A terra dos meninos dourados

1 A terra dos meninos dourados


A terra dos meninos dourados

Cap. 1

Na cidade de Cambaracá morava um menino chamado Raimundo. Ele era diferente dos outros meninos. Os meninos costumavam correr atrás dele e gritavam:

— Dourado! Dourado!

A pele de Raimundo era dourada. Ele tinha também um olho preto e o outro verde. As crianças achavam que Raimundo era de outro mundo.

Cap. 2

A chateação era tanta que o menino não queria ir pra escola, nem queria brincar com os outros garotos. Ele gostava mesmo de desenhar lugares fantásticos e passava horas no quarto cheio de papel e lápis coloridos. Até que um dia, Raimundo deu um nome a uma das cidades desenhadas. Era Tatipirun. Um nome diferente!

Cap. 3

Numa manhã Raimundo foi pra escola, mas quando chegou no portão os colegas começaram a mangar dele e gritaram:

— Olha o Dourado! Olha o Dourado! Olha o olho colorido!

O menino não aguentou e saiu em disparada pelas ruas até chegar no seu quarto. Lá ele estava seguro. Pegou as folhas de papel e os lápis pra terminar o desenho de morro que estava na metade. Ele desenhou um menino no topo do morro. Ficou olhando por muito tempo até que percebeu o menino correndo morro abaixo. Raimundo viu que o menino era ele.

Raimundo estava muito feliz em ver Tatipirun de pertinho. Era um lugar muito bonito e colorido.

Cap. 4

Do outro lado do morro tinha um rio enorme. O menino se aproximou e de repente surgiu uma imensa ponte que saía de dentro do rio. Folhas gigantes foram formando o caminho para ele atravessar o rio.

Quando chegou outro lado viu um bando de meninos e meninas pulando e brincando juntos. As crianças eram douradas como ele, os cabelos também eram dourados, mas um olho era preto e outro azul. As meninas tinha uma borboleta colorida no cabelo. Raimundo se assustou.

— Quem é você? Perguntou um dos meninos.

— Eu sou Raimundo.

— De onde você veio?

— Eu vim de Cambacará. O olho de vocês é diferente!

— Sim, mas todo mundo enxerga do mesmo jeito que você. Aqui tudo é colorido e diferente. Até os animais falam. Todas as crianças são chamadas pelo mesmo nome.

Cap. 5

Raimundo ficava surpreso com tudo que via. Uma das borboletas conversava com a menina, quando ele se aproximou e perguntou o nome dela.

— Eu sou Dourada! Disse muito sorridente.

— Você é feliz aqui? Perguntou Raimundo.

— Muito, muito. Vou mostrar a minha terra para você.

Outras crianças se aproximaram e caminharam com Raimundo para mostrar as belezas daquele lugar. Por onde passava ele era aplaudido pelas gigantes folhas. O menino estava adorando tudo que via.

Tragam o visitante aqui. Gritaram os pássaros.

— Nossa! Os pássaros falam mesmo! Exclamou Raimundo.

Ele continuou caminhando e conhecendo Tatipirun.

Cap. 6

A alegria era tanta que Raimundo não percebeu tinham chegado no alto de uma serra. Lá em cima ele se desequilibrou e caiu num açude que ficava no pé da serra. A água era tão cristalina que dava para ver os peixinhos coloridos. O menino estava muito feliz com aquela aventura, mas sabia que precisava voltar para casa. Ele voltou para o rio e viu a estranha ponte.

Quando Raimundo viu o morro, correu na sua direção e começou a subir. De repente já estava de volta ao seu quarto. Agora ele sabia o caminho de Tatipirun. Um dia ele iria levar alguns meninos até lá.

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