A semideusa

1 Uma gainha devora meu dever de casa


Devo avisar que o que tem em mãos não é uma simples historia e sim um relato real, um guia. Nele escrevo a mais pura verdade sobre o universo olimpiano além da nevoa. Um universo tão complexo e perigoso que quase nem me atrevo a contar-lhes. Apesar de estar em baixo do nariz de vocês mortais, ele é o maior segredo da humanidade. Para ser sincera eu mesma o conheço a pouco menos de um ano. Quem diria que tão pouco tempo me trariam tantos problemas e com tamanha proporção?

Sim meus caros os deuses do olimpo existem, rondam por nossa terra, e um de seus esportes prediletos é enfiar seus lindos e nobres dedinhos imortais em nossas vidas medíocres. Cruel? Talvez, mas para eles não passamos de peões em um imenso tabuleiro, onde eles sentados ao redor esperam ansiosos pela sua vez. Quem sabe ate participem de campanhas como “Avacalhe você também um herói.” , pois é, é mais ou menos assim que as coisas funcionam por aqui. Neste jogo eu sou aquela pecinha pequena de cor feia que ninguém quer jogar que foi esquecida em um canto escuro qualquer do tabuleiro.

Mas neste jogo não há apenas deuses que zombam de nós, há coisas piores muito piores. O destino é uma delas. Poucos de nós passam dos doze anos sem que um monstro apareça e tire de nós a única coisa que vale a pena no jogo, a nossa vida.

Apenas quem sabe sobre esse “maravilhoso” mundo corre perigo, por tanto aconselho a você caro mortal que deligue seu computador afogue seu celular e reze com toda a sua tola fé que há em seu coração para que não te encontrem. Mas se por acaso, você caro mortal, estiver disposto a prosseguir não o impedirei, mas estarei ao seu lado durante a nossa jornada rezando aos deuses e aos juízes pela sua alma coberta de bravura e de tamanha tolice para que tenham piedade na hora de seu julgamento final.

Bem, meu aviso está dado os deuses são testemunhas de que tentei, e é com o coração na mão que o ensinarei a abrir seus olhos através da nevoa que o cerca e levantarei para você o véu que divide o seu mundo e do meu. Eu repito meu aviso foi dado, caminharemos de mãos dadas com a morte a partir de agora, fique a vontade para voltar para traz se achar necessário.

Queria poder afirmar que eu sou uma menina comum, com amigos comuns, com uma família comum ou que tenho problemas comuns, se dissesse estaria mentindo e isso vai além de meus princípios. É claro que um dia eu tive uma vida normal, mas tudo isso se foi... Deuses tenho saudades da época que quebrar uma unha era motivo de chilique. Unhas que aproposito ultimamente andam um horror. E graças a dois olhos negros e um sorriso radiante minha vida agora esta de pernas para o ar.

Meu nome é Penélope, sim igual ao nome da esposa de Ulisses na mitologia grega, por quê? Eu não tenho ideia, minha mãe deve ter ouvido em algum filme velho da época dela e ter colocado em mim, isto é se ela se deu o trabalho de me dar um nome por alguma razão especial o que eu duvido muito, tenho quinze anos e moro no pior lugar para se viver em todo brooklyn, talvez até de toda New York, a casa da minha tia. Bem, o que eu faço aqui na terra eu não tenho ideia, afinal não sei nem o nome de meu pai, apenas sei que herdei seus olhos cor do mar, e que ele veio a falecer em um acidente de carro quando minha mãe estava grávida. De minha mãe herdei o sorriso distante e os cabelos loiros, e a necessidade de liberdade, acho que foi por isso que me deixou, talvez porque tinha medo da responsabilidade de mãe então me entregou aos cuidados de Muriel, minha tia, quando ainda era muito pequena para me lembrar dela.

Desde então moro com meus tios, na verdade não sei se morar é o termo certo, basicamente eu durmo na casa deles, sou quase uma inquilina já que estes me esquecem de vez em quando, -ok, ok o tempo todo- mas apesar de tudo eles são minha família, não é? Os únicos que me quiseram.

