A trilha, o tesouro de Nicolau VII
10 Cap.10-Ruínas
Notas iniciais
Cap.10- Ruínas
O cenário do país era pavoroso, de tal forma que quando o tecido do paraquedas cobriu Marcelo ele pensou que os cadáveres haviam ressuscitado e estavam querendo o matar, e então ele gesticulou diversos golpes de luta e disse:
__ Saiam daqui, seus patifes! Nunca irão me matar! Afastem-se! Ah, não vão se afastar não? Tomem isso! Respeitem-me! Sou de alta importância!
Tony, Micaelle e Alexis não conseguiram segurar as gargalhadas ao verem aquilo, Marcelo ao ouvir disse:
__ Muito atrevimento estarem rindo, mentecaptos! Vou acabar com todos os dentes podres de vocês! Não deveriam ter mexido com um cavaleiro! Morram, zumbis!
Os outros então resolveram fazer Marcelo cair ainda mais na própria ilusão, começaram a falar: “Cérebro!”, e a o tocarem e em seguida saírem correndo, o que fez Marcelo tornar-se ainda mais veloz, porém não ao ponto de conseguir os alcançar, os “zumbis” enfim se cansaram, Alexis estirou a cobertura dele e disse:
__ Está vendo? Eis aqui o seu inimigo__ e mostrou o tecido a ele
Marcelo demorou um pouco para entender, disse então em tom orgulhoso:
__ Hunf, eu já sabia
__ Sei__ disse Alexis sarcástico e continuou com um leve sorriso de malícia:__ o que achou da queda livre?
__ Horrível__ e fitou o céu onde estava o jato de Dom, até ele enfim sumir entre as nuvens, praguejou:__ aquele fantasma vai me pagar por ter me chutado daquele avião, ah, se vai!
Alexis e Tony se olharam e deram um pequeno sorriso travesso, Micaelle notou e disse:
__ Marcelo, o Alexis quer te contar uma coisa
E Marcelo olhou Alexis confuso, “O que raios esse idiota quer me contar?”; pensou.
__ Câmbio, câmbio, qual o código?__ disse uma voz no walkie-talkie
__ Dom?__ disse Micaelle estirando o walkie-talkie da bolsa
Tony aproximou-se e disse:
__ Nicolau balofo!
__Ótimo, estão todos bem?
Alexis e Marcelo também se aproximam, Alexis respondeu:
__ Sim, estamos!
__ Não, quem você pensa que é para me chutar daquele avião?__ disse Marcelo
__ Chutar? Como assim?__ disse Dom sem entender e logo mudou de assunto__ enfim, o que veem?
Eles então dão uma leve olhada á província em ruínas, era um local bastante sombrio, estandartes de urso quebrados, rasgados e queimados, esqueletos carbonizados espalhados pelos escombros das casas de calcário, também ainda havia fumaça em meio a elas, telhados de ardósia ainda mais destroçados, e um pouco de vegetação rasteira, um dos poucos sinais de vida por lá além de alguns lagartos e corvos outrora pousando, outrora sobrevoando o local, o país exalava tristeza e depressão, haviam passado apenas alguns minutos e já queriam desesperadamente sair de lá.
__ Apenas... um bando de ruínas__ respondeu Alexis__ não, espera...__ ao longe conseguiu avistar duas espécies de lençóis com alvos vermelhos no centro__ tem uns dois lençóis
__ Lençóls?__ indagou Tony
__ O certo é lencóis, e não é isto, são paraquedas__ disse Marcelo
__ Paraquedas não, são lençóis mesmo__ disse Alexis
__ Por que raios trariam um lençol?__ disse Marcelo
__ Tem todo tipo de louco nesse mundo
__ Não nesse caso, qual a possibilidade de alguém querer dormir em um monte de escombros? Claro que são paraquedas
__ Tenho certeza que o que vejo são lençóis!
__ Acho que você precisa de óculos ao invés de mim, são paraquedas!
__ Você é que precisa trocar essa lente, são lençóis!
__ Paraquedas!
__ Lençóis!
__ Paraquedas!
__ Lençóis!
__ Pessoal, eu tive uma ideia__ disse Dom
__ Qual?__ indagou Marcelo
__ Que tal vocês chegarem mais perto ao invés de continuarem com esse joguinho chato de adivinhar?
Marcelo e Alexis se olham como se aquilo estivesse tão óbvio ao ponto de não acreditarem que não haviam pensado nisso.
