz.

Charlie ainda estava se debatendo para colocar uma camisa qualquer quando foi atender a porta. Annie sorriu e cravou os olhos nele por um instante.

— Eu sei.

— A que lhe devo a visita? — Charlie fitou-a. Ela havia chamado-o de Sr. Charles perto de Jane, então ele não sabia como chamá-la. Decidiu não usar nenhum vocativo.

— Bem, achei que seria melhor vir aqui antes que você desaparecesse por dois dias novamente. E sim, Jane, isso é totalmente inapropriado para uma Princesa, além de favoritismo, contra as regras e blá blá blá — ela sorriu para a criada.

— Fico feliz que a senhorita tenha consciência disso!

— Eu estava pensando — ela se virou para Charlie, apertando os lábios. Não sabia exatamente como começar. — Está ficando realmente complicado me encontrar, com todas as reuniões, e aulas, e tal. Então eu pensei... Bem. Havia um sinal que meus pais usavam quando mamãe estava na Seleção e eles precisavam conversar. Algo discreto. Se não me engano, era uma mexida na ponta da orelha.

— Hum?

— É. Discretamente. Assim — ela demonstrou o gesto, levando a mão direita para a ponta da orelha graciosamente. — Se um de nós dois fizer isso quando nos virmos durante refeições ou algo do gênero, nos encontramos no jardim.

— Certo. Só devo pedir que a senhorita não fique me chamando o tempo todo. Quero dizer, sou um cara extremamente ocupado.

— Claro, afinal, você tem um país, vinte e nove rapazes e um Conselho Real para administrar.

— Exatamente.

Annie revirou os olhos, sorrindo.

— Tenho de ir. Vou burlar o toque de recolher mais um pouco. Então, se precisar conversar...

— Mão na orelha.

— Exatamente. Até mais tarde. Foi um prazer revê-la, Jane — Annie sorriu. — Vocês também, moças.

As três criadas fizeram uma leve reverência. Charlie cumprimentou-a com um aceno de cabeça e a Princesa retirou-se.

Ele fechou a porta e virou-se para as três moças.

— Aquilo foi surpreendente.

As criadas o fitaram com uma expressão de "Você não nos contou tudo, não é?", mas ele fingiu não ter visto.

* * *

Zack acenou quando Annie chegou ao pequeno cinema que o castelo possuía. O rapaz estava largado em três poltronas, mas rapidamente endireitou-se quando viu a Princesa.

— Alteza.

— Sr. Zack.

Em questão de minutos, o filme já havia começado. Annie sabia praticamente todas as falas de cor, mas segurou-se para não falar junto com o filme.

Mas não havia acordo nas músicas. Por sorte, Zack cantava com ela. Ele não sabia exatamente todas as músicas, mas sabia Look At Me I'm Sandra Dee inteira por algum motivo que ela achou melhor nem perguntar.

— Keep your filthy paws off my silky draws! Would you pull that crap with Annette? — ele a encarou, fingindo estar ofendido. Ao fim da música, ele fez questão de repetir com a Rizzo: — Some people are sooo touchy!

Era isso. Ela adorava Zack.

Annie imaginou que deveria ser assim, assistir a um musical com um amigo. Ela riu tanto com as palhaçadas de Zack que se esqueceu da Seleção.

Depois do filme, Zack ficou contando sobre sua antiga professora de Gramática. Ele fazia uma imitação incrível de uma senhora de 70 anos com um tapa olho que mais grasnava do que falava.

— Arrr, Woodsen! Tenho olhos atrás das costas para compensar o meu olho direito deficiente! Nem pense em colocar essa tachinha aí!

Annie ergueu uma sobrancelha.

— "Arrr"? — repetiu. — Ela era uma pirata, ou algo do gênero?

— Só nas horas vagas — ele replicou. — Algumas senhoras fazem tricô, mas ela fazia os alunos dela andarem na prancha quando tiravam abaixo de C.

— Interessante.

— Muito. Foi assim que eu aprendi a nadar.

Annie ficava mentalmente imaginando até que parte as histórias dele eram verídicas. Eram anedotas curiosas que ela gostava de ouvir.

Zack se despediu dela com uma reverência quando eles chegaram ao segundo andar. Ele era um pouco desajeitado, mas não havia comparação com Charlie. Annie subiu para o terceiro andar. Quando abriu a porta de seu quarto, deparou-se com Leah, Ruth e Sabrina fitando-a com curiosidade.

— O sr. Zack permanece na mesma lista, senhorita? — perguntou Ruth, repassando os Selecionados da lista A.

— Sim. E planejo mantê-lo nela por algum tempo — Annie sorriu. — Ah, e Sabrina...

— Sim, Alteza?

— Preciso que pesquise algo para mim.

