O dia estava quente, mas uma brisa gostosa me refrescava enquanto eu estava lá sentado na sombra da grande árvore do meu quintal. De frente para ela eu observava silencioso aquele pequeno ser, estático, sem nenhuma reação ao que a rodeava. Era, de fato, como se ela não estivesse ali, duvida essa que foi confirmada pelo susto que levei ao perceber a sombra da minha mãe atrás de mim, que havia ido ao quintal verificar o que eu estava fazendo, tentei mostra-la a fada, mas não fiquei surpreso ao ouvir minha mãe falar que não via nada ali.

Depois de algumas horas comecei a me perguntar se aquilo não era obra da minha fértil imaginação, quando anoiteceu, a fada ainda estava lá e começou a emitir um brilho forte, que aparentemente só eu via, era como um vagalume do tamanho de um morcego. Mas não me incomodei com isso e fui dormir.

No dia seguinte levantei normalmente, tomei café, fui pra escola, sem me importar se aquela criatura continuava ou não na árvore, afinal só eu a via mesmo, a manhã na escola demorou a passar, mas quando finalmente pude ir pra casa, atravessei-a correndo até o quintal, não por curiosidade, mas sim por preocupação, nem mesmo me passou pela cabeça pela manhã, mas poderia ter acontecido de algum animal ter pegado a fada durante a noite.

Respirei aliviado quando a vi de longe, da porta da cozinha, mas havia uma coisa diferente dessa vez, ela estava voando, cheguei mais perto e ela sorriu pra mim, como se me convidasse pra me juntar a ela naquela dança aérea, ela foi até mim, com suas duas pequenas mãos segurou a minha e me levou até a base da árvore, ela era extraordinariamente forte para uma criatura do seu tamanho.

Lá ela me mostrou o que parecia ser um mini universo em uma fenda da arvore, olhei de perto e vi estrelas, planetas e cometas naquela fenda, não entendi como aquilo era possível, perguntei pra fada o que era aquilo, mas percebi frustrado que ela não entendia minha linguagem, ela fez um gesto para que eu colocasse a mão naquela fenda, duvidei um pouco da confiabilidade daquele ser, mas acabei fazendo o que ela quis.

Senti uma formicação estranha na mão, como se eu tivesse colocado minha mão em marshmallow, estava me acostumando com a sensação até que senti o que pareceu ser uma mordida e afastei minha mão da fenda, olhei com indignação pra fada e corri para o meu quarto, ela me seguiu até a porta da cozinha, mas não entrou em casa.

Minha mão estava suja de sangue,mas o corte não parecia ser profundo, lavei-o apenas para constatar que aquilo era mesmo uma mordida, marcas de pequenos dentes estavam cravadas nos meus dedos, fiz um curativo e dormi até meu pai chegar do trabalho.