Então o quarteto anda até o misterioso objeto, e enquanto isso Alexis nota que aquilo lembrava de seus pais, que eles também haviam estado lá, será que... é, com certeza não era uma simples coincidência, também era a prova concreta do que o Sr.Coleman lhe havia falado, e a possibilidade de que seus pais estariam vivos, o garoto então fica tão feliz, que não conseguiu disfarçar sua felicidade, esboçando um grande sorriso.
Os três ao verem aquilo ficaram intrigados, pois não conseguiam ver nada de engraçado para ele sorrir daquela forma, mas resolveram não perguntar e deixaram de ombros.
Enfim chegam ao tal objeto.
__ É, são paraquedas__ disse Micaelle
__ Sua visão é tão boa quanto a de uma velha míope__ zombou Marcelo
__ Cala a boca!__ disse Alexis
Tony riu e disse:
__ Foi mal cara, essa do míopre foi engraçada
__ Paraquedas, certo... há alguma marca de animal?__ disse Dom
E um silêncio se fez com eles examinando o tecido com as mãos, então Micaelle disse:
__ Nada, apenas sujeira mesmo
__ Ok, rasguem um pedaço de algum desses paraquedas
Micaelle indagou:
__ Dom, por que quer tanto saber desses possíveis sobreviventes?
__ É, afinal de contas viemos resgatar pessoas ou caçar um tesouro?__ indagou Tony
__ Os dois, se for possível__ indagou Dom__ e também para reconhecer os últimos que viajaram, sabe, o passado é a chave para o presente e para o futuro, saber dos últimos sobreviventes que pisaram nesse território, toda a trajetória deles, é mais importante pra vocês do que possam imaginar
__ E o que raios você tem a ver com isso?__ disse Marcelo
__ Eu queria muito viajar com vocês, eu tenho certa experiência de sobrevivência na selva, acreditem, pilotos passam por cada situação..., eu poderia ajudá-los bastante, mas como o diretor, eu também tenho lá meus compromissos
__ E quanto as francesas?
__ Os ossos do ofício__ disse Dom em tom alegre e continuou:__ ninguém é de ferro, garoto, eu esqueci de contar, mas eu tenho que trabalhar de segurança em alguns aeroportos, enfim, eu quero ajuda-los no que eu puder, mas para isso eu preciso que me ajudem nas coordenadas já que não posso vê-los
E então Alexis empunhou a espada e cortou uma parte do tecido guardando logo na sua bolsa, então notou que ainda estava com o paraquedas, e cortou suas cordas também, os outros em seguida fazem o mesmo, Micaelle disse:
__ Certo, precisa de mais alguma coisa?
__ Por enquanto apenas isto, câmbio, desligo
Micaelle então põe o walkie-talkie novamente na bolsa.
E Alexis começa a perceber outras presenças, pessoas espalhadas pelos escombros, andando lentamente, acorrentadas nos tornozelos e nas mãos, esfarrapadas, sujas e feridas, o semblante nas suas faces era de angústia, seus olhos eram azuis cinzentos e havia algo de sombrio neles, que colocava culpa em qualquer um que os fitasse por muito tempo.
Os outros três pareciam não os observarem, o que era estranho, as pessoas diziam entristecidas coisas como: “Me ajudem! Socorro! Eu quero justiça! Meus filhos! Onde estão meus filhos? Pai, cadê o senhor? Estou com medo, só enxergo destruição ao meu redor!”
E então começou a entender a razão pela qual os outros não viam, um homem andou até uma parede retangular, Alexis pensou que enfim ele iria parar quando chegasse até lá, mas continuava a andar normalmente sem diminuir o ritmo de seus passos, e quando chegou... ele atravessou a parede, com a mesma facilidade com que se atravessa uma névoa.