— O que precisar, senhorita!

Annie apertou os lábios, segurando um riso.

— Preciso que você investigue para mim a existência de uma professora de Gramática idosa com um tapa olho na província de Zack Woodsen.

—... Senhorita?

— Apenas o faça.

— Como quiser...

* * *

Dois dias se passaram. Mais cinco rapazes foram dispensados. Simplesmente porque eram evidentemente incompatíveis com a Seleção, incompatíveis com o país e... Bem, incompatíveis com a Princesa.

Falou rapidamente sobre eles, mas nenhum dos Selecionados restantes parecia ter se tornado muito amigo dos dispensados.

E com isso, ela tinha um grupo de vinte e quatro.

Era mais fácil dispensar rapazes agora, curiosamente. Ela imaginou que fosse porque já os conhecia um pouco melhor e, além da pequena lista de Não-vou-dispensar-de-jeito-nenhum, em que fizera poucas mudanças até o momento, não se apegara muito aos outros.

Annie estava correndo pelo corredor quando trombou com alguém. Reconheceu o cheiro de sabonete e algo amadeirado que associava a Charlie.

— Perdão — pediu ela rapidamente.

Charlie surpreendeu-se por ela estar usando um vestido delicado num dia comum. Annie tinha dois extremos: calças jeans e vestidos longos e formais. O vestido azul esvoaçante indo até alguns dedos sob o joelho que ela usava era um ponto entre os dois extremos que ele não conhecia.

Ela pareceu ter percebido exatamente o que ele estava pensando, porque sorriu e disse:

— Eu também me arrumaria, se fosse você.

E então desapareceu por entre os corredores.

Quando Charlie comentou isso com os outros Selecionados, todos ergueram uma sobrancelha e disseram algo como:

— Mas ela sempre usa vestidos de dia, Charlie.

"Tecnicamente, não deveria ser vista por ninguém de calça jeans", a voz de Annie retumbou na cabeça dele.

Ele deveria ter imaginado que ela não usava vestidos de baile em encontros com os outros rapazes, não é?

Charlie nunca achou que fosse sentir-se grato a Lucius, mas sentiu-se quando o homem adentrou no salão de jogos e encarou os Selecionados.

— Grande Salão. Agora.

— Por quê? — perguntou Charlie.

Lucius semicerrou os olhos.

— Arrume esse cabelo, Hutton.

O motivo do agito era uma sessão de fotos. Lucius dissera que era apenas algo casual, mas todos eles tirariam fotos ao lado da Princesa. Eles não tinham que parecer bonitos, não tinham que ficar bem ao lado dela.

Tinham que parecer reis. Dignos de governar o país.

A ideia fez Charlie repensar o que diabos estava fazendo ali. Ele teve pouco tempo para descobrir, pois Lucius o fez ser o primeiro a tirar fotos.

Ele sentou-se ao lado de Annie em um sofá de couro vermelho que com certeza custava mais do que a casa dele inteira.

— Eu deveria saber que Lucius ia mandar você primeiro — comentou ela.

— Ele queria garantir que eu não teria tempo de arrumar o cabelo.

Annie fitou o cabelo dele por um minuto e deu de ombros.

— Na verdade, gosto mais do seu cabelo como está.

— Ah, é?

— É, sim. Fica mais... — ela pensou em uma palavra. — Charlie.

— Seu vocabulário de adjetivos é impressionante, Alteza.

Annie pegou a mão dele e começou a brincar com seus dedos.

— Odeio quando você faz isso.

— Faço o quê?

— Sempre que vai me provocar ou tomar liberdades, começa a falar comigo formalmente. Como se isso fizesse soar mais aceitável.

— E faz.

Ela sorriu. Ainda estava mexendo na mão direita dele, seus dedos quentes e macios fazendo desenhos imaginários pela pele clara do rapaz.

— Podemos começar, Alteza? — perguntou o fotógrafo.

Annie assentiu, mas não soltou a mão de Charlie. Ela estava nervosa. Aquelas fotos iriam para as revistas, e o povo votaria em seus favoritos. Ela prometera ouvir o povo, mas parecia que cada pessoa que ela decidira ouvir a confundia ainda mais.

Por algum motivo, quase parar a circulação sanguínea da mão de Charlie a acalmava. Havia algo no jeito dele que a tranquilizava sem saber. Se ela era o fogo e Charlie era a água, Annie era a chama mais suicida do universo.

Eles tiraram muitas fotos, mas acabou consideravelmente rápido. O fotógrafo chamou o próximo Selecionado, mas Annie segurou Charlie antes que ele se levantasse.

— Eu menti — confessou ela, baixinho.

— O quê?

— Adoro o efeito que você provoca nas pessoas escolhendo as palavras certas. É irritante, mas você é irritante.

