A verdadeira história de Lorule
1 Capítulo 1
Há muito tempo atrás, numa época em que a infelicidade era desconhecida pelo povo, um rei egocêntrico e ambicioso, alguém não qualificado para o cargo de regente. Suas ações políticas não eram postas a pratica, graças à rainha, que mulher mais sábia em todo o reino não havia.
O rei por si guardava muitos segredos, e um deles era o seu envolvimento desde jovem com magia, porém era a pior de todas, magia negra. Ele a utilizou apenas uma vez durante a juventude, que foi no dia em que através de uma poção, conseguiu fazer a princesa do reino se apaixonar por ele. Desde deste dia, ele começou a criar um plano em que iria conseguir o poder absoluto do reino; um poder muito além do político.
Num dia, um senhor que morava em uma vila descobriu os poderes que ele tinha e o plano que criava, e contou para quantas pessoas podia, o que causou uma revolta do povo por terem descoberto que o plano se tratava do rei fazer um desejo para uma poderosa relíquia sagrada de ter o poder absoluto de tudo deste reino e de outro que existia, em um lugar muito distante.
Num ato de vergonha dos atos de seu marido, a rainha fez a pior escolha possível quando chegou à relíquia sagrada, nomeada de Triforce, e pediu que a mesma fosse destruída. Ao mesmo tempo, o reino entrou em caos e tudo ficou pior e mais escuro.
As árvores perderam a cor vibrante que tinham, o povo ficou mais violento e revoltado, as criaturas, relacionadas a monstros que um dia foram extintos retornaram, e a infelicidade tomou conta em todos. O rei nunca mais fora visto, e a rainha morreu antes de saber o que havia acontecido com o seu marido. Até hoje, a família real de Loure, o nome que foi dado no reino devido ao baixo segmento das regras impostas é odiado pela maioria das pessoas. O reino inteiro ficou sem esperança de melhoras.
Este foi um capítulo da história do reino que permanece até hoje.
-Eu gosto dessa história por algum motivo, não me pergunte qual é. –Um menino de cabelos negros disse, segurando um livro antigo de capa e título desgastado. –Tem um toque tão sombrio e estranho. Você não gosta dele, irmã?
-Eu a odeio. É apenas uma representação antiga que comprova que o nosso reino não tem mais nenhuma esperança, ela apenas me deixa depressiva por isso. –A irmã, idêntica ao menino, tinha olhos de pupilas vermelhas.
-Nossa, você é muito pessimista. Tenho até pena de você. É apenas uma história. –O irmão colocou o livro em uma estante cheia de livros ao lado de sua cama.
-Diferentemente de você, eu sou realista. São coisas totalmente diferentes, e não é apenas uma história, isso foi algo que realmente aconteceu há séculos.
-Mesmo? Pensei que fosse apenas uma daquelas histórias que são contadas para nós antes de dormirmos. –A menina sentou-se na sua cama, soltando o seu cabelo escuro roxo que estava preso a uma trança embutida, deixando-os cair em suas costas como cascatas. –É ótimo saber disso, daí a deixa mais legal.
-Quírio, é por causa disso que aconteceu que o nosso reino é esse caos! Não tem nada de legal nisso. Se não fosse por esse rei, as árvores teriam uma cor cheia de vida, ou até mesmo o céu seria mais claro, tudo poderia ser melhor!
-Talvez você esteja certa, mas não conseguiu mudar a minha opinião. –O irmão deitou-se na sua cama para esperar um boa-noite de sua mãe. –Mas agora que você me disse, eu admito que talvez fosse muito melhor se a nossa relíquia sagrada ainda existisse.
-Pena que isso é impossível de acontecer. –A resposta dela foi simples e grossa.
-Ou não, nada é realmente impossível.
-É sim. Se você pular da janela e tentar voar, por exemplo, o mínimo que aconteceria é que você caísse e morresse. Viu? O impossível existe.
-Poxa, Hilda. Obrigada por mostrar que você é mais pessimista do que eu imaginava. –Ela se calou por alguns instantes, o que fez o irmão pensar que ela havia adormecido. Se existia algo que lhe incomodava era o fato de seu quarto ser o mesmo de sua irmã. –Eu acho que um amigo poderia mudar a sua opinião.
-Já lhe disse isso antes e direi novamente; eu não preciso de amigos. Estou perfeitamente bem com os meus livros.
