A substituta
15 Corrente elétrica
Boris me ajudou com a mudança para o quarto do Castiel. Me deu alguns cobertores e um edredom.
— Castiel mudou bastante hein. — Disse ele. — Ele tentou nos expulsar, mas acho que o vencemos.
— Ele é uma boa pessoa! — disse de repente, até me espantei comigo. Boris me olhou sem graça.
— Você pode precisar disso. — ele tirou algo do bolso e me estendeu.
— O que é isso? — Parecia uma arma de choque.
— Tenha cuidado com isso. — Ele olhou pros lados. — Sei que isso não vai acontecer, mas se o Castiel... Vejamos, sabe. — Ele estava desconfortável. — Se os olhos dele ficarem assim. — Ele semicerrou os olhos, e respirou mais forte. — Você usa isso!— Ele gritou. — Entendeu?
Eu fiz que sim com a cabeça, mas não tinha entendido muito bem. Peguei o aparelho e o encarei, aquilo parecia perigoso, coloquei no meu bolso.
Quando eu estava entrando com minhas coisas no quarto do Castiel, ele ficou na porta me encarando.
— Vai mesmo se mudar pro meu quarto?
— É que se a minha tia ver minhas coisas, vai achar estranho. E como já arrumei tudo...
— É pelo menos você arrumou tudo. — Ele olhou pra minha bagagem. — Pensei que você iria embora, mas está mais próxima do que nunca.
— Ah, ah. — os cobertores quase caíram da minha mão. — Está pesado. — eu olhei pra ele.
— Acha mesmo que vou te ajudar? — Fiz que não com a cabeça. — Você é mesmo um incômodo.
— Você tem o direito de pensar isso. — eu sorri.
— Você nem se sente ofendida mais, não é? — eu forcei um sorriso, ele me imitou ironizando.
Ele saiu da frente e foi tomar um banho, eu já estava pronta pra dormir. Coloquei meu edredom no chão ao lado da cama dele. Eu iria usá-lo como se fosse um colchão. Estava terminando de preparar minha cama improvisada quando ele voltou. Ele ficou me encarando com ar de desaprovação.
— Vou dormir quietinha aqui. — eu disse.
— Sua simples presença faz meu quarto parecer um barraco. — respirei fundo.
— Desculpe. — eu me deitei e me cobri.
— Tay... Acha mesmo que eu vou deixar você dormir ai? — eu olhei pra ele e pra cama dele.
— Tudo bem. Como eu poderia dormir na sua cama? Durmo aqui mesmo. — eu sorri. Ele me olhou com aquele olhar psicopata dele de novo.
— Do que está falando? Vá dormir lá embaixo. — Ele se referia a parte mais baixa do quarto dele, afastada de sua cama.
— Ah, sim. — Me levantei e peguei minhas coisas, arrastei tudo pra baixo.
Pov. Castiel
Mesmo que não pareça, ela ainda é uma garota. Como ela pensa que pode dormir perto da cama de um homem? Respirei fundo.
Se eu ficar bravo perderei a razão. Essa garota...
Pov. Lynn
— Castiel, vou apagar as luzes. — Já ia me levantando, mas ele me interrompeu.
—Não, não apague. Não consigo dormir com elas apagadas.
—Não consigo dormir com elas acesas... —Eu o encarei. Ele se levantou e me olhou irritado. —Consigo sim.
Eu me deitei. Passou uma hora e eu não conseguia pegar no sono, fiquei virando de um lado para o outro.
Não consigo dormir com essas luzes. Pensei.
Sentei e olhei pro lado do Castiel, ele parecia estar dormindo. Já que ele dormiu não teria problemas se eu apagasse. Me levantei e fui até o interruptor que ficava perto da cama dele, apaguei a luz mas deixei a do abajur ligada. Antes de voltar pro meu edredom olhei o rosto dele dormindo, e me inclinei pra vê-lo melhor.
Ele parece tão diferente dormindo. Ele parece gentil porque não tem aquela raiva nos olhos.
Me endireitei pensando, quando coloquei a mão no bolso senti a arma de choque que o Boris me deu.
Se ele soubesse que guardo isso, ficaria bravo. Olhei pra ele.
Sinto muito. Pensei.
Hoje vi lados do Castiel que eu nem imaginava.
Me lembrei dele passando mal no banheiro e sorrindo pra mim quando chegamos, fiquei admirando o rosto dele ali dormindo. Meu coração começou acelerar outra vez.
Por que estou assim de novo? Meu coração está batendo rápido e eu sinto uma eletricidade percorrer o meu corpo.
Eu fiz o sinal da cruz, e sem querer dei um choque no meu próprio queixo com o aparelho. Meu corpo ficou mole na hora e eu caí por cima do Castiel, depois disso desmaiei.
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No dia seguinte acordei tonta, rolei de cima do Castiel pro chão, tive dificuldade pra saber o que estava acontecendo. Me sentei ao lado da cama.
—Olha só o Tay acordou. — Disse minha tia entrando no quarto. — Vamos descer e comer! —Ele disse batendo palmas me apressando.
Dei uma olhada no figurino da minha tia, ela estava com um vestido amarelo e um avental vermelho, o cabelo preso num rabo de cavalo, seu cabelo ia até a cintura, o tom de rosa era tão cintilante que me ofuscava.
—Meu Deus! Ele é o líder e acorda por ultimo. —Disse ela alto indo em direção ao Castiel. Como alguém podia ter tanta energia de manhã? —Líder! — Ela o chamou.
