Notas iniciais
Espero que gostem :D

Sexta-feira, 31 de agosto de 2012. Um belo dia para sair na rua e dizer "olá, mundo", ou não. A partir daqui, o que irei relatar é uma história de coragem, de batalha. A história de um garoto que teve sua vida virada de ponta-cabeça, mas mesmo assim, não se abalou (talvez ele se abalou algumas vezes sim, mas isso não vem ao caso).

Victor Felt, 12 anos, cabelos castanhos claros, pele branca e olhos cor mel. Acabava de voltar para sua pequena cidade ao sul do Canadá, EartHills, depois de uma excursão de dois dias a um acampamento na floresta. A cidade estava um pouco deserta para um dia de trabalho. Na verdade, estava totalmente deserta. O motorista do ônibus, um homem baixinho e gordo que aparentava ter em torno de 36 anos iria deixar cada criança em casa. Victor foi um dos primeiros a serem deixados. Ele estava muito ansioso para contar aos pais como havia sido a viagem.

Assim, ele abriu o enorme portão de vidro da sua casa que também poderia ser chamada de mansão, já que seus pais são os mais ricos da cidade. Ele entrou, o enorme jardim da casa era uma beleza aos olhos. Assim como a cidade, sua casa também estava muito silenciosa.

— Mãe? Pai? — ele gritava — Mãe! Pai! Eu já cheguei, já estou em casa!

Ele se aproximava da porta de entrada. A única coisa que ouvia eram alguns gemidos e grunhidos esquisitos. Ele começava a ficar nervoso. Cidade deserta, casa silenciosa, grunhidos estranhos. Ele enfim abriu a porta. E o que ele viu não foi uma coisa muito boa.

Era o seu pai. Ou quase ele. A aparência dele estava horrível. Pele espumosa e manchas roxas por todo o corpo, seu olhos estavam com uma cor acinzentada e suas pálpebras paralisadas. Muitas marcas de mordidas se espalhavam pelo seu braço. E o sangue, o sangue escorria por todos os lados e vinha de todos os lugares. Um sangue grosso e vermelho vinho. Ele examina Victor, olhava, imóvel

— Pai? — disse Victor, recebendo um enorme "rugido" como resposta.

Victor gritou, morrendo de medo. E corria desesperadamente para o fundo da casa, enquanto o "seu pai" andava a passos lentos, mas com sede de sangue. Ele entrou num quarto aos fundos da casa, que seus pais guardam algumas tranqueiras.

— Meu Deus do céu, me ajude! — Victor estava desesperado — O que é aquilo senhor? Por que eu tenho certeza que não é meu pai.

O monstro que o pai dele se transformou batia na porta. A força que ele tinha era impressionante, visto que ele parecia muito fraco exteriormente. Victor lembrou-se da porta no final do quarto que dava direto na cozinha da casa. Mas também lembrou que ele havia deixado a porta de entrada aberta. Se ele fosse rápido ele podia fechar. Então foi o que ele fez. Ele correu o mais rápido que pôde e fechou a porta. Ele agora estava trancado em casa com uma versão horrível do seu pai do lado de fora. Mas e a mãe dele? Onde estava? Ele não sabia. Mas ainda tinha esperanças de que a mãe dele estivesse viva.

— Mãe? A senhora está aí? — ele perguntou — Por favor mãe, esteja aí — lágrimas caiam dos seus olhos — Esteja viva, por favor!

— Filho?! — uma voz vinha do primeiro andar da casa.

— MÃE! — Victor falava, emocionado.

Ele subiu as escadas, e procurou de quarto em quarto, até encontrá-la trancada no closet.

— Filho! — ela chorava bastante — Como é bom te ver!. Eu estou aqui a mais de oito horas. Eu já não tinha esperanças. Pensei que seu pai fosse me matar.

— Mãe, como aquilo aconteceu? Com o meu pai? Por que ele está daquele jeito? — Victor perguntava.

