A trilha, o tesouro de Nicolau VII

8 Cap.8- Nas alturas parte 1


Notas iniciais
Divirtam-se! Fiquem Nas Alturas

Cap.8- Nas alturas pt.1



11:30, foi a hora que ambos marcaram para acordarem, na reunião o diretor disse que contrataria um chofer, mas os pais de Marcelo ofereceram o deles, 12:00, era a hora que viria busca-los, o despertador toca, Alexis enfia a cabeça no travesseiro para não ter de ouvir o irritante som, seu tio estava na cozinha preparando um reforçado café da manhã, o clássico café com leite e pães torrados com queijo e presunto, logo que os terminou de fazer estranhou. 11:37, e nada de chuveiro ligado, o que para ele era sinal de que ele havia saído da cama, estava vestindo uma avental branco escrito: “MASTER OF THE CHEFS”, camisa polo verde, calça jeans bastante folgada e tênis pretos, sobe as escadas e vai até o quarto de Alexis.

Ele delicadamente o sacode e diz:

__ Hora de acordar, sardento!

O garoto afasta seus braços e murmura:

__ Você não depende de mim para fazer nada, Dom Pedro, ironia sua declarar a Independência do Brasil e depender de mim

O tio franze a testa e diz:

__ Dom Pedro não precisa de você, mas uma centena de alunos sim, acorde logo

E finalmente Alexis volta a realidade e diz:

__ Alunos? Mas minhas aulas só começam mais tarde

Seu tio ri e diz:

__ Se lembra de uma série de fatos antigos milenares, mas não de 3 dias atrás, são alunos da Europa que tem de ensinar

Aquilo veio a sua mente feito uma grande frigideira batendo em seu cérebro, ele e seus outros 3 companheiros haviam comparecido á reunião de pais, pensou: “Claro! Como eu pude esquecer?”; e diz:

__ A vi-a-agem, aah, aquela que-que eu iria fazer hoje? Claro, valeu por-por ter lembrado do tesouro

__ Tesouro?__ disse o tio intrigado

Alexis arregala os olhos, não acredita que havia entregado aquilo, diz:

__ É, o te-tesouro do conhecimento

__ Então, vamos, acorde!__ respondeu ele em uma animação quase inabalável

__ Só se o senhor desligar essa tortura em forma de relógio__ disse Alexis em uma preguiça quase inabalável

__ Está bem__ e o desliga e sai, porém antes de alcançar a porta, diz:__ Se eu ter de voltar aqui, será com o balde d’água

Depois de alguns minutos Alexis toma coragem e enfim se levanta, toma banho, escova os dentes, penteia os cabelos e se vestiu, uma calça jeans desbotada, camiseta regata azul e sua velha jaqueta de couro vermelha, não sabia o motivo mas... sempre gostou dela, talvez fosse porque estivesse sido presente nos melhores momentos de sua vida e nos mais estranhos também. O dia em que saiu do ensino médio, que foi convocado a ser professor, primeiro dia na classe, primeiro dia de classe como aluno também, o dia em que viu um espantalho vivo no sítio dos avós, a foice na fortaleza de armas, o pássaro próximo a sua casa. Lembranças que foram boas e outras não tão boas, observou tantas criaturas, bastante fascinantes, sentia que de tanto estar com aquela jaqueta em meio a aquelas diversas situações fazia parte de sua vida e de si mesmo.

E começa a recordar de uma noite antes de realizar a sua tarefa de persuasão, aquele... enorme pássaro, fez questão de dizer que tudo aquilo era um sonho, ao mesmo tempo que queria saber o motivo de ver seres sobrenaturais e mostrar a todos que não eram um delírio, que não era uma criança boba e ingênua, havia uma parte que queria que elas fossem realmente um delírio, elas eram o motivo de diversos pesadelos, a noite de ontem foi uma pequena exceção, quando não eram os seres, eram grandiosas figuras históricas.

E também suspeita que aquela espécie de falcão gigante era real, começou a partir da fortaleza de armas, aquela foice e por principalmente aquela voz, a mesma que havia ouvido na aparição do pássaro, talvez estivesse sido ela que havia mandado aquele monstro para o matar, e percebe que havia visto a forma do ser misterioso da voz sombria, capa negra... olhos vermelhos... seja quem fosse não era humano e com certeza era louco, pois tentar o matar e em seguida o ajudar lhe mostrando uma espada era doentio!

Havia tantas coisas a descobrir, tanto a explorar, tanto a enfrentar... aquela realmente seria uma longa viagem.

