A traição de Alana
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Se o chalé era horrível pelo lado de fora, acho que não preciso dizer que o lado de dentro também era péssimo, não é mesmo? Pois bem, a primeira impressão que tive assim que pus meus pés dentro do chalé de Hermes, era de está dentro de um campo de guerra. Sério, o lugar era uma grande bagunça. As velhas beliches estavam cheias de cobertas bagunçadas, e quase todo o chão de madeira estava repleto de cuecas e meias sujas. Eu fiquei horrorizada quando vi aquilo tudo. Como os garotos podem ser tão porcos?
Três meninos de cabelos bagunçados e de várias cores diferentes corriam em meio à bagunça, jogando roupas sujas uns contra os outros. Seus sorrisos eram os mais travessos possíveis e eles pareciam não notarem a minha presença naquele local.
— EU JÁ MANDEI VOCÊS PARAREM! – Uma moça gritou em meio à confusão, me dando um baita susto e claro, nos três monstrinhos que estavam à minha frente.
— Eu saio por alguns segundos e vocês começam uma guerra de roupas sujas? Isso é inadmissível. – A menina acrescentou furiosa.
Eu me virei para a direção da porta, e vi uma figura coberta por cobertores dobrados delicadamente em seus braços, ocultando uma boa parte de seu rosto. Pela voz eu deduzi que era uma menina, mas não conseguia ver nada além de seu cabelo preto devidamente amarrado em um rabo de cavalo.
A menina caminhou até uma pequena mesa de madeira que ficava no interior do chalé, e colocou gentilmente os cobertores sobre o mesmo. Foi aí que pude ver mais de sua figura. A garota era branca, um pouco mais alta do que eu, e muito mais magra. Tinha um nariz afinado, e olhos extremamente azuis e brilhantes. Seus cabelos eram pretos como já havia dito, mas eram bem mais lisos do que eu imaginava. A garota olhou com uma expressão furiosa os três garotos e começou a gritar novamente:
— EU ESTOU CANSADA DE VOCÊS. FAÇO DE TUDO PARA MANTER A ORDEM NESSE CHALÉ E EM QUESTÃO DE SEGUNDOS VOCÊS CRIAM UMA IMENSA BADERNA. AH, COMO EU QUERIA NÃO SER SEMIDEUSA. ESTARIA MUITO MAIS FELIZ EM MINHA CASA!!
— Nosso pai um dia ainda irá te castigar por dizer besteiras, Lohane. – Disse um dos garotos para menina raivosa. Teus cabelos eram pretos e arrepiados, o deixando com uma cara mais maluca ainda.
— É, o Andrew tem razão. – Disse um segundo garoto de cabelos vermelhos. – Afinal, ser semideus é uma das melhores coisas do mundo. Por que você fica querendo ser uma mortal idiota?
— Os mortais não são idiotas. – Lohane disse cobrindo o rosto completamente vermelho de raiva.
— Tem certeza de que não são? – Disse um garoto de cabelos loiros. – Se não fossem idiotas, saberiam muito bem que o mundo não é essa coisa linda que eles imaginam.
— Pois é. – Disse Andrew. – O Alec sabe o que diz.
— Não, vocês não sabem o que dizem. – Retrucou Lohane. – Agora eu dou para vocês dois minutos para recolherem toda essa roupa suja do chão.
— E se não fizermos o que você mandou? – Disse Alec em tom de desafio.
Lohane fixou seus olhos brilhantes na direção do jovem garoto e respondeu:
— Caso não fizerem o que eu mandei as consequências serão péssimas para todos vocês.
Alec deu de ombros.
— Se fizer algo contra mim, eu chamo Quíron.
— Acho melhor obedecermos ela, Alec. – Disse o garoto de cabelos vermelhos. – Eu e o Andrew já virmos Lohane nervosa e bem... Não é algo que eu goste sempre de ver. Não é mesmo, Andrew?
— É sim, o Clóvis tem razão. – Disse Andrew.
— Eu estou vendo muita conversa e pouco trabalho. – Disse Lohane impaciente. –Eu disse que vocês tinham dois minutos para arrumar toda essa bagunça e...
— Terminamos! – Disseram os meninos em uníssono.
Eu achei que os garotos estivessem mentindo, afinal não seria possível arrumar toda aquela pilha de cuecas e meias do chão em apenas dois minutos. Mas, para minha surpresa, o chão ao meu redor estava limpo, sem nenhuma peça de roupa jogada, e isso me deixou um tanto curiosa sobre os meninos.
— Caraca, vocês são muito rápidos. – Acabei dizendo. – Nem sequer percebi o que fizeram.