— Todo mundo precisa ter alguém irritante por perto às vezes — ele sorriu. — Não faço nada além de disparar coisas idiotas e fazer soar casual.

— Você é tão sincero, mas ao mesmo tempo é tão...

— Tão o quê?

— Manipulador! — ela abriu um grande sorriso. — Convence as pessoas de que elas deveriam ficar irritadas com você mas não consegue deixá-las irritadas de fato.

— Por que você fala isso como se fosse uma cientista e eu fosse um animal muito interessante que você não consegue compreender completamente, mas isso apenas a deixa mais intrigada?

— Porque você é! Interessante, quero dizer. E me deixa intrigada também. Gosto de pessoas imprevisíveis. Elas deixam as coisas interessantes.

Antes que Charlie pudesse responder, Lucius o empurrou para longe e deu espaço para o próximo Selecionado.

* * *

Annie estava em seu quarto, olhando para o teto e conversando com as criadas. Charlie havia voltado a tocar, então era muito agradável fechar os olhos e deixar-se perder na música.

— A senhorita sempre gostou de músicos — comentou Leah.

— O palácio pode ser bem silencioso às vezes — replicou Annie.

Ela repassava mentalmente o que Jane lhe dissera sobre Charlie. Annie levava muito a sério o que Jane falava, pois ela estava quase sempre certa. Torceu baixinho para que Charlie levasse a sério também.

Ela adorava Sabrina, mas sentia falta de Jane. Porém, gostava que ela estivesse com Charlie. Eles eram muito parecidos em alguns pontos, mas o rapaz poderia precisar da Sabedoria Janiense — como ela chamava — às vezes.

Por isso ficara feliz quando ele disse que conversava com as criadas. Talvez Jane o entendesse melhor do que ela o entendia. Talvez pudesse explicar a ela.

Mas Annie gostava de algumas dúvidas. Elas deixavam as coisas interessantes.

— Alteza — chamou Ruth.

— Sim?

— Os Beaumont virão visitar o castelo no próximo Sábado. Lucius pediu que a informássemos.

Annie quase caiu da cama com a notícia. A última coisa que ela precisava era...

Suspirou.

— Vão passar quanto tempo aqui?

— O Sábado inteiro. Depois dormirão aqui e partirão no amanhecer de Domingo.

— Achei que gostasse dos franceses, senhorita — comentou Sabrina. — Danielle, Catherine e...

— Gosto. Só... não preciso de mais visitas agora. Quanto menos gente no palácio, melhor.

— Querem que a senhorita cuide da diplomacia, junto com alguns Selecionados. Lucius disse que é um teste. Ser um bom diplomata, considerando o quão jovem Illéa é, é uma característica fundamental de um rei.

"E de uma rainha", Annie completou em sua mente. Ela também estava sendo testada, talvez até mais do que os Selecionados, mas fingia não saber disso.

— Quem são os Selecionados? — perguntou Annie, também fingindo não saber. Lucius era muito previsível.

— Ele não disse, senhorita.

Ela se levantou, prendendo o cabelo ruivo em um rabo de cavalo alto.

— O que a senhorita...?

Annie foi até a janela e gritou:

— CHAAAARLIE!

O rapaz, que tocava violão, se virou, surpreso. Seus olhos acizentados a fitavam com curiosidade. Annie mexeu na própria orelha. Ele assentiu e ela desapareceu da janela.

A Princesa fitou as criadas.

— Quero saber mais sobre essa visita. Quero saber exatamente quem virá. Quem não virá. Quero a divisão de tarefas. E quero ser a supervisora. Isso é tudo. — e então desceu as escadas rapidamente.

Acenou ao ver Charlie e sentou-se ao seu lado no jardim.

— Como está seu Francês? — perguntou ela.

— J'aime croissant.

— Isso não é exatamente útil para a visita. Lucius colocou você em que tarefas?

— Hummm... Não sei direito. Ele me deu uma lista. Aparentemente, tenho que arrumar todo o salão, o jardim e cuidar das boas vindas a Pierre e Augustine Beaumont.

— São os tios. Os únicos que não falam Inglês.

— Ah, isso é ótimo. Sua família é próxima da deles?

Ela torceu o nariz.

— Algo assim. Gosto das sobrinhas, Catherine e Danielle. Bem, os Beaumont são uma família importante de políticos na França, e Illéa poderia usar alguns aliados.

— Se depender do meu Francês, acho que vamos ficar como estamos.

— Vous serez très bien. Ser um bom diplomata é uma qualidade essencial em um rei.

— Et une reine. — ele completou. "E em uma rainha".

Charlie parecia lembrá-la constantemente e inconscientemente de como era astuto.

— Suponho que sim.