Quando enfim chega a cozinha, se surpreende, seduzido por aquelas deliciosas comidas, sem dúvida alguma seu tio humilhava a cozinheira, disse:

__ Uau! Quando será que não vou mais ter essa reação?

__ Enquanto seu tio souber cozinhar, você sempre vai reagir deste jeito

Havia três pães com queijo e presunto e três pães com goiaba e queijo.

Seu tio deu uma leve olhada ao relógio e diz:

__ Você tem pouco tempo para comer tudo isso, mas aproveite sem muita pressa

Entrementes Marcelo havia acordado exatamente na hora marcada, com um roupão cor de vinho importado especialmente da Itália, calçou suas pantufas de gato cinza e foi tomar banho, escovou os dentes e vestiu uma alvíssima camisa social com calças negras e botas negras de cano curto.

E enfim penteou seus cabelos, colocou o cachecol verde e os óculos, esconder a honrosa Excalibur nas roupas foi o mais difícil, vestiu um longo sobretudo azul bastante escuro para aquilo.

E vai até a enorme mesa de jantar da cozinha, onde havia suco de laranja, bacon, ovos, panquecas com calda, pão com queijo e presunto, pães doce, pães de queijo e pastéis.

Um dos mordomos, disse:

__ O café está servido

__ Obrigado__ e olha ao redor da mesa como se estivesse procurando alguém

O mordomo então disse em um ar triste:

__ Os... seus pais estiveram que sair cedo, sentimos muito, senhor

Marcelo disse em ar melancólico:

__ Tudo bem, eu... já me acostumei

Por mais que estivesse dito aquilo, jamais deixava de se entristecer, todos os dias mantinha a esperança de que algum dia estariam junto a ele em um momento daqueles ao invés de estarem preocupados apenas em trabalhar, nem sempre fora daquela forma, desejava bastante que as coisas voltassem a ser como antes.

E assim começa o seu café da manhã, triste e enraivecido, o mordomo então disse:

__ Animado para a viagem, senhor?

“A viagem”; por alguns instantes havia se esquecido dela, abriu um sorriso malicioso e respondeu:

__ Bastante, Santiago__ estava ansioso para frustrar o sonho daqueles 3, principalmente os do garoto iludido

Micaelle não acordou, apesar do despertar do relógio, quando ouviu-o, jogou ele ao longe, porém ele ainda não parou de tocar.

Sua mãe logo se preocupa, ela estava demorando demais no quarto, 11:40, anda enfim chegando ao quarto de sua filha, sua mãe era formosa, tinha o corpo escultural, bem conservado, pele levemente morena, olhos verdes, lábios volumosos, cabelos castanho-claro e cacheados, usava um bracelete de bronze, camiseta regata colorida, bermuda jeans e calçava chinelos.

Sua mãe a sacudiu, diz:

__ Filha, filha, acorde filha!

Micaelle então respondeu:

__ Ahn, mãe, só mais cinco minutinhos

__ Nem um, nem dois, vamos, acorde! Você prometeu a todos que iria ensinar a Europa, inclusive a mim!__ disse ela um pouco irritada

E logo veio-lhe a memória feito um clarão em sua mente a memória da mentira de Sr.Coleman, hesitou um pouco e disse:

__ Tem razão, a viagem

E pulou da cama e correu para o banheiro, usava uma camisola de suave rosa, escovou os dentes, tomou banho e vestiu uma camiseta regata listrada vermelha e branca e uma bermuda jeans. Guardou uma presilha verde em seu bolso e de modo algum se esqueceu de calçar seus tênis roxos.

Tentou ao máximo esconder a espada de forma bem discreta e que não a machucasse, e enfim consegue. E assim direciona-se a mesa bastante nervosa, o café da manhã era dois simples pães com manteiga com café com leite, e toma junto a sua mãe que a fita com ternura e aguardando para que terminasse o café para lhe mostrar uma coisa.

Tony estava embalado em sonhos, detendo os ladrões mais perigosos como O Samurai de Fogo, que lutava pela justiça com sua espada de ossos, seu avô vai até seu quarto, porque... bem, acho que está claro o motivo.

Defronte ao colchão de Tony havia um imenso gongo e o seu avô segurava a vara que iria o tocar, ele era bastante careca, seus poucos fios eram grisalhos, olhos negros e pequenos, também com traços orientais, pele amarela e vestia uma espécie de túnica branca com o desenho de um dragão amarelo e faixa vermelha enrolada a cintura, possuía em torno de 68 a 70 anos.