-Todo mundo precisa de amigos, irmã. Você com certeza não é diferente. Veja por exemplo do meu amigo, tudo ficou muito melhor depois de eu ter o conhecido. Antes, eu era muito solitário, e agora... –Ele foi interrompido com um grito de sua irmã.
-O Vaati não me importa! O que tem de diferença se você é amigo dele ou não? E, aliás, que péssimo exemplo, ele é uma ameaça a você, eu consigo sentir isso. –O irmão pós a língua para fora.
-Viu? Você seria mais calma se tivesse um amigo para conversar, e até mesmo gritar por brincadeira. –Ele sabia que sua irmã era alguém difícil de conviver por ser ela mesma, mas isso não o impedia de sempre estar enchendo ela com seus comentários.
-Cala a boca, Quírio! –Ela deu um grito tão alto que mal ouviu a porta se abrindo. –Como é que você vai governar o reino todo quando for adulto dessa maneira?!
-Vocês estão bem falantes hoje, eu não posso negar isso. –Uma mulher ruiva entrou no grandioso quarto dos irmãos, que era algo digno para pessoas da classe em que eram. Pilastras de mármore, estantes cheias de livros, carpetes brancos como a neve cobrindo todo o piso e entre outros móveis diversos.
-Oi Luna. –Os dois disseram juntos, cobrindo-se até o queixo para agüentar o frio da noite. –Desculpa Luna.
-Do que vocês dois estavam falando? –Ela se sentou na ponta da cama de Hilda. –Ouvi alguns gritos de outro cômodo.
-Advinha de quem eram? –Quírio disse. –Nós estávamos falando sobre a incredibilidade daquela ali.
-Luna, você não acha que é impossível desfazer as coisas que os nossos antepassados fizeram? Quero dizer, achar aquela relíquia sagrada e poderosa na qual está escrita no livro de histórias da minha família?
-Talvez. –O irmão fez um sorriso para a irmã. –Quando eu era pequena, li um livro no qual dizia que existia um mundo paralelo ao nosso, com mesmas pessoas, mesmos lugares, e com a mesma relíquia sagrada. A única coisa é que não sei se isso é verdade.
-Claro que é! Viu Hilda? Nada é impossível!
-Quer o exemplo da janela de novo? –Luna questionou sobre a pergunta da menina. –Acho que não. Desculpe-me, mas apenas acreditarei em toda essa história se eu conseguir alguma prova verdadeira sobre isso.
A babá dos irmãos cobriu-os mais uma vez e deu-lhes um beijo na testa de cada um. Como durante todas as noites era a mãe dos gêmeos que lhes davam o boa-noite, e não Luna, Quírio perguntou com curiosidade o que havia acontecido. –A mãe de vocês precisou fazer uma viagem de última hora. Ela está indo para uma reunião em um reino vizinho.
-Que estranho ela não contar isso para nós. O papai foi junto?
-Não, ele também tem algumas coisas para fazer. Enquanto isso, eu ficarei cuidando de vocês, pelo menos até sua mãe chegar de viagem. –Quírio fez um sorrisinho com o rosto.
-É claro, se ele tivesse de cuidar de alguém seria com o meu irmão. –A menina disse um pouco triste. –Ele mal olha para a minha cara durante as ceias todos os dias.
-Não seja tão dura consigo mesma, Hilda. Seu pai te ama de qualquer jeito. –Luna tentou tirar aquela opinião precipitada dela. –Tudo isso por que seu irmão virará rei um dia, e ele precisa de um maior cuidado e mais atenção.
-Eu também sou filha dele! Eu não mereço também um pouco de carinho? Ele nem está muito presente no meu cotidiano, mal me lembro de como é a voz dele.
-Ela seria mais feliz se tivesse um amigo. –Quírio sussurrou no ouvido da babá.
-Olha, nós podemos falar sobre isso mais amanhã. Vocês dois precisam dormir, já está ficando muito tarde. –A babá apagou as velas que estavam acessas, deixando o quarto dos gêmeos escuro. –Eu tentarei falar com a rainha quando ela chegar para pedir ao rei de passar mais tempo com você, Hilda.
-Obrigada, Luna. É muita consideração da sua parte.
-Ciúmes, irmãzinha?
-Sim, é essa resposta que você queria?
-Obrigado, agora posso dormir em paz. –Ele fechou os olhos no mesmo tempo no qual a babá fechou a porta de madeira do cômodo.
-Idiota.
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