A ultima dança.

1 O Grande dia para todos, exceto para mim.


Angelina

Bem, aqui começa a minha história, o meu nome é Angelina Agláia, filha do rei da França Luis I e da rainha Aline, sou a quinta filha do casal, tenho quatro irmãos, Luis II, Henrique, Angelo, e Analice, todos já são casados, sou a única ainda sem compromisso, até hoje que é o dia de meu casamento arranjado como o de meus irmãos, irei me casar com o príncipe da Inglaterra, ele se chama João II, é treze anos mais velho que eu, e é o principal na linha de sucessão da Inglaterra, nunca cheguei sequer conhecer ele, nunca se quer quis esse casamento, queria que tudo fosse diferente, sabe? Mas, não, isso era uma ordem, teria que obedecer, ao menos que quisesse ser queimada na fogueira, pelo menos morreria feliz, mas não queria ver meus pais com má fama, por ter uma filha rebelde, então era isso, era uma vida infeliz, igual a de minha mãe, que se rir, é por milagre de Deus, ela se casou mais nova que eu, se casou com treze anos, eu tenho quinze, e agradeço meus pais por ter esperado, porque seria detestável mais alguns anos ao lado de uma pessoa desconhecida, bem...esse pensamento descontente vai apenas ficar em minha mente, por fora sorriso no rosto, sendo forte.

-Filha? Está preparada? –Disse minha mãe.

-Sim, mas não pode mesmo desistir?

-Não, Angelina, isso vai contra a igreja, você tem que se casar!

-Mas, eu não quero, mãe!

-Porque não? O que você espera da vida?

-Espero encontrar alguém que eu ame de verdade, iguais nos livros e...

-Espera, você anda lendo? Aqueles livros são proibidos, o que você está fazendo Angelina? Quer acabar com o reinado de seu pai? Deixar com que a igreja nos mande para o inferno? Você quer ir para o inferno, Angelina?

-Mãe, eu prefiro ir para o inferno, do quê ser uma infeliz como a senhora! Você fala isso, porque nunca pegou em um livro que contasse uma história desse tipo, sempre recebeu ordens do Clero, tudo é pecado, tudo que é bom! Será que a igreja é tão boa assim?

Pronto, enfim, eu conseguirá deixar meu dia melhor que estava, minha mãe saíra chorando, porque fui tão burra ao ponto de chamar minha mãe de infeliz? Ah, mas eu não estava errada, ela realmente era uma infeliz, e queria que eu fosse também, mas será que vale a pena? E ali estava eu, parada, me olhando naquele espelho enorme de ouro, será que o luxo comparado a felicidade valia tanto? Ou será mesmo que os livros que eu lia não passa de mentiras? De uma coisa eu tinha certeza, casando eu seria infeliz, então o melhor seria eu tentar viver a felicidade, mas faltava pouco para o casamento, o que eu faria? E foi nessa hora, que um garoto, muito bonito, dos cabelos escuros, altura mediana, olhos castanhos, e um perfil que se não fosse pelas roupas que usava, eu diria que era um nobre.

-Bem, alteza, estão todos a esperando e...

-Cale a boca, e me tire daqui –Disse ao rapaz.

-O que? A vossa senhoria ficou, com todo respeito, louca? E o casamento?

-Não importa, eu não quero me casar, depois eu lhe explico, apenas me tire daqui, pois eu não conheço esse castelo, não é o lugar aonde vivo, não sei por onde sair, me tire apenas.

E foi o que ele fez, me pegou pelos braços, e me levou por uma passagem estreita e secreta, que tinha em umas das escadas do gigantesco castelo de meu ex-futuro marido, naquele momento me sentia feliz, por ter escapado de ser infeliz pro resto da vida, e ter cometido uma tamanha loucura, descemos muitos degraus, até uma pequena porta, difícil seria sair do castelo, com tantos guardas seria impossível, mas o menino de altura mediana teve uma ideia.

-Fique aqui, vou buscar roupas a você, mas você tem certeza que não quer voltar e...

-Não! Por favor, não fale a ninguém que fugi, eu lhe explico tudo, por favor, você me promete que buscará as roupas e ficará quieto? Promete?

O menino me olhou desconfortável, imaginava que se todos descobrissem que foi ele que me ajudou, ele ia direto para uma punição severa, ou até mesmo para a fogueira queimar lá até sua morte, que seria rápida, mas, ele abriu um sorriso amargo, e disse:

-Eu prometo que volto aqui com as roupas e sem ninguém saber, eu prometo, espere por mim, eu já volto.

Ele saíra correndo em disparada novamente para dentro do castelo, e eu ali, estava sentada, escondida para que ninguém me visse, provável que naquela hora meu casamento já estaria para começar, e todos estariam esperando por mim, fiquei realmente apavorada, mas a alegria era imensa, eu realmente não me preocupava no luxo que estaria deixando para trás, eu nem fazia ideia no que faria depois de sair dali, só queria pensar em ser feliz e fugir daquilo que para muitos era o paraíso, mas para mim, o inferno.

