A substituta

27 Estarei do seu lado, minha missão será cuidar de você.


—Você gosta do Castiel, não é? —Ela acusou.

—Eu... —Tremi sem saber o que responder.

—Você nem nega. Vou contar pra ele.

—Não! —Disse em pânico.

Ela deu um passo, mas eu segurei o braço dela, ela me puxou com força então eu caí. Castiel Alexy e Lysandre olharam de longe pra nós duas com uma expressão confusa. Ambre se abaixou no chão e falou de forma doce.

—Não quer isso? —Olhei por um instante pros rapazes e então pra ela. Fiz sinal que não com a cabeça. — Então daqui pra frente você irá fazer o que eu mandar.

Ela colocou a mão na minha testa, e sua expressão mudou rapidamente pra preocupada.

—Castiel, venha rápido o Taylor está doente. —Ela passou a mão no meu cabelo. —Você está doente, não é? —Ela me lançou um olhar ameaçador.

—Você está mesmo doente? —Lysandre se aproximou preocupado, eu assenti.

—Taylor, levante-se. — Castiel se aproximou de mim e pegou minha mão.

Ele me levantou e nós ficamos nos olhando, pensei em acabar com essa história naquele momento, mas a Ambre atrás dele moveu os lábios dizendo: Eu te mato! Desviei o olhar.

O diretor se aproximou de nós.

— O que houve? — Ele perguntou.

—O Tay tem apresentado sinais de resfriado depois de terem jogado água gelada nele ontem. — Disse o Lysandre. — Acho que está piorando.

O diretor se aproximou de mim e tocou minha testa.

—Você está mesmo com febre e pálido. Acho melhor ir pra casa.

—Sinto muito. —Disse com a voz fraca.

— Não se preocupe. O resto de vocês pode continuar as fotos, em outra oportunidade o Taylor fará a parte dele.

— Eu acompanho ele até a van. — Ambre pegou o meu braço e saímos.

Ela começou a me puxar com aspereza eu me desvencilhei dela.

—Você deve se cuidar mais. Se você tiver um problema, toda a banda será afetada. — Ela tinha um tom doce e ameaçador na voz. — Faça o seu melhor pra que o Castiel não tenha problemas e esse segredo fica entre nós. Se disser algo, também terei que dizer. —Paramos em frente a van.

Quando cheguei a casa me livrei daquelas roupas, vesti uma camiseta e calça que eu usava como pijama. Chorei irritada com a Ambre e chorei ainda mais pela possibilidade de prejudicar a banda. Peguei o porcoelho do quarto do Castiel e fui me deitar no meu antigo quarto que agora estava sendo usado por minha tia, em determinado momento eu apaguei.

—Taylor! —Acordei sendo chacoalhada pelo Alexy. —Você está bem? Onde foi sua tia?

—Foi se encontrar com uma amiga. — Era o que dizia o bilhete que ela me deixou.

— E a febre? —Lysandre correu até minha cama e colocou a mão fria na minha testa, eu me encolhi com o toque. — Você ainda está com febre, já tomou os remédios?

—Sim. —Menti. —Ficarei melhor depois de dormir.

Meu olhar correu o quarto e eu vi o Castiel parado na porta ele estava com uma expressão um tanto preocupada, mas concluí que era minha imaginação já que mudou rapidamente para irritada.

—Se estava doente deveria ter avisado. Nossa filmagem foi arruinada por sua causa. —Ele disse.

—D- Desculpe. —Olhei firmemente pra ele. —No futuro, nada mais será arruinado por minha causa.

—Espero... Que sim. —Ele se virou e saiu da porta.

—Não se preocupe com o Castiel ele fica assim sem motivo. —Alexy disse sorrindo. —As filmagens correram bem.

—Descanse um pouco, vou trazer um chá bem quente. —Disse o Lysandre.

—E e-eu vou trazer um suco. —Alexy correu pra chegar primeiro que o Lysandre na cozinha.

Eu olhei pra eles sorrindo, mas não consegui esperar o chá acordada e caí no sono de novo. Sonhei que estava em um lugar muito gelado, mas minha garganta ardia de sede. Acordei com aquela sensação vívida.

Abri os olhos e olhei ao redor, já estava escuro. Tentei levantar minha cabeça, mas senti uma enorme vertigem ao fazer isso. Levantei da cama, meu corpo estava ainda mais fraco e demorava pra responder. Saí do quarto arrastando os pés, pensei em chamar alguém, mas eles já deviam estar dormindo e eu não queria incomodar. Acho que era uma boa hora pra tomar algum daqueles remédios. Quando eu me aproximei da cozinha vi alguém com a cabeça dentro da geladeira. Parei atrás da porta esperando que ele saísse dali.

Quando ele fechou a porta eu vi que era o Castiel.

—Ahh. —Ele disse ao me ver. — Que foi?! Você me assustou!

Eu me sentia um zumbi, meu corpo se movimentando pra frente e pra trás, mas meus pés não saíam do lugar.

—O que você tem? —Ele perguntou cauteloso.

—Preciso de água... —perdi o controle do meu corpo e tombei pra frente ele me segurou.