“São espíritos”; concluiu Alexis, apesar de todos os seres paranormais que havia visto, ainda estava espantado: “Mais um pra adicionar a minha coleção de criaturas estranhas”; ouviu uma lenda que dizia que os mortos algumas vezes depois da morte ficavam na terra aprisionados no último lugar em que estiveram ainda vivos, condenados a relembrarem as últimas memórias tortuosas antes de suas sinas finais, até enfim alcançarem a paz em seus corações, achava que aquele era o mesmo caso,( esperava que a paz deles não fosse a morte dele e de seus parceiros).
Pareciam não fazer mal, apenas faziam a mesma coisa, lamentar e andar, evitou logo continuar olhando a eles, pois o peso da culpa aumentava ainda mais na consciência, o quer era estranho, pois não havia tido nada a ver com o massacre feito á aquelas pessoas.
Micaelle o cutucou e disse:
__ O mapa
__ Ah, sim__ e ele estira o mapa do bolso
Todos então fitam o mapa, e eles ficam confusos pois nele não parecia claro a saída daquele lugar, eles então estupidamente andam tentando encontrar a saída por conta própria, como se realmente soubessem.
Eles andam sem alcançarem progresso algum, o país era imenso, ás vezes pareciam que estavam andando em círculos, e outras encontravam faixas verdes de terra, mas não as adentravam pois não tinham certeza se realmente adentrariam a trilha para o tesouro ou ficariam mais perdidos do que estavam.
Um grande silêncio predominou, com cada um concentrado em encontrar a saída daquele imenso labirinto de destroços, apenas o vento sussurrando era ouvido, quando o silêncio tornou-se grande de tal forma que Tony ficou aflito, 13:00, marcava o relógio de Alexis, e ainda estavam no início da trilha, o ruivo então fez uma pergunta apesar de achar que já sabia a sua resposta:
__ E... falando em perdido, alguém faz ideia de como vamos sair daqui?
Ninguém respondeu.
Marcelo pensou em flexionar algumas palavras, mas estava tão concentrado que não estava com paciência para responder a aquele tipo de pergunta.
O calor começava tornar-se ainda mais escaldante de tal forma que começaram a revezar pelo cantil térmico.
Quando em meio ás caminhadas em círculos, Alexis nota algo que ainda não havia percebido, depois de tantas vezes olhar aqueles mesmos paraquedas ele começa a olhá-lo com uma visão diferente: “Paraquedas... lembrança de meus pais... pais... lembrança... lembrança” ; era aquilo mesmo! Lembrança! Perguntou-se como não havia notado aquilo antes, o relato que seu pai escreveu havia a resposta de como saírem de lá!
Ele então estirou o papel do bolso da jaqueta e começou a reler cuidadosamente cada palavra, quando foi interrompido por uma voz espantada:
__ Caramba!
Logo ele desvia o olhar do papel, era Tony, estava olhando um santuário, um círculo de cinco velas pretas acesas, com um crânio humano no centro, com o desenho de um olho na sua testa com sangue, e também escrita uma frase dentro do círculo com cinzas: “Mortuus, stare Valhalla, mancipia sua pauperem, et luce ipsa servitutis fide.”
Os outros também olharam espantados e surpresos, Micaelle disse:
__ Um santuário? Que estranho
__ O estranho foi não termos visto isso há muito tempo__ disse Marcelo
__ Eu não me surpreendo, afinal, esse lugar é enorme__ disse Tony
__ Parece que não é o único__ disse Alexis e a apontou para outro santuário, desta vezes havia o esqueleto de uma mão nele, com quatro velas apagadas e derretendo ao redor
__ Nossa, deve ter ainda muito mais desses nesse lugar, será que pertencem aos últimos sobreviventes?__ disse Marcelo
__ Não, com certeza não, eles não se daria ao trabalho de espalhar santuários por esse lugar enorme
Então todos o olham intrigados, Tony então disse:
__ Você fala como se os conhecesse
“Droga! Droga! E agora? O que eu falo?”; então ele respondeu:
__ É só... meio lógico, não parece... uma coisa tão importante fazer isso já que o objetivo deles foi o mesmo que o nosso
__ É, faz sentido
Tony com certeza compreendeu, Marcelo talvez estivesse concordado, pois estava com semblante compreensivo, mas Micaelle ficou um pouco pensativa, o que preocupou Alexis
Apesar de mal ter conhecido os pais, nunca os imaginou mexendo com aquele tipo de coisa, por mais que estivesse um pouco de sentido pelo fato do que observava, então o garoto começa a pensar naquilo como uma grande possibilidade, mas logo tenta descartar aquilo.
