A verdadeira magia
3 O buscar
Notas iniciais
Depois de acordar e me preparar para sair para a escola, fui pegar as minhas cartas e levá-las para a escola. Achei Velocidade devidamente guardada no protetor que tinha colocado antes, mas o local que estaria Dimensão alternativa estava vazio. Entrei em pânico. Tentando primeiro relembrar o que tinha feito ontem, encontrei em cima da mesa meu relógio rodando o cronômetro. Ah, sim, eu estou com ela. Chamei a carta para minha mão. Sem resposta. Concentrei mais na carta, só que não veio. Outra restrição pra carta. Chamei o lápis de volta, então a carta pode vir. Já mais calmo, comecei a descer as escadas e me dirigi até a loja do senhor Burlin. Geralmente ele não está de manhã, mas a loja está aberta a essa hora. Passei rapidamente pela sessão de cartas, mas não tinha nenhuma que pareça fazer parte da coleção de Velocidade ou Dimensão alternativa, então prossegui rapidamente para a escola. Como hoje eu cheguei mais cedo, talvez eu consiga vê-la chegando. Com esse pensamento prossegui para o portão.
Dez minutos de alunos entrando e nada de Amanda aparecer. Desisti de esperar e comecei a andar para minha sala. Chegando na sala, indo em direção à minha mesa de sempre, pensei que ficar na janela seria uma vantagem hoje, mas não podia. As cadeiras eram assinaladas, e também me atrapalharia nos estudos. Mas eu já ia ficar preocupado em achá-la na escola, ou seja, já não estaria prestando atenção mesmo hoje. Aula de história, Deus me livre. O tédio do assunto mais a voz do professor mais a velocidade da fala dele, isso conseguiu esticar o tempo para o infinito. Após anos de tortura, que dizem que foi uma hora e quarenta minutos, fomos liberados para o intervalo. Desci correndo, sem Velocidade, é claro, e cheguei na parte onde todos os alunos passariam, de uma forma ou outra.
De acordo com uma foto no face ela pintou o cabelo no mês passado. Não sei se a tinta continua, pois era um tom azulado na raiz e rosa nas pontas, brilhando como luzes de boate, e essas tintas de rave doida sai facilmente, mas procurarei principalmente pelo cabelo.
Após alguns minutos de procura, eu comecei a me sentir estranho por tentar achar ela assim, então comecei a pensar um pouco sobre ela, pra tentar achar um jeito mais fácil de achá-la. Indo em direção à sala, tentando relembrar o que sabia sobre ela, fui repassando as informações mentalmente.
– Cabelo azul e rosa... Recente... Talvez, mas ainda visível... — Comecei a balbuciar sem perceber, até que Diego se aproximou.
– Falando sozinho de novo? Revendo alguma coisa da escola? — Ele falou com um sorriso no rosto.
– Você já sabe que não, Diego. Seu sorriso te entrega. — Ele parou de sorrir e começou a pensar.
– Assim é sem graça. Me diga, em quem você estava pensando agora? — Ele falou.
– Se eu te disser, promete que me ajuda a achar? — Perguntei, com medo da resposta dele.
– Sim. — Falou, já sorrindo de orelha a orelha de novo.
– E não contar pra ninguém além de mim? — Falei. O sorriso sumiu.
– Droga. Queria dizer pra escola que o nerd virou homem... — Era isso que você estava preocupado em fazer?
– Não é isso. — Comecei a explicar. — Eu achei uma postagem dela sobre uma carta de uma coleção que eu preciso completar. Ela tinha achado na biblio... — Parei no meio da frase, me virei e comecei a correr.
– Espera, aonde você vai? — Perguntou ele, sem entender nada.
– Onde mais, no lugar que ela está. — Falei correndo até o lugar que ela estaria com certeza.