E toca um monte de vezes o gongo, disse:

__ Vamos! Acorde! Acorde!

Rapidamente Tony tapa seus ouvidos e diz:

__ Aaah, qual é, vô! Para de tocar essa coisa!

__ Não até acordar, seu preguiçoso!__ disse ele rindo em seguida

__ Para, por favor, vovô! Eu não mereço isso!__ implorou Tony

__ Merece, merece e merece até parar de agir feito uma preguiça!

__ Você gosta mesmo de me fazer sofrer, não é?

__ Confesso que agora estou gostando e posso fazer piorar

__ Impossível!__ e logo um tranquilizante silêncio se forma e Tony se sente aliviado por aquele barulho irritante ter enfim terminado, diz:__ Ufa! Finalmente ele desis...__ e é interrompido por um som ainda mais alto e a nova versão de “Que a cuca vai pegar” exclusivo para ele:

__ Acorda nenê! Que a cuca já saiu, mamãe saiu da roça e papai não vai trabalhar__ e cantou repetitivamente

Tony salta do colchão e diz:

__ Desisto! Você venceu! Você venceu! Game over! Viu? Eu já estou de pé!

Seu avô dá um gemido pensativo, deu um sorriso radiante e disse:

__ É claro__ e explodiu de raiva:__ agora para o banheiro, se não vou manifestar de novo minha linda voz!!!

E logo Tony correu para o banheiro, conseguindo ouvir gargalhadas logo atrás de si, pensa: “Moro em uma casa ou em um hospício?”; vestia uma longa camisa cinza com estampa de ondas azuis e um navio pirata, uma cueca samba-canção e até mesmo quando dormia estava com sua bandana.

Tomou banho, também com ela, escovou os dentes e se vestiu, uma camisa branca com jaqueta jeans verde azulado, calça jeans e tênis negros, e logo arrepiou os cabelos com gel.

Saiu do quarto e foi até o de seu avô, estava vazio como desejava que estivesse no momento, lá havia um alçapão, desceu a escada de madeira, e havia uma sala com uma série de espadas de diversos tipos e espécies com estantes de metal feitas especialmente para segurá-las, ao centro uma enorme bigorna de ferro, com instrumentos de conserto e fabricação de objetos metálicos, uma lâmina de espada sem cabo e fôrmas, algumas cheias de metais derretidos, em uma parede á esquerda havia um incinerador aceso, as chamas eram as únicas fontes de iluminação do local, as paredes eram feitas de argila e o chão era bastante empoeirado.

Andou em meio ás estantes procurando algo em meio a elas e enfim encontra o que desejava, uma espada de lâmina pálida, com rachaduras em meio a ela fazendo-a parecer bastante antiga, e como se fossem fragmentos, uma katana, sua lâmina era muito larga principalmente aos seus padrões orientais, seu material era até então desconhecido, seu botão era de ferro vermelho e em forma de círculo e cabo cinzento.

Com brilho nos olhos, Tony disse:

__ Vou provar pra aquele palhaço do cabelo amarelo que ossos formam muito mais que um corpo

E pega quatro bainhas, e põe a sua espada em uma delas, e coloca todas por sua cintura.

E saiu da sala subterrânea, e foi tomar café junto ao seu avô, sushi, caldo e chá, seu avô indagou:

__ Está preparado?

Tony respondeu com um grande sorriso:

__ Eu já nasci preparado

O motorista de Marcelo, Joffrey, já estava saindo da casa junto ao garoto.

Marcelo em meio ao caminho observa a cidade, melancólico e triste, sentiria saudades da turbulência, da inquietude, das suas riquezas que muita falta lhe iriam fazer, não acredita que se esqueceu do repelente, da escola, onde era elogiado pelos professores, do Sr.Coleman e bastante dos alunos que atormentava, e até... de seus pais, quem sabe eles notassem que existia se estivesse ausente... algumas lágrimas começam a brotar dos seus olhos: “Calma Marcelo... lembre-se dos idiotas que vai ter de abrir a mente...”.

E estirou um rolo de papel, o mapa, antes de perceber estava olhando fixo sobre ele, em seguida o abriu, e notou cada detalhe, as escalas, o trajeto, a trilha: “ Está tudo tudo tão bem feito, parece até... real...” e questionou o quão longe poderia alcançar a mente humana.

Joffrey para na casa de Tony e buzina.

