A volta dos mortos

2 Capítulo 2 - Amalia


Notas iniciais
Até o próximo Domingo~ Espero que gostem! Provavelmente eu irei escrever o próximo capítulo e postar antes, já que eu terei compromisso no Sábado e no Domingo, mas a data em que eu posso postar é no fim de semana.

Amalia desviou-se do ataque do cão negro, usando uma loja como alvo. Ver as pessoas machucadas e o dano ao local fez a menina se culpar por ter feito o cão atacá-los, mas não tinha tempo para ficar observando o cão recuar e ir atrás dela. Apertando os passos, ela correu na direção do homem com a espada em mãos.

Com raiva pelo cara estar fugindo quando poderia encarar aquele monstro, já que estava armado, Amalia respirou fundo e gritou:

— Seu covarde!

O grito saiu no tom suficiente para que Amalia o visse diminuir os passos, procurando quem o chamara. Seus olhos encontraram os de Amalia e ele foi obrigado a parar, deixando que a menina o alcançasse.

Próxima do garoto, Amalia apenas conseguiu identificar as roupas que ele usava — todas de marca, aparentemente, e ele usava um colar com uma conta. Não conseguiu prestar mais atenção. A situação era de vida ou morte.

— Parabéns, sabe o próprio nome — zombou a menina, olhando para trás e vendo a distância entre os dois e o monstro. — O que é aquilo? Por que não está lutando contra ele?

— Aquele é um enorme cão infernal! Eu tentei, mas não adiantou nada. E você é o quê; uma semideusa também? Filha de quem?

Ela fez uma careta, olhando para a espada dourada embainhada pelo garoto. Não deveria estar se metendo nos problemas dos outros, mas desde quando poderia lutar contra um cão daquele porte?

— Me dá.

— Nem pensar! Você, por acaso, sabe matar um cão do inferno?

— Isso deve matar, não é? — ela não esperou que ele a permitisse usar a espada. Tomou-lhe a espada imediatamente, encarando o monstro. — Agora me diga, o que diabos está acontecendo?

Do canto do olho, viu o jovem recuar um passo, visivelmente com temor de que o cão matasse ambos em um único ataque. Era possível, mas Amalia não iria fugir naquele momento. Se existia um monstro como aquele, Marcel poderia estar em perigo. Era o seu dever protegê-lo. E poderia ser a melhor coisa que aconteceria à sua vida.

Segurou o cabo fortemente, com ambas as mãos, esperando o momento certo para cravar aquela lâmina no ser. Observou o animal. O tempo parecia estar fluindo lentamente, permitindo que Amalia contasse cada metro que era diminuído entre os três, além das marcas que o cão deixava e dos gritos por conta da loja destruída.

— Deixe esse monstro, vamos sair daqui — o garoto disse, com cada sílaba chegando lentamente aos ouvidos da menina.

Ela sorriu, sem pensar nas consequências que aquilo traria para sua vida.

Posicionou os pés, esperando e esperando. Viu o cão infernal pegar impulso e pular, desejando abocanhá-la em um instante.

As presas eram enormes e ameaçadoras. O hálito do cão era terrível, deixando a menina com ânsia de vômito, e aqueles olhos vermelhos em sua direção… Ele abriu ainda mais a boca.

Ao piscar os olhos, Amalia estava caída sobre o chão, com a lâmina presa ao céu da boca do cão e com o braço sangrando. Um líquido caía das presas sobre o rosto da menina, que apenas observava o ser começar a se dissipar com uma névoa ainda mais escura.

Ninguém parecia notar o que estava acontecendo, com exceção do jovem que se ajoelhou perto dela, tentando afastar a cabeça do cão. Com o baque surdo da cabeça e do resto do corpo do cão caindo ao seu lado, Amalia sentou-se sobre o asfalto, retirando a espada com facilidade. Não disse uma palavra sequer até a névoa negra desaparecer.

— Saia da rua — disse o garoto, erguendo-se.

Amalia fez o mesmo, deixando que ele a guiasse até o outro lado da rua.

Parte de seu cabelo estava úmido e um cheiro horrível emanava dele. Colocou a espada contra o peito do jovem. Assim que a agarrou, Amalia retrocedeu alguns passos.

— Isso é nojento demais! Salvei sua vida, agora você me deve uma explicação de que merda está acontecendo.

— Eu não pedi para ser salvo.

Ela encarou o rosto brincalhão do garoto.

— Você precisa ver isso aí — apontou para o machucado no braço de Amalia. — Sei de um lugar. Eu estava indo para lá, quando o cão infernal me atacou. Não tive muito tempo para agir.

— Eu não vou a lugar algum com você. Daqui a pouco sara — olhou para a marca da presa do cão. Aquilo doía bastante, porém Amalia não queria deixar que isso transparecesse.

O garoto hesitou. Com um movimento, Amalia observou a espada diminuir até ser do tamanho de um bracelete. O jovem o colocou no braço, certificando-se de que não iria cair caso se mexesse demais.

— Você não sabia que monstro era aquele… Digo, você tem que vir comigo. E se você for uma semideusa? Precisa…

— Preciso que mate monstros quando eles lutarem com você, seja o que for. Não posso nem quero me envolver com isso.

Ele ergueu uma das sobrancelhas. Então, bagunçou o cabelo, pensativo e olhando a destruição que o cão deixara para trás. Amalia seguiu o olhar dele.

— Até hoje de manhã, não acreditaria caso me dissessem que monstros eram reais.

— E deuses também. E não me olha assim. Eu preciso ir. Tem certeza de que… De que não virá comigo?

Ela assentiu, fazendo uma careta com a fisgada em seu machucado. Agora seria a próxima paciente do hospital. Teria de tomar remédio para a raiva, se isso era necessário com um cão daqueles. Droga, e se ele tiver veneno? Mas não podia ir com o garoto! E Marcel? Bom, seus pais iriam até lá…

Amalia sacudiu a cabeça.

— Qual é o seu nome?

— Peter. Peter Scott-Allen. E o seu?

— Amalia Berger.

— Tenho a sensação de que nos veremos novamente — disse Peter, com um sorriso brincalhão. — Espero que não seja assim.

Amalia forçou um sorriso. Antes que pudessem se despedir, Amalia caminhou na direção do hospital, perguntando-se estava bem da cabeça ao ter enfrentado um monstro de mitologias. Ela tinha sido muito idiota, mas uma sensação boa demais invadia seu peito e ela não ligava para isso ou para o tamanho do machucado.

À noite, sem conseguir dormir e apenas virando de um lado para o outro sobre a cama, Amalia passava tudo que acontecera naquele dia em sua mente. Marcel ficaria bem, mas precisaria de remédios para combater as bactérias em seu pequeno corpo. Aquele encontro com Peter e com o monstro era o que mais tirava o sono da menina.

Ligando aquela memória ao convite de Madison, Amalia sentou-se sobre a cama, com o coração acelerado.

— Droga. Eu esqueci do clube noturno.

Amalia fez uma careta, encarando o braço enfaixado. Ela também teria que tomar remédio para infecções. Suspirando, concluiu que estaria ferrada no dia seguinte. Por que um monstro não poderia atacá-la lá também? Ao menos, evitaria todo o estresse com Madison.

Ouvindo o celular tocar próximo dela, Amalia se ergueu para ver quem estava perturbando seu sono.

Jon.

Ela sorriu. Jon era um garoto que havia conhecido há poucos meses, em um dos clubes noturnos que Madison convidara a amiga. Depois dela ser expulsa junto do namorado por causar uma briga, Amalia permaneceu no local e o viu. Fora ele quem dissera algo primeiro, e, desde então, ambos se falavam de vez em quando. Eram as melhores conversas que Amalia poderia ter com alguém.

— Jonathan? — atendeu, ansiosa para saber o que ele iria falar.

— Espero que não tenha te acordado.

— Não consegui dormir — admitiu.

— Ótimo. Eu estarei chegando à sua casa em quinze minutos.

A menina se ergueu, num pulo. Olhou para o pijama que usava e para o braço enfaixado. Tinha que ser Jonathan. Ela deveria esperar qualquer coisa dele.

— O que vai fazer?

— Tem algo que você precisa ver.

Notas finais
Espero que gostem! =D
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.