Chegando perto do local diminuí minha velocidade. Entrando calmamente pela porta, vi logo a imensidão do lugar. Não que a biblioteca seja realmente grande, mas foi isso que pareceu no momento. A corrida, também, havia me deixado cansado, e foi num ritmo lento que comecei a andar por entre as estantes de livros. Como ela não tinha dito o livro, nem mostrado, comecei pela estante mais perto, e iria seguir procurando. Tentei por todas as prateleiras, mas não encontrei ela. Resolvi procurar pelas mesas, onde muitas vezes estudantes se sentavam pra estudar os livros. Burro, porque não pensei nisso antes? Droga. Cansadamente me dirigi até as mesas, vendo que muitas estavam sem estudantes. Nenhum cabelo de cor diferente, nem garotas, pra falar a verdade. Derrotado, começo a me dirigir até a sala.
Saindo da biblioteca, ouvi o sinal indicando para voltarmos à sala. Depois de ter esgotado as ideias e minha fadiga da corrida estar gigantesca, cheguei até a sala. Notei, logo do lado do meu assento, Amanda. A surpresa foi tão grande que eu tropecei na entrada da sala. Foi tão rápido que até a professora se assustou. Na queda, que muitos riram e outros se levantaram de preocupação, Amanda ficou quase imóvel. Só uma olhada rápida, e já voltou sua atenção para seu caderno. Me levantei, garanti que estava bem, e retornei ao meu lugar.
Sentei-me, e tentei não parecer interessado em falar com ela. A professora, depois de seu susto, começou a escrever na lousa o conteúdo de hoje. Não estava anotando nada, mas não pelo motivo de sempre. Estava focada na Amanda quase que o tempo todo. Meus olhos sempre se desviavam para a direção dela. Resolvi chamar sua atenção, então arranquei uma folha do caderno, fiz uns desenhos, e mandei pra ela.
Tinha feito pra ficar parecido com o layout do bate-papo do MSN, pra ver se conseguia uma resposta. Mandei falando que queria falar com ela. Ela, surpresa minha, deu uma pequena risada, bem baixa, e começou a escrever.
Filipe diz:
Amanda, queria falar com você.
Amanda diz:
Sobre o que, Filipe?
Bom, ela talvez fale mais comigo.
Filipe diz:
Eu conversei com você pelo face, sobre a carta.
Você disse que tinha achado ela dentro de um livro.
Passei a folha pra ela. Ela leu, olhou pra mim, como que surpresa, e começou a escrever de novo. Ela me passou a folha, então li rapidamente.
Amanda diz:
O dono dela já apareceu.
Eu tinha te falado isso.
Filipe diz:
Amanda, eu sei disso.
Mas essa carta é de um set que eu procuro há muito tempo.
Você pode pelo menos me dizer quem é o dono, pra eu tentar uma negociação?
Enviei pra ela. Ela leu, olhou pra mim, e escreveu de novo.
Amanda diz:
Hoje, depois que acabar a aula, a gente conversa melhor.
Li e fiquei mais aliviado. Olhei pra ela agradecido. Vou ter que avisar minha mãe sobre isso. Quando estava prestes a pegar meu celular pra avisá-la, recebi um toque de uma folha do meu lado esquerdo. Emílio me passava uma folha de papel. Quando olhei pra ela, já sabia de quem era.
Tá tentando chamar ela pra sair usando isso?
Conseguiu?
Diego, ele já sabia que eu fazia isso de vez em quando, com muita gente. Geralmente para meus amigos homens, e em grupo. Me ver fazendo isso com uma garota era impensável pra ele.
Te aquieta, pervertido.
Vou falar com ela mais tarde, no refeitório.
Não se atreva a me seguir.
Passei para Emílio, que foi fazendo a folha passar até Diego. Quando ele terminou de ler, ele olhou pra mim, assustado, pro papel novamente, depois pra mim, como se esperasse confirmação. Acenei positivamente pra ele. Após isso peguei a folha de conversa com Amanda e escrevi mais uma fala minha.
Filipe diz:
Meu amigo percebeu.
Nos encontramos na biblioteca, pra evitá-lo.
Nesse meio tempo, antes de passar o papel para Amanda, recebi uma bola de papel na cabeça. Olhei pra direção que ela veio, e pra minha surpresa, não mesmo, estava um Diego levantando as sobrancelhas como um maluco. Mandei ele se catar, na nossa forma de código especial, e voltei minha atenção a Amanda.