De algo ele tinha certeza, se os espíritos estavam presos por magia negra significava que alguém os queria usar para algum propósito.
Marcelo comprimiu os olhos observando a frase no santuário, e disse:
__ Aqui diz, mortos ergam-se de Valralo
__ É Vallhalla__ corrigiu Alexis
__ Que seja, ergam de Valhalla, escravos da própria aflição, a luz é a própria servidão e... lealdade?__ Marcelo franziu as sobrancelhas, confuso__ o que isso quer dizer?
__ Você sabe falar latino?__ indagou Tony
__ É latim__ corrigiu Marcelo e continuou:__ e... eu sei um pouco sim, não fluentemente, mas mesmo assim eu não consigo entender o que significam essas palavras
“Se visse o que eu visse, quem sabe entendesse um pouco”; pensou Alexis, mas foi Micaelle quem respondeu:
__ Vejamos, Valhalla é como uma espécie de inferno na mitologia nórdica
__ Então alguém ordena que os mortos saiam do inferno, certo, agora e quanto a escravos da própria aflição?
__ Eu não sei...
__ Talvez Valhalla os atormente com o pior medo deles__ disse Tony
__ Então o feitiço é meio que uma libertação?__ disse Marcelo
__ Talvez...
__ Mas parece que tem um preço, eles terão quer servir a alguém__ disse Micaelle__ nossa, é realmente estranho isso
Enquanto eles discutiam sobre isso, Alexis tentava novamente decifrar o caminho e enfim consegue, quando Tony disse:
__ Seja como for, não seria nada mal mostrar ao Dom, talvez ele saiba de algo a respeito__ e se curva e estende a mão para pegar uma das velas pretas acesas
E então Alexis nota algo estranho, os espíritos haviam cessado os passos e fitavam Tony, seus olhos assumiram um aspecto ameaçador e seus punhos cerraram.
Logo ao longe nota... o ser misterioso, suas vestes estavam mais rasgadas, seus olhos estavam na mesma luminosidade rubra, mas ainda mais ameaçadores do que antes, como se estivessem famintos, e então ele sorriu, seus dentes eram apodrecidos e amarelados, ele conseguia fazer a proeza de parecer ainda mais ameaçador alegre do que sério. Alexis não sabia o que ele era, o que desejava, onde morava, mas apenas de algo que tinha certeza que era real a seu respeito: ele sempre surgia quando algo ruim estava prestes a ocorrer, o pássaro gigante na sua casa, a presença na foice antes do terremoto na fortaleza, e agora... quando Tony estava prestes a pegar aquela vela!
Alexis logo se preocupa, tinha de impedi-lo antes que fosse tarde demais!
Ele grita:
__ Não!__ e agarra com força o pulso de seu braço que iria pegar o objeto, e o puxa para trás o fazendo cair
Micaelle e Marcelo o olham espantados e confusos.
Tony fica desnorteado sem entender por alguns instante, alisa de forma rápida o pulso que estava marcado pelo vermelho da mão de Alexis, olha para todos os lados até enfim seus olhos encontrarem os de Alexis, e disse:
