A trilha, o tesouro de Nicolau VII
6 Cap.6- Além de uma estante
Notas iniciais
Cap.6- Além de uma estante
“Psicopata não, mas louco sim”; pensou Micaelle, e todos lentamente andaram a tal entrada, Sr.Coleman estira seus óculos pousando-os sobre a mesa e decide tomar frente com sua lanterna ligada, começaram a descer, Tony olhando ao redor pensou: “Se esta era a surpresa, eu não estou gostando nem um pouco”; apesar de amar o risco e o local que iriam alcançar fosse ter cheiro de aventura, todo aquele ar antigo havia algo de sombrio que provocava nele agonia para sair.
Alexis, porém sentia o contrário, indagou: “Como eu nunca sequer sonhei com isso?”; estava ansioso e empolgado para saber aonde iriam chegar, cada passo seu peito inflava de ansiedade, estava apaixonado pelas pinturas rupestres, parecia um sonho, primeiro Renascentismo, e agora Pré-história! Realmente aquela escola era uma caixinha de surpresas.
O caminho era longo, os quatro questionaram o quão profundo aquele lugar era, enfim, alcançaram ao fim, as paredes se estenderam e o teto também, o metal agora os encobria, ao teto mostravam em certas brechas estalactites que brilham em luzes azuladas servindo de iluminação natural do final da caverna subterrânea, estavam em um grande círculo, desde o teto ao solo, nas paredes haviam diversas armas, desde armas brancas ás armas de fogo; machados, lanças, espadas, tridentes, cutelos, pistolas, metralhadoras, espingardas, bazucas, bestas, etc. Uma diversidade de espécies, cores e tamanhos, que se prendiam ás paredes por espécies de hastes negras em formatos de pequenos anzóis, no centro do solo do imenso lugar havia o desenho de uma formiga de cor escura, semelhante a uma sombra, grande, de 2 metros de altura, se notasse bem o local caso fosse feito a planta dele formava a figura de uma formiga no centro do domo metálico de restaurante, e as armas como utensílios para devorar o inseto, uma fortaleza de armas era o local. Surpreendam-se e espantaram-se ao verem tudo aquilo, jamais pensariam que um diretor de colégio estivesse omitindo algo como aquilo, construir aquilo nos tempos atuais era bastante incomum, seria normal nos tempos medievais. Aquelas não eram armas quaisquer, eram históricas, o sonho de consumo dos historiadores, arqueólogos e donos de museu.
E é claro que Alexis era o que mais havia gostado, primeiro Renascentismo, segundo Pré-História, e agora Era Medieval e neste último inserido outros períodos da história: Vitoriano, Colonialismo, Imperialismo, Contemporâneo, etc. Seu coração batia acelerado de tão animado que estava, disse admirado:
__ Em todo esse tempo um tesouro esteve embaixo dos meus pés e eu não sabia!
Tony mudou de opinião ao ver a fortaleza, aquela imensidão de armas fenomenais para usar na vida real, nunca havia tantas armas num lugar só nem sequer nos seus games de RPG, poderia acabar com tantas pessoas chatas, ser o justiceiro de Adventureville combatendo o crime livrando a cidade das garras de malfeitores, o grande herói, o Samurai de Fogo!!! Entrou na teia de sonhos por alguns instantes, disse ao sair:
__ Se essa era a surpresa pra mim, ele realmente caprichou!
Micaelle não deu muito importância para a diversidade armaria, mas apenas em um tipo especial, os arco-e-flechas, a principal arma que caçava junto a seu pai, decerto que naquela sala havia os melhores, revirou os olhos e disse á Tony:
__ Essas armas devem ter um grande valor, por que ofereceria a pessoa que não prezaria por elas?
__ Que absurdo! Eu sou uma pessoa muito cuidadosa
__Sério, Tony? Pra cima de mim?
__ Mas eu sou mesmo!__ e disse baixinho:__ ás vezes
Dúvidas então preenchem sua mente, se não era esta a surpresa, então qual era?
Marcelo também estava com dúvida, achou que deveria ter mostrado aquele lugar primeiro a ele, pois não era ele digno de sua confiança? A pessoa que o serviu com lealdade e sem desacatar suas ordens? Se sentiu bastante ofendido, pensando que Sr.Coleman o achava mentiroso e aproveitador, mas sem dúvida gostou do lugar.
__ O senhor construiu tudo isso sozinho?__ indagou Marcelo que se controlava para não fazer perguntas que provocassem uma discussão
__ Sim, descartando a caverna, é claro, cada arma mais magnífica que a outra__ seus olhos cinzentos brilharam de contentamento e fascinação, orgulho de um artista por sua obra __ construí, há muito tempo atrás, antes de diretor eu trabalhava como arqueólogo, vi fósseis e entre outras coisas descritas na história, as clavas que homens das cavernas usavam para caçar os animais__ e apontou para uma genuína clava á esquerda__ ás lanças dos bravos guerreiros da cidade de Esparta__ e andou á mesma direção da clava, pegou a lança que havia ao lado dela, aproximou a lâmina do nariz inspirando fortemente o ar, disse relaxado:__ aaah, se manter bastante concentração poderá sentir o doce cheiro de sangue seco__ e golpeou-a em meia-lua cortando o ar, a pôs novamente no lugar, andou até eles olhando ao redor e disse quando enfim cessou:__ sem dúvida alguma quero que mantenham segredo, mas não foi para mostra-lo que chamei, nem pensem que quero dá-lo de herança quando eu morrer__ ao ouvir aquilo Alexis recordou do momento em que Sr.Coleman estava quase morrendo de tanto tossir, questionou se realmente a morte do diretor estava mais próxima do que parecia__ ou como prova de amizade ou coisa parecida, é uma questão de necessidade
__ Você não está querendo dizer que...?__indagou Alexis
__ Sim, eu quero que fiquem com uma delas
Todos ficaram alegres com aquilo, Tony disse em pensamento: “Yeah! Samurai de Fogo irá atacar!”, e disse logo depois entusiasmado:
__ Yeah! Que incrível!
__ Apenas uma, Tony
__ Ah__ disse agora decepcionado
__ Continuando, pensem sabiamente na escolha de vocês, pois a mesma que pode salvá-los pode ser também suas causas de morte, mas para ganhar esse privilégio terão que pagar um preço: me vencer em um duelo de espadas, caso percam não levarão arma alguma, e terão que se virarem para encontrarem algo que se pareça com uma, mas caso ganhem poderão escolher qualquer uma que quiserem, mas fiquem tranquilos, vejam isto como um treino por que durante o combate os ensinarei algumas técnicas__ e em seguida pegou duas espadas de madeira: uma em cada braço, aproximou-se novamente e disse:__ Terão cinco chances para me derrotarem, golpe no tórax, barriga e coluna vertebral, dependendo da força e da forma que é executado será fatal ao adversário e poderá dar vitória ao jogador, é proibido golpes na garganta e virilha
“Cinco chances são como as vidas, se perder todas está fora, como em um vídeo-game...”, pensou Tony, indagou:
__ E se caso essa regra for violada?
__ A vitória será do adversário
Foi quando um lampejo veio á mente de Tony: “A espada de ossos!”; Ele não precisava fazer esse duelo, já tinha uma arma á sua espera, disse:
__ Sabe, eu... não vou duelar com o senhor porque não pretendo escolher nenhuma dessas armas
__ O quê?__ disseram Alexis, Micaelle e Marcelo surpresos
Sr.Coleman disse com medo e preocupação na voz:
__ Por acaso quer ser massacrado feito formiga?!
__ Eu não entendo, você ficou tão feliz com essa sala!__ exclamou Alexis
__ São armas impressionantes, mas eu já tenho uma arma pra mim, serei uma formiga com uma espada de ossos__ disse Tony
__ Co... co... como assim uma espada de ossos?__ disse Sr.Coleman
__ Uma espada feita exclusivamente de ossos, e que corta tão bem quanto uma espada de aço ou dourada
Após ter ouvido aquilo Marcelo grunhiu, puxou os cabelos pelos lados e disse com bastante raiva:
__ Para de pensar nesta maldita espada imaginária e lute logo com uma arma que exista!!!
Tony disse em sua voz normal:
__ Não é imaginária, quanto você vai apostar pra eu provar que existe realmente?
Marcelo disse em tom esnobe:
__ Eu não vou apostar em bobagens como essa
__ É uma bobagem você não acreditar
__ Claro que não, este negócio de espada de ossos não existe
__ Se está tãããão seguro que não existe, então por que não apostar? É claro que você vai ganhar mesmo
__ Porque não, sou podre de rico e estou satisfeito com isso
__ Então você concorda que existe
__ Discordo
__ Se discordasse, com certeza apostaria
__ Certo, eu aposto cinquenta preciosos que não existe, acho que é de bom tamanho para pobres que nem você pagar
Precioso era a moeda do país, Coríndon, maior que o dólar mas de menor valor que o euro, Tony disse:
__ Feito__ e os dois apertam as mãos
Alexis sussurrou no ouvido de Micaelle:
__ Aposto no Tony
__ Eu, no Marcelo
__ 30
__ Feito, e quem vença o melhor, ou seja, eu
Micaelle emite um risinho e diz:
__ Veremos__ e apertam as mãos
Sr.Coleman diz:
__ Espada de ossos, conte-me mais detalhes sobre ela
E assim Tony conta o que havia contado aos outros, com o diretor calado e atento á cada trecho, quando enfim terminou ele disse:
__ Quando você a mostrará?
__ No dia da nossa viagem por Nicolau VII, antes da partida__ e deu um sorriso travesso á Marcelo, que dá um pequeno grunhido em resposta
__ Sendo assim, realmente será um desperdício que faça um duelo aqui, serão apenas 3 então, uma pena eu não poder ver a habilidade de todos, enfim, eu decido quem começa ou farão isso por mim?
__ Eu vou primeiro__ ofereceu-se Marcelo
Sr.Coleman joga á espada á ele, este a pega com o braço direito, o diretor ordena:
__ Afastem-se
E assim os três fazem, aproximando-se bastante das armas, resistindo para não tocarem e brincarem com elas
Coleman e Marcelo colocam-se ao centro, em cima da formiga, e começam a andar lentamente em círculos, com os olhares atentos a qualquer ataque e com as espadas posicionadas, o diretor diz:
__ Vamos ver se realmente é um exímio esgrimista como seu professor diz, você começa
A raiva ainda reinava em Marcelo duvidando se realmente o diretor confiava nele como dizia, o garoto levanta o braço executando um ataque superior em direção ao crânio, o diretor executa uma excelente defesa com a espada empunhada na mão esquerda, afastando a espada do oponente, junto a ele que recua alguns passos.
O diretor então ataca, em direção a barriga, Marcelo defende e afasta a espada, Sr.Coleman está com a espada muito para a esquerda estando vulnerável, o garoto ataca novamente cobiçando a cabeça, o diretor percebendo se abaixa e atinge certeiramente a barriga deixando o outro sem ar, então diz:
__ Poderia ter me vencido se não estivesse tão focado em minha cabeça, em uma batalha para se conseguir a vitória não é certo o guerreiro focar em apenas uma parte, mas na que estiver mais vulnerável, não se faça de cego, é para isso que servem esses óculos
E liberta-o da pontada na barriga se afastando, Marcelo começa a ficar ainda mais colérico, disse em pensamento: “Como eu posso ter perdido de forma tão besta?”; reconheceu logo depois que havia sido bastante ganancioso, que precisava estar mesmo mais atento a cada ponto fraco que o diretor exibia, estava determinado a vencer aquele velho ingrato.
Posiciona a espada novamente, Marcelo diz:
__ O vencedor tem o direito de começar
Estava determinado a analisa-lo a qualquer custo mal percebendo que o diretor já fazia isso com ele, e com progresso.
O diretor ataca com objetivo de arranhar seu tórax, Marcelo se defende, o que ele não esperava é que aquele fosse “o ataque”, Coleman foi tão rápido e vigoroso que Marcelo teve que escolher entre analisar ou defender, sua própria lâmina quase que golpeia ele mesmo, ele fechou os olhos durante o ataque, quase está certo de que viu estrelas.
Os pés do louro recuam, o diretor ataca ainda mais: direita, esquerda, esquerda, direita, esquerda, direita. A única coisa que o ajudante conseguiu analisar foram que o diretor era tão rápido que era difícil responder aos ataques, precisava logo partir para a ofensiva, pois não conseguiria bloquear esses ataques por muito tempo.
Logo teve uma ideia, um ataque frontal, porém executá-lo seria bastante complicado, pois aquilo deixava sua defesa exposta, agora começa a observar de forma esclarecida, quanto maior a velocidade do ataque maior também a vinda da fadiga, e a não ser que o diretor tivesse deixado de ser um humano não seria diferente com ele, e o seu descanso era um intervalo de 2 segundos a cada 5 ataques, um intervalo passa logo no instante que Marcelo conclui seu raciocínio, ele então começa a contar, 1: esquerda, 2: direita, 3: direita, 4: esquerda e enfim... 5: esquerda, o intervalo!
Marcelo não pensou duas vezes e executou a frontal, o diretor como esperado consegue se defender e desta vez Marcelo que ataca: esquerda, direita, frontal, direita, esquerda, esquerda, direita, direita. A maior parte direto na parte onde havia sido derrotado; a barriga, a defensiva do diretor era boa, porém ainda não tão boa quanto a ofensiva.
Alexis disse:
__ Marcelo e Sr.Coleman, um lutando contra o outro, eis ae algo que eu nunca pensei que veria na vida
__ É impressão minha ou Marcelo está com ódio do Sr.Coleman?__ indagou Micaelle
__ Não, acho que é só a emoção da batalha mesmo, não acho que ele tenha motivos pra isso__ disse Tony
Agora o ajudante reinava em campo de batalha, conseguia ser capaz de sentir o doce aroma da vitória sendo soprado a seu favor, o diretor então muda de estratégia, ele que antes defendia-se dos ataques com a espada, agora simplesmente esquivava seu corpo de cada um deles, de forma tão ágil que parecia ser levado pelo vento e ao mesmo tempo tão compassada que parecia dançar com ele.
Marcelo pensava que o diretor estava adivinhado seus golpes, ele executa uma frontal em um péssimo instante, direto para penetrar na barriga, Coleman esquiva seu peito para a esquerda, o garoto não acredita que errou tal ataque, como proveito o diretor acerta suas pernas em um ataque de direita, ele cai nesta mesma direção de lado, mas Marcelo ainda tinha como mover sua arma, porém suas chances logo caem ao 0 novamente, quando o diretor ataca uma frontal direto no braço, o garoto sente uma pontada de dor e solta a espada, Coleman então acerta direto na cabeça não poupando na força.
Marcelo gane de dor, Coleman diz:
__ Acaba de morrer com um ataque profundo no encéfalo, você executou uma excelente defensiva, soube logo como partir para a ofensiva, porém esteve tão focado nela que expôs seu corpo demais e esqueceu de usar a defensiva no momento certo, ambas você abusou, muita defensiva em um duelo, o guerreiro em sua defesa em algum momento falhará, e assim perderá cedo ou tarde, muita ofensiva ele se expõe demais aos ataques tornando-se mais vulnerável e fraco, entendeu? As duas em excesso podem prejudicar o próprio guerreiro, você deve ser equilibrado e já que é a sensatez seu esforço em ser dessa forma deve ser maior.
Coleman estende o braço para ele se levantar, Marcelo tem a impressão de que todos riam dele, sentindo que os outros 3 escarneciam de seu fracasso, deu um pesaroso olhar a eles e recusa a ajuda do diretor, disse em pensamento: “ O que eles tem de tão especial para descobrirem logo comigo esse segredo dele? ”; o diretor disse:
__ Se pensa que agora o tratarei de forma especial só porque me ajuda está muito enganado
__ Jamais pensei nisso, falando nisso parece mesmo que não confia em mim__ alfinetou Marcelo
__Decerto que confio bastante, só avisando caso confunda as coisas
__ Não foi o que pareceu hoje__ ele não conseguia mais se controlar
__ O quê?
__ O senhor mostrando esse segredo enorme a uma pessoa de confiança como eu junto a essa santinha do pau oco, o idiota mentiroso e o bobo iludido!__ disse indignado
__ Existem segredos que só gostamos de guardar para nós mesmos, se não fosse o Nicolau VII jamais teria mostrado a nenhum de vocês, eu confio em você, acredite, mas tem coisas que não se conta nem ao melhor amigo
“Melhor amigo”, aquelas palavras chegaram fortemente a Marcelo, como um tapa e um abraço ao mesmo tempo, o garoto se perguntou como pode ter sido tão idiota, ele entendia os tais segredos, havia também diversos que não contara a Sr.Coleman, “melhores... amigos”; aquelas palavras ecoam no seu pensamento, disse arrependido:
__ Me... desculpa, eu... eu não sabia
Os três se espantaram com aquilo, Marcelo, o menino maldoso, orgulhoso e egocêntrico pedindo desculpas, sempre o vira pisando nos outros e com o prazer em atormentar cada um em Relic, e agora estavam o vendo arrependido e melancólico, estavam um pouco zangados obviamente pelas ofensas, mas ele havia pedido desculpas pelo menos a alguém, aquilo era um lado que desconheciam dele, será que havia bondade em meio a todo aquele ódio e fúria?
Coleman responde:
__ Eu só o perdoarei se me vencer
Marcelo sorri e diz:
__ Dessa vez eu quero começar
E ele então ataca de direita, o diretor se defende e empurra sua espada para a esquerda, Marcelo fica vulnerável desta vez, como no primeiro duelo, Sr.Coleman lança uma frontal, o garoto parecia encurralado porém pensou rápido em uma saída e antes que a madeira o tocasse, ele ataca direto em suas pernas o fazendo tropeçar.
Marcelo maneja a espada com as duas mãos quando vai atacar em direção ao peito do diretor caído no chão, Sr.Coleman se esquiva rolando para a direita e o chão se torna a única vítima de Marcelo, em questão de segundos o diretor se levanta, e ataca na direção esquerda tirando proveito do estado vulnerável do garoto, que consegue se defender com êxito, e logo Coleman está na ofensiva e Marcelo na defensiva como no início do segundo duelo.
O diretor lança uma sequência de ataques, Marcelo em meio a eles além de se defender atentou o olhar as suas pernas, moviam-se em constante rapidez tanto quanto sua espada, recordou das palavras de seu professor de esgrima: “a espada deve ser parte de seu corpo; e agora percebe o quão certo ele estava, não eram as pernas que imitavam a velocidade da espada mas era ela que imitava a velocidade das pernas, como uma espécie de sincronia, então se atacasse as pernas não haveria mais equilíbrio, no início do duelo o fez tropeçar pensou que não seria assim tão difícil derrubá-lo outra vez, se estivesse ciente dessa lógica naquele momento quem sabe alcançaria a vitória.
Então usando o intervalo de dois segundos a seu favor e executa um ataque de esquerda direto nas pernas, mas o diretor sorrateiramente pula.
Ao pisar no chão o diretor executa um frontal, Marcelo se defende o empurrando, e ele conclui seu objetivo, o diretor tropeça para trás, o garoto tenta aquele mesmo ataque que havia feito após tê-lo derrubado pela primeira vez, Coleman desta vez se defende, duas forças opostas confrontam-se, um almejando a derrota do outro, a maior força estava com Marcelo.
Coleman teve a brilhante ideia de deixa-lo sem escolha a não ser se afastar, e ataca uma de esquerda em direção a cabeça, Marcelo esquiva-se abaixando e enfim ele consegue o que deseja, atingindo a espada no peito do diretor e apertando-a contra ele de forma forte.
O diretor arregala o olhar, fica boquiaberto e diz admirado:
__ Meus... parabéns, você venceu como eu acreditava
Ambos estavam ofegantes, Marcelo em meio a fadiga ao ouvir aquilo abre um grande sorriso de boca aberta, ele afasta a espada de seu tórax e estende o braço para ajuda-lo a se levantar, Sr.Coleman aceita a ajuda. E continua:__ Seu professor estava certo
__ Obrigado, mas não sou tão bom quanto o senhor
__ Mas não irá demorar muito para me superar__ deu uma longa pausa ao olhar ao redor da fortaleza, andou até uma espada de lâmina prateada, de botão dourado e cabo negro, a pegou, Coleman fita atentamente a arma e diz:__ Sr.Bringshester, quero lhe apresentar a suposta Excalibur, a famosa espada do rei Arthur, líder dos Cavaleiros da Távola Redonda
__ O quê?! Mas não era uma lenda?__ indagou Tony
__ Foi por isso que disse suposta__ e mostrou a espada á Marcelo e aproximou-se até ele:__ não quero que escolha uma arma qualquer, ainda não encontrei nela nenhum poder em especial, quando sua espada original foi destruída ao batalhar contra o rei Pellinore, foi dada pela Dama da Água, uma fada, na Floresta da Aventura, ainda tenho esperança de ver algum poder se manifestar nela, eu desejo que uma das pessoas em quem eu mais confio manejem uma espada tão valorosa e poderosa.
Marcelo ficou boquiaberto, pegou-a lentamente, pois achava o momento tão emocionante que se caso não desfrutasse cada pedaço dele iria estraga-lo, estava feliz, se sentindo honrado por ter o privilégio de tomar posse da espada de um grande rei, para ele aquilo era um dos melhores momentos de sua vida, desde os 3 aos 8 anos de idade seu pai costumava contar diversas vezes antes de ele dormir histórias de príncipes e princesas, épicas novelas de cavalaria onde o herói enfrentava ogros monstruosos, gigantes colossais, fantasmas asquerosos, perigosos feiticeiros, dragões amedrontadores e entre outras criaturas, para resgatar sua donzela e enfim estar junto dela eternamente.
Ele não sabia se acreditava que poderia ser realmente a poderosa espada do grande Arthur, além do valor do objeto, o presente tinha valor sentimental e simbólico pois indicava que realmente havia conquistado a confiança do diretor enfim.
Tony sentiu um pouco de inveja, disse em pensamento: “ E o meu presente ainda nenhum sinal!”
Marcelo disse:
__ No... no... nossa, e-eu nem sei como agradecer
__ Não precisa, considere como uma recompensa ou retribuição por toda a lealdade, obediência e honra, é admirável a forma pelo qual me serviu sem pedir nada em troca, ainda acho que este presente não seja o suficiente mas...
__ Imagine, senhor, é o melhor presente que em toda a minha vida, vai ser uma honra manejá-la
Apesar de Sr.Coleman não ter sorrido qualquer um claramente podia perceber a satisfação e alegria em sua face, ela brilhava, Marcelo gesticula um golpe frontal distante o suficiente para não atingir o diretor, Sr. Coleman diz:
__ E então? Quem será o próximo?
__ Eu__ ofereceu-se Micaelle
Sr.Coleman já com a espadas de madeira nos braços joga á Micaelle ao mesmo braço que havia jogado a Marcelo
__ Parece que jamais tocou em uma espada__ disse o diretor notando que segurava a espada da forma errada
__ Não parece, eu nunca toquei mesmo
__ Primeiro, com que mão você escreve?
__ Esquerda
__ Então segure nessa direção
Então ela assim fez, com Sr.Coleman levando um bom tempo para ensiná-la a forma certa de se segurar, quando enfim ela acerta o diretor instrui:
__ Manejar espada não é muito diferente de um arco-e-flecha, a visão é o enfoque principal de ambas, você teve bastante contato com a natureza e a caça. As paisagens afloram os sentidos e desenvolvem o raciocínio de qualquer ser humano, principalmente no que acredito ser o sétimo sentido: a imaginação; a raiz das ideias e a nascente do poder, use ela a seu favor, imagine que minha espada seja uma flecha, pense em como pode lidar se uma estivesse bem na sua frente, como se defenderia? Como fugiria da morte? E começarei atacando lentamente e depois vou aumentar a velocidade.
Micaelle então segura firmemente a espada, novamente segurando a arma de forma errada, Coleman diz:
__ Não tenha medo, relaxe os músculos
Ela assim faz segurando a espada de forma certa outra vez, seria realmente difícil fazer de conta que uma espada é uma flecha, discordava daquilo até mesmo em sonho, concordava que ambas se usava o sentido da visão, porém ao usar um arco usava-a de forma mais intensa e aguçada, no máximo poderia imaginar espada como lança, mas tentaria imaginar algo como o diretor queria, se esforçaria bastante.
Então Coleman começa a atacar, de forma lenta, mas veloz o suficiente para Micaelle ter de ficar alerta, se defende deles com êxito, e então o diretor começa a aumentar o ritmo: direita, frontal, esquerda, direita, direita, esquerda; a garota se defende com um pouco de dificuldade, logo a velocidade aumenta ainda mais: frontal, esquerda, esquerda, esquerda, frontal, direita, direita, esquerda... logo ela sente ainda mais dificuldade
“Uma flecha... uma flecha, não espada... flecha!; e mais outra sequência de ataques: direita, esquerda, direita, frontal.
Marcelo diz:
__ Realmente eu subestimei ela, é mais burra do que parece, ainda não percebeu o intervalo
__ Que intervalo?__ disseram Alexis e Tony juntos
__ O intervalo de dois segundos, o diretor para a cada dois segundos para descansar a cada 5 ataques, se ela não usar isso a favor dela vai acabar...__ entrementes outra sequência: esquerda, frontal, direita, frontal, esquerda, frontal, direita, direita, e frontal, este último a pega atingindo seu crânio.
__ Perdendo__ completou Marcelo
A garota põe a mão direita sobre a cabeça sentindo muita dor, Coleman diz:
__ Mais uma vez a falta de equilíbrio, muita defensiva, morta com um grande golpe no crânio, lute contra o arqueiro Micaelle, você foi boa para uma primeira vez, tente me atacar, lute, combata, pois como pode me perceber apenas a defensiva não a ajudará a conquistar a vitória. Vou continuar o mesmo ritmo que terminei e depois aumentarei ainda mais.
E logo eles recomeçam, Coleman começa a atacar: esquerda, esquerda, direita, frontal, esquerda, e Micaelle então ataca, Alexis diz:
__ Bom, pelo menos ela não está sendo gananciosa
Consorte que Sr.Coleman ainda estava lá, pois seria bem possível que caso não estivesse Marcelo estreasse a primeira vítima de Excalibur.
Os três notam que ela resolve atacar logo no intervalo, mal sabendo que aquele era um golpe de sorte, que ainda não havia tomado consciência do intervalo.
Esquerda, esquerda, direita, esquerda, esquerda, esquerda, frontal, esquerda, direita, esquerda; neste último ataque Coleman afasta a espada da garota para a direita; e logo realiza um ataque de esquerda atingindo certeiramente a barriga, em uma espécie de arranhão, Micaelle sente uma grande dor nesta área apertando fortemente com a mão que estava desarmada e começa a ficar sem ar.
Suas pernas prestes a fraquejarem estavam e prestes a se submeterem ao chão, Coleman se afasta para trás notando a agonia da garota, disse:
__ Acaba de morrer com um grave arranhão no estômago, está bastante rápida em seus ataques, mas precisa aumentar a força, pois a velocidade é a parceira da força, notei que ainda está muito calma e com bastante medo, precisa se enfurecer mais, vamos: lute contra a minha flecha.
Micaelle tenta recuperar o ar, ela cai com a frase: lute contra a minha flecha; ecoando na mente, pensa ter ouvido ela de algum lugar, e enfim recorda, seu pai havia dito em um dos momentos que esteve com ela na floresta ensinando-a a caçar. A tarefa mais difícil que ele lhe impusera era conseguir abater a sua própria flecha em meio ao ar, e abatê-la com outra flecha, a flecha era o alvo.
Não recordou de uma única vez que havia conseguido aquilo, se sentia como a caça, um animal fraco e indefeso correndo de seu algoz, “Lute contra a minha flecha”; aquela frase recordou novamente seu pai, ele não gostaria de vê-la caída assim.
Ela enfim se levanta, determinada a vencer o diretor, disposta a abater sua flecha, disposta a ser a flecha, disposta a ser a caçadora ao invés de caça, disposta a torna-lo a caça.
Diz:
__ Pode deixar que eu lutarei
A fúria era sua maior dificuldade, nunca pensou que ser calma fosse um defeito.
E o terceiro duelo começa.
Sr.Coleman começa, esquerda, esquerda, frontal, e depois ao invés de usar a espada como defesa Micaelle começa a simplesmente se esquivar.
“Ela está usando a mesma jogada que Sr.Coleman fez comigo!; pensou Marcelo com raiva e admiração.
“Interessante... quase que começo a achar que ela mereça mais o presente do que eu, quase...”
O diretor admira-se com a forma que ela escapa de seus ataques, antes de perceber era ela que o atacava; “Interessante”; conclui Coleman.
“Além de ser uma boa professora é uma boa lutadora”; pensou Alexis ainda mais interessado pela garota.
Micaelle estava mais rápida: esquerda, frontal, direita, frontal, frontal, esquerda, frontal, Coleman empurra a espada de Micaelle para trás, e ataca um de direita para arranhar sua barriga, ela se esquiva recuando alguns passos e lançando parte de seu corpo para trás. O diretor executa outro ataque, um frontal, ela se defende afastando a espada do oponente.
Ela ataca com um frontal, em direção ao ombro direito porém o diretor se esquiva, jogando metade do braço para a esquerda, a garota então é surpreendida com o encontro da arma no chão e o diretor ataca no peito certeiramente.
Em seguida ele em alta velocidade avança para a retaguarda e atinge sua coluna vertebral a fazendo cair novamente, diz:
__ O ataque no peito não foi o suficiente para sua morte, ainda poderia lutar se não fosse o ataque nas vértebras, você quase que conseguiu manter o equilíbrio entre ofensiva e defensiva, a forma como se esquivou foi uma excelente estratégia, use-a para superar a velocidade da minha flecha
Micaelle então se levanta: “ Supere a velocidade da minha flecha; seu pai também havia dito aquilo, levanta-se ainda mais determinada a vencê-lo, de repente vencer o diretor deixou de ser apenas um mero jogo, e começou a tornar-se algo pessoal.
Venceria em respeito a memória de seu pai.
O quarto duelo começa.
Desta vez os dois atacam ao mesmo tempo, Micaelle com um de esquerda, Sr.Coleman de direita, as espadas se chocam, uma empurrando a outra.
E logo a luta de forças fazem com que ambos sejam empurrados para trás, Micaelle avança e ataca um de esquerda em direção a cabeça, Coleman se defende e a empurra para trás novamente e executa uma sequência de ataques: direita, esquerda, esquerda, esquerda, direita, esquerda, em todos a garota defende-se com a espada e perde o intervalo, como preço mais outra sequência de ataques, um de esquerda em direção ao ombro esquerdo, Micaelle se esquiva para o lado direito, um ataque de direita em direção a barriga, esquiva-se para trás, frontal, ela se defende, e de direita em direção aos pés, ela salta e ataca em direção ao peito do diretor.
Mas erra atacando um pouco mais longe do que pensava, Coleman executa uma frontal, por pouco ela consegue se defender, o intervalo enfim chega e a garota executa uma sequência de sucessivos ataques: frontal, esquerda, direita, esquerda, esquerda, direita, esquerda, direita, direita.
Engenhosamente o diretor usa a esquiva na maior parte deles, Micaelle executa uma frontal, Coleman se defende com a espada a empurrando para trás e ataca certeiramente na coxa, joelho e canela a fazendo cair.
Ele ataca um frontal em direção ao crânio, Micaelle rola para a sua direita e o diretor acerta o chão, ele ataca outra vez com ela escapando rolando ainda mais para o lado, a cena se repete mais outra vez com a garota novamente escapando no final, ela enfim se levanta, com o diretor a atacando com uma frontal, Micaelle se defende empurrando a espada do diretor para trás e ataca um de esquerda certeiramente na barriga. Ela segura a espada como se estivesse segurando um arco e uma flecha.
Fadigada diz:
__ Você... morreu... não morreu?
__ Sim, morri__ disse o diretor em ar alegre e continuou:__ pode escolher a arma que quiser
Ela estira a arma do diretor e olha ao redor da fortaleza, escolheu a primeira arma que viu, uma espada de cobre de cabo cor de rosa, sempre achou arco-e-flecha melhor que uma espada porém agora nesta aventura pensava o contrário, mas a dúvida ainda reinava em sua mente, diz:
__ E... essa aqui?
__ Tem certeza?__ Disse o diretor notando sua incerteza
__ Tenho, por que não teria?
__ Não sei, me parece um pouco nervosa
__ Parece, mas... mas não estou
__ Então está bem
Micaelle vai até Alexis lhe entregando a espada de madeira, diz:
__ Boa sorte
Alexis dá um pequeno sorriso e diz:
__ Obrigado__ e pega a arma
Ela retribui o sorriso
Alexis se direciona ao centro, um pouco feliz, as palavras de Micaelle o confortaram, seu coração bateu alegre, aquilo serviu de alívio para a sua tensão, de repente se sentiu mais forte, sua coragem aumenta.
Sr.Coleman diz:
__ E o último, mas não menos importante, Alexis, veremos qual o tamanho da sua força de vontade
“Veremos qual o tamanho da sua força de vontade”, aquelas palavras haviam um duplo sentido, que apenas o diretor e o jovem professor poderiam entender, o que realmente Sr.Coleman quis dizer foi: “Agora saberei o quanto você quer saber sobre seus pais!”
Mais outro desafio ao garoto, primeiro tentar persuadir os outros e agora o duelo com ele. Será que o diretor iria lhe propor mais desafios? E se propor, seriam melhores ou piores que esses dois? E por que logo ele tem que ser o mais desafiado? E por que contar de seus pais? E por que logo agora? Diversas perguntas feito esta perturbavam sua mente no momento, controlando para não proferi-las ao diretor.
“Se isso é um teste, vou vencer!” e corre com a espada empunhada nos dois braços, prestes a atacar com um frontal, correndo contra o diretor furiosamente, porém o outro está com a espada empunhada mas parece que não iria atacar, o diretor não demonstrava nem medo nem fúria, estava austero, feito um general.
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