A ultima caçada.
3 Um novo alvo.
Era janeiro de 2007. Estava calor e o vento batia no meu rosto enquanto eu praticava minha mira no jardim do meu tio. Acertar o alvo com as flexas era relaxante. Imaginava a cabeça das pessoas que me causam problemas presas no meio daqueles círculos vermelhos e brancos e apenas soltava a flexa. A ponta finca no meio do olho esquerdo, do direito, na testa, ou na boca. Uma morte provavelmente lenta e dolorosa.
Mas nada se compara a acertar uma árvore com um machado. Amo a natureza então só corto a lenha para meu tio, mas as vezes eu queria acertar outras coisas com aquele machado.
Carne.
Quando voltei a realidade meu tio estava na minha frente sacudindo na minha cara um saco avermelhado.
“-Carne, Carol. Aqui está a carne para o churrasco. Peguei seu arco emprestado e matei a vaca do vizinho. Relaxa, ele tem tantas que nem vai sentir falta. Mas e aí, pronta pra cozinhamos?”
Acho que eu estava ficando louca.
Meu tio era um ótimo cozinheiro, ou melhor, churrasqueiro. Nos dias de domingo, como se fosse um ritual, fazíamos churrasco. Eu morava no centro e ele nos arredores da cidade, entrando na floresta. Era bom quebrar a rotina e fazer uma coisa diferente de vez em quando.
Já em casa, fiz uma pesquisa e encontrei algo novo.
Em 2005, um homem chamado Robson Lizz, torturou duas mulheres até a morte. Uma era sua secretária, Anabelle, e a outra era sua vizinha, Lola, ambas bastante parecidas. Não foram encontradas as provas de que foi ele, então a polícia abandonou o caso.
O mais interessante é que pesquisei sobre a morte delas é encontrei uma matéria de 1997. Duas mulheres foram torturadas até a morte. Ambas parecidas. Não conseguiram achar nenhum suspeito então, o erro que cometeram em 2005 se repetiu: decidiram abandonar o caso.
Robson morava afastado da cidade agora, talvez porque tenha sofrido muito como principal suspeita. Mas isso não me cheirava bem. Será que ele também era o assassino de 97? As mortes ocorreram em um tempo de oito anos, será que daqui alguns anos isso ocorreria novamente? Todas as vítimas pertenciam a um padrão. Todas loiras e que levavam uma vida boa e normal. Mulheres simples na casa dos 30. Isso parecia suspeito. Ah, e se parecia.
Adicionei a notícia aos favoritos e fui dormir feliz. Parece que eu tinha acabado de encontrar um novo alvo.
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