— Foi horrível Victor, horrível! — dizia a mãe dele, Aurora Felt — Ele chegou aqui completamente ensanguentado, ardendo em febre e cheio de mordidas. Ele disse que tinha sido umas pessoas na rua. Depois... Depois ele... Ele desmaiou, eu chorava muito, pensei que ele estava morrendo. Mas o que eu não sabia era que na verdade ele estava. Os olhos dele ficavam mudando de coloração, e ele tinha alucinações terríveis. Até que... — ela não aguentou e começou a chorar — Ele morreu. O coração dele parou de bater. Ele estava morto filho, morto! Mas aí ele se levantou da cama. Eu por um momento tinha ficado feliz, pensei que ele estava melhorando, mas não estava. Ele tentou me atacar, e então eu corri pra esse quarto e me tranquei no closet.

— Temos que ir embora mãe, temos que sair daqui — Victor estava gaguejando — Eu sei que pode parecer difícil mas... Mãe, nós temos que matar o meu pai!

— O quê filho? — Aurora ficou surpresa e ao mesmo tempo preocupada, olhando arregalado para Victor — Você não pode estar falando sério, nós não vamos fazer isso. Nem pensar!

— Mãe, você não percebe? Ele está morto mãe! — Victor gritava o mais alto que podia, e suas lágrimas continuavam a cair — Ele está morto! Se a senhora não me ajudar, eu faço sozinho!

A mãe dele, desesperada, decidiu que iria ajudá-lo a "assassinar" uma pessoa que já estava morta. O pai dele. A pessoa que o viu nascer, dar os primeiros passos, as primeiras palavras. A pessoa que cuidou dele, e fez o máximo que pôde para ajudá-lo a se tornar um adulto educado, gentil.

Aurora lembrou da espingarda que o pai de Victor tinha. Ele a usava para caçar pequenos animais selvagens na floresta. Ele a guardava justamente naquele quarto que Victor se escondeu do pai. Eles desceram as escadas do primeiro andar cuidadosamente, passaram pela cozinha e abriram a porta do pequeno "quarto de tranqueiras". Graças a Deus o pai dele não conseguiu quebrar a porta. Victor pegou a espingarda do pai e toda a munição que lá havia. Para uma criança de 12 anos ele era bem esperto. Ele sabia manusear a arma, o seu pai havia ensinado a uns 2 ou 3 anos atrás.

— Agora que já pegamos a arma precisamos de comida, já que vamos embora daqui.

— Toda uma vida perdida — Aurora estava muito triste — Uma vida de muito trabalho para conseguir comprar essa casa, nossos carros. Eu não queria sair daqui.

— Ah... Então você prefere ficar aqui? Sem energia. E se a comida acabar um dia? E a água? Mãe, a cidade está deserta. Nós temos que ir embora, procurar algum abrigo, pessoas vivas.

Depois de muita insistência Aurora decidiu ir embora da casa. Mas, antes de ir embora eles teriam que fazer o inevitável, mas que eles tentavam evitar. Quando abriram a porta da sala o seu pai estava lá. Com uma aparência um pouco pior do que ele estava quando Victor chegou. Era como se ele estivesse se desgastando naturalmente. Victor apertou o gatilho diretamente no coração do pai. E o que aconteceu foi exatamente... Nada! O pai dele continuava de pé.

— O quê? — Victor se questionava — Mãe, ele ainda está vivo! Por que? Ele agora é um monstro imortal? Mãe como vamos sair daqui?

O pai de Victor abriu sua enorme boca com a intenção de comê-lo. Victor estava desesperado. Ele atirava sem parar. E o pai dele continuava de pé. Até que, com um tiro no meio da cabeça, no cérebro, ele caiu duro no chão.

— Ma... Ma... Mãe — ele não acreditava no que via — Pra matar esses monstros nós temos que atirar no cérebro!

— O que são essas coisas? — dizia Aurora.

Eles abriram o portão da casa. E na mesma hora, puderam ver muitos mortos-vivos andando pela rua. Os mortos perceberam a presença de carne humana e já começavam a olhar sedentamente para os dois.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.