Enfim, Tony terminou o café, bastante satisfeito , ele e seu avô se abraçam, o garoto dá tchau a ele e vai até a porta e antes de abri-la, seu avô diz em um tom enigmático:

__ Boa sorte na procura do tesouro

O sangue do garoto gelou, uma de suas mãos estremeceu, não recordou de ter contado algo sobre o tesouro de Nicolau VII a ele, indagou:

__ Tesouro?

Seu avô deu um pequeno sorriso e disse:

__ O tesouro do conhecimento

Tony o olhou, riu feito um bobo e disse:

__ Claro, conhecimento é poder

Em seguida se virou, abriu a porta e saiu, seu avô desfez um sorriso e sua face assume um semblante sério e misterioso, disse em pensamento: “A espada de ossos discorda um pouco de você”.

Tony entrou no carro e viu Marcelo observando o mapa, disse:

__ Oi

Marcelo disse sem tirar os olhos do mapa:

__ Oi

__ Começando a acreditar...?

__ Se olhar significa acreditar, então eu acredito em cada coisa...__ e novamente enrolou e amarrou o mapa

__ Só perguntei, depois de três dias atrás era bem capaz

__ Ilusões... ilusões

__ Aquele terremoto parecia mais um beliscão

__ Saberemos quando encontrarmos esse “tesouro de doces”__ e fez sinal de aspas com as mãos nas duas últimas palavras

__ Certo, eu trouxe um presente pra você

Marcelo deu um pequeno sorriso e disse:
__ Me fará limpar o vidro?
Tony ignorou e estirou uma bainha da cintura, deu a Marcelo, que franziu a testa e disse:

__ Onde você a conseguiu?

__ Do meu avô de 1001 utilidades

E logo Marcelo se lembrou do dia em que se reuniram para discutirem sobre a proposta do diretor, porém disse apenas:

__ Obrigado

Em seguida nota que Tony estava com uma espada em outra bainha, perguntou:

__ Você está com uma espada?

__ Sim

__ Posso ver?

__ Não vamos estragar a surpresa__ e deu uma longa pausa para fitar a paisagem na janela, o sol em claro, as poucas árvores, o canto dos pássaros, os carros circulando, os arranha-céus__ e o motivo desse dia ser tão bonito...

Marcelo franziu a testa e disse:

__ Certo

__ Animado para a viagem?

__ Sim, estou, e você?

__ Mais animado, impossível

__ E preparado?

__ Estou, um pouco, e você?

__ Muito, quer dizer, o suficiente

Micaelle terminou o seu café, ela e sua mãe logo ouvem a buzina da limusine, a garota se levantou, porém sua mãe segurou seu braço, disse:

__ Espere!

Micaelle obedeceu e indagou:

__ O que foi?

__ Sei que... o diretor disse que providenciaria tudo para você e seus colegas mas... quero que leve...__ e se interrompeu estirando o bracelete e o estendendo a filha, continuou:__ isso, para dar sorte

A garota arregala os olhos, não estava gostando do rumo daquela conversa, como se ela mesma fosse morrer, continuou:__ antes de morrer e antes mesmo de você nascer, seu pai me deu ele de presente como prova do amor que sentia por mim e disse que não era o suficiente para o que eu realmente merecia__ e sua voz começa a tremular como se estivesse prestes a chorar:__ e que... sempre estaria ao meu lado até mesmo nas horas mais difíceis e sempre me protegeria de qualquer perigo, quero que o leve para que também demonstre que eu e ele realmente a amamos

__ Eu nunca tive dúvidas disso, mãe__ disse Micaelle com os olhos marejando

__ E que... onde quer que esteja lembre-se que estamos orando por você para que não corra nenhum perigo__ e lágrimas começam a cair dos olhos da mãe.

E Micaelle também, sua mãe põe o bracelete em seu braço e as duas se abraçam, sua mãe disse:

__ Você merece mais do que um bracelete

__ Não, mãe, o que você e meu pai fizeram por mim já é o bastante, eu que não sei o que fiz para merecer vocês

Sua mãe disse enxugando as lágrimas:

__ Boa sorte, filha

__ Obrigada por tudo, mãe, eu te amo__ se levantou e saiu de casa

Entrou no carro, Tony indagou a ela:

__ Estava chorando?

Marcelo disse indignado:

__ Olhe os modos! Tenha um pouco de educação, não se saúda alguém dessa forma

Tony disse:

__ Ah, sim! Desculpe, não quis ser grosso, oi

__ Tudo bem, obrigada por se preocupar, sim, eu estava chorando, despedidas nunca são fáceis, sabe?

__ Sim, eu sei, você vai ver ela de novo

__ Espero que sim

Marcelo nota o bracelete de bronze, nunca viu antes nada em seu braço, indagou:

__ Foi... sua mãe que o deu?

Micaelle hesita por alguns instantes sem entender e olhou o seu braço, disse:

__ Ah, sim, foi

__ É... muito bonito

__ Obrigada

Tony estirou uma das bainhas do cinto e disse:

__ Pegue, outro presente pra você

Micaelle disse, surpresa:

__ Não... não... você não precisa

__ Acho que o sr. Etiqueta__ disse olhando a Marcelo e voltou os olhos a Micaelle:__ que na maior parte das culturas recusar o presente de um amigo é falta de educação

Micaelle suspirou desacreditada, corou e disse:

__ Certo, obrigada, eu acho__ e pegou a bainha e a pôs na cintura

__ Preparada para a viagem?

__ Acho que sim

Alexis enfim notou que havia se esquecido do essencial: a espada, disse:

__ Tio, eu... esqueci de uma coisa lá em cima__ e se levantou e foi ao quarto

Levantou o colchão da sua cama e lá estava ela, a folha do diário de seu pai e sua foto

Pôs a espada no chão e começou a fitar a folha e a foto, pensando que havia algo em meio ao tesouro de Nicolau VII de errado, a guerra, os povos que confrontaram-se apenas por ele, ensandecidos e cobiçando aquele tesouro, o motivo não poderia ser simplesmente o de acabar com a fome e então recorda da lenda, a parte em que havia algo poderoso nele, para os povos guerrearem por ele por um mero receio significava que temiam que com ele suas vidas mudariam e que acreditavam que seu poder poderia ser até mesmo mais forte do que ouro ou qualquer outra fonte de riqueza, e o interesse pelo diretor por ele também não parecia ser normal, um diretor correndo também atrás de algo tão simples? Não poderia ser apenas pelo motivo de abrir os olhos da humanidade e destruir quase de vez a miséria, sente que havia algo de podre no tesouro, e começou a se perguntar: “Será que havia uma parte da história não contada?”

A limusine buzina e ele ouve seu tio o chamar, ele esconde as três coisas em meio a jaqueta, despede-se de seu tio e sai de casa.

Ele chega e cumprimenta a todos, Tony indaga:

__ Preparado para a viagem?

__ Acho que ninguém está preparado para uma viagem dessas, mas eu vou dar o máximo de mim mesmo

__ Gostei da resposta, eu trouxe um presente a você__ e estirou a última bainha vazia da cintura

Alexis estirou sua espada e pegou a bainha, e a encaixa, disse:

__ Obrigado, Tony, onde você as conseguiu?

__ Meu avô

__ Nossa, seu avô é demais
__ Quantas bainhas você tem?__ disse Marcelo intrigado
__ Só essas__ respondeu Tony com um radiante sorriso
E assim o quarteto vai, Marcelo dorme e durante o caminho passam por Relic, que estava em um cenário caótico, uma multidão em frente a escola, notaram bem e perceberam que eram os funcionários e os alunos e uma ambulância com as sirenes ecoando.
As portas principais da escola se abriram com médicos levando um corpo na maca, eles notam que o corpo era de Sr.Coleman, a multidão estava aterrorizada e confusa, segundo incidente na semana, primeiro o terremoto e agora o diretor saindo da escola em grave estado de saúde.
Eles adentram a ambulância.
Os três estavam também confusos e preocupados, principalmente Tony e Micaelle, mas Alexis conseguia entender um pouco a razão, já que nos dias anteriores o observou tendo uma grave tosse, olhou atentamente a Marcelo e pensou: “Ainda bem que não está acordado pra ver isso”; apesar de ter lá suas desavenças com ele achava que ninguém merecia passar por aquilo, conseguia entender um pouco o seu sofrimento, a relação de Marcelo com Sr.Coleman parecia a de pai e filho.
Enfim eles chegam ao aeroporto, que normalmente era bastante movimentado, mas agora estava deserto, havia poucos carros estacionados, mas por outro lado havia diversos aviões circulando no céu.
Joffrey disse:
__ Que... estranho! Tantos aviões rondando e nenhum sinal de passageiro, logo em um aeroporto
__ Aacho que as linhas devem estar fechadas__ disse Micaelle
__ Acho que não, para tantos aviões estarem em movimento__ disse Marcelo que enfim acordou
Alexis disse:
__ Acho que os funcionários devem estar testando aviões...
__ Ou seja, se divertindo e até detonando alguns__ disse Tony
__ Claro que não, são profissionais__ disse Marcelo
__ Profissionais também costumam errar
E um som de explosão veio do aeroporto, Tony disse irônico:
__ É... com certeza eles sabem o que fazem muito bem
Marcelo se cala com os olhos arregalados de espanto, Joffrey disse receoso:
__ A-acho melhor irmos embora
E quando ele ia ligar novamente o motor, Alexis toca no seu ombro e diz:
__ Não podemos, prometemos ao diretor que íamos
__ Mas não iam de livre e espontânea vontade?
__ Nós... é que...
__ Íamos__ interrompeu Tony__ mas uma vez que aceitamos, não podemos voltar atrás
Joffrey franziu a testa desconfiado e disse:
__ Mas...
Marcelo percebendo que Joffrey não estava menos desconfiado depois de Tony ter dito aquilo, disse:
__ Mas nada, o senhor está nessa profissão para cumprir ordens e não questionar uma a uma
O semblante de Joffrey se torna raivoso e indignado, disse entre os dentes:
__ Podem ir
Então todos saíram do carro e enfim adentraram o aeroporto, se surpreendem ainda mais, pois ele estava realmente deserto.
Andaram bastante até chegarem a conclusão de que estava realmente vazio, gritaram se havia alguém quando pelo canto dos olhos observam algo de quatro pernas se deslocar do balcão da sorveteria a outra loja, Micaelle indaga:
__ Aquilo foi um rato?
__ Parece que sim__ disse Alexis
__ Ou era um rato ou uma barata, seja o que for, não é nada bom e sinal de que devemos realmente ir embora, deveríamos ter voltado com Joffrey quando tínhamos chance__ disse Marcelo e quando ele começa a andar Alexis segura o seu braço e diz provocativo:
__ Onde está o cara que obedece as ordens sem questionar?
Marcelo afasta seu braço e diz:
__ Vou obedecer, mas outro dia, pelo visto hoje não vai haver viagem
Tony disse:
__ Vamos esperar mais um pouco, não vai matar, esse lugar vazio por um pouco de tempo é ótimo pra gente__ e levanta os braços
Quando uma voz é ouvida:
__ Fujão! Fujão! Onde você se meteu, Fujão?
Se viram para trás e observam um rapaz de pele pálida, magro, cabelos curtos e bastante negros, um terno negro sem mangas como se as estivesse rasgado dele, camisa social branca, pulseiras negras com farpas metálicas, três anéis nos dedos com caveiras brancas, e meias do sapato listradas em preto e branco, possuía 22 anos.
Bastante preocupado estava, porém quando os viu disse com certa desconfiança:
__ O que querem aqui? O aeroporto está fechado
Alexis disse:
__ Vamos fazer uma viagem
__ E onde estão seus passaportes?
Suas faces ficam pálidas, sem acreditarem que havia esquecido do essencial
__ Nós... não trouxemos
__ Então querem viajar sem passaportes? Muito bonito
Marcelo disse:
__ Espere, quem é você?
__ Dominique Fisher, funcionário daqui
__ Tem certeza que é funcionário? Isso é algum tipo de piada?__ disse Marcelo o fitando com escárnio
__ Tem razão, não sou um funcionário, sou “o funcionário”, o piloto de avião
Marcelo diz:
__ Estão aceitando até rato pelo visto
Alexis disse:
__ Dá um tempo, Marcelo, nós não duvidamos que seja funcionário, nos esquecemos dos nossos passaportes, mas-mas será que não poderia quebrar o nosso galho pelo menos agora?
__ Isso aqui não é um aeroporto pra clandestinos__ disse Dominique
__ Olha como fala!__ disse Marcelo
__ Marcelo, você não tá ajudando!__ disse Alexis
__ Seguranças!!!__ disse Dominique
E logo quatro homens musculosos de terno aparecem e antes dos quatro conseguirem tocar no cabo das espadas eles aprisionam seus braços.
Os quatro estavam apavorados, contorciam-se, digladiavam-se e imploravam para que os soltassem, exceto Marcelo, que meio que ordenava e xingava Dominique com coisas como: “ Corvo maldito, rato podre, vampiro do inferno!”; mas de nada adiantava não importasse o que faziam pois estavam cada vez mais próximos da saída e mais distantes de Fisher.
Este estava prestes a gesticular novamente a palavra: Fujão!, quando ouviu Alexis dizer:
__ Sr.Coleman não vai gostar nada disso!
Os olhos do piloto arregalam-se e quando os seguranças iriam os jogar para fora do local grita:
__ Esperem!
E logo eles esperam, aguardando a segunda ordem, Dominique disse:
__ Você disse Sr.Coleman?
__ Sim__ respondeu Alexis__ por que?
Dominique os olhou de cima a baixo e disse surpreso e espantado:
__ São vocês mesmos! Caramba! Por que não avisaram antes? Podem soltá-los! E podem ir também!
E assim eles fazem.
O quarteto o olha sem entender, Micaelle disse:
__ Por que avisaríamos se mal o conhecemos?
Dominique dá um sorriso tímido e diz:
__ Claro, estão certos, eu sou o piloto de vocês, sigam-me
Marcelo não gostou muito disso, Tony indaga:
__ Antes de nos ver estava chamando alguém de Fujão, quem era?
__ Ah, sim, é o meu hamster, estava procurando ele
__ Por que o aeroporto está vazio?__ disse Alexis
__ Um pequeno recesso, novos protótipos de aviões estão vindo e nós estamos testando a segurança deles, saibam que vocês são uma pequena exceção, pelo Sr.Coleman com certeza eu abro uma brecha
E eles chegam a pista de pouso, havia em uma parte não tão distante deles um avião destroçado em diversos pedaços, Fisher ao notar as faces aterrorizadas das crianças disse:
__ Isso foi um acidente de trabalho, não se assustem, é raro acontecer algo dessa forma e ninguém se machucou ou morreu__ e disse em voz baixa:__ eu acho
Eles cessam os passos em um jato particular verde escuro, na lateral esquerda exterior dele estava escrito: NAS ALTURAS-018T, Dominique dá alguns tapas no avião e disse:
__ Mais uma das centenas...__ em seguida vira-se a eles e diz:__ aguardem aqui fora enquanto eu dou alguns ajustes__ e quando ia entrar recordou-se de algo e novamente dirigiu-se a eles:__ quase que me esqueço, o mapa__ e estende a mão
Alexis, Tony e Micaelle apalpam os corpos para ver se com eles estava, e percebem que não, Tony disse então:
__ Marcelo, por acaso o mapa está com você?
__ Sim, mas eu não confio nele, não vou o dar ainda
Fisher esfrega a língua nos dentes, sorri e diz:
__ Ah é, ainda sou um rato, se não acredita nas minhas palavras então acredite nas palavras do próprio Sr.Coleman
__ O quê? Ele veio?
__ Não, ele está internado
Marcelo disse preocupado:
__ O quê? Quando? Por que?
__ Não sei, por enquanto sei de pouca coisa, por exemplo, que ele foi levado pra lá hoje mesmo na frente da sua escola__ e estirou um envelope do bolso e disse:__ Para todos vocês
Todos se juntam a Marcelo para ver a carta, e todos lêem em voz alta:

“De: Sr.Edwin Coleman
Para: Alexis Henry Blake
Micaelle Foxwell Hunter
Tony Yama Suzuki
Marcelo Oliveira Miller

Querido quarteto de desbravadores, sinto bastante por não poder estar presente com vocês, especialmente a você, Tony, por não ter o privilégio de poder comtemplar a sua espada de ossos, a razão de minha ausência é que como diretor de uma renomada escola feito Relic tenho bastantes compromissos, enfim, se estiverem lendo esta carta significa que já estão acompanhados de meu confiável piloto Dominique Fisher, ordenei-o que apenas a dessem quando estiverem a ponto de decolarem ao Nas Alturas, um belo avião que um dia eu mesmo viajei, entendo mais do que pensam a aflição e preocupação que é a viagem ao desconhecido, por isso antes de iniciarem-na fiz questão de lhes proporcionar o melhor, obedeçam a cada ordem de Dom, ele sabe o que faz, boa sorte na procura do tesouro de Nicolau VII e lembrem-se:

Nem tudo é o que parece ser quando trata do mistério

E não se esqueçam também: pequenos detalhes, grandes significados

Marcelo então enfim entregou o mapa, então Dom disse a todos:
__ Espero que não me dêem trabalho algum
Todos assentem e lhe dão um pequeno sorriso, exceto Marcelo que estava imóvel e com o semblante sério, quando Fisher percebe, e disse com um sorriso provocativo
__ Ouviu? Agora você obedece ao rato
__ Você não tem um avião para cuidar?__ disse Marcelo tentando conter ao máximo sua raiva
Flick ri e entra no avião
Tony pensou ao ver a face de raiva de Marcelo: “ acho que vou irritá-lo mais um pouco”, e foi até ele, desembainhou a espada e disse:
__ Eis aqui! Minha espada de ossos! Pena que o diretor não está aqui para vê-la
Alexis disse então a Micaelle:
__ Não era que o ruivinho estava mesmo certo? Me deve 30 verdinhas
Tony os olha surpreso e diz:
__ Então vocês apostaram?
__ Sim, e eu apostei em você, significando 30 preciosos pra mim
__ Sabe o que é? É que... eu pensei que iria perder e... não trouxe__ disse Micaelle
__ Hum, você é bem convencida
__ Poxa, não é todo dia que se vê uma espada de ossos
Alexis riu e disse:
__ Verdade, sabe... acho que você esteve até um pouco certa em não trazer, eu também não trouxe
__ E eu que sou a convencida?
__ Como você disse, não é todo dia que se vê uma espada de ossos
Os dois riem
Marcelo enfurecido vociferou:
__ Por acaso já a testou! Qualquer idiota sabe fazer latão parecer ouro!! Quem dirá uma espada dessas?
Tony levanta a sua espada contra Marcelo um pouco zangado e disse:
__ Posso testar em você
Marcelo desembainha Excalibur em instante e a levantou contra Tony também e disse:
__ Pode tentar, mas duvido que consiga, até uma cenoura tem mais chances de conseguir do que você!
__ Epa! Epa! Epa!__ disse uma voz vinda do interior do avião e continuou:__ ninguém vai morrer no meu turno! Sr.Coleman não quer que morram antes de chegarem á trilha, quer dizer, não que ele queira que morram lá também, ah, vocês entenderam
Logo notam que era Dominique e continuou:
__ Guardem as espadas e entrem que o avião já vai decolar
Eles hesitam, mas no final obedecem.
Todos andam até o jato, porém ao invés de estarem aliviados por finalmente começarem a jornada depois de tudo o que passaram, estavam amedrontados, apreensivos pela viagem ao desconhecido que estavam prestes a fazer, o receio de partir e nunca mais voltar aumentava a cada passo que se aproximavam de sair do chão.
Mas esse medo logo desapareceu quando observam o interior, admiraram-se e ficaram boquiabertos, havia quatro cadeiras reclináveis vibratórias com travesseiros, logo ao lado de cada uma janelas, que davam amplas vista do exterior, também uma mesa encoberta de guloseimas e variedades gastronômicas, uma geladeira que deveria ter ainda mais delícias, uma máquina de refrigerantes, uma estante de livros e revistas em quadrinhos, com estojos de lápis de cor, giz de cera, papéis, jogos de tabuleiro, também observam um luxuoso banheiro com banheira de hidromassagem.
__ Uau!__ disseram os quatro
E Tony depois diz:
__ Caso a gente volte, vou dar um beijo na careca daquele velho
O avião enfim decola, eles aproveitaram bastante, Marcelo mergulhou em novelas de cavalaria, muitas vezes imaginando-se dentro delas, Tony lia história em quadrinhos e desenhava seu herói imaginário, o Samurai de Fogo, Micaelle lia relatos de sobrevivência e fábulas, Alexis livros de guerra e mitologia, antes de dormir costumava ler o papel que falava de seus pais.
Foram dias bastante harmoniosos, Marcelo não parecia ser tão hostil e algumas vezes eles não acreditavam que aquela era a mesma pessoa que os atormentavam no colégio, Tony sonhava bastante em ser O samurai de Fogo e todos riam quando ele o imitava e ficavam encantados com as histórias que criavam acerca dele, Alexis contou histórias mitológicas que aprendeu, mas quando perguntavam o motivo de ler sempre antes de dormir o papel no seu bolso ele nunca respondia, pois tinha medo de soltar a pequena parte que envolvia o diretor, Micaelle contou alguma de suas aventuras com o pai e os animais que conheceu, o que era palco dos melhores assuntos do grupo, pois costumavam desenhar misturas de animais. Ficaram na viagem por cerca de 7 dias, que para eles passaram feito um sopro.
7º dia, Dom já estava sobrevoando as ruínas do reino de Nicolau VII, impressionado e quase desacreditado que simples humanos teriam sido capazes de fazer imenso estrago feito aquele.
Abaixou levemente a cabeça e pensou: “Está na hora”

Notas finais
Não esqueçam de comentar, criticarem ou sugerirem, suas opiniões são preciosas para mim