Ouvi ele gritar comigo tentando me reanimar, em seguida senti seu braço na minha perna e eu estava suspensa. Chacoalhei em seus braços enquanto ele corria pra fora.

Acordei de novo no carro dele, eu estava completamente suada.

—Por que eles te deixaram sozinha? Deviam ter ligado pra alguém. —Ele bateu a mão com força no volante.

A essa altura eu já não sabia distinguir o que era realidade de delírio. Senti ele parar o carro e descer, um tempo depois ele abriu a porta do carona.

—Lynn abra os olhos. —Ele tirou meu cinto de segurança.

Eu saí do carro e ele me ajudou a caminhar, olhei em volta.

—Onde estou? —Perguntei com a voz rouca.

—No hospital. Consegue andar? —Ele me segurou pelos ombros. —Se não conseguir eu te carrego.

—Não quero ir. —Resmunguei.

—Tem que ir, sua febre está alta.

—Não, não posso ir. —Finquei o pé. —Se eu for descobrirão sobre mim.

—Mesmo que descubram você precisa ir! Não posso te deixar sozinha assim.

Eu puxei a minha mão que ele segurava com tudo.

—Não vou, me deixe sozinha.

Saí andando tropeçando pra longe dele.

—Lynn você enlouqueceu? Vamos logo, depois eu penso em algo.

—Não! — Eu olhei pra ele, eu estava quase chorando. — Não está com medo? Se descobrirem, o que acontecerá? —Juntei um pouco de forças e gritei com ele. —Por minha causa... Por causa de uma coisa como eu, tenho medo de que você sofra. — Minha voz já tinha se amenizado, mas as lágrimas escorriam constrangedoramente pelo meu rosto.

Ele ficou em silencio por um instante.

—Não é o momento de se preocupar comigo. Eu sabia que tinha riscos quando permiti que você ficasse. —Ele disse tentando me acalmar.

Eu olhei pra ele pensando sobre isso, depois sacudi a cabeça negativamente.

—Não, eu prometi que não seria descoberta. Não quero ir pro hospital. —Ele me olhou com incredulidade.

—Falo sério! — Ele gritou tentando demonstrar raiva, mas sua voz falhou.

—Eu aguento. —Minha voz estava fraca. — Por favor, me leve pra casa.

Ele engoliu em seco e depois bateu o pé no chão irritado. Pela expressão dele ele admitiu a derrota.

Voltamos para o carro dele eu me sentei, ele prendeu o meu cinto de segurança tirou sua jaqueta preta e me cobriu com ela. Fiquei com meu olhar na janela pra não ter que encará-lo, tentei ser forte e não demonstrar que eu estava tão mal.

—Lynn, tudo bem se você chorar. Tudo bem se você vomitar. Então não cerre os dentes e desista. —Ele disse suavemente.

Tive que fazer ainda mais esforço pra não emitir nem um som de choro. Maldita hora pra eu ficar doente e lhe dar tanto trabalho.

Quando chegamos em casa ele me levou pra cama, me deixou deitada e saiu apressado. Voltou alguns minutos depois com uma bandeja, me fez sentar e me deu um antitérmico e um chá quente. Em seguida colocou vários cubos de gelo em um pano e passou no meu pescoço e na minha testa. Eu fiquei acordando e dormindo várias vezes, sempre que acordava ele estava ali, me olhando preocupado e conferindo se minha febre abaixava com o termômetro. Ele buscou um umidificador de ar e o ligou.

Eu levantei a cabeça pra olhar as horas quando me senti um pouco melhor, eram cinco da manhã. Castiel estava sentado do meu lado na cama.

—Castiel... —eu disse.

— Vai dizer ‘’Obrigada?’’ — ele disse, eu assenti. —E ‘’perdão?’’— Assenti outra vez. —Você está bem? —Ele me perguntou com a voz rouca de sono, eu não respondi. —Acho que não, afinal estava com uma febre de 40 graus. — ele me mostrou a mão aberta. —O que é isso?

—Uma mão. —Ele riu.

—A resposta seria cinco dedos. —Ele abaixou. —Preste atenção no que eu irei te falar. Como você se preocupou comigo mesmo estando doente vejo que você é leal. E como se recuperou vejo que tem força de vontade. — Ele fez uma pausa. — Eu não quis te aceitar e até te rejeitei, mas depois de hoje estarei do seu lado. —Eu olhei surpresa pra ele. —Minha missão será cuidar de você, eu irei responder por qualquer ato seu.

Eu olhei pra baixo emocionada, me senti feliz e culpada.

—Sinto muito. Vou pensar bem antes de fazer qualquer coisa. E... — Fiz uma pausa. —Obrigada por me dizer isso.

—Ah... Estou cansado, vou dormir um pouco. Volte a dormir. —Eu ia abrir a boca pra dizer algo, mas ele saiu do meu quarto antes que dissesse qualquer coisa.

Isso não pode continuar.

Antes que tudo seja revelado pela Ambre, e antes que eu prejudique ele... Taylor irá embora.

Eu cerrei meu punho com força.