De repente todos os olhares se voltaram para mim. Os três garotos me olhavam com certa curiosidade, e a menina possuía um ponto de interrogação em sua face.
— Posso ajuda-la? – Lohane disse para mim.
— Na verdade pode sim. – Respondi. – Quero que me informe onde eu posso me instalar. Estou cansada e necessito de um lugar para dormir.
— Ótimo, mais uma filha de Hermes. – Disse Alec com os braços cruzados. Ele olhou para um caduceu dourado que estava fixado em uma das paredes do chalé e acrescentou:–Já não bastava ter Lohane como filha, meu pai?
— Eu não sou filha de Hermes. – Eu disse. – Estou aqui porque Quirón me resignou a viver nesse lugar.
— Até que enfim mais uma alma feminina nesse recinto. – Lohane aplaudia enquanto se aproximava de mim. -–Seja muito bem vinda ao chalé 11. Como você se chama?
— Eu sou...
— Ela é Alana Montechio. – Disse Andrew antes mesmo que eu pudesse terminar a frase.
O garoto deve ter visto minha expressão de duvida porque logo acrescentou:
— Eu a vi chegar tempos atrás. Eu e Clóvis estávamos juntos do grupo que te deu as boas vindas.
— Exatamente. – Disse Clóvis. – Sabemos que você é filha do tiranossauro Rex.
Lohane piscou confusa.
— Ela é filha de quem?
— Eu sou filha de Pugnis Rex. – Corrigi um pouco irritada. Sério é tão difícil assim dizer o nome de meu pai? – Meu pai é um dos deuses das montanhas da Itália. O rei de todos eles para ser mais exato.
— Ah... Eu nunca ouvi falar dele. – Disse Lohane.
— Eu também não. – Disse Andrew.
— Nem eu. – Concordou Clóvis.
— Eu muito menos. – Disse Alec.
— Pois é quase ninguém sabe sobre ele. – Eu disse. – Então gente, eu até gostaria de ficar conversando, mas eu necessito urgentemente de um banho. Onde posso me instalar?
Lohane fitou todos os beliches do local e por fim disse:
— Acho que você terá que ficar com a cama que fica ali no fundo. – Lohane apontou para um beliche bastante velho e que estava com suas roupas de cama devidamente arrumadas e sem nenhum cobertor por cima, o que indicava que não estava sendo usada há tempos.
Eu caminhei até o dito beliche e percebi um travesseiro rosa na cama debaixo.
— Eu durmo aí. – Disse Lohane. – Mas tem a cama de cima que está sem uso há alguns meses.
— Por mim tá legal. – Eu disse colocando minhas coisas em cima do colhão.
Eu já estava prestes a subir em minha nova cama, quando observei que havia outra cama, dessas de solteiro, coberta com um pano branco e com um baú grande de madeira ao lado. Ao contrário das outras, aquela cama era a única que não fazia parte de um beliche, e isso me fez caminhar até ela curiosa.
— Quem dorme nessa cama? – Perguntei.
Os meninos se entreolharam e por fim apenas Alec respondeu.
— Essa cama está proibida. – Ele disse. – Os irmãos Stolls não gostam que durmam aí.
Franzi a testa em confusão.
— Ué, por que não gostam que durmam nessa cama?
— Por que essa cama era de um traidor. – Respondeu Alec.
— Pare de falar bobagens. – Lohane censurou o menino. A menina olhou para mim e então explicou: — Os nossos irmãos Stolls não curtem que mecham nessa cama ou sequer durmam nela porque ela pertenceu a alguém muito importante, mas que infelizmente não está mais entre nós.
— E quem seria? – Eu quis saber. – Alguém importante?
Antes que houvesse resposta a minha pergunta, meus olhos se fixaram em duas letras que certamente foram inscritas com algum tipo de ferro na madeira da cabeceira da cama. As letras eram L.C, e para mim me pareceu ser as iniciais de alguém, e isso me deixou curiosa pela resposta de Lohane, embora eu já tivesse um palpite de quem já pertencera àquela cama.
— Bem, a cama era de um de nossos irmãos que já está morto. – Lohane tentou suavizar.
— Sim, mas quem é essa pessoa? Diga-me o nome. – Eu insistir.
— Luke Castellan. – Disse Andrew. – Essa era a cama de Luke Castellan.
Após ouvir aquele nome eu não pude deixar de sorrir.
— Pois bem, se essa cama era dele, agora é minha.
Retirei o grosso pano branco de cima da cama, e joguei minhas coisas em cima do colchão macio. Lohane e os outros ficaram me olhando com uma expressão estranha, mas não me importei. Eu havia encontrado a cama de L.C, e para mim isso era uma grande honra, afinal, um vilão tem que dormir na cama de um vilão não é verdade?
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