A traição de Alana
8 A traição de Alana 8
— Eu não acho que você deva ficar nessa cama. – Dizia Lohane enquanto eu ajeitava minhas coisas dentro do enorme baú que antes pertencia a Luke Castellan. – Tem a cama do beliche que eu durmo. Não seria melhor você dormir lá? Tenho certeza de que iria gostar.
— Obrigado pela oferta, Lohane, mas creio que ainda prefiro essa cama. – Respondi educadamente.
Assim que terminei de transferir minhas roupas da mala para o baú, eu peguei uma toalha e perguntei a Lohane onde ficava o chuveiro. Estava exausta e merecia um banho.
— Antigamente ele ficava aqui dentro do chalé, mas após os canos de esgoto explodir, nós criamos um chuveiro no lado externo do chalé. – Ela respondeu.
— Tá brincando né? – Perguntei aflita. – Quer dizer que todos tomam banho no lado de fora do chalé para todos verem?
— O que? Não, não é assim como você pensou. – Disse Lohane com uma careta no rosto. – Nós tomamos banho em um chuveiro mágico criado pelos filhos de Hefesto. Venha comigo que eu te mostro.
Lohane caminhou para fora do chalé e eu a segui, sendo que apenas paramos de andar quando demos a volta no barraco de Hermes, e nos deparamos com uma porta totalmente feita de ferro, e com escrituras gregas por toda parte, fincada solitária ao chão. Havia também desenhos de martelos de ferreiros e uma enorme letra H na parte onde deveria haver maçanetas.
Lohane fitou a minha expressão confusa e então disse:
— Esse é o nosso banheiro criado pelos filhos de Hefesto. Não é um máximo?
— Se com ‘Máximo’ você quer dizer que estamos diante de uma porta, então ok... É um máximo. – Respondi.
— Pelo visto você não entendeu. – Disse Lohane.
A garota se aproximou da porta de ferro e encostou sua mão direita no grande H que havia na estrutura. Rapidamente a porta passou a brilhar em cores vermelhas e brancas, até se abrir em pequenos estalos comuns em maquinários antigos.
— Tá faltando um pouco de óleo. – Lohane informou. Ela entrou no vão enorme que a porta deixou e pediu para que eu a seguisse.
Assim que entrei, tive uma enorme surpresa: O lugar dentro da porta feita de ferro era imenso e abrigava cerca de 20 boxes para tomar banho, e 10 outros boxes onde continham privadas para bem... Você sabe.
— Esse é o banheiro de um castelo, é isso? – Disse sarcasticamente.
Lohane sorriu.
— É gigante, né? – Ela disse. – Quem vê aquela grande porta de ferro lá fora sem nada ao redor, fica perdido sem entender nada, sendo que na verdade aquela porta abriga tudo isso aqui.
— Como os filhos de Hefesto fizeram isso?
Lohane deu de ombros.
— Eles disseram que foi através de mágica, mas alguns filhos de Hécate disseram que eles estavam mentindo. Resumindo... Não sabemos a verdade e tampouco importa. O fato é que temos um banheiro grande o suficiente para abrigar todos os semideuses do Chalé 11.
Ao julgar pelo tamanho daquele lugar, fiquei curiosa a fazer uma pergunta à Lohane:
— Quantos semideuses são ao todo que vivem no chalé de Hermes?
— Contando com você são treze. – Lohane respondeu. – Pode parecer um número alto, mas acredite, já foi pior. A minha tristeza é que dentre todas as pessoas que moram no chalé de meu pai, eu sou a única menina. Quer dizer, eu era até você chegar.
— Sim, agora somos duas. – Eu disse.
— Exatamente. Quem sabe não nos tornamos grandes amigas?
— É – Respondi –, Por que não?
Fitei um dos boxes onde se encontravam os chuveiros e então disse para Lohane:
— Você não se importa de eu ir tomar um banho, não é?
— Ah, claro que não me importo. – Lohane respondeu meio sem graça. – Me desculpe, eu te apresentei o banheiro, mas não te deixei tomar seu banho. Pode ficar a vontade aqui, eu estarei do lado de fora te esperando para que ninguém interrompa seu banho.
Lohane se aproximou de mim e então acrescentou:
— Às vezes alguns garotos gostam de entrar no banheiro para ficar vigiando os outros tomarem banho.
— Pois eu quero que alguém me venha vigiar que eu irei ter o prazer de quebrar o pescoço dele. – Respondi irritada.
Lohane deu uma leve gargalhada.
— É isso mesmo, menina. Está apoiada nisso. – Ela disse caminhando para o lado de fora do banheiro.
Ao chegar ao vão da porta, ela se virou e disse:
— Sabia que todo o design dessa porta foi feito pelo Leo Valdez?
— Não, não sabia. – Respondi.
— Pois é, foi ele quem fez o design. Eu acho o Leo um dos maiores gênios da atualidade. Espero que você o conheça à noite na fogueira.
— Mal posso esperar para conhecê-lo. – Eu disse em tom irônico, embora Lohane parecesse não ter captado isso.
— Pois eu irei fazer questão de te apresentar. – Disse Lohane fechando a porta e me deixando sozinha dentro do banheiro.
Eu me dirigi até um dos últimos boxes e liguei o chuveiro, deixando a deliciosa água quente cair sobre meu corpo cansado. A ideia de destruir esse acampamento me veio forte à mente. Eu precisava de alguma forma falar com meu pai para saber quando eu deveria agir. Enquanto eu estava pensando sobre meu próximo passo, as palavras de Lohane sobre Leo Valdez invadiram minha mente, me deixando um pouco irritada. Como era possível essas pessoas gostarem de um idiota como ele?
— Talvez porque os idiotas se atraiam. – Murmurei para mim mesma enquanto ouvia o barulho da água quente sobre meus ouvidos.
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