Passei o papel e aguardei a confirmação. Ela terminou de ler e olhou pra mim, confirmando com a cabeça. Ótimo, pelo menos vamos conversar longe de Diego. Após ter arrumado tudo isso, me foquei na aula de verdade. A professora, que tinha passado o tempo todo escrevendo no quadro, começou a explicar e exemplificar tudo escrito. Graças a Deus essa aula fluiu rápido.
A professora tinha duas aulas, onde a primeira era explicação, e a segunda era exercícios. Quem terminasse os exercícios eram liberados para saírem da sala. Eu geralmente saía com Diego, mas dessa vez preferi terminar bem rápido e ir logo pro ponto de encontro. Amanda saiu ainda mais rápido do que eu. Demorei mais uns minutos pra poder entregar o meu, no qual a professora corrigiu e me liberou. Saí já em disparada para a biblioteca, deixando Diego me olhando sair, mais com cara de safado alegre do que de surpreso abobadado.
Chegando à biblioteca, encontrei logo com Amanda. Ela estava sentada numa das mesas, bem longe da visão de muitos. Uma mesa longe das janelas e longe da luz, equipada com uma pequena luminária para iluminar nos dias mais escuros.
Me sentando próximo a Amanda, senti que podia saber ao menos o paradeiro da carta, que eu tenho certeza de que não tinha sido passada para ninguém.
– Amanda. Eu queria saber sobre a carta.
– Filipe. Eu já te falei sobre a carta. — Ela respondeu num tom similar ao meu.
– Ao menos me diga quem a tem agora.
– Não lembro o nome dele. Só lembro que isso foi há muito tempo.
– Três meses não é muito tempo. — Falei, como se dissesse o óbvio.
– Como assim três meses? — Ela perguntou.
– Eu procurei minhas cartas online, pra achar informações sobre elas, e achei um link quebrado de três meses seu com uma carta que pode ser da coleção.
– Espera ai, você tem quantas cartas? — Ixi, ferrou.
– Uma só. — Menti, tentando ao máximo enganá-la.
– Você falou cartas, plural. Quantas você tem?
– Uma só mesmo. — A mentira não tava saindo boa.
– Filipe, não minta. Eu vejo na sua expressão que você está mentindo.
– Você é uma especialista em mim? — Tentei evadir a pergunta.
– Não. Mas você tá mentindo. Eu tô sentindo. Diga logo quantas você tem. — Mas não deu certo. Espero que eu não me arrependa disso.
– Tenho duas.
– Quais? — Isso foi mais uma ordem do que uma pergunta.
– Preciso mesmo?
– Sim. — A firmeza dela era assustadora.
– Ok. Velocidade e Dimensão alternativa. — Falei de uma vez.
– A que eu tenho é Transformação. Me diga, o que elas são?
Saber que a carta existe eu sabia, até seu nome eu pude ver na internet.
– Elas são... Espera aí. Como assim a que você tem? Você disse que tinha devolvido ela faz meses. — Ahá, está com ela ainda.
– Eu devolvi. — Agora eu sei que você está mentindo também.
– Não devolveu. Pra notar o que o outro diz você deve notar o que você diz também. Está com você, não está?
– Não, não está. — Ela falou e desviou a atenção.
– Está. Dá pra ver no seus olhos. Agora, o que você sabe sobre as cartas?
– Eu…
– Não minta.
– Sabe, você é muito curioso. — Agora sim, não tem como negar.
Fiquei unicamente olhando para ela, até que contasse.
– Não devolvi a carta. — Ela começou. — Nem achei um dono. Eu estou com ela lá em casa. A postagem, eu excluí quase que logo após postá-la. Acho que já tinha ido pra rede nessas horas.
Concordei. Tanto que o link pra postagem no Face mesmo não aparecia direito, só a foto pelo Google.
– Achei que era uma carta rara, rara até demais pra deixar qualquer um tê-la.
– Você está com ela aí?
– Eu deixo ela guardada onde ninguém pode ver — Ela continuou. — Li a descrição milhões de vezes, mas não sei que significa realmente. Agora, Filipe, — Ela segurou em minhas mãos. Isso não ia funcionar tão fácil. — me diga, o que elas são?