Minha tia puxou a coberta de cima dele, mas ele virou pro outro lado, ela deu um tapa no traseiro dele. Ele pareceu ter acordado na hora.
Ela me puxou pelo braço pra fora do quarto.
—Venha já preparei seu café.
Eu fui até a cozinha, Lysandre e Alexy já estavam sentados a mesa, me sentei ao lado deles com olhar perdido.
—Comam devagar, ficarão doentes se comerem muito rápido. —Disse a minha tia Agatha nos servindo. Boris se sentou do meu lado. —Boris vá comer em outro lugar, deixe as crianças comerem!
Boris nem se importou e se serviu de uma porção de ovos mexidos e bacon. Castiel chegou encarando minha tia ele se aproximou da mesa e pegou uma garrafa de água.
—Ah nosso líder! —Disse ela. —Sente-se e coma.
—Não tomo café da manhã. — Ele disse monotonamente.
— Ah não? Então você pode comer a parte do líder, Boris. — Castiel ficou olhando pra ela.
—Tia do Tay? — Disse ele.
— sim?
— Como vai viver aqui agora, tenho algumas regras, então ouça com atenção. — ele disse sério. —Numero um, não toque em mim quando... — Ele nem terminou de falar minha tia apertou a bunda dele, ele ficou paralisado.
Os olhares de nós quatro foram em direção a mão dela.
—Não fale sobre regras com adulto! —Ela disse. —Eu vou ao banheiro. — Agatha saiu da cozinha.
Castiel colocou a garrafa de água com as mãos tremendo na mesa, nós quatros olhamos pro rosto dele. Ele apertou a bunda onde minha tia tinha metido a mão e estava com o rosto perplexo. Ele virou o rosto pro nosso lado e todos abaixamos a cabeça fingindo interesse no café da manhã.
Castiel saiu andando lentamente de volta pro quarto.
— Vocês viram? —Alexy disse assim que o Castiel saiu. — Ela apertou o Castiel bem na... — Ele apertou o ar. —A titia é fogo hein.
— É. O Castiel arrumou um páreo duro. —Disse o Lysandre.
—Tay. — Boris sussurrou. — Será que eu posso falar com você lá fora?
— O — Ok. —Eu me levantei.
Andamos até o jardim, ele estava me olhando de um jeito estranho. Eu me sentei na cadeira e ele ficou em pé na minha frente.
—O que foi? — Perguntei.
— Hoje mais cedo... Eu entrei no quarto. — Ele estava sendo todo cauteloso. — Você e o Castiel estavam dormindo... Na cama juntos. — eu corei e olhei pros lados.
— Foi culpa minha, e – eu sem querer me dei um choque em mim e desmaiei em cima dele. Mas acho que ele não percebeu se não tinha me matado. — Ele começou a rir alto, parecia ter sido a coisa mais engraçada que ele já ouviu.
— Ah então foi isso. — Ele se sentou do meu lado. — E eu pensando coisas... — Ele olhou pros lados. — Mas como você está?
— Cansada, meu corpo está latejando.
— Ah, deve ter alguma corrente elétrica ainda ai. — Olhei pro lado pensando.
— Até quando ficarei assim? — Ele pensou um pouco.
— Basta ir ao banheiro algumas vezes, beba bastante água.
— Sério? — Achei meio estranho, mas se ele disse, devia funcionar. — Vou beber agora.
Corri pra cozinha e peguei duas garrafas de água, era melhor carregar umas comigo. Acho que iria funcionar. Quando fui pra sala encontrei o Lysandre.
— Dormiu bem a noite passada? — Disse o Lysandre.
— Eu apaguei.
— Tão bem assim? Mesmo estando no mesmo quarto do Castiel? — Ele pareceu preocupado.
— Bom, eu cometi apenas um erro. Consertei antes que percebessem, mas estou bem. — Eu sorri.
— Bem? — Ele fitou o longe. — Se está bem assim, eu devo ficar aliviado.
— E você está bem? Ontem...
—Por causa da tal garota? —eu assenti com a cabeça. — Está preocupado com isso?
— sim, você pareceu tão bravo e cansado que eu me senti culpado.
— Está tudo bem agora —Ele sorriu — Fiquei bravo porque ela estava com outro cara, mas parece que ela não pensa nele como homem. Então é um alivio.
— Como você é legal, ela voltará. — Disse sinceramente.
— Isso mesmo, confiarei no que você diz. Não pode voltar atrás. — Ele me estendeu o dedo mindinho. — Prometa.
Eu estendi meu dedo mindinho, mas não encostei nele, pareceu que a corrente elétrica estava percorrendo meu corpo de novo. Ele encostou o dedo no meu, e eu coloquei a mão no coração.
— Não, estou bem... — Disse pra mim mesma. —Não mudou. — Não senti a corrente elétrica.
— O que foi?
— Eu estava sentindo algo estranho antes, mas bebi muita água. Agora eu to bem. —Sorri.
—Verdade? Então vamos beber um chá?
—Sim, só um minuto. Vou pegar uns salgadinhos.
Voltei pra cozinha e peguei uns pacotes de salgados, o Castiel estava na cozinha tomando água.
— Você disse que era amiga do Lysandre e parece que é verdade. Então por que não ficou no quarto dele ao invés de acampar no meu? — eu olhei em volta pra ver se ninguém estava ouvindo a conversa.
— Lysandre é homem! — eu sussurrei. Ele me olhou irritado. — Ah espera... Você é homem também.
— Isso mesmo. — quase fuzilou com os olhos.
— Eu vou levar uns salgadinhos, com licença. — Eu estava voltando pra sala quando tropecei e derrubei tudo no chão.
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