__Você me machucou, por quê fez isso?
__ Me desculpa, é que não há utilidade em levar ao Dominique
__ E precisava ter feito isso? Caramba, meu pulso está doendo muito!
__ Alexis, eu to começando a ficar assustada com você, primeiro o chute do Marcelo e agora agrediu ao Tony?__ disse Micaelle indo ao Tony para lhe dar assistência__ deixa eu ver__ e Tony dá o pulso a ela para ver
__ O que? Foi você que me chutou?__ disse Marcelo enfurecido
__ Espera, Micaelle! Tony! Eu posso explicar, eu só queria mantê-lo afastado, não queria que levasse a vela já que não pertence aos sobreviventes, foi sem querer, eu não tive a intenção de machuca-lo
Micaelle vasculha a sua bolsa e consegue encontrar um kit de primeiros socorros, pega uma pomada e passa sob o seu braço, e enquanto o enfaixava, Tony disse:
__ Certo, está desculpado, mas da próxima vez fale ao invés de ficar ferindo os outros
Alexis tentou falar, mas Tony deu sinal com a outra mão para que não falasse e disse:
__ Tá, tá bom, eu sei que foi sem querer
__ Pronto, acho que vai cicatrizar__ disse ela após ter terminado de o enfaixar
__ Micaelle?__ disse Alexis
__ Tudo bem, não acho que tenha feito isso na intenção de machuca-lo, acredito em você__ disse Micaelle
Alexis fica um pouco aliviado
__ Mas a mim sim! Por quê raios me chutou do avião? Além de louco queria ser assassino?__ disse Marcelo
__ Você não ia morrer, tá legal? Deixa de ser exagerado__ disse Alexis tentando controlar ao máximo sua raiva
__ Não ia! Eram mais de 1000 metros, quicar como uma borracha não era o que eu faria caso alcançasse aquele chão!!!
__ Quer saber, isso foi pouco pro que realmente merecia! Eu não me arrependo de nada do que eu fiz, eu daria um outro belo chute e dessa vez bem aonde o sol não brilha pra você deixar de encher tanto o saco!!!__ disse Alexis
Marcelo por alguns instantes fica espantado, boquiaberto, por alguns minutos Alexis pensou que ele estava magoado, mas disse:
__ É mesmo?__ e abaixa a sua voz ao seu tom normal:__ Você não se importa por ter quase me matado, mas se importa com uma mísera vela preta, por que?
__ Eu já falei, não são dos sobreviventes, logo não serve para nós__ disse Alexis já se acalmando também
Marcelo deu um riso gutural e disse:
__ O tesouro de Nicolau VII também não nos pertence, e mesmo assim estamos em busca dele, desembucha logo, maluquinho, você mente muito mal, qual é o verdadeiro motivo?
“Droga, por que você não pode ser burro?; pensou Alexis, e Micaelle e Tony notaram como Marcelo estava certo, e olham para Alexis aguardando sua resposta, “ Se eu contar a verdade, vocês não vão acreditar”; e então impulsivamente ele gritou:
__ Eu sei a resposta pra saírmos daqui!!
__ Hunf, isso é só você tentando mudar de assunto
__ Não! Eu posso provar!__ exclamou ele
Em seguida pegou o mapa e todos se aproximaram atentamente, o pôs no chão e em seguida ao seu lado desenhou uma rosa dos ventos, então explicou:
__ O castelo de Nicolau se notarmos bem, está no centro da cidade, não está?
__ Sim!__ disseram
__ Se observarmos um pouco mais...__ deu uma leve pausa para lentamente levar o indicador á ponta da rosa que apontava para o norte__ dá pra ver que ela está mais para o norte do que para qualquer outra direção__ logo as faces dos outros exalam curiosidade__ a trilha começou a partir do castelo do Nicolau praticamente, e não pela cidade, parece óbvio se pensarmos bem, Nicolau não pensou muito bem nas pessoas que poderiam roubar seu mapa, enfim, se percebermos a trilha depois do castelo__ e então novamente aponta o indicador de forma minuciosa á ponta da rosa que apontava para o leste__ ela vai para leste, significando que...