Hesitei um pouco. Conto pra ela sobre tudo? Ou minto e saio? Já revelei boa parte, agora ela não vai me deixar sair mesmo, vamos contar tudo.
– São cartas muito, muito especiais. Elas manipulam seus usuários. — Pelo rosto dela não houve aceitação da minha fala. — Deixa eu explicar.
Puxei ela para um canto mais escondido da biblioteca, numa seção de livros antigos. Enquanto ela não via, ativei Dimensão alternativa. Peguei um aleatório e me preparei.
– Eu estou usando agora Dimensão alternativa. Ela permite mandar qualquer coisa para um espaço paralelo, do modo que eu quiser. Observe. — Peguei um livro pequeno da estante.
Afastei um pouco e me concentrei. Foquei meu olho no livro, e o teleportei para minha dimensão. Olhei para Amanda, que me olhava boquiaberta. Teleportei o livro de volta, e então continuei a falar.
– Viu? Essa é Dimensão alternativa. As cartas mudam quem as usa. — Amanda continuava sem falar. — Amanda? — Cheguei perto dela e passei minha mão na frente dela. — Amanda? Acorda. Tem mais.
Falando isso ela despertou.
– O que foi isso? — Ela falou isso quase gritando. Teve alguns sussurros de resposta.
– Calma, silêncio. — Falei mais perto ainda. — Essas cartas são muito importantes, então se acalme. Olhe só.
Me afastei dela, e me concentrei na carta. Assim que pensei nela, ela reapareceu na minha mão. Amanda boquiabriu-se de novo. Chegando perto dela, dessa vez pus minha mão na boca dela.
– Amanda, tem mais.
– oh e fhon hio? — Gritou, mas eu abafei.
– Calma, espera, vou explicar. Mas não aqui. Parece que você vai atrair ainda mais atenção. — Tirei minha mão da boca dela e me afastei. — Sem querer me meter muito, mas onde você mora? — Ela ficou aparentemente chocada com a pergunta. – Pergunto isso pra saber se sua casa é mais perto ou a minha.
– Eu moro subindo a ladeira.
– Unn, muito longe. — Falei pra ela. — Você se importa em ir na minha casa hoje?
– Bem, convite inesperado. — Ela estava visivelmente incomodada por isso. — Vou avisar para meu pai. Vamos indo pra saída, ele provavelmente está lá me esperando.
Saímos de lá e fomos logo em direção à saída. A muvuca ainda estava grande, e passamos rapidamente por ela até o portão. Amanda me indicou o caminho, e fui seguindo de perto. Ao chegar no portão, Amanda começou a olhar ao redor procurando seu pai. Ela achou e me puxou para lá. Passamos rapidamente pelos carros, atravessamos a rua, e chegamos a um Fiesta preto. Ia ficar um pouco atrás, mas ela me puxou e me levou até a janela da frente.
– Pai.
– Oi, Amanda. — Falou, então olhou pra mim. — Ah, e olá pra você.
– Olá, senhor. — Falei, soando um pouco nervoso.
– Sem necessidade de senhor, garoto. — Ele respondeu com um sorriso. — Então, você deve ser o namorado da minha filha.
Nesse momento aconteceu uma disputa para ser lembrada sempre. Eu e Amanda ficamos vermelhos, ela brigou com o pai e eu fingi não entender e comecei a olhar para qualquer outro canto.
– Pai! Para com isso.
– Oh, desculpa, me sinto horrível. — Ele falou com um sorriso de quem se sente muito feliz. — Quem é ele então?
– Ele é…
– Sou um amigo, sen... — Parei. — Sou um amigo.
– Ah, sim, um amigo. — Deu ênfase especial no amigo.
– Pai, posso ir pra casa dele hoje? Temos um trabalho pra fazer. — Ela falou. Com a cor de volta ao normal e a maior cara de tacho, ela mentiu para o pai facilmente.
– Ok, certo, pode ir. — Ele acreditou? — Só saiba que estou jovem demais pra ter netos. — Completou, e começou a rir.
Mais um round de quem fica mais vermelho, sem contar minha observação dos edifícios do lado.