Tia Muriel ao contrário de outras tias velhas por ai, não possui gatos, mas em compensação minha casa vive abarrotada de animais estúpidos e ignorantes. Ela não é o tipo de pessoa que é possível denominar de normal, a pobre mulher possui alguns problemas aparentemente sérios, Muriel se apresenta como “vidente” e atende os mesmos clientes em seu “escritório”- lugar onde nós pessoa normais chamam de armário- há mais de dez anos ou desde que me entendo por gente, e este é o lugar onde ela também receita placebos para aqueles pobres velhinhos que um dia vão morrer de over dose de açúcar por ingerir tantos “tic-tac’s” e balas do tipo. Agora, as suas “previsões” são formadas de coisas obvias ou mentiras em forma de enigma (essa mulher já me jurou de morte umas mil vezes, e pelo que parece por alguma falha das parcas, pelo que sou grata, estou viva até hoje.). Muriel é o tipo de gente que não gosta de ninguém, exceto do filho insuportável, Dário, garanto que ela também não esta nem ai para seu marido, Francis, que por sua vez é o único que se lembra de mim, em especial meu nome.

Durante todos estes anos em que vivi com eles tentei ao máximo ser a adolescente mais normal do mundo, até para o time de torcida eu entrei, por algum motivo sempre levei jeito com este tipo de coisa, tenho um ótima coordenação, mas em compensação tenho uma péssima parcela de notas na escola. Deixei meus pompons e minha reputação para traz em uma típica manhã cinzenta nova iorquina.

Os dedos molhados da chuva tamborilavam na janela de meu quarto. Sonolenta abri os olhos deixando a escuridão me consumir devagar, senti meus pulmões relaxar e contraírem. Com a delicadeza de um elefante Muriel abriu a porta de meu quarto abrindo as cortinas me cegando.

-Penny Lane acorde vamos. –Nunca soube se o fato de tocar meu nome era porque a pobre mulher perturbada não o lembrava dele ou se ela fazia questão de fingir não lembra-lo. Ela cruzou o quarto puxando minhas cobertas com seus passos desengonçados, aquela figura era quase cômica, em meu quarto uma hippie de saia florida e camiseta listrada recolhia as coisas jogadas.

-Penélope. –Corrigi. Recuperando a visão observei as gotas de chuva cruzarem o vidro da janela, bufei me levantando devagar.

-Dário não vai à escola hoje. –Gemi teria de ir a pé para a escola.

-Ele fez xixi na cama de novo? –Senti o prazer da vingança tomar conta do meu corpo adormecido. Peguei o jeans ao lado dos pés da hippie maluca. Seu olhar cortante conteve meu riso.

-Não, Dário esta com dor de barriga. –Sorri em meu intimo.

Toda vez que escondo qualquer tipo de doce, Dário da um jeito de encontrar, as vezes escondo doces no quinto estagio de putrefação para dá-lo uma lição, mas é claro que não funciona, vai ver que além de cara de rato tem memoria de barata.

-Um D em álgebra? Por que não se esforça para ser igual ao meu Dário? –Ela encarava com nojo uma prova antiga.

-E me tornar uma aberração? Não valeu.

Ela fingiu não ouvir o que dizia enquanto recolhia as roupas do chão. A verdade é que sofro de três distúrbios sérios, eu tenho dislexia, déficit de atenção e hiperatividade, não sirvo para nada que envolva atenção e ficar parada, então a escola passa a ser uma verdadeira tortura. Ah, e para piorar sou loira. Afinal o que o mundo tem contra nós? Nem todas as loiras são burras e nem todas as morenas são inteligentes.

Tia Muriel levou as mãos à cabeça. Estreitei-me contra a parede, ela ia fazer mais uma de suas “perdições”. Ela fechou os olhos

. -Se não sair neste exato momento você vai adoecer... -Olhei pela janela com uma sobrancelha erguida, era obvio que quem enfrenta-se aquela chuva e aquele vento ficaria com uma gripe forte. Ela sacodiu as pulseiras de metal. –A chuva esta piorando... Você vai pegar uma pneumonia... –Agora um fato: sempre, eu disse sempre que alguém te abordar dizendo supor saber o seu futuro corra. Ela é uma charlatã e vai apenas dizer coisas obvias ou ilusórias. Ela abriu os olhos. –Você vai morrer!

“Você vai morrer...” típico não? Já fui parada por sei lá eu por quantas ciganas malucas. E todas elas me dizem a mesma frase. E quantas vezes eu sou taxada ao dia de próxima defunta pela minha tia? Não uma, não duas, não três, mas sim umas dez vezes pelo menos.

-O.K, quando eu empacotar eu te conto.

Ela revirou os olhos indignada e saiu falando sozinha. Ah já ia me esquecendo temos um inquilino em casa, o Sr. Miragem mais conhecido como o Horácio, ele é o que nós lúcidos chamamos de alucinação e Muriel de informante divino, ele é o nosso inquilino compacto.

-Como esta menina esta viva, já a vi morrer umas... — Sua voz morreu ao virar no corredor.

Peguei o relógio de pulso no criado mudo, quase tive um ataque cardíaco. Seis e meia.

Corri até o banheiro no fim do corredor para escovar os dentes, onde para meu azar estava Dário, ele se encontrava apoiado no batente da porta com um sorriso debochado nos lábios, e a cara de demente que lia-se “Eu vou contar” em letras graúdas e vermelhas sem contar o pijama ridículo do Star Wars, o empurrei para o lado com um braço abrindo passagem. Peguei minha escova de dente.

-O que quer? –Perguntei levando a escova a boca.

Dário abriu o maior sorriso que cabia em seu rosto fino levantando um bolinho de aparência horrenda. Ele fez uma pausa dramática.

-Eu vou contar. –Disse ele cantando com aquela voz esganiçada de gralha. Lentamente voltei minha escova no lugar respirando fundo e virando-me em sua direção sorrindo, me encostei-me a pia

. -Ah, é mesmo? –Dei um passo à frente devagar, ele se encolheu. –Você vai? -Cheguei bem perto de sua orelha de abano. –Conta, conta para ver aonde vão parar seus gibis. –Dei uma olhada em direção ao vaso sanitário. –E se me ameaçar de novo não serão só eles.

Dário engoliu em seco me encarando com toda a coragem que havia em seu coração covarde, seus olhos azuis aguados estavam brilhando e seu nariz de rato empinado. Sentia de alguma maneira a energia fluir entre nós.

-E eu não ia contar mesmo, afinal o seu castigo esta lá fora. – Dário fez um barulhinho ridículo de chuva. –Ele ajeitou os óculos sorrindo torto. –Penélope olha só o que eu achei no seu quarto. –Minha corrente brilhava entre seus dedos magros como gravetos.

Senti a ira tomar conta de mim, meu sangue ferveu em minhas veias, podia ouvir qualquer barulho a minha volta, dês da torneira a pingar até o barulho da agua pelo encanamento. Sem pensar dei-lhe um murro sobre o estomago o fazendo dobrar para frente e vomitar no tapete do corredor. Peguei o rímel ao lado da pia.

-Deus, Dário não podia ter esperado chegar ao vaso. –Gritei livrando minha pele.

Estendi a mão para pagar a corrente. Eu sei que era muito por uma simples corrente, mas aquela não era uma simples corrente era a única lembrança de meu pai, era uma coisa simples, uma corrente com apenas uma perola. Peguei a mochila, e desci as escadas.

Tia Muriel estava ao pé da escada em estado de transe, vacilei, os olhos emitiam uma estranha coloração verde clara assustadora, dei um passo para traz. Provavelmente ela estava ensaiando para o Halloween. Ela gritou se inclinando para frente e começando a falar como se varias Murieis falassem juntas em coro.

Os deuses a esqueceram, Mas nem por isso seus filhos irão esquecê-la...

Lembre-se do que vos digo.

Ao sair pela porta o filho da morte encontrará

Seu olhar perdido seu coração prenderá

Um filho do sol o amigo trairá

Seis infantes caíram sobre aquele que um dia aos pés de um filho de Hermes pereceu.

Para que um rebento do mar possa enfim sobre o tempo triunfar...

Ela foi diminuindo a altura devagar até sumir totalmente, Muriel se inclinou para frente gemendo e apertando a barriga como se tivesse dor. Ela me encarou, seus olhos voltaram ao mesmo azul de sempre.

-Tia está tudo bem com a senhora? –Os olhos dela se encresparam, engoli em seco.

-E por que não estaria? –E torcendo o nariz como se meu cheiro fosse insuportável, ate mais que seus malditos incensos, ela foi em direção à cozinha resmungando.

Revirei os olhos e suspirei, deviam interná-la, já pensou se ela da um ataque deste nível no meio da rua? Pessoas normais sairiam correndo e gritando, mas eu não já estava acostumada. Devo dizer que coisas como estas aconte0cem o tempo todo em minha casa, logico que esse surto foi o pior em muitos anos, quando era pequena ela me pegou pelo braço e disse “-Aquele é o seu avô, fica olhado para ele que você vai vê-lo!” ela segurou minha cabeça contra o sol forte da Califórnia até meu tio Francis me livrar de suas garras, ou da vez em que mandou brincar em uma piscina olímpica de dois metros de profundidade quando tinha três anos e não sabia nadar, ai eu dei um jeito de chegar até a escada de alguma forma.

Dei uma ultima olhada para traz e sai, por algum motivo senti que nunca mais a veria ter aquele surto ou qualquer outro por muito, muito tempo.

A chuva piorava a cada passo que dava, abençoei meu rímel aprova d’agua quando cheguei ao ponto. Eu peguei o ônibus, o peguei saindo e jogando lama sobre mim. Amaldiçoei Muriel e o resto do mundo, e me perguntava o motivo de eu ter saído da cama hoje. Juro se não tivesse passado a noite fazendo o projeto de química porque e valia quase um terço da nota eu voltava para casa.

-Oi. –Parei de resmungar e olhei para o lado.Um garoto sorria radiante.

Ergui uma sobrancelha fazendo de conta que ele não me assustara realmente. Virei o rosto evitando que ele notasse a vermelhidão em minha face pálida. Aquele seria talvez o menino mais bonito que jamais vira em toda a minha vida, me espremi no canto, já mais tivera vergonha ou timidez diante algum garoto, mas com certeza ele era diferente dos outros. Os cabelos molhados deviam ser loiros quando secos, os olhos âmbar tinham uma luz forte e acolhedora, mesmo que em um deles houvesse um machucado roxo esverdeado, o hematoma combinava de certa forma com seu sorriso louco e brilhante. Ele passou a mão no cabelo o tirando da testa, havia um corte profundo que cicatrizava aos poucos.

-Meu nome é Clark Owen...

-Ah, pelo amor dos deuses! Cala a boca Clark deixe a pobre menina em paz, quem nesta droga de cidade não sabe o seu nome? –Ele deu de ombros e olhou para cima.

Outro menino sentou-se ao seu lado. Ao contrario de Clark o outro menino tinha ao em vez de luz e alegria uma sombra negra a arder em seu redor, os cabelos negros caiam lhe mal aparados nos ombros fortes, era como se ele próprio o tivesse feito. Os seus olhos eram de um preto profundo como o reflexo de vaco no espelho, a sua pele pálida parecia não ver a luz do dia á séculos, como se ele nunca saísse de debaixo da terra. Encarei curiosa aquela figura, ele era misterioso, triste e belo como a própria morte. Mas além de sua beleza havia algo terrível em seu rosto algo ilegível, intocado e indecifrável. O garoto olhava para baixo como se estivesse se escondendo de algo ou alguém como se o mundo fosse seu inimigo mais intimo. Tudo ao seu redor me assustava e atraia. E para ajudar em sua imagem nada perturbadora ele usava roupas escuras, a novidade era que em suas roupas pequenas caveiras prateadas mudavam para rostos de pessoas mortas fazendo caretas conforme ele se mexia inquieto batendo os pés ou tamborilando com os dedos. Se o contexto dele fosse mais reconfortante, com certeza aquelas carinhas prateadas seriam cômicas ao em vez de espantosa. Ajeitei-me no banco.

Estava com sede de curiosidade, eles eram intrigantes, diferentes de tudo que já havia visto por ai. Os garotos pareciam ter voltado da guerra, ambos estavam chamuscados, feridos, ensanguentado e envoltos em trapos de marca.

-Ah Nico larga mão de ser tão careta. –Clark se jogou encostando as costas a traz do banco e cruzando os braços. Eu estava ficando louca ou havia uma espada saindo da mala de Nico? Sacudi a cabeça na tentativa de parar de olhar. Clark se moveu tão rápido que pulei em meu lugar. -Sou Clark Owen. – Amistoso ele ergueu a mão em minha direção, sem se importar com as palavras de Nico.

Sorri tentando inutilmente ser tão confiante e animada quanto ele. Mas com certeza eu devo ter me saído mal, como sempre.

-Penélope Singer. –Apertei lhe a mão. Mordi o lábio inferior.

Algo neles dois era muito estranho, principalmente no jeito que se moviam, nas roupas que usavam, e nos colares que traziam no pescoço. Ambos os movimentos lembravam a mim os movimentos os de um felino se preparando para dar o bote, mostrando a presa seu poder, força e classe, muito diferente dos meninos que conhecia. Seus olhares emanavam a determinação de jogadores de futebol prontos pra derrubar um Quarterback, com sua intensa sede de vitória. Olhei para o chão. Deus! Havia uma espada dentro da mochila de Clark, afiada e brilhante mesmo diante de pouca luz. Ele seguiu atento o meu olhar assustado.

-Isso são espadas? –Gaguejei apontando. Clark ergueu uma sobrancelha, ele estava desconcertado e sem fala.

-Voc... Você as vê? – Aflito ele fechou a mochila. –Quer dizer, não são de verdade são apenas replicas, vamos a uma convenção medieval. –O garoto queria mesmo que eu acreditasse naquela mentira? Sem chances ninguém pode passar a perna em Penélope Singer.

Vi que ele entendera que eu não acreditara na historia, mas ele não voltou ao assunto. Clark virou a cabeça evitando meu olhar, e voltou à atenção ao outro lado da rua. Nico se levantou outros dois garotos surgiram. E assim como Clark e Nico estavam cheirando a churrasco, um deles era um pouco mais alto que Clark, ele usava botas de cowboy e uma jaqueta de coro caramelo por cima de uma camiseta azul marinho, os cabelos eram castanhos e indisciplinados, ele tinha as sobrancelhas arqueadas e as feições élficas de gato, ele pressionava uma mão contra a outra, provavelmente sentia frio. O outro era levemente mais baixo que os demais porem era mais majestoso, lembrava de certa forma uma coruja por causa dos seus grandes olhos prateados e inteligentes, os cabelos eram cacheados e compridos ele torcia o nariz como se sentisse algum cheiro ruim, suas calças um dia talvez haviam sido bege com certeza e seu suéter magenta um dia tivera uma manga a mais. O menino tinha um ferimento sendo estancado com um torniquete feito com a manga da camisa que faltava, ele olhou feio em minha direção como se dissesse “O que essa criatura faz aqui?”, mas desviou quando Clark exclamou algo como um “Oi”.

-Lestrigões a torto e a direita. –Ficou claro que o mais alto era de algum lugar do interior do Texas. –Mas nada de qualquer tipo de herói, eu e Chris varremos todo o Brooklyn.

Nico deu de ombros decepcionado, não com os amigos e sim com sigo mesmo, pois aparentemente ele era o líder do bando, Nico bateu no poste ao lado. Praguejando em uma língua estranha, Clark fechou o sorriso e balançou a cabeça.

-Eu lamento di Angelo, mas eu e Jesse reviramos absolutamente toda Nova Iorque...

-Está tudo bem Chris. – Disse Clark batendo de leve em suas costas.

O menino limpou aonde a mão do menino tocou, mas logo desistiu vendo seu estado pessoal. Jesse tamborilava com os dedos a calça jeans rasgada e olhava para tudo ao redor, ele assoviava baixinho parecia pacifico e tranquilo andando de um lado ao outro observando os amigos, ele tentava pegar algumas gotas finas que teimavam em cair ainda com sua língua.

-Hey, meu nome e Jesse e o seu jovem donzela? –Jesse virara tão rápido em minha direção que quase cai para traz, Clark gargalhou.

-P-penélope. –Gaguejei sem jeito.

Jesse sorriu, era um sorriso de muitos dentes, brilhantes e maníacos como o de um inventor, seus olhos azuis elétricos faiscaram. Chris o segurou pelo braço, o levando para longe como se ele fosse um animal perigoso de zoológico. Ele ficou irritado ao examinar os próprios bolsos.

-Minha carteira Theron! –Ele esticou a mão impaciente, Jesse sorriu esticando a carteira indiferente. –Meus dracmas também. –Rindo ele devolveu cinco moedas grandes de ouro.

-Foi só brincadeirinha primo.

Percebi que Nico me avaliava pelo canto do olho com um sorriso pálido como sua pele, sorri de volta delicadamente para que ele não se esquivasse. Seu sorriso tomou força. Seu celular tocou. E eu o perdi.

Jesse e Chris que estavam aponto de matar um ao outro quando param subitamente e congelados olharam para Nico, Clark quase foi atropelado por uma velinha louca em um andador que corria da chuva em passos de 0,5 km/h. Não entendi o que estava acontecendo a final era Green Day, não era nada assustadora ou repugnante. O menino atendeu como se do outro lado houvesse uma garotinha dizendo “sete dias...” ficando mais pálido que de costume. E pela sua expressão era a voz de Samara que chamava do outro lado da linha. E sem dar uma palavra ele desligou o telefone.

-Acho que a busca vai ter que esperar. –A voz de Nico apesar de assustada lembrava a voz de um líder, calma e solene, mas ao mesmo tempo firme. Sua postura era altiva e intrigante. Seu olhar severo e perdido pousou sobre mim, desviando ele jogou o celular no chão o fazendo em pedaços como se fosse vidro, gelei com o tamanho de sua força. –Vamos ajudar o grupo de Hermes no Broonks, algum problema?

Jesse deu de ombros olhando ainda com medo para o que antes era um celular, e engolindo em seco como se fosse virar uma coisa assustadora. Chris levantou a mão chamando por um táxi.

-Adeus jovem Penélope. –Clark beijou-me o rosto. Senti-me corar.

Nico acenou com a cabeça sobriamente. Eles sumiram Brooklyn adentro me deixando ali sozinha. Apertei minha mala, não queria ficar ali sozinha então comecei uma caminhada sobre a chuva ate o colégio.

A chuva já havia parado quando cheguei ao colégio, já estavam entrando no segundo tempo, algumas patricinhas riam de meu estado deplorável conversando entre si por seus Smartphones. Corri ao vestiário, Heather sorriu a me ver entrar ela retocava o gloss no espelho, peguei meu uniforme em meu armário.

- Oi Pen. Está meio atrasa. Há boatos que Dave vai convidar certa líder de torcida para o baile, Jeremy disse que toda vez que passamos em sua frente ele fica corado. –Heather deu uma risadinha com ar de inocência. –E é obvio que ele vai me convidar. –Ri me dirigindo ao espelho para me maquiar, Heather se apoiou na pia me observando passar o rímel.

-Boa sorte, o senhor músculos e você serão o rei e a rainha do baile, tudo bem que duvido muito que ele, mesmo sendo sua palavra preferida, saiba ao menos soletrar a palavra vencer. –Rimos.

–Gosto mais deste. –Ela apontou em direção ao batom oposto ao da minha mão. Aceitei seu conselho.

Os cabelos vermelhos fogo brilhavam na luz artificial, ela já usava o uniforme dourado e vermelho de líder de torcida, os olhos eram vedes gritavam em seu rosto pálido ela sorriu como se visse em meu rosto uma piada oculta, não tenho amizade verdadeira com ninguém desdê à oitava série, Heather era como uma aliada, quase tão estranha quanto às patricinhas no corredor.

-Preparei um exercício novo. –Ela passou a mão envolta dos lábios ajeitando as imperfeições.–Hoje vai ser um dia inesquecível, eu garanto.

Prendi meu cabelo para traz observando Heather sair do vestiário. Dei uma última olhada no espelho. Olhei para o relógio, estava atrasada para o treino. Os corredores estavam abarrotados de alunos, todos sorriam e acenavam em minha direção, parecia um concurso todos vinham e tentavam ficar mais tempo falando comigo, alguns me chamavam para sair, outros pedindo para almoçar em minha mesa, outros pediam meu telefone, enfim todos pediam de tudo menos minha amizade. Levantei o queixo tentando não parecer fraca, afinal a escola é como a selva o cheiro de medo se propaga como sangue na agua chamando tubarões. Sorri falsamente para os peixes maiores, o time de futebol riu a me ver passar de vagar, pude ver o rosto de David, o Quarterback do time, que se tornou rubro, desestabilizei seu chão piscando em sua direção, se não pode vencê-los junte-se a eles, essa é a lei da escola quanto mais contatos melhor.

-Hey Penn! –David correu em minha direção, virei-me contra minha vontade, evitando seu contato visual. –Sou Dave Blake. Olhei para ele com um “jura?!” escrito na testa, mas aparentemente aquele monte de músculos não sabia ler, ele estava de boca aberta faltava pouco para ele babar. Seus cabelos castanhos caíram sobre seus olhos azuis. — É... –Ele riu nervoso. –Eu gostaria de saber se vai ao baile... E se quer ir comigo.

Gemi por dentro, aquela pergunta poderia decidir minha vida, um sim e eu seria eternamente popular e um não me faria de perdedora. Teria que sair com aquele gigante de esteroides com cheiro de suor e grama. Empinei o nariz e toquei seu peito musculoso, tomando minha decisão.

-Claro seria um prazer te acompanhar. Sai antes de sentir seu bafo de carne seca de novo. O ouvindo gritar:

-Te pego as oito.

Ri e retornei a meu caminho, já sabendo de minha sentença de morte, Heather vai me queimar viva quando souber. Meninas se juntavam a minha frente e riam baixinho cochichando, olhei com desprezo em suas direções, Heather me ensinara a ser superior a elas. Dizia que para mim havia outros planos.

-Seu namorado? –Me assustando. -novamente... — Clark surgiu ao meu lado, corei. O que ele fazia aqui? Ele havia trocado de roupa, ele usava jeans da Calvin Klein, e uma camiseta azul marinha lisa que realçava seus músculos definidos de modo natural e agradável, seus cabelos loiros agora secos brilhavam com um brilho avermelhado, havia um Band-Aid no canto superior de seu rosto perfeito. Neguei com a cabeça.

-Primeiro dia de aula? –Perguntei coçando a nuca envergonhada, Clark me deixava desconcertada. Ele negou da mesma forma com a cabeça tentando imitar minhas feições. Percebi covinhas em sua bochecha. –Por que nunca o vi antes? Clark coçou o queixo.

-Tenho passado algum tempo na sala de estudo. –Ele colocou a mão na nuca. –Esta é minha segunda semana na escola.

Ele tomou de meus braços os cadernos a força, em geral me recusaria a deixar, mas seus olhos recuaram meu movimento. Abracei meu corpo, minhas mãos suavam. -A onde estão seus... -Amigos? –Ele brincava com meu caderno de história, distraído.

–Nico e os outros foram para o Broonks e eu vim para a escola. Eu sei que não parece uma troca justa, mas... –Clark parou de brincar com o caderno parou ao parecer que falara de mais. –Chegamos.

Ele apontou para a quadra me entregando os livros com um outro de seus muitos sorriso, entortei a boca. As luzes da quadra poliesportiva estavam apagadas, acendi o quadro ao lado da sala de equipamentos. Meu coração quase saiu pela minha boca, Heather estava parada no centro sobre o barriu de energético, os cabelos estavam soltos e voando em cascata em suas costas, a beleza de sua imagem ardia de tal forma que me fez estremecer, ela gargalhou ao ver meu rosto corar. Heather se levantou devagar, lentamente como se dançasse. Cada passo que ela dava mais sua beleza era evidente e assustadora.

-Ah sim posso sentir o cheiro de maresia em seus ossos estragando meus cabelos, mas nós podemos tirar esse cheiro terrível de você. Mas o cheiro de traidora nunca mais vai sair.

“Traidora” isso vem conosco quando ganhamos o titulo de líder de torcida. Heather retirou de uma liga presa na cocha esquerda um punhal curto. Dei um passo para traz, queria gritar, mas em nada iria adiantar ela apenas iria me matar mais rápido precisava ganhar tempo para pensar. Olhei ao redor, a alguns metros pude enxergar dois bastões, baliza era minha única saída, nunca entrara em uma briga estilo mano a mano, precisava mantê-la falando. Olhei para ela serando os olhos desafiadoramente e sorrindo. Deixando de lado meus cadernos.

-Mas Heather, querida, você mesma disse que é cada um por si. Eu apenas fiz o que você mandou. –Dei um passo para o lado Sacudindo os cabelos flamejantes ela andou até mim, me esquivei rolando em direção das balizas.

Consegui parar sua mão fazendo um X. Joguei-a para cima desviando a lamina, dei uma rasteira, ela caiu pasma provavelmente não esperava que conseguisse me livrar de suas garras.

-Devia ter percebido que o seu cheiro era pior que eu pensava uma mistura clara de fedor de humano, um toque doce de deus, — Ela torceu o nariz como se eu fosse um peixe morto. – isso me enoja semideusa. –Heather se levantou em um salto.

Estremeci, ela se movia devagar como uma pantera, ela mantinha o punhal perto da boca parecia tentar enxergar minhas fraquezas. Estreitei os olhos evitando olhar dentro de seus olhos. Heather correu em minha direção cortando um pedaço da minha saia, chutei sua barriga a mantendo longe, ela lançou a faca no ar enterrando-a em minha perna, cai de joelhos sentindo a dor invadir meu corpo, puxei o punhal, ela havia acertado minha artéria, o sangue jorrava como se fosse um esguicho, pressionei com minha mão esquerda levantando o punhal com a direita.

Heather riu e andou ate mim, sabia que eu nunca havia lutado em minha vida, investi cortando seu colan, ela gritou e me jogou contra o chão me fazendo bater com a cabeça com força, gritei por socorro atordoada. Ela riu pegando o punhal do chão.

-Pode gritar a vontade semideusa que ninguém vai te ouvir, á névoa protege a quadra. –Não entendia o que ela falava, mas entendia que teria que me virar sozinha se quisesse sair inteira, não iria gritar “não me mate, por favor.” Afinal eu sou sagitariana não faz meu estilo morrer sem lutar ou pedindo ajuda, iria ser digna até o fim.

Segurei o cabelo de Heather a jogando de lado, bati a cabeça dela no chão a deixando a mais lenta. Sem delicadeza a fiz largar o punhal, o jogando para longe de seu alcance. Ela gemeu perdendo o ar magnifico. Sorri me colocando em pé, peguei o punhal enquanto ela se recuperava. Andei para longe de seu alcance mancado.

Rasquei um pedaço de um pano limpo do carrinho da faxineira e pressionei a ferida, senti tontura ao ver que havia lavado a quadra de sangue, estava meio tonta quando Heather pegou um apito no bolso da saia, ela sorriu erguendo vitoriosa uma sobrancelha e soprou, não havia som apenas um leve sobro de ar, Heather gargalhou. Sentia-me fraca e o corte doía muito, percebi que estava tendo uma alucinação, afinal uma ave de dois metros de altura entrou no ginásio de esportes.

-Divirta-se com meu presente de aniversário. –Heather pegou a bolsa no canto oposto da quadra.

Era mais especificamente uma galinha de mais de dois metros de altura ela me encarou com os olhinhos negros assustadores. Peguei o punhal ao meu lado, pude ver Heather sair correndo por uma das saídas laterais às pressas. Aparentemente nem ela tinha controle do Godzilla de penas quais eram as minhas chances era difícil de dizer. Não me leve a mal, mas o fato é que adoro animais desde que ele não tenha mais de dois metros e seja uma mutação genética terrível. O monstro rugiu (na realidade ela havia piado, mas havia sido tão forte que fez o chão tremer – e eu também, é claro- Ela riscou o chão com suas garras.

Tentei correr, mas era tarde de mais em meu estado já debilitado, aquela vaca, quero dizer galinha me pegou pela cintura e me sacudiu sem piedade como se eu fosse uma minhoca de um e sessenta e cinco de altura e quarenta e oito quilos. Aparentemente a intenção do Godzilla de penas não era me transformar em jantar, ela me jogou contra a arquibancada, e eu acabei caído para seu desgosto encima do carrinho da faxina.

Vi minha esperança em uma tampa de lixo de metal, a lancei como um Frisbee acertando sua cabeça. Crueldade com animais? Ela não era exatamente o galinho “chicken little”, ok? O King Kong era um filhote fofinho perto dela. A galinha sacudiu a cabeça confusa, retomando-me como alvo ela lançou penas em direção, eu realmente não sabia que as galinhas tinham esse poder. Guerra de plumas seria legal isto é se as penas não fossem como flechas. Uma de suas penas atingiu acima de meu ombro como se não bastasse todo o resto, mas aquela dor era diferente ela ardia como se brasas invadissem meu corpo, deixei uma lagrima de dor cruzar meu rosto.

Levantei-me prevendo seu próximo golpe, peguei o primeiro caderno a minha frente, investindo contra mim ela engoliu meu caderno, pasma observei meu dever de química indo goela abaixo da galinha. Seria divertido levar uma suspenção por dizer ao professor que uma galinha engoliu meu dever de casa. Gritei de raiva investindo desajeitada com o punhal sobre a galinha, algo passou zunindo em meu ouvido e atingiu a cabeça da galinha que explodiu em poeira dourada. Não tendo mais forças para me manter em pé me deixei cair sobre meus joelhos, me sujando de algo que lembrava purpurina.

Virei-me, Clark permanecia imóvel com o arco a postos, via seu rosto se contorcer a fúria. Logo depois Nico invadiu o ginásio atônito com Jesse ao seu encalