A verdadeira alma gêmea
15 Gabriel e Astro
Astro me deixou em casa e eu logo fui para o quarto, a casa estava muito quieta parecia que todos já estavam dormindo e em breve eu estaria também, mas antes precisei trocar de roupa, pensei em enviar uma mensagem para o Gabriel, mas estava um pouco tarde e a nossa conversa deveria ficar para o outro dia. Deitei na cama e só então percebi o quanto estava cansada, o dia na loja havia sido mais cansativo do que eu imaginara e depois teve o encontro com Astro, adormeci muito rápido e mal percebi.
Me lembrava muito pouco do sonho quando acordei, havia uma sensação altamente reconfortante. A parte que me lembrava era a voz calma do meu irmão me dizendo que tudo ia ficar bem e tudo ia dar certo, meu irmão era meu porto seguro e eu sabia que ele ficaria ao meu lado. Eu não tinha conversado com ele sobre minhas inseguranças, mas só de sonhar com isso já me deixou melhor, também me lembro da sensação de felicidade que me invadiu no sonho, só não sei dizer o porquê estava tão feliz. Acordei bem disposta e descansada, pedi para M.A.I.A. enviar uma mensagem para o Gabriel perguntando se podíamos conversar na hora do meu intervalo no trabalho.
— Bom dia família – cumprimentei a todos alegre.
— Bom dia gente – respondeu Pietro igualmente alegre também entrando na cozinha.
— Seu dia ontem foi bom pelo visto – comentei sorrindo enquanto pegava o suco.
— O seu também – ele passou por mim e me deu um beijo na bochecha.
— Fui conhecer a casa do Astro, não sei o que dizer sobre a família dele, a primeira impressão não foi das melhores, mas conversamos muito e estamos nos dando bem, até que essa convivência forçada não é de todo ruim – comentei.
— Eu também cheguei tarde, você acredita que Linda apareceu lá no trabalho? Foi surreal. – ele comentou empolgado.
— Ela não pode interromper o seu trabalho – comentei em choque.
— É eu preciso conversar com ela sobre isso, mas foi muito empolgante, mas meio tumultuado – refletiu ele.
Eu gostava de Linda como fã dela, mas conviver com ela seria muito diferente, minha opinião sobre ela ainda não estava muito formada, já havia tido várias impressões diferentes. Depois do café me preparei para o trabalho, Biel respondeu minha mensagem concordando em conversar comigo, fiquei feliz que ele ainda queria conversar comigo.
No trabalho continuava a mesma coisa, Dona Ester ainda não contratara ninguém para substituir Edna, humano ou androide, e não tivemos mais notícias dela desde que os vigilantes levaram a sobrinha dela. Nós continuávamos com a nossa jornada de trabalho um pouco sobrecarregadas, o que fazia com que o Sr. Paulo acabava aparecendo muito mais vezes.
Gabriel apareceu no meu intervalo de almoço, o que me ajudou a escapar um pouco da Larissa, eu gostava dela, mas as vezes ela falava demais e me fazia muitas perguntas. Nossa conversa tinha que ser breve, então eu fui direto ao assunto.
— Nós temos que conversar sobre como vamos ficar agora – comecei.
— Isso depende – ele respondeu. – Eu tenho certeza do que eu sinto. O que você sente?
Pelo menos dessa vez eu já sabia o que responder. Contei a ele finalmente sobre os meus sonhos e como eu ficara muito confusa, falei sobre Astro e como eu não acreditava antes sobre me apaixonar por ele, mas que já não tinha muita certeza.
— Acho que não devemos sofrer por antecipação, não adianta ficar remoendo coisas que não podemos mudar, vamos fazer o melhor que pudermos, eu amo o que temos juntos e não quero que termine. Vamos tentar e deixar as coisas fluírem do jeito que tiver, levar com leveza como sempre fizemos – ele me respondeu com carinho.
Gabriel e Astro eram tão diferentes entre si, mas ambos estavam conquistando espaço no meu coração de maneiras diferentes. Biel era o meu amigo de infância e muito querido pra mim, nosso relacionamento estava evoluindo para algo a mais. Já Astro começou como um estranho completo e que estava se conectando e se mostrando muito aberto a me entender. Eu ainda reclamava continuamente que ele havia comprado meu dossiê, e nós acabamos brigando por isso algumas vezes, além disso eu não sabia muito sobre ele, a única coisa que eu sabia era que ele sabia muito sobre mim por conta do meu dossiê, o que me incomodava muito, mas mesmo lendo tudo o que ele pudesse, não significava que ele teria tanta química comigo, e mesmo com nossas brigas pelo telefone, nós acabamos nos entendendo nos dias que se seguiram ao encontro e nossa relação aconteceu de forma muito natural, era desconcertante saber disso e me incomodou no início, eu queria muito não gostar dele, queria que o sistema estivesse errado, mas que raiva, estava certo, ao menos era o que parecia, as vezes a matemática funciona ao que parece.
Durantes os vários dias que se passaram continuei conversando com Gabriel e com Astro. Conversar com Gabriel era fácil, eu poderia passar horas e horas conversando com ele, isso fazia parte da nossa rotina a muito tempo, suas piadas eram familiares e bem obvias, era fácil conversar com ele, nós tínhamos memórias de infância e era muito confortável e leve, conversávamos sobre tudo nessa vida, inclusive eu ainda o ajudava com suas pistas, não é porque ele gostava de mim e eu dele que íamos esquecer nossa missão, eu não ia querer que os Policiais Invisíveis o levassem embora da minha vida. Com Astro era novidade, nossas conversas começaram tímidas e sem muita fluidez, mas era muito gostoso conversar com ele, eu gostava de saber sobre ele, como era a casa dele, sua vida, seus familiares, seus amigos, o que ele gostava de fazer, era tudo muito diferente do que eu imaginava, mas me deixava curiosa e quando eu percebia estava sorrindo por coisas bobas. O Astro que aparecia na mídia era muito diferente do Astro que eu estava conhecendo, até mesmo a separação dele com a Linda era completamente diferente, a mídia fizera um barulho muito maior do que o caso realmente merecia, ele também era atencioso e sempre me perguntava sobre meu dia na loja, me perguntou sobre as gêmeas, tia Roberta e até se ofereceu para ajudar se fosse necessário, assim nossas conversas foram se tornando mais leves e mais fáceis, também gostava do humor dele, era mais sarcástico do que eu estava acostumada, mas não de um jeito amargo e nem pejorativo.
No trabalho as coisas iam se ajeitando aos poucos, Magnólia finalmente voltou para casa, eu ia sentir muita falta dela no meu quarto, mas a casa dela finalmente estava pronta e ela não podia mais ficar. O universo parecia finalmente decidido a deixar minha vida nos eixos, Pietro finalmente deixava seu encanto inicial baixar e tivera uma conversa bem séria sobre as interferências de Linda, também já começava a se acostumar com os fotógrafos sempre correndo atrás dele, ele começara a ser reconhecido por ser o par de Linda, não chegava aos pés dela com multidões a seguindo para todo lado como por exemplo em frente a nossa casa, mas algumas pessoas mandavam mensagens e pediam fotos, não eram muitas, mas o suficiente para mudar nossa rotina, um pouco disso acontecia comigo também em relação ao Astro que também era uma figura pública, mas em uma escala um pouco menor, eu sabia que era só uma questão de tempo e eu só esperava me acostumar rápido.
No início ninguém prestava atenção em mim, eu continuava a minha vida normalmente, mas me lembro como foi a primeira vez que saí no jornal. Minha família e eu estávamos todos tomando café da manhã em um sábado tranquilo. Meu pai pediu a M.A.I.A. as notícias do dia, ela começou os anúncios pelo clima que dizia que ia chover, falou sobre as novidades no cinema e no teatro, as novidades sobre os testes e as mudanças que estavam por vir, política e economia e por último na sessão de fofocas veio a chamada:
O AMOR ESTÁ NO AR: Conheça o mais novo amor do não mais solteiro Astro Mayer, o rapaz já encontrou sua alma gêmea.
Meu pai pediu a M.A.I.A. para ela enviar a notícia sobre política e economia para o telefone dele, eu pedi para mandar a página de fofocas para mim, eu queria ler aquilo, era algo que eu sabia que existia chance de acontecer, já que o nome de Astro estava tão em alta, eu só torcia para que não acontecesse e não estava preparada para nada daquilo. Pietro ainda não aparecera na mídia nessa ocasião, mas eu sabia que não ia demorar a aparecer também, ainda mais pelo fato de Linda sempre falar dele, de como eles estavam se conhecendo e indo bem devagar uma vez que “ela já acelerara as coisas em um relacionamento anterior e dera tudo errado”, como ela mesma citou certa vez. Essa era uma das coisas que me preocupavam, meu irmão e eu íamos ficar expostos como nunca ficamos antes, dentro de relacionamentos que inevitavelmente iam ocorrer comparações, eu sabia que todos amavam as alma gêmeas mais que tudo, porém o casal Astro e Linda era igualmente amado e muita gente se decepcionou quando ela postou em suas redes que ele não era sua alma gêmea, o que era engraçado, pois estas mesmas pessoas fizeram um tumulto na porta da minha casa quando ela apareceu para conhece-lo, esse era um mundo muito estranho e eu caí de paraquedas nele.
— Pelo menos ninguém está sendo realmente hostil, já houveram muitos artistas cujas as almas gêmeas não foram aceitas pelo público, mas não pode ficar tão ruim – meu irmão comentou quando comentei sobre a notícia com ele.
— Não é como se pudéssemos mudar isso de qualquer forma, as pessoas vão ter que se acostumar conosco – conclui dando de ombros.
As próximas vezes foram bem mais tranquilas, mesmo com alguns comentários começando a aparecer, alguns eram bem legais, outros nem tanto, mas pelo menos não atrapalhava a minha vida, eu conseguia não precisar mais esconder a minha cara de vergonha e nem ficar olhando pelo ombro, eu me tornara só um pouco menos irrelevante que antes.
Quem gostou muito de minha fama inevitável foi Larissa, ela se empolgava mais com a minha vida do que eu mesma, quando contei que Astro era minha alma gêmea ela quase teve um treco, tamanha foi a empolgação, que só não foi maior do que o grito que ela deu quando eu disse que Linda era a minha cunhada, o pior de tudo foi estarmos no meio da loja e eu ter contado tudo para ela aos sussurros entre as prateleiras e ela reagira de forma exagerada atraindo a atenção de muitos clientes, pois nesse dia as loja estava muito cheia. Agora que os fotógrafos estavam começando a tirar fotos ocasionalmente de mim, ela me mostrava as notícias e as fotos, a maioria eram fofocas e especulações sem sentido, eu não me importava com nada daquilo, mas ela se sentia feliz e eu apenas a deixava falar o tempo todo.
Agora que todos sabiam sobre nós, Astro passou a me buscar todos os dias, a primeira vez ele simplesmente apareceu no trabalho, depois passou a ir uma ou duas vezes por semana, até que se regularizou e começou a aparecer todos os dias, normalmente ele era extremamente pontual e quase sempre ele já estava me esperando quando eu saia do trabalho, mas naquele dia ele não estava, então eu fiquei na porta da loja esperando.
— Você é Luna Reis? – um homem me abordou na porta da loja no final do expediente.
Eu me assustei com a aproximação repentina dele, não vi de onde ele surgiu, parecia que havia brotado da terra do meu lado, ele era mais baixo que eu, era rechonchudo, com longos cabelos castanhos e olhos castanhos em um rosto flácido, usava uma calça verde limão que era muito forte, mas pelo menos a camisa era neutra e ficava menos agressivo.
— Sim, sou eu e você é? – perguntei ainda sem saber de onde ele viera.
— Isso não importa – ele respondeu com falso entusiasmo. – Você se importa em responder umas perguntinhas? – ele continuou.
— Por que? Eu não sei quem é você – continuei indagando.
— O que você sentiu quando descobriu que Astro Mayer era seu par?
— Eu não sei por que você precisa saber disso.
— Você deve ter se sentido animada. E o seu irmão? Como ele se sentiu? Sua família é muito afortunada.
— O que quer dizer com isso? – não gostei da insinuação na voz dele e Astro estava demorando a chegar.
— Astro se tornou o solteiro mais desejado dos últimos tempos, pelo menos entre os dez mais, ele é um homem de muitos talentos, de todas as pessoas do país inteiro, uma jovem da mesma cidade ser o par dele é muito improvável, você não acha que tirou a sorte grande?
— Ainda não consigo entender o que sorte tem a ver com isso, o sistema não funciona por cálculos matemáticos extremamente precisos? E mais uma vez, o que o senhor tem a ver com isso? Eu nem sem quem é você.
— Você não é muito de responder perguntas não é mesmo? Deixe-me fazer mais uma então, você acha que o relacionamento anterior de Linda com Astro, pode atrapalhar sua relação com ele? Ou a dela com o seu irmão? Aliás, como é a sua relação com Pietro?
— Você sabe que isso foram três perguntas, né? Sem contar a primeira pergunta. Você está muito interessado na minha vida, não está, não? – continuei já irritada.
— Nós não comentamos sobre nossa vida particular, deixe minha amiga em paz – comentou Astro com irritação, eu não o vira se aproximar. – Me desculpe pelo atraso, Luna, entre no carro por favor. – Ele já me puxava para o carro e bloqueava o caminho do homem de forma a me proteger do estranho.
O carro estava parado um pouco mais atrás do local de costume, ele me abraçou de forma protetora e me guiou com cuidado até a porta, não demorei muito para entrar, estava irritada com o homem, fora minha primeira abordagem esquisita e não estava sabendo lidar com ela.
— Ele te incomodou por muito tempo? – Astro me perguntou já mais clamo ao entrar no carro.
— Não muito, por quê? – respondi olhando para ele direito.
Ele estava tão elegante, não parecia ter vindo direto do trabalho, talvez por isso tenha demorado, uma camisa branca justa, outra azul clara por cima, calça escura e tênis, um relógio e algumas pulseiras, alguns colares, muito bonito e perfumado como de costume.
— Esse cara é um fofoqueiro de plantão, sempre atrás dos ricos e dos famosos como um urubu, ele veio até mim na semana passada, mas como eu disse, não comento sobre a minha vida pessoal. Eu não pensei que ele seria tão ousado e viria atrás de você no seu trabalho – ele me respondeu com um leve tom de desprezo na voz.
— Mas quem é ele? – indaguei.
— Vicenzo Aquino, ele ganha a vida fazendo fofoca e espalhando rumores maldosos sobre as pessoas, faz matérias extremamente apelativas e sensacionalistas. Me prometa uma coisa por favor, se ele voltar a incomoda-la novamente, não fale com ele e me ligue.
— Tá, mas por que?
— Por que ele vai estragar a sua vida como ele fez com a minha, não quero que isso aconteça.
— Ele é muito ruim?
— Ele é um dos piores. Quando eu terminei com a Linda, esse Vicenzo, encheu o meu saco por dias para me fazer falar sobre o modo como as coisas eram conosco, contar coisas íntimas, eu não revelei nada, ele então publicou uma matéria que fez de mim um monstro terrível, ele fez parecer que nosso relacionamento era conturbado e nunca teve nada disso. Sim, teve aquela situação no dia do nosso teste, mas aquilo foi por que ela estava muito magoada e principalmente por estarmos em público, Linda sempre foi muito gentil e estou muito feliz por ela, nós terminamos por que eu não queria manter o relacionamento com a incerteza que eu tinha.
— Você estava certo, vocês não eram alma gêmeas. Tudo bem, eu vou tomar cuidado com ele. Mas alguém acredita nele? Eu particularmente, nunca nem vi nada dele e nem sabia de sua existência e eu teria visto, por ser muito fã da Linda.
— Eu gostaria que continuasse sem conhece-lo. – ele respondeu com amargura na voz.
— Você parece tão irritado.
— O que eu te disse é só a ponta do iceberg, ele já falou tantas mentiras. Mas não vale a pena contar todas. Mudando de assunto, você gostaria de ir a uma festa da empresa comigo? Não precisa ir se não quiser, mas meu pai pediu para te levar e é meio difícil dizer não ao senhor Mayer – ele me perguntou bem mais leve que antes.
— Claro, quando é? – aceitei de imediato.
— Bom, é agora.
— Agora! Não, eu nem tenho roupa pra isso, ainda estou de uniforme, nem avisei ninguém.
— Luna, relaxa, nós podemos fazer tudo isso no caminho, você pode se arrumar lá em casa. Por favor, eu odeio ir a essas festas sozinho.
— Está bem – concordei revirando os olhos.
— Obrigado, você não vai se arrepender. – Ele sorriu.
Ele mudou a direção e começou a dirigir para a casa dele, peguei meu telefone e avisei que ia chegar mais tarde. Uma festa da empresa da A.V.A.G., eu nem conseguia imaginar como seria isso, eu não sabia nem o que esperar, não tinha costume de ir a festas, muito menos esse tipo de festa mais nesse tipo de festa.
Chegamos na casa dele, e Astro me guiou para o andar de cima.
— Eu tomei a liberdade de lhe comprar um vestido e um par de sapatos, perguntei para a sua mãe as suas medidas, espero que sirvam.
— Então você avisou para ela.
— Você pode se trocar no meu quarto, vou esperar aqui. Tem um banheiro lá, pode tomar banho também se quiser.
Ele abriu a porta e me deixou entrar. O quarto de Astro era totalmente a cara dele, uma parede preta, uma parede de tijolos vermelhos e duas paredes brancas, uma cama de casal com lençol branco, a porta do banheiro preta com uma placa neon de uma guitarra e um microfone, uma das janelas parecia quebrada, mas cheguei perto e era um adesivo muito realista, uma guitarra e um violão de verdade pendurados a cima da cama, então ele também sabia tocar, um computador muito avançado do lado oposto, um guarda roupas enorme, em cima da cama um par de salto alto prateado e todo fechadinho e cheio de pedrinhas, ao lado uma caixa branca, quando abri havia um vestido azul claro, tirei ele da caixa, era lindo, um tomara que caia com saia rodada, muito princesinha. Fui até a porta e chamei por Astro, aquele vestido precisava de uma produção um pouco melhor.
— Será que podemos passar lá em casa depois de eu me vestir? Preciso de um par de brincos e maquiagem.
— Vá se trocando, eu já volto.
Fechei a porta novamente e me troquei, não tinha aonde colocar minhas roupas, ia ter que pedir uma sacola. O vestido coube bem, o sapato também, me senti muito bonita, arrumei o cabelo com os dedos, deixei eles soltos até que ficou bom, ficou arrumadinho, Astro bateu na porta, deixei ele entrar.
— Ficou perfeito, você linda, parece a Cinderela.
— Obrigada – eu agradeci com um sorriso. – Combina com seus olhos – observei.
— É mesmo? Não tinha percebido. Trouxe isso, serve? – ele me estendeu uma maleta de maquiagem e um par de brincos e um colar combinando do que parecia alguma pedra preciosa muito cara.
— São de verdade? – perguntei em choque. – E onde conseguiu isso? – apontei para a maleta.
— Minha mãe não vai se importar.
— Tem certeza?
— Pode usar, vai ficar lindo com o vestido.
Coloquei os brincos e o colar, realmente ficou muito lindo, nunca tinha usado pedras preciosas de verdade, tudo o que eu tinha eram bijuterias e imitações baratas, mas também ficava bom. Fiz uma maquiagem bem simples, mas gostei do resultado, a sombra não estava muito forte e nem o batom, escolhi um cobre rosado e passei com o dedo, espalhou bem.
— Estou pronta, podemos ir. Posso colocar as minhas coisas no seu carro? – perguntei me lembrando.
— Claro.
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