__ Devemos encontrar o castelo antes de percorrermos a trilha!__ disse Micaelle entusiasmada
__ Exatamente__ disse Alexis
__ Como um marco zero, ou na matemática, para se descobrir a raiz de uma função tem que primeiro encontrar o zero dela!__ disse Tony
__ Nossa, pode funcionar__ disse Marcelo__ ás vezes sua cabeça de vento serve pra alguma coisa!
__ Eu vou considerar isso um elogio, agora só precisamos ter uma noção exata de onde estamos__ disse Alexis e começou a olhar em volta__ para mim, é tudo igual nesse lugar__ “Quer dizer, quase tudo”
__ Vamos revistar nossas bolsas, se Dom se importa conosco, e deseja tanto nos ajudar como diz, deve ter posto algo útil nelas__ disse Marcelo
E assim eles fazem e cada um encontra uma pequena bússola: uma laranja á Tony, outra verde á Marcelo, outra vermelha á Alexis e outra marrom á Micaelle.
__ Bússolas!__ disse Micaelle __ Dom, você é demais!__ e então levanta a sua bússola, a fita atentamente e diz:__ estamos exatamente a... direção oeste__ em seguida toca o indicador na rosa direto para a ponta norte:__ precisamos percorrer mais á diagonal direita
__ Uau! Impressionante!__ elogiou Tony
__ Não é nada, é o mínimo que uma professora de geografia tem de saber, Alexis fez a maior parte__ e deu um pequeno sorriso a ele
Alexis ficou um pouco envergonhado e disse:
__ Ah, não foi nada demais, qualquer um teria descoberto
__ Qualquer outro nem sequer teria notado esses pequenos detalhes, talvez você seja mesmo a sabedoria
“Meu pai e minha mãe que são a sabedoria nesse caso” ; porém a parte que disse que a trilha iniciava ao leste não havia sido do mérito deles, e sim, dele próprio, um pouco mais tarde refletiu sob aquilo e ficou admirado em como havia feito aquela descoberta tão rápido, seja como fosse, esperava estar certo, caso contrário...
__ Já que a Micaelle nos guiará com sua bússola, então as nossas são praticamente inúteis, melhor a gente guardar mesmo__ disse Tony
E assim eles fazem.
E todos começam a andarem novamente, Alexis percebeu que o ser encapuzado havia desaparecido e os espíritos haviam voltado a agir como antes, “O que teria acontecido se Tony tocasse na vela?”; pensou e pela primeira vez estava feliz por não haver resposta para a sua pergunta.
E enfim conseguem chegar ao castelo amarelo, Alexis ouve no interior dele um grito triste e desesperado de uma mulher: “Nicolau, onde está você, meu amor?”; a esposa de Nicolau, concluiu, todos cessam os passos para descansarem e cada um bebe um gole de água
__ Estamos chegando perto, eu sinto...__ disse Micaelle esperançosa
__ Espero mesmo, olhar todas essas ruínas já está me cansando__ disse Marcelo
E voltam a andar desta vez ao leste, com Micaelle como guia, Tony durante o caminho empunha sua espada de ossos e ataca uma parede de calcário, a deixando em estilhaços.
Todos cessam os passos quando ele faz isso, Micalle e Alexis ficaram impressionados com o potencial de sua espada, mas Marcelo permanece sério, Tony disse apontando para ele:
__ Rá! Toma essa! Minha espada é verdadeiramente afiada! Uma espada de verdade!
Marcelo assume um trejeito amargo e disse:
__ Hunf, são ruínas, estão tão velhas e podres que eu posso destruir uma delas com um sopro__ Tony arregalou os olhos e Marcelo continuou:__ Vamos continuar a caminho, Micaelle, ainda temos muito a percorrer
E assim eles andam novamente, com Tony indignado, Alexis sentiu pena e foi até ele, tocou o seu ombro e disse:
__ Eu acredito em você, Tony
__ É, mas não foi com você que apostei
__ Como o Marcelo disse: ainda temos muito a percorrer, ainda tem muito tempo pra conseguir arrancar sua grana daquele mauricinho
Tony sorriu.