Eles ficaram em silêncio por um minuto. Ficavam confortáveis o suficiente perto um do outro para que isso não se tornasse estranho ou desagradável.

— Às vezes acho que Lucius tem razão. — comentou Annie.

— Sobre...?

— Sobre eu estar passando tempo demais com você.

— Bem, eu gosto de ouvir sobre suas teorias conspiratórias e sua vida tão mais legal e emocionante que a minha.

Annie sorriu.

— É por isso que está aqui?

O sorriso sumiu do rosto de Charlie. Ela esperava que ele fosse sincero, mas não sabia direito como fazer isso.

— Aqui... na Seleção? Na vida? Nesse banco?

— Eu me referia à Seleção. Mas gostaria de ouvi-lo filosofar sobre a vida.

Ele baixou os olhos, pensando.

— Bem... Podemos assumir que cada pessoa tem um propósito.

— O seu propósito é confortar as pessoas?

— Não há evidências disso. E as outras pessoas? Elas existem para ser confortadas?

— Evidências, há, sim. É uma consequência da sua existência, mas pode explicar o motivo da mesma. E quanto às outras pessoas, elas não foram feitas necessariamente para serem confortadas. Apenas consequências.

— Pare de ser tão esperta antes que eu jogue esse violão no seu cérebro.

Annie pegou a mão esquerda dele, sorrindo levemente, e começou a brincar com seus dedos novamente. Seus dedos eram longos, bem maiores que os dela. Suas mãos eram ágeis e precisas; as unhas curtas e limpas. Mãos de artista. Ela passou o polegar pela ponta dos três dedos mais compridos dele, sentindo alguns pequenos calos resultantes das muitas horas tocando violão.

—- É verdade, oras. E quanto à Seleção?

Charlie mordeu a parte de dentro da própria bochecha.

— Annie...

Foi no momento em que Leah chegou perto dos dois, incerta.

— Sim? — a Princesa fitou-a.

Leah se aproximou e sussurrou algo no ouvido da moça, baixo demais para que Charlie escutasse.

— Não vem? Tem certeza? — Annie franziu o cenho, surpresa. — Certo. Obrigada, Leah.

A criada fitou-os uma última vez e desapareceu.

— O que foi? — ele perguntou.

Annie suspirou e encostou a cabeça no ombro dele.

— Você já se apaixonou, Charlie?

Ele não entendeu o que a pergunta tinha a ver, mas sentiu as memórias enterradas voltando como um caleidoscópio de dor.

— Uma vez.

— E como foi?

— Não deu certo.

— Detalhista.

— Prático — ele corrigiu. — Bem, não há muito a dizer. Ela era uma Três. Eu era um Quatro. Os pais dela descobriram. Ameaçaram expulsá-la de casa. E fim. Não é exatamente um poema de Shakespeare.

— Sinto muito.

Ele deu de ombros.

— Já superei. Acontece. E você, Alteza?

— Cheguei bem perto uma vez, acho.

— E como foi?

— Não deu certo.

Charlie sorriu.

— Detalhista.

— Certo, hum... Lembra-se de Danielle e Catherine? As francesas? — Ele assentiu. — Então. Elas têm um irmão. Dois anos mais velho do que eu. Incrivelmente bonito e charmoso. E... Bem, foi isso.

— Detalhes!

— Droga, Charlie, que seja. Teve essa festa de Ação de Graças. Eu tinha 16 anos e ele, 18. A família dele estava no palácio, por algum motivo. Nos beijamos. E depois... — a voz dela falhou.

Ele se inclinou, curioso.

— Depois o quê?

— Bem. Sintetizando... Ele quebrou meu coração. Pisou em cima. E jogou os pedaços nos meus olhos. Só isso.

— Mas...

— Já superei. — disse ela, encerrando o assunto. — Eu nunca contei isso a ninguém. Nem às criadas. Nem à minha mãe. Nem as irmãs dele sabem.

Charlie sentiu o peso do segredo, mas estava grato por sentir-se confiável.

— Ele não vai vir. Foi isso que Leah veio me dizer. Eu pedi para saber exatamente quem viria.

— Isso é bom, certo?

— Certo — ela parecia distraída. Sua cabeça ainda estava apoiada no ombro dele. — Eu deveria ir. Devo ter uns quinze encontros para marcar.

Mas ela não se mexeu.

— Mas não quero ir. Não agora.

— Então não vai.

— Outra qualidade essencial na família real: você toma responsabilidade por suas decisões. — ela se levantou. — E neste momento, eu preciso tomar responsabilidade pela Seleção.

— Em quanto tempo seria aceitável chamar você de novo para conversar sobre nossos corações partidos e pisoteados?

Annie sorriu.

— Me diga você.

E saiu andando.