– Pai! Para com isso! Somos só amigos! — Gritou bem fininho.
– Tá bom, eu ligo pra você quando for te pegar. Tchau, filha. — Falou isso, depois olhou pra mim. — Tchau, garanhão.
Fechou o vidro e saiu rapidamente dali. Não deu tempo pra ele ouvir os gritos de Amanda, nem pra me ver olhando para uma árvore desesperadamente.
Minha contagem de folhas da árvore foi interrompida por Amanda me cutucando.
– Ai, parou, isso dói.
– Então não viaja. — Estava vermelha, mas num tom bem mais fraco.
– Vamos indo.
– Certo, me siga.
Comecei a caminhar para a loja do senhor Burlin. Amanda me seguia de perto, enquanto chegávamos até a loja.
– Você mora aqui? — Ela falou torcendo o nariz.
– Não, não. Nessa loja tem de tudo.- Falei. — Foi aqui que achei as minhas.
– Já procurou pra ver se tem mais?
– Já, mas não tem. Pedi pro dono me avisar se achasse mais alguma parecida nas viagens dele. Vamos continuar?
– Espera, quando você disse tudo, é tudo mesmo? — Ela perguntou.
– Bem, tudo até o ponto de existir. — Falei em resposta. Isso foi até poético. — Se existe no mundo, deve existir aqui. Quer dar uma olhada antes? — Perguntei, querendo muito ouvir um não desta vez.
– Sim. Eu sempre procurei um lugar pra achar algumas coisas.
Sem demonstrar derrota, entrei com ela na loja. Para aproveitar a visita, usei Velocidade e passei rapidamente pelas seções. Consegui ver tudo o que acompanho em poucos segundos. Parece que Velocidade pode aumentar a percepção das coisas também. Bom demais.
Esgotado da minimaratona, comecei a procurar Amanda. Encontrei ela entretida numa coleção de bonecas de porcelana, bem antigas e conservadas. Me aproximei dela e observei as bonecas também. Algumas rachaduras suaves enfeitavam os rostos de cada boneca. Parecia que era um toque desejado para a porcelana, como se fosse uma identidade de cada uma.
– Lindas, não?
– Sim, certamente.
– Cada boneca era feita, geralmente, sob medida para a filha de uma família rica. — Ela explicou. — No começo, quando elas foram feitas pela primeira vez, era usado o cabelo e as roupas da menina, para dar um efeito mais similar à ela.
– Uau, isso é verdade? — Perguntei admirado.
– Claro que não. — Ela começou a rir. — Você acha que fariam bonecas com cabelo humano pra vender? — Ela riu ainda mais.
– Faziam bonecas assim, tá? — Falei em deboche. — Melhores fontes de fantasmas.
– Ah, não me diga que você assistiu Sobrenatural…
– Sim, assisti. E Annabelle também. Pelo menos eu sei que eu devo queimar a maldita boneca. — Falei rindo.
– Ah, tá bom. Vamos indo?
– Vamos.
Depois de sairmos da loja, seguimos para minha casa. Chegamos, entramos, e procurei logo minha mãe. Meu pai estava no trabalho a essas horas, então chamei por ela.
– Mãe!
Nada. Nenhuma resposta. Fiquei preocupado. Ela nunca sai de casa pela tarde, e quando sai me manda um aviso pelo celular.
– Amanda, algo não está certo. — Falei baixo pra ela.
– O que você quer dizer? — Ela sussurrou.
– Minha mãe não sai sem me avisar. Fique aqui em silêncio, por favor. Eu vou procurar minha mãe.
Direcionei ela pra sala, onde vi que não havia nada, e segui para a cozinha e peguei uma faca. Temia que fosse assalto, então peguei uma longa e estreita. Velocidade já estava equipada, então equipei Dimensão alternativa e deixei minhas coisas na sala.
– Mãe, cheguei! — Olhei pra Amanda e pedi silêncio. Segui para a escada e dei uma olhada rápida para lá.
Vazia. Nada em cima. Subi lentamente a escada. Passo ante passo, me aproximei de onde a escada termina, e coloquei a cabeça bem perto do chão pra olhar o corredor. Tinha um homem ali.
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