Alexis então disse:
__ Sabe, meu tio um dia disse que se quer abalar um inimigo não deve mostrar a ele que está vulnerável
__ Eu conheço uma música muito boa, se chama O Cavaleiro Atrasado
__ O Cavaleiro Atrasado?
__ É, e a propósito, uma das melhores música que já ouvi
__ Você pode cantá-la?
__ Não precisa nem pedir, aqui vai:
Há muito tempo atrás
Vivia nos primórdios medievais
Um cavaleiro muito atrapalhado
Até o próprio rei o considerava um lesado
Mas era um guerreiro humilde e muito bondoso
De coração bastante valoroso
Amava sua família, saiu de sua casa que era em uma ilha
Para dar a ela um futuro melhor, mas sua falta de agilidade
Logo á flor da mocidade o pouco fez ganhar
Mas era um guerreiro esforçado, porém de nada adiantava,
Era a chacota dos cavaleiros, um homem nascido para nada derrotar
Cavaleiro atrasado (3x)
O apelidaram de “ O cavaleiro atrasado”, mas uma donzela enxergou nele
Seu bom coração, ele com ela então fez uma família,
de cavaleiro logo queria desistir
E com ela e seu filho queria fugir para a ilha
Cavaleiro atrasado (3x)
O pobre cavaleiro fugiu conseguiu,
porém foi surpreendido,
na ilha estava tudo destruído
Até seu pai, sua mãe e seu pequeno irmão estavam mortos
A casa estava completamente desmoronada
Os principais inimigos do rei haviam estado lá em mais uma nova empreitada
Cavaleiro atrasado (3x)
O pobre cavaleiro fugiu conseguiu,
porém foi surpreendido,
estava tudo destruído
Até seu pai, sua mãe e seu pequeno irmão estavam mortos
Cavaleiro atrasado (3x)
Logo caiu aos choros e angústias,
e decidiu com sangue nos olhos que iria ter vingança
Sua esposa e seu filho pôs em segurança
Ela insistiu que com eles ficasse, mas o cavaleiro atrasado prometeu
Que ira voltar e com ele traria festança
Cavaleiro atrasado (3x)
Perdeu muito na ilha
E decidiu que não perderia a nova família
Cavaleiro atrasado (3x)
Perdeu muito na ilha
E decidiu que não perderia a nova família
Cavaleiro atrasado (3x)
Cheio de espírito, força e vigor
O cavaleiro tornou-se em treino
Um tremendo terror
Surpresos e espantados os guerreiros ficaram,
Tornou-se tão rápido que eles pensaram
Que havia magia para seus ataques prever
Cavaleiros atrasados (3x)
Decerto que era boato,
mas sem dúvida alguma o cavaleiro tinha poder
Tornou-se tão habilidoso que ganhou um novo apelido
Cavaleiro adiantado (3x)
Logo ele foi para a guerra,
enfrentar da sua família os algozes
E a testemunha era a própria Mãe-terra
Os inimigos eram fortes, mas não tão velozes
O cavaleiro destruiu um-a-um e a justiça que tanto cobiçava conseguiu
O rei agradecido pela vitória, lhe deu o poder de escolher entre governar parte de seu reino
Ou até mesmo ensinar cavaleiros em treino
O cavaleiro decidiu levar apenas uma vida comum, com a sua família governando junto dele parte do reino do rei
Não levara muito tempo para sentir falta do combate
Então o rei lhe disse para permanecer na terra,
pois lá mesmo treinaria cavaleiros a se tornarem
Cavaleiros adiantados (3x)
__ Gostei da música e você canta muito bem
__ Ah, obrigado, e eu não canto bem não
__ Não? Você é ótimo, cara!
__ Verdade, eu tenho que concordar e de onde você ouviu essa música?__ disse Micaelle
__ Meu avô cantava para mim, esta e mais outras
__ Canta de novo?__ disse Micaelle__ eu quero aprender
__ Se o público insiste__ disse Tony bem-humorado e cantou-a novamente
Até mesmo Marcelo havia gostado da música, parece de se surpreender, mas não é, ele gostava de novelas de cavalaria
Micaelle e Alexis enfim aprendem a letra e cantam junto á Tony, Marcelo também começa a cantar, mas disfarçava quando os outros percebiam.
E enfim chegam á floresta, mas ao invés de ficarem apreensivos e aflitos, estavam mais animados e ansiosos
Antes de a adentrarem, Alexis olha para trás e percebe que os espíritos haviam desaparecido e realmente não havia nada mais presente além de deserto, solidão e silêncio.
Teria sido tudo uma ilusão?
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