Logo o menino chegará com uma roupa parecida com a dele, velha, e com tecidos, hã, digamos sem requintes, mas não importava, pedi para que ele virasse e eu me troquei, logo parecia uma camponesa, igual a ele, poderia sair dali, sem que ninguém me visse e percebesse que a provável futura rainha da Inglaterra e futura esposa do idiota João II, estaria fugindo, eu era apenas uma camponesa, simples, mas garanto que a pessoa mais feliz naquele momento, logo conseguimos sair do castelo, ninguém tinha percebido, fomos tratados como lixo, desprezados por todos que eram de classe mais alta, chegava dar repugnância, saímos e andamos um bom tempo, até uma floresta cinzenta, que naquele tempo, a estação era fria, escura, e sem cor, tudo praticamente, logo ele me parou.

-Agora explique, o que aconteceu? Você sabe que eu posso ser punido pelo o que eu fiz por você, não é?

-Sim, eu sei, mas eu precisava fazer isso...-Disse sorrindo, parecia uma besta com um sorriso que ia até minha orelha.

Sentamos numa roxa, e o expliquei tudo, que não poderia me casar, não queria viver em infeliz, queria ter uma vida como a dos livros que eu li, ele me parecia um bom ouvinte, e concordou comigo, dizendo que eu estava certa, mas retrucou.

-Só uma coisa, você larga uma vida de luxo e conforto, para não ser infeliz? Quem não é feliz com o tanto de luxo que vocês tem?

-Você não entenderia, você pode se casar com alguém de sua classe, pode escolher, eu sei que é apenas da sua classe social que você pode se casar, mas assim mesmo, você é livre, e ser livre é o que importa, eu não posso ser, no caso, eu tenho que obedecer tudo e a todos, claro que você também tem que obedecer aquela idiotice da igreja, mas se você quiser, você pode sair dali, que ninguém vai te procurar, por isso tenho que sair daqui, o mais rápido possível, ou a igreja e todos vem atrás de mim, e eu posso acabar sendo morta, por não querer me casar, vê se pode?

Ele me olhou sorrindo, e por sinal, o sorriso dele era lindo, tinha uma cicatriz nos lábios, que era tão bela.

-Bem...-Disse ele –Para onde você quer ir?

-Olha, eu não faço ideia, se você quiser me deixar e ir, não tem problema, eu entenderia, pois se acharem a gente, você vai ser punido por minha culpa e...

Ele encostou o dedo nos meus lábios para que eu ficasse quieta e disse:

-Eu nunca deixaria uma dama sozinha, correndo risco, serei seu companheiro de viagem, viajaremos para um lugar distante, bem longe daqui, mas antes, preciso avisar minha família que sairei em uma viagem, você vem comigo, não pode ficar sozinha aqui, seria um lugar óbvio, ainda estamos perto do castelo, e eles iriam buscar por toda parte, provável que venham aqui, você deixou com que parecesse que não queria casar para alguém?

-Bem...só para minha mãe, ela saiu furiosa, mas acho que foi por outro motivo, mas sim, eu vou com você até sua casa, mas vamos para um lugar que não seja movimentado.

-Ok...está bem, mas antes, princesa, você nunca me disse seu nome, e pelo o que eu sei, você não é daqui...é de qual lugar mesmo?

-Sou Angelina, filha dos reis da França...e você? Qual seu nome, e faz o que?

-Eu sou Thomas, sou filho de dois camponeses, são bem humildes, trabalho em feudos, como todos os camponeses trabalham para os senhores feudais em troca de alimentos e...

-Já entendi...obrigada.

-Obrigada pelo o que?

-Pelo óbvio, ter me ajudado, garanto que se fosse um nobre, ou até mesmo um irmão meu, teriam me denunciado ao clero, e o resto você já sabe...

Quando íamos atravessar, passou os cavaleiros com os cavalos brancos, mas não me notaram, pelo contrário, pensaram que eu realmente era uma camponesa e quase passaram por cima de mim, e ainda me xingou por estar ali, realmente era só ali que eles mostravam o jeito repugnante e baixo deles, e não eram apenas os cavaleiros, os nobres também, até os meus próprios pais, tratavam as classes inferiores como se fossem lixos, eu nunca fui assim, quando era pequena, sempre gostei de sair do castelo para ir a aldeia, sempre ia escondida, eu e meu amigo Vold, que acabou morrendo em uma guerra, lutando a favor da igreja católica, acho que esse desprezo pelas classes inferiores, era besteira, ali olhando Thomas, eu via o menino mais lindo e simpático do mundo, tinha uma sensação estranha sobre ele, um certo desconforto, mas positivo, só naquele pequeno tempo que eu estava com ele, já me fazia muito bem, me sentia protegida, é realmente estranho o que estava sentido, mas mesmo assim, eu precisava por isso de lado, e ir até a casa dele, avisar seus pais, e juntos eu e ele fugiríamos até um lugar bem distante daquele povo. Porque ali eu percebi, com os cavaleiros indo de todos os lados, vi que estavam atrás de mim, e sabia que teria que enfrentar muita coisa, peguei na mão de Thomas e ele me levou em direção a sua casa.

Notas finais
Espero que tenham gostado, se gostarem comente, obrigada.