Quando meu pai chegou em casa fui correndo contar pra ele o que havia acontecido, ele deveria acreditar em mim porque sempre me contava historias sobre fadas, dragões e cavaleiros, mas me enganei, ele me disse que podia ser apenas um esquilo que me mordeu.

Com raiva, eu fui até o quintal, mas a fada não estava mais lá, procurei em todos os cantos, mas não a achei em lugar algum, não sei o que me passou pela cabeça na hora, mas por algum motivo coloquei novamente a mão naquela fenda, tive a mesma sensação de colocar a mão em marshmallow, porem dessa vez senti um puxão, uma forte dor de cabeça, como se eu tivesse corrido da porta da cozinha até a arvore e batido nela com toda a força, perdi a consciência e só acordei ao que parecia ser o sol se pondo.

Senti leves batidas na minha cabeça e ouvi uma voz feminina, fraca e rouca me chamando bem de perto, já estava escuro e não consegui identificar de onde vinha a voz que me chamava, a voz parou e eu fiquei alguns minutos deitado no chão enquanto minha cabeça doía.

Quando finalmente meus olhos se acostumaram à escuridão, percebi que não estava mais no quintal da minha casa, era um lugar estranho, com arvores de folhas escuro e tronco quase negro, ouvia-se também ao longe um barulhinho de agua corrente, segui esse som até ver por entre os troncos das arvores uma luz, como a da fada quando estava em meu quintal. Cheguei mais perto com o máximo de cuidado possível e vi aquela linda criaturinha pegando agua do rio com suas pequenas mãos, ela não tinha notado minha presença ainda, mas senti novamente uma mordida forte no meu pescoço e não consegui segurar o grito de dor.

A fada se virou pra mim, sumiu por um segundo e apareceu de repente na minha frente, mesmo quando ela estava no meu quintal e eu fiquei horas a observando não tinha prestado tanta atenção ao seu rosto, era uma menina bonita, com olhos azuis, cabelo branco e orelhas pontudas, com vários brincos em cada uma, ela devia ter em média quarenta centímetros e, como já tinha citado no começo da historia, ela era pequena e exalava poder, não era como se eu estivesse olhando para uma criatura tão pequena e aparentemente frágil, pra mim era como se eu estivesse encarando um dragão nos olhos.

Ela sorriu pra mim e pediu que eu chegasse mais perto, isso foi um choque pra mim, não pensei que ela pudesse falar e nem muito menos que soubesse meu idioma, eu me inclinei para frente e ela derramou a água no meu pescoço e na minha mão que instantaneamente parou de doer, as feridas foram fechadas como magica, eu olhei pra ela e sorri, mas meu sorriso não foi retribuído, ela agarrou minha mão com força e me puxou em direção ao rio.

O rio era estreito e bem raso, nele nadavam alguns peixes que eu nunca tinha visto, eram compridos e brilhosos como mini cobras brancas, não precisei nadar porque a agua nem mesmo chegava aos meus joelhos.

Quando atravessei o rio, olhei para o outro lado e vi centenas de bolas pretas flutuando na margem do rio, me surpreendi novamente ao ouvir a fada falando, rouca, que aquelas bolinhas eram espíritos maus, que sugavam o sangue de quem quer que entre no seu lado da floresta, ela me disse também que eles não podiam atravessar o rio, me senti aliviado por pouco tempo.

Um grito gutural, forte e bravo, como um leão rugindo veio de trás de nós e senti um braço enorme me levantado a vários metros do chão, não conseguia respirar e acabei desmaiando pela segunda vez no mesmo dia.

Acordei com o canto dos pássaros pela manhã com a fada sentada do meu lado direito, do lado esquerdo estava o braço decepado do gigante que me atacara durante a noite.

Notas finais
Fadas não criaturas tão boas e simples como você pensava.