Quando a peça terminou, Brock já estava a caminho de Pewter. Ao chegar nos limites de Cerulean, virou-se uma última vez e admirou a imagem daquela cidade ao pôr do sol. Sabia que deveria ter avisado, mas não queria causar estardalhaço. Pediu para Victória informar aos outros que seus irmãos precisavam de ajuda e deixou por isso mesmo. A garota pareceu desconfiada, mas ele não lhe deu maiores explicações.

– Apenas diga isso, está bem?

– Está bem. – Victória deu de ombros – Mas eu achei que você, o Ash, a Dawn e a Misty fossem juntos à Pallet ou sei lá. Ele tinha comentado isso ontem no almoço.

– É, mas aconteceu um imprevisto. – ele colocou a mochila sobre os ombros – Até!

E foi embora. Viu vários pokémons insetos no caminho. Lembrou-se de Misty. Parou para comer alguma coisa. Lembrou-se de Misty. Olhou o céu e viu que as nuvens tinham formato de Togepi. Lembrou-se de Misty. Não fazia ideia de quanto tempo essa tristeza ia durar, por isso continuava caminhando. Sempre em frente.

“Desculpe, meu amor, mas vai ser melhor assim. Talvez você nem note. Então, será realmente melhor assim...”

Ele parou diante da caverna que poderia usar para cortar caminho para Pewter. Não olhou para trás. Apenas rezou para que os Zubats não o comessem vivo.

Quando finalmente chegou a sua casa, já era tarde da noite. Entrou no ginásio, largou-se no chão de terra. Uma de suas irmãs logo apareceu. Estava imensamente feliz por ter o irmão de volta.

– Ei, Brock! Ligaram para você. Era sua amiga, a Misty.

Ao ouvir esse nome, o coração dele disparou. Todas as suas promessas de não voltar atrás foram por água a baixo.

– O que ela disse?

– Ela perguntou se você tinha chegado... – a menina fez uma pausa – E te pediu para ligar de volta quando chegasse, para que ela soubesse que chegou bem em casa.

– Ah... – ele fez, decepcionado. Voltou a deitar no chão de terra. A irmã se aproximou.

– Irmãozão, a Misty é sua namorada?

Ele suspirou.

– Não.

– Mas você gosta dela? – a menina insistiu.

– Sim.

– Então, por que você não...?

– Porque – ele interrompeu a irmãzinha – o amor é assim mesmo.

Ela fez uma careta sem entender.

– Mas você não gosta dela? Não entendo...

Ele pensou um pouco naquilo. Também não entendia. Ash não entendia Misty como ele a entendia, então, por que Ash? Não fazia o menor sentido. Mas, afinal, o amor é assim mesmo.

– Não é para entender.

– O que ela é, afinal?

Brock não hesitou.

– Ela? É a sereia de Cerulean.

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