A ultima esperança
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Estava sentado em frente a porta da minha casa entre o meio fio e a rua,havia parado de chover a uns 15 minutos e agora estou encarando meu rosto em uma poça,posso ver que estou com olheiras,já que não estou conseguindo dormir direito,estou tendo sonhos muito estressantes.
Já deve passar das cinco,porque posso ver as pessoas andando apressadamente para suas casas antes do toque de recolher.
Quando entro em casa minha mãe esta colocando a mesa para o jantar,meu pai está sentado no sofá olhando para a lareira e com o seu rádio de pilha sempre ligado,meus irmãos está sentados na mesa esperando pelo jantar.Vou direto para a cozinha lavar as mãos,quando volto sento ao mesa com meus irmãos.
Agora já estamos todos reunidos na mesa em frente a uma panela de sopa de beterraba com alguns pedaços de carne,que meu irmão consegui trabalhando para as famílias mais ricas,meu pai pega na mão de minha mãe e todos damos as mãos para agradecer por mais um dia.
Quando acabamos o jantar,minha mãe e minha irmã estão retirando a mesa e eu continuo sentado olhando para fora da janela onde começara a chover,uma chuva fraca e ótima para dormir,então já passa das sete e vamos para nossos quartos no andar de cima,eu e meu irmão dividimos um quarto,ele se chama Tobby,é o mais velho dos Três e tem o cabelo ruivo assim como o da minha mãe,nós não costumamos conversar,então vamos direto para a cama,tento dormir rápido já que sei que no outro dia cedo da manhã temos escola,mas,como sempre não consigo dormir e fico sozinho com meus pensamentos até tarde da noite.
Uma garota estranha acho que nunca tinha visto ela antes,era branca,magra,tinha os olhos cor de mel e os cabelos encaracolado em um tom de castanho claro,quando olho para o outro lado há um espelho,um enorme espelho,não consigo ver onde ele termina,encaro o meu rosto pálido,eu tenho 17 anos,mas pareço ter mais,está começando a crescer cabelos no meu rosto,assim como o do meu pai e do meu irmão,meus cabelos castanho escuro estão desgrenhados e minha roupas estão um lixo,tenho mais ou menos 1,87 e devo estar pesando pouco mais de 65kg,tenho alguns músculos,porque eu ajudo meu pai com o que ele estiver fazendo,a garota então olha para mim com olhar de desaprovação e de repente tudo some,estou caindo em um buraco sem fim,chutando o ar,arranhando-o,procurando algum lugar para me apoiar,quando caio posso ouvir o estrondo antes mesmo da dor.Dor.É tudo que posso sentir.E lá está ela,me encarando,agora com um ar mais sombrio,não tem nada somente escuridão,eu e ela.
Quando acordo minha testa está suada e sinto muito frio,ainda não está na hora de levantar mas já posso ver pela janela que fica ao lado da minha cama,alguns raios de luz,lindos,pacíficos,e eles me dão um vontade de sair correndo por aí,volto a dormir.
Quando acordo,o sol já brilha forte no céu,está bastante frio para um manhã de verão,quando me levando meu irmão já tem saído,para conseguir comida para nossa família e eu e minha irmã temos que nos apressar ou chegaremos atrasados e não poderemos entrar na escola.
Já estávamos saindo de casa,indo para a escola,pelas ruas esburacadas daquela cidade em ruínas.Na verdade a escola ficava em um grande galpão onde os poucos jovens da cidade,iam para aprender sobre o mundo lá fora e sobre a barreira.
Olhei para trás lá vinha ela,assim como faz todos os dias,com seus seguranças particulares,ela era Babelle ,os garotos a querem e as garotas a invejam,era a filha do patriarca,ela era a única daquele espaço que não sabia o que era passar fome ou sede e muito menos frio,ela mora no grande palácio,mesmo em ruínas como o resto da cidade eles tinham tudo que precisavam ou quase,ela era mais ou menos da minha idade,tinha os olhos negros e sempre perdidos na multidão,nunca tinha certeza para onde ela estava olhando,os cabelos castanhos avermelhados e curtos como o de um homem.
De repente faltando uns 20 minutos para a aula acabar quando um grito é ouvido perfeitamente por todos,olhei a minha esquerda onde minha irmã deveria estar,mas ela não estava lá,olhei para a direita e me levantei rapidamente,não conseguia vê-la em nenhum lugar ali no galpão,então sai correndo até a saída e então achei,ela estava atrás de um arbusto escondida,observando um garoto sendo levado de helicóptero.Então quando entramos novamente na escola me dou conta de que aquela não tinha sido a primeira vez que aquilo acontecera.
Eu minha irmã estávamos indo pegar água para nossa família,quando avistamos na floresta ao longe,um garoto vinha correndo e gritando e ouvimos o barulho do helicóptero se aproximando,então mergulhamos no lago,e ficamos quase que completamente submersos,observando enquanto o helicóptero se aproximava daquele garoto e o levava.Até o helicóptero sumir não saímos da água.
Nós nunca havíamos falado daquela manhã nem entre nós e nem com ninguém,mas hoje foi diferente,todos tinham visto e era impossível que aquela noticia não se espalhar.
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Quando chegamos em casa já era noite meu pai mais uma vez estava sentado em frente a lareira com seu som de pilha.
–Atenção,comunicamos que as aulas estão temporariamente canceladas.-falava o patriarca
Estávamos todos sentados em frente a lareira,esperando por algum outro comunicado e acho que meus pais perceberam que eu e minha irmã nos entreolhamos porque logo em seguida tivemos de falar de tudo que aconteceu na escola naquele dia.
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Ainda era muito cedo,o sol nem tinha aparecido no horizonte,acordei assustado porque ouvi alguém batendo na porta com muita força
–Edd,droga,acorda,precisamos ir.-Minha irmã falava apressadamente
–O quê?Pra onde?-Perguntei assustado
–Eles vieram nos buscar.
–Quem?
–Os mandados.Anda logo,precisamos ser rápidos,antes que eles derrubem a porta.
Me levantei com um pulo e minha irmã já estava se direcionando para a janela
–O quê?Você ta louca?Não dá pra pular desta altura,é suicídio.-Gritei para ela
–Não,nós não podemos.-Me respondeu ela em tom calmo e assustado- Mas,nós vamos.
Não tinha outra opção,era quilo ou a morte,mas provavelmente iríamos morrer naquela queda.Acompanhei ela até a janela.
Meus pais estavam parados na porta de meu quarto com um ar triste,foi quando percebi que não os veria de novo,voltei e abracei-os forte,minha irmã fez o mesmo e então...Pulamos.
Estávamos agora correndo pelos quintais das casas ,sempre olhando pra trás com medo que alguém nos seguisse.
Já passava das dez da manhã,quando chegamos ao cemitério dos veículos da cidade,onde estavam todos os veículos,continuamos correndo até encontrar um ônibus muito antigo escondido entre dois grandes caminhões,entramos nele e minha irmã estava muito exausta,mandei ela dormir enquanto eu ficava de vigia.Fiquei sentado o dia todo olhando a chuva que agora caia com intensidade lá fora
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