A trilha, o tesouro de Nicolau VII
4 Cap.4- Pequenos detalhes, grandes significados
Notas iniciais
Cap.4- Pequenos detalhes, grandes significados
__ Aonde o senhor quer chegar?
__ Responda a minha pergunta que respondo a sua__ disse começando a sentar na sua cadeira
__ Que... eles estudaram aqui e que criaram um filho maravilhoso
__ E também bastante humilde__ disse Sr.Coleman irônico e indagou:__ Seu tio não lhe disse mais nada?
__ Já que responderia minha pergunta se eu respondesse a sua, quero mudar minha pergunta: por que estava quase morrendo de tanto tossir?
. O diretor levanta as sobrancelhas e diz:
__ Francamente, como é curioso, quer todas as respostas logo de uma vez! Cada resposta no seu tempo Sr.Blake
__ Não pode voltar com a sua palavra, é o diretor
__ Quer saber da história da tosse o
u de seus pais? Pois é neles que eu quero chegar
. Logo os olhos de Alexis brilham, duas grandes surpresas em um dia só, ou melhor, três, pois houve sorte na cantina, mas ele não acreditou, por que raios revelaria aquilo?, ele pergunta:
__ Meus... pais?
__ Eu sei que ouviu muito bem, não irei repetir
. Alexis dá um pequeno sorriso e diz:
__ É claro que a segunda opção, foi por isso que estou aqui, mas... em todos esses anos em Relic, por que logo agora?
__ Seu pai também era curiosíssimo, amava responder perguntas com mais perguntas, a história de seus pais é encantadora, não entendo o motivo de seu tio esconder tanto de você
. O garoto o fitava prestando atenção em cada palavra, não sabia o motivo, mas sentia que havia um pouco de mentira e ironia no que dizia, entendia agora um pouco de ser como era, indagou:
__ E quanto a minha mãe?
__ Sua mãe era uma pessoa bastante inteligente, e seu pai, uma pessoa muito determinada, seu pai, Alexander, e sua mãe, Maria, eram amigos de infância, muitos invejavam aquele casal tão unido, se apaixonaram e namoraram, quando o destino a tirou do colégio porque os pais de Maria odiavam seu pai, no segundo ano, e logo ele sai da escola também, sua mãe foi o seu primeiro tesouro
__ O quê? Ele caçava tesouros?!__ disse Alexis ainda mais interessado
__ Sim, antes da viagem vivia tentando convencer a todos que o mito existia, e ele pôs em prática tudo o que estudou sobre sobrevivência na selva e Nicolau VII foi o segundo tesouro que procurou
Os olhos de Alexis arregalaram e diz:
__ Nicolau VII? Ele desistiu? Ele morreu no meio da viagem?
__ Acalme-se, eu não sei a forma como ele morreu, desconfio até que ainda esteja vivo, mas não quero iludir você garoto. Tem apenas uma forma de saber, terá que percorrer a mesma trilha de seu pai e encontrar os tesouros que ele não conseguiu encontrar
__ E o ponto de partida pra encontrar os outros é o Nicolau, não é?
__ Sim
__ Mas... ainda tem um pequeno problema nisso, como o senhor há algumas horas disse eu não sei de nada de manejar armas e claro também de sobrevivência na selva
__ Aprenda com os experientes, que são seus possíveis futuros parceiros de viagem
__ Foi por isso que os escolheu? Para ajudarem a realizar meu sonho?
Sr.Coleman o olhou como se o que estivesse dito fosse um absurdo e disse:
__ Acredita mesmo que é de meu feitio fazer algo desse tipo?
É, era realmente um absurdo um diretor autoritário, rígido, frio e bastante insensível quisesse ajudar bondosamente uma criança, pelo menos... não sem querer algo realmente precioso dela, Alexis responde:
__ Não
__Pois bem, os escolhi porque você e eles juntos são incríveis para encontrar o tesouro de Nicolau VII, apesar de ter se tornado professor ainda tem muito o que aprender
__ E por que está tão interessado em um tesouro de doces? Sabe, não é também muito de seu feitio encontrar uma coisa desse tipo, como um adulto tem coisas melhor pra pensar e bater cabeça
__ Porque...__ e deu uma leve olhada para a janela onde um belo sol despedia-se do dia para humildemente conceber o seu brilho a lua para iluminar a noite__ vivemos em uma era de catástrofes, onde a humanidade utiliza o dom da sabedoria para matarem a si mesmos, onde os heróis morrem e os vilões sobrevivem e vivem cada vez melhor, onde a esperança está quase extinta e para morrer, e assim o realismo permanece impedindo a humanidade de ir além, saudades da época que quase todos os homens acreditavam nas divindades e revolucionavam o mundo, eu creio que elas realmente existam, o mítico é o combustível, o alimento que permite que os sonhos frutifiquem, o sonhar em flutuar e quando pisar no chão de novo perceber que criou várias formas de voar, andar sobre as águas e até mesmo embaixo da terra, o sonho é o equilíbrio, o avanço e o sol que alimenta a esperança e humildemente empresta seu brilho para que traga felicidade__ e voltou a olhar para Alexis que também comtemplava a paisagem__ por isso que quero aquele tesouro, para que a esperança cresça novamente e os sonhos germinem com mais força, e, quem sabe aqueles doces saciem a fome de um país paupérrimo
__ É um absurdo o senhor falar isso, não é do seu feitio__ brincou Alexis.
Sr.Coleman deu um meio sorriso e disse:
__ Acredite se quiser__ em seguida levantou-se para pegar na parte de cima da estante três livros: um azul, outro marrom e outro preto, ambos os pôs sobre a mesa. Voltou a falar: __ O seu pai costumava relatar em um diário durante as suas viagens o que fazia__ e abriu o livro azul, onde havia a foto de uma espécie improvisada de um caderno, um objeto com a capa e a contracapa feito de pedaços de cascas de árvore, três anéis dourados os seguravam e as folhas eram de papiro, na capa estava entalhado: DIÁRIO DE EXPEDIÇÃO, Alexis indaga:
__ O que houve com ele?
__ Provavelmente foi perdido em uma de suas aventuras
__ O papai por acaso já foi seu ajudante?
__ Não, por quê?
__ Porque pelas coisas que fala dele parece ser bastante amigo dele
__ 3 motivos: eu era muito amigo de seus avós, eu já fui um arqueólogo e também que caçou Nicolau VII porque...__ e abriu o livro marrom que havia um papel bastante dobrado e ordenou:__ pegue-o.
Alexis obedece, desdobra-o e o lê atentamente:
“ 9 de agosto, 1º dia
Me chamo Alexander Blake, tenho 16 anos e faz cinco meses que saí de Rosa dos Ventos, percorri toda a Europa para encontrar Maria, o amor da minha vida e pistas sobre o mapa do tesouro de Nicolau sabe se lá qual número, depois de tantas lutas encontrei os dois, Maria, no final aceitou fugir junto comigo, ela disse que seus pais estavam certos por me acharem louco, eu concordo, sou louco por ela, como eu senti sua falta, e agora estamos juntos nas ruínas da cidade pra saber se o mito é real e se essa história realmente se escreve com H”
Coleman disse: __ É feito de papiro.
Alexis voltou a olhar e disse:
__ 16..., isso foi escrito há mais de um século, como conseguiu?
__ Matemática não é o seu forte, não faz tanto tempo assim e acho que se esqueceu de que fui um arqueólogo, falta mais um detalhe__ e abriu o livro preto, nela havia uma foto rasgada pela metade, nela havia um homem sorrindo, de pele clara, cabelos negros, curtos e penteados para o lado, usava um bigode bem aparado, tinha olhos negros, usava um belo terno, era um noivo, estava pisando em um tapete vermelho com diversas pessoas jogando grãos de arroz nele. Sr.Coleman voltou a falar:__ Este é seu pai, no dia do casamento com a sua mãe, depois de tudo o que lhe mostrei, não posso mais lhe dar 48 horas, terá que decidir agora se realmente que caçar o tesouro do rei, sim ou não?
Alexis hesitou por um longo instante e disse:
__ Não tem como eu deixar de aceitar depois de tudo o que me contou__ e deu um pequeno sorriso
__ Sendo assim se o quer tanto, terá de convencer os outros a aceitarem, pois você não irá sem eles e nem eles com vocês
__ Mas o quê?__ disse Alexis desacreditado
__ Persuada-os criança, persuada-os ou a foto dele e a foto de seu diário serão as suas únicas lembranças concretas
__ Mas... como eu vou fazer isso?
__ Se conseguiu virar um professor nessa idade pensará em alguma coisa, agora pode ir
E ele vai, levando a foto de seu pai e a folha de seu diário, estava ansioso para terminar de lê-la, o diretor insiste para que leve também a outra foto, mas o garoto negou dizendo que já havia gravado na mente, mas antes de abrir a porta lembrou-se de algo que também queria muito saber desde que entrou naquela sala, voltou-se novamente ao diretor e disse:
__Sabe, acho que agora está mais do que na hora de eu saber o porquê de quase ter morrido quando entrei
Quando uma buzina de carro é ouvida ao longe, Coleman devolve: __ Está mesmo é na hora de você ir.
E Alexis vai um pouco furioso, quando saiu da escola lá estava ele no volante de uma Hilux SW4 prateada, seu tio, com olhos amendoados, cabelos lisos, curtos e meio calvos na parte de cima, pele clara, magro, óculos escuros, narigudo, óculos escuros, vestia uma camisa social azul com gravata preta e calça também preta.
Ele entra e seu tio diz:
__ Oi, sardento__ era o seu apelido, odiava que o chamasse daquela forma de início, mas aos poucos se acostumou
__ Oi, tio
E o tio começa a dirigir, ele indaga:
__ Como foi seu dia?
__ Começou um pouco ruim porque eu me atrasei
Ele franze as sobrancelhas e fala:
__ Não sabia que havia o deixado tão tarde.
Alexis sorri e diz:
__ Não, não deixou, é que eu me distraí com a história de um professor
Seu tio ri e disse:
__ Atacado pela própria força
__ Acho que é a minha força e ao mesmo tempo fraqueza
__ Como a minha pistola
__ Eu diria que é a mais a sua força do que fraqueza mesmo, falando nisso, conseguiu resolver aquele caso?
Seu tio era detetive policial, todos os dias ou vinha com o decorrer do mesmo caso ou com o início de outro, a justiça estava sempre nas suas mãos e como exigia sua profissão deveria ter calma, detalhamento, inteligência, esperteza e senso estratégico, o desafio mesmo era a obrigação de manter-se assim todos os dias, ele disse:
__ Ainda não, parece que todos estavam dormindo quando aquele padeiro foi assassinado__ e um ar de frustração preenche sua face
__ Nenhuma testemunha disse nada?
__ Todos dizem a mesma coisa, que estavam tão assustados que não viram nada
__ Bem, eu sei que a sua genialidade os fará soltar alguma coisa
__ Tomara que sim, e o resto do seu dia, você ainda não contou.
Alexis hesitou e disse:
__ Eu tive que gritar aos céus pra meus alunos me darem atenção e pararem de bagunçar e me ouvirem, eu... não me senti bem com isso
__ Ás vezes temos que tomar decisões difíceis para conseguir o que queremos.
Aquilo refletia muito bem o que estava fazendo, esconder os melhores momentos de seu dia logo para seu tio, os dois eram grandes amigos, contavam um ao outro seus problemas, conquistas e fracassos, ora uma aconselhava outrora outro fazia o mesmo, mas tinha que omitir aquilo, pois além de prometer confidencia a Sr.Coleman, seu tio era um pouco protetor e gostava de estar perto quando se machucava e naturalmente não o deixaria ir a uma viagem que poderia ser sua sina mortal
__ Tenho que concordar__ e deu uma leve olhada a seu tio, ele era uma pessoa tão bacana, como era difícil ter de esconder aquilo dele, logo “dele”! E voltou a falar:__ mas o bom é que houve sorte na semana de azar__ e sorri de forma satisfeita recordando daquela comida.
Seu tio ri e disse:
__ Ela conseguiu o milagre de continuar com o mesmo cara?
Alexis ri e diz:
__ Acho que sim
Naquele instante de alegria Alexis pensa em contar, mas depois muda de ideia e indaga em pensamento: “Será que meus pais entenderiam?”; e se lembra da folha, a desdobra e continua a ler;
“Esse lugar é imenso, Rosa dos Ventos é minúscula perto dele, no mapa é fácil encontrar uma saída, achei o Nicolau uma pessoa incrível por ter conhecido esse país inteiro, um verdadeiro labirinto de destroços, rodamos por diversos lugares e ás vezes nós encontramos várias saídas, e uma que parecia a certa, mas Maria me fez ficar um pé atrás, disse que talvez não fosse a trilha para o tesouro de Nicolau VIII, é assim que se diz? Ah é! Nicolau XIX é o certo.
. Ela me pediu pra mim entregar o mapa a ela, eu o dou, ela o abriu, o examinou e disse que talvez a trilha comece pelo castelo amarelo, aquilo fazia sentido, e também me mostrou que talvez ele estivesse ao norte, além de linda era inteligente, que mulher perfeita! Eu lhe dei um beijo pra recompensar, se bem que um beijo não era suficiente para o que merecia de verdade, acho que ela gostou pois logo corou.
. No final ela estava mesmo certa, estávamos logo na floresta, encontramos uma clareira e lá montamos a nossa barraca.
__ O que você está lendo?__ perguntou seu tio
__ Ah, é a redação de um aluno
__ Parece bem velha
__ Pra você ver como sou cuidadoso
__ Hum, normalmente eu daria um grande sermão para ser responsável, mas como passou por um dia ruim... do que se trata?
__ É so-sobre um príncipe que vai resgatar uma princesa
__ Resgatar de quem?
__ De formigas devo-voradoras herbívoras
__ Mas se são herbívoras não irão devorar ela
__ É... uma di-dieta nova que estão experimentando a base de carne de peixe
__ Mas não são humanos?
__ Sã-são, é..., eu quis dizer a base de carne humana.
E voltou a ler:
“15 de agosto, 6º dia
Os dias que passei com Maria foram maravilhosos, namoramos, eu acordando com o leve perfume de seus cachos ruivos e com a sua beleza que de vez em quando me hipnotizava, provamos de cada iguaria daquela floresta, comtemplamos cada paisagem, cada aroma, mas tudo isso logo mudou no exato instante de hoje quando me acordei, meu amor não estava mais dormindo ao meu lado, havia sumido.
. E logo um dardo rasgou a cobertura da barraca e quase acertou meu pescoço, peguei a minha lança e logo me lancei pra fora da barraca, havia um bárbaro com uma zarabatana nas mãos, atirou mais dardos e errou,( sorte minha que era vesgo) eu não pensei duas vezes e lancei minha arma perfurando direto sua coxa direita, ele caiu.
. Eu comecei a pressionar minha lança mais forte contra a sua perna perguntando onde estava a mulher que me acompanhava,( só pra esclarecer eu sei falar a língua de alguns povos bárbaros) depois de tanto tempo ele se entregou dizendo que ela ainda estava aqui, só que adormecida com veneno e entre as moitas, logo uma flecha roçou o meu ombro, há alguns passos ao longe havia outro bárbaro, de cabelos desgrenhados, ruivo, barbeado e de olhos verdes, acho que seu nome era Cupido, pois o coitado do ferido o chamou por esse nome e pede para me matar.
. Eu caí, o ferido pegou minha lança e correu cambaleante até mim, não foi necessário muito esforço para me esquivar, apena rolei um pouco para o lado esquerdo, que era a direção contrária do ataque, mas ele era o menor de meus problemas, pois aquele arqueiro mirava muito bem e atirou novamente quase que acertando minha cabeça, acho que ele acertaria, mas acho que ele estava com medo de acertar o outro cara, que por sua vez havia parado por causa da dor na coxa e da enorme quantidade de sangue que saía por ela, estava fadigado mais do que eu mesmo, eu estava exposto e ele começou a se aproximar, dessa vez sua mira seria certeira, então eu fiquei pálido, estava mais do que óbvio que aquela flecha estava envenenada, assim eu peguei o bárbaro ferido e quando ele atira serve de escudo, com três flechas nas costas, parecia que aquele tal de Cupido queria mesmo me matar, o ruivo corre até mim, é, eu ainda estava lascado, então com todas as minhas forças eu tentei jogar o bárbaro ferido até ele, é verdade o que dizem sobre bárbaros serem persistentes, pois apesar de estar praticamente á beira da morte ainda tentava me matar com a minha lança, mas eu conseguiu recuperar ela de volta e consegui o feito de jogá-lo contra o Cupido, assim derrubando os dois no chão, STRIKE! Derrubei todas as garrafas! Mas aquilo não era motivo pra eu me animar, pois ainda tinha veneno dentro de mim e não poderia salvar Maria se eu nem ao menos conseguisse salvar a mim mesmo.
. E enfim corri para dentro da barraca novamente, pegando um frasco de vidro com um líquido transparente, aquele era o antídoto, precisava toma-lo num lugar seguro e logo corri com todas as forças que ainda sobravam na minha perna para a lateral da floresta, não sei qual direção, pois quando se está prestes a morrer é difícil não pensar em nada além de salvar sua própria pele.
Alexis ficou fascinado, seu pai era mesmo incrível!
O tempo não parecia existir depois de ter lido aquele o que para ele equivalia a mil barras de ouro, estava ansioso por iniciar a aventura, descobrir mais sobre seus pais e a conclusão daquela fascinante história, pelo menos aquela ele podia ter certeza que se escrevia com H. Mas logo as dificuldades ressurgem na sua hora de dormir.
Não pensar nas palavras de Sr.Coleman dizendo: “Persuada-os”, como iria fazer aquilo se mal conhecia que cada um? Se bem que gostaria de conhecer Micaelle, ela parecia ser uma pessoa incrível, achou mais fácil ganhar o diploma do que convencer cada um daqueles três, principalmente o teimoso do Marcelo, como iria convencer aquela pessoa que negava acreditar em mitos? Como iria convencer Tony? Em sua opinião achou-o bastante medroso, e Micaelle? Poderia ser bondosa e simpática, mas na primeira vez que a viu pessoalmente ela parecia realmente bem durona, e até mesmo um poucochinho teimosa, não era a toa que o diretor disse que ela era a força, e se caso conseguisse? O que faria Sr.Coleman para convencer seus responsáveis? Será que iria incumbi-lo daquela tarefa também?
Dormir era desafiador diante daquelas perguntas que insistiam em percorrer sua mente, quase preferia que simplesmente Sr.Coleman o demitisse naqueles instantes, se remexia de um lado e de outro, mas o sono persiste em não vir.
A janela com cortinas estava aberta dando espaço à luz do luar, estava ventando bastante, um sussurrar de uma voz é ouvido, um pouco metálica e bastante sombria que dizia: “Escolhido”; e falava-a várias vezes, parecendo que alguém estava no quarto, logo Alexis salta a cabeça do travesseiro preocupado, não havia ninguém, culpou o vento por aquele som e quando ia fechá-la viu uma enorme praia ao longe, a casa que morava era longe da civilização, quase ao fim da cidade de Adventureville, o que era quase difícil, pois era uma enorme cidade, ou melhor, metrópole, sua casa era feita de madeira e concreto, ao redor de pequenas pedras com uma enorme praia á frente, com visão privilegiada para o mar, havia um lugar que gostava de estar para pensar, um tanto quanto incomum para se estar presente, não era na areia mas igualmente próximo das águas, era o fim da praia, onde havia diversas rochas e cair na água poderia significar a morte, sentava-se sempre na mais alta e elevada.
Aquele era o seu refúgio, de tudo e de todos, distante de responsabilidades, problemas, medos, angústias, frustrações, o melhor lugar para se pensar e relaxar do cansaço que era a sua vida, o melhor lugar também para se observar as estrelas, a lua e as águas que batiam violentamente contra a fileira de rochas, saiu de seu quarto e foi até lá, sentou-se e começou a observar cada detalhe daquele espetáculo que parecia ser uma fantasia de tão lindo que era.
Recordou a história de Nicolau, em especial o sonho dele e a parte em que voava, desejou que aquele poder existisse no mundo real para pousar sobre cada uma daquelas enormes pedras, alcançar as nuvens e tocá-las, também as estrelas e a lua.
Viu a constelação das Três Marias, que formavam o Cinturão de Órion, um grande guerreiro na mitologia grega, e novamente aquela voz, ela havia parado no momento em que haviia atravessado a janela, era à esquerda, foi quando viu um alguém de pé sobre outra rocha, não parecia ser um humano, vestia uma longa capa negra que encobria a maior parte de seu corpo com um enorme capuz que encobria sua face, era musculoso, seus olhos eram vermelhos e cintilantes feito fogo, parecia pertencer á escuridão da noite, Alexis esfregou os olhos para ver se estava alucinado por estar muito tempo sem dormir, logo não vê ninguém, é, tinha certeza que estava louco agora.
Mas estava errado.
Logo uma fumaça surge em meio ao nada, mais pareciam cinzas do que era, mais abaixo do monte, o ser em meio a ela aparece e sussurra: “morrer...”. E tira o que parecia ser manoplas, suas mãos eram pálidas, esqueléticas e enormes, como esperado de alguém daquele tamanho, porém eram anormalmente largas, elas se moveram lentamente e rasgando as nuvens surgiu no céu uma ave marrom, majestosa, semelhante a um falcão, de quase dois metros.
Ela se move silenciosa, as garras de suas patas eram tão afiadas que poderiam rasgar com facilidade a carne como tesoura corta papel, Alexis sente a presença de alguém, ao chão nota a sombra de duas asas e aos poucos toma a forma do corpo de um animal, por reflexo ele se esquiva rolando para a esquerda.
A ave deixa o rastro de suas garras ao chão e avança ao longe, o misterioso ser encapuzado move desta vez os braços, o que faz o falcão voltar em arco contra o menino.
Pensou que estava sonhando, não podia ser! Um falcão daquele tamanho!; “O que será que aconteceria se eu não estivesse me esquivado?!”; pensou, cada vez mais acreditava que estava delirando, comprimiu os olhos e disse:
__ Isso tudo é um sonho! Isso tudo é um sonho! Isso tudo é um sonho!
E seu tio aproxima-se a ave desaparece nesse instante, por pouco ele não avista o animal.
O ser encapuzado havia feito aquilo, pois não poderia haver testemunhas para o que faria, e desaparece novamente por fumaça.
Ele chega e diz:
__ Faz tempo que não o vejo aqui
Alexis abre os olhos, de novo não havia nada, parece que realmente era uma ilusão, suspirado aliviado e diz:
__ Eu não consigo dormir
Seu tio senta ao seu lado, toca no seu ombro e diz:
__ O que houve?
__ Se trata dos meus pais
Alexis estava em parte falando a verdade, realmente faziam parte daquilo, por diversas vez perguntou ao seu tio sobre eles, mas ele sempre deixava de responder, a única coisa que havia dito era apenas a respeito da escola, aquilo o indignava e o intrigava, seu tio suspira de tristeza e diz:
__ Já conversamos sobre isso
Alexis responde um pouco exaltado:
__ E quando será a hora certa? Por que a necessidade de esconder algo tão simples?
__ Apesar de ter se tornado um professor ainda tem muito que aprender
Onde já havia ouvido essa frase? Ah, lembrou-se, eram exatamente as mesmas palavras de Sr.Coleman, discordava daqueles dois, achava-se tão maduro quanto os próprios adultos, ele responde:
__ Eu sou maduro o suficiente pra saber dessa verdade
Seu tio disse cansado:
__ Quando chegar a hora certa, eu prometo que vou responder as perguntas que quiser sobre eles
Alexis assente positivamente e diz:
__ Me pergunto por quanto tempo você vai continuar me enrolando
Seu tio não responde, Alexis confiava nele, porém temia que a hora jamais chegaria mas se caso aceitasse a viagem tinha certeza que encontraria respostas, uma estrela cadente aparece no céu, seu tio aponta e diz:
__ Olhe uma estrela cadente, faça um pedido.
O garoto fecha os olhos e deseja nos pensamentos o que estava guardado no coração: “Eu desejo a minha família completa”.
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