Notas iniciais
Será sorte o que chamamos de azar? Será azar o que chamamos de sorte?

Cap. 2- Sorte ou azar?

. O papel poderia estar em qualquer lugar, aos arredores de Relic, fora da cidade, outro país, outro continente. Esta equação poderia levar anos para encontrar sua incógnita, poderia nem mesmo haver uma neste tempo, pois não havia coordenadas geográficas precisas de onde o mapa foi escondido, nem o nome do último povo que o manteve em mãos e centenas de povos habitaram o globo terrestre; Como poderia iniciar se os detalhes estavam em branco?; pensava Alexis cuja mente estava cercada por várias dúvidas, queria voar feito Nicolau mas uma sequência de correntes o aprisionava.

. Alexis fitava pensativo o chão de mármore como se estivesse que atravessar um enorme abismo, estava tão concentrado que perdeu a noção do tempo, quem o via ao longe facilmente o confundiria com uma estátua de cera, quando percebe que estava perdendo tempo para nada e enfim resolve olhar o relógio digital no pulso, 12:30, seu atraso era gigantesco, faltava apenas 15 minutos para sua aula acabar, arregalou os olhos de espanto.

Logo correu, se o diretor soubesse estava encrencado, avançou cada vez mais depressa á medida que os minutos diminuíam, a escola tinha dois andares, sua sala era no primeiro, faltava poucos passos para alcançar a escada, quando viu um vulto, conseguiu perceber apenas alguns riscos negros, após ter passado por ele cessou o passo e olhou para trás, um passo para pisar nos degraus, viu um ser humano que o observava por detrás de uma parede, primeiro corredor próximo da escada e á esquerda.

Era quase de seu tamanho, a luz do sol passava tão pouco por ele que parecia uma sombra, o que viu com nitidez foram seus óculos, Alexis desconfia que seja mais uma das criaturas que via no passado, um mágico das trevas talvez (por mais que nunca tenha os visto e soubesse que existisse, Alexis gostava de inventar nomes aos monstros que desconhecia), curioso se aproximou, mas o misterioso ser percebeu e adentrou ainda mais o corredor começando a correr, Alexis gritou a ele:

__ Ei, espera. Por que você está me observando? Vamos conversar!

Mas ele ainda corria como se não estivesse orelhas, naquele mesmo corredor era a diretoria e o ser nela adentrou, Alexis sabia onde era de olhos fechados e que não estava enganado que o ser entrou naquela sala, disse receoso que estava encrencado:

__ Ah não!

Ele havia um palpite de quem poderia o ser, decerto que era uma pessoa de carne e osso, mas não discordava que fosse das trevas, pois para estar o observando e logo ir a diretoria de boa intenção é que não era, mas fosse o que fosse não era hora de descobrir, tinha um atraso enorme para compensar, olhou levemente o relógio e se assustou ainda mais, 12:37, oito minutos.

Avançou para os degraus e logo estava em um pequeno piso, desvia para a direita e novamente a direita para encarar a próxima fileira de degraus , 12:38, mais depressa, mais depressa, ainda havia esperança em salvar seu emprego. .

Primeiro andar, sua sala estava no corredor á frente, parede esquerda, primeiro corredor, quinta porta, estava prestes a vencer um adversário de peso.

Passou da primeira, logo da segunda.

Terceira...

Quarta!

E enfim chegou! Estava bastante cansado, ofegante, seus cabelos estavam ensopados de suor, face rosada, camisa encharcada, e sua jaqueta não ajudava muito, sentia como se estivesse queimando, olhando para o chão desejando deitar-se nele, quando enfim dirige a sua vista para a sala.

Ficou surpreso, ela estava uma completa confusão, alunos jogavam bolas de papel uns nos outros, valentões encravando cuecas ou dando cavadinhas nos nerds, nerds gritando, amantes de rock com fones de ouvido cantando tão alto que pareciam insanos, pessoas gargalhando e conversando em voz alta e outros discutindo. Alexis grita:

__ Silêncio!

Mas eles continuavam a bagunça sem nem ao menos o olharem, o coral de gritos vencia a sua voz, novamente gritou:

__ Silêncio!

. Mas seus alunos ainda não o dão atenção, falou mais duas vezes para garantir, parecia que era um ser imaginário e então... as chamas da raiva começam a consumi-lo como se fosse ele próprio lenha e semente da impaciência começa a brotar, repetiu mais oito vezes, mais ainda assim... parecia invisível e enfim perdeu de vez sua paciência, franziu a testa e sua face enrubesce feito pimenta, com diversas veias verdes e roxas saltando, empurrou sua mesa para a frente e ao meio, subiu, pôs-se de pé e em frente a todos gritou ao mais alto que seus pulmões admiravelmente suportavam:

__ Silên... ciooooooooooooooo!!!

Finalmente conseguiu a atenção deles e mais do que esperava, os deixou boquiabertos e extremamente surpresos, costumavam o ver feliz, alegre e fazendo piadas sobre o assunto, naquela sala seus alunos possuíam 13 e 14 anos.

A sala estava em um silêncio inacreditável, tanto quanto o silêncio no corredor, Alexis desce ao pulo da mesa e fala em seu tom normal:

__ Eu sei que... estou muito atrasado, me desculpem, eu tive um pequeno problema que me impediu de chegar na hora certa.

E então um de seus alunos, cabelos negros, curtos e encaracolados, pele escura e porte atlético sentado na primeira fileira da frente diz:

__ Que tipo de problema?

__ Eu... tropecei e... caí.

Não iria dizer obviamente que havia se distraído com a lenda de um tesouro de doces, então uma garota de pele clara, cabelos louros, longos, encaracolados e corpo escultural, perguntou desconfiada:

__ Você... tropeçou?

__ É... isso mesmo

__ Em quê?

__ Tropecei em uma... ma... formiga

__ Numa formiga?

__ Sim, muitas pessoas costumam tropeçar nelas

__ Sério? Não sabia! Me diga uma por exemplo

__ Eu

__ Você não conta

__ Bem... é... __ ficou pensativo por alguns instantes, como visto mentir não era um talento que possuía, voltou a falar:__ É... melhor eu começar a aula logo, já perdemos tempo demais, hoje a aula de hoje será sobre a revolução fran...__ o som do sino do recreio o interrompe.

E os alunos saem das cadeiras e exclamam:

__ Uhuuuu!__ logo a confusão de vozes recomeça e um tumulto é formado na porta da sala, com todos se contorcendo, empurrando como se a porta fosse desaparecer.

Frustrado Alexis termina o que disse:

__ cesa.

O tumulto perdurou por um longo tempo quando finalmente eles resolvem se organizar, mas enquanto a cena acontecia Alexis esteve em um olhar entristecido, decepcionado e frustrado por ter perdido uma aula, imaginou o tamanho da encrenca que estava com o diretor e da forma como iria o demitir, muitas vezes observou professores saírem daquela sala chorando ou sofrendo ataques cardíacos, por este último motivo o corredor onde a diretoria estava foi chamado de “Corredor da Morte” e a cadeira onde se sentavam de “cadeira elétrica”, felizmente todos os professores não chegaram a morrer, a esperança de Alexis finalmente saber de seus pais estava acabada, não, não ia desistir, teria que arrumar uma boa desculpa por seu atraso, pois se dissesse que foi por causa da lenda de um tesouro de doces...

Como mentir seria difícil, pois era péssimo nisso e logo ele sai da sala cada vez mais nervoso e amedrontado.

Estava torcendo para que o diretor não o chamasse e fosse ao refeitório sem preocupações, começou a pensar que talvez o diretor não descobrisse se aquele ser não entrasse na sua sala, aquele... ser, maldito ser! Havia um pequeno palpite de quem poderia ser o “mágico das trevas”, tinha quase absoluta certeza que era ele... quem mais iria o querer mal? Quem mais que dele tinha tamanho ódio? E seu tamanho, o óculos, se encaixava perfeitamente no perfil “dele”, Marcelo! O tenebroso ajudante do diretor!

Ao corredor, ainda ao primeiro andar observou os grupos de adolescentes sentados ao chão em círculos conversando aos risos preenchendo a escola de alegria, como queria estar em algum deles, porém os alunos tinham grande respeito pelos professores, tanto que achavam que seria impróprio romper as barreiras aluno-professor, logo pensa nos professores adultos, poderia tentar ser amigo dos professores adultos se eles não o odiassem, um ódio desnecessário e infantil, não entendia o motivo de tanto ódio pelas crianças e adolescentes, um adulto sonha sempre que os jovens sejam inteligentes e exemplo de pessoas, cada vez menos entendia os adultos, eram mais complexos que cubos mágicos, poderia tentar ser amigo dos professores crianças e adolescentes, mas eles estavam tão ocupados nos confrontos com os professores adultos que era difícil manter alguma amizade, a não ser que se envolvesse na guerra, o que não tinha nenhum interesse.

Por falar na tal guerra épica de mentes afiadas os professores adultos sempre tentavam o envolver nela, o implicando e exibindo seus progressos em sala de aula, mas nem se importava e logo desistiram depois de tantas tentativas, quando uma mulher chamada Leslock, de olhos castanhos, cabelos negros, lisos e longos que eram á altura dos ombros, parecidos com uma peruca, pele clara, possuía 50 anos, mas aparentava que tinha três anos a mais e sotaque francês, começou a atormentar sua vida o insultando todos os dias, Alexis não ignorava, pois aquele sotaque o irritava e ele começa a reagir, os outros professores tentaram formar um grupo com ela como líder para enfurecê-lo e ainda assim eles apenas reagia ao insultos dela, e Leslock torna-se sua inimiga exclusiva, no entanto não era ela o “mágico” pois era alta.

Logo terminou de descer os degraus, logo faltava alguns passos para chegar ao “Corredor da Morte”, seu coração acelerava os batimentos, começava a entender a razão das quase mortes, de um corredor a outro era como se o dia em instantes tornasse a virar noite, pois antes ainda havia a alegria dos alunos quando desceu mas quando adentrou o mortífero corredor apenas havia um aluno brando, ouvindo música e lendo um livro.

Lentamente andou, depois daquele corredor havia um único corredor para outro lugar, o que obrigava os alunos a passarem por ele, á esquerda e mais ao longe havia o refeitório com os portões de madeira bem esculpidos com o que pareciam serem runas centenárias. Então estava em frente a porta com o receio do diretor sair de lá agora mesmo e chamá-lo para se sentar na “cadeira elétrica”.

Mas da porta passou tranquilamente e também do “Corredor da Morte”, ficou feliz e ao mesmo tempo confuso, o diretor nunca contou o que odiava, porém através de seus olhos havia algo na forma como o observavam... que Alexis não sabia explicar muito bem mas algo que... dizia que não era bem vindo naquela escola, que a primeira oportunidade que estivesse o demitiria imediatamente.

Então... por que não aproveitá-la?

Aquilo o deixou intrigado, em instantes chega a conclusão de que ele ainda ia demiti-lo, só que naquele instante devia estar tratando de algo mais urgente, se estes poderiam ser seus últimos momentos na escola teria que aproveitá-lo ao máximo, como não havia tesouro de doces para aproveitar, o refeitório servia de consolo para sua fome imensa, mal esperava provar daquelas comidas deliciosas, isto é, dependendo do humor da cozinheira, pois vivia terminando e conseguindo algum namorado.

Em uma semana estava com um namorado, na outra havia terminado, na semana com o novo amor enfeitava o refeitório de delícias que de tão boas que eram lambia-se os beiços, essa semana foi considerada a semana de sorte, mas na semana que havia rompido era o período em que seu mau-humor aparecia, as comidas sofriam grandes alterações, como se estivesse descontando sua raiva nos inocentes alimentos, e essa semana passou a ser chamada de semana de azar, uma vez Alexis nessa semana devorou um purê que mais parecia esterco de boi de cor branca, era tão ruim que deveria ter sido premiado por ter comido tudo.

Não foi informado sobre a vida amorosa da cozinheira, cruzava os dedos para que estivesse boa.

Logo estava na frente do refeitório, paraíso ou purgatório, era hora de descobrir, um passo para entrar, quando sentiu alguém cutucar seu ombro, virou e sua aflição retomou, era ele, Marcelo, o temível braço direito do diretor e seu grande inimigo, com um malicioso e pequeno sorriso disse:

__ Sr. Coleman deseja falar com você e ordenou que me acompanhasse até a sua sala.

O que Alexis entendeu foi:

__ A cadeira elétrica o aguarda

Notas finais
Será esse seu último dia no chão de Relic? Será Alexis condenado a n ter as respostas q deseja? N perca no próximo capítulo!( e não se esqueçam de comentarem o que acharam e o que acham q possa ser melhorado)