Notas iniciais
O tema desse capítulo era um pouco mais complicado: você deveria escolher entre Martinho Lutero, Luis XIV e Alexandre, o Grande e fazer uma comparação entre a figura histórica e alguma situação/personagem dentro do capítulo. Eu utilizei Alexandre, o Grande.

“T.L.,

Não sei como me referir a você, ou se deveria estar escrevendo. Gostaria de poder explicar de uma maneira que não soasse estranha, mas não sei se ela existe. A questão é: venho lendo as cartas que você deixa para Virgínia, que é (era) minha avó, e elas me partem o coração. Gostaria de conversar com você, talvez pudesse”

Parou de escrever, amassando a quarta tentativa de resposta. Só era estranho, ele provavelmente pensaria que alguém queria sequestrá-lo e vender seus órgãos, no lugar de T.L.. Bem, pelo que não sabia, o próprio T.L. poderia querer fazer isso com ele, então talvez não devesse se importar tanto. Mesmo assim, tinha medo de assustá-lo(a) e nunca mais ouvir falar de sua existência ou da morte do casal pelo qual sofria. Se isso acontecesse, Arthur teria também de lidar com a culpa de tirar aquele pequeno consolo que essa pessoa aparentemente tirava de “conversar” com sua avó morta.

Deixou a caneta de lado e reabriu a última cartinha que encontrara. “Querida, ainda que silenciosa Virgínia”, ela começava:

“Acreditava que minha paz e felicidade me pertencessem, alguns meses atrás, porém a verdade é que eram dádivas frágeis e com data de validade. Mila me afastou de qualquer conflito, rodeando-me de carinho e mais carinho, no entanto esse doce abrigo em que me colocou era fraco e não tinha nenhuma sustentação além dela mesma. Foi por isso que, assim como a pretensão de cultura universal e o grandioso Império de Alexandre, o Grande, nada disso sobreviveu a ela.

Estou completamente a mercê do mundo e de seus terrores, agora, e não sei se consigo lidar com isso. Foram eles que tiraram a vida de Mirela. Gostaria de ter alguém para me amparar, eventualmente, ou apenas dar algumas palavras de consolo. Claro, tenho minha mãe, meus amigos, até, mas por algum motivo não me sinto confortável para falar de nada disso com eles. Mamãe já tem peso demais nas costas, tudo que eu menos quero é acabar sendo mais um.

Você me ajuda, de alguma forma. Gosto de escrever para a senhora, é fácil fingir que alguém se importa quando estou fazendo isso, então agradeço por seu apoio silencioso.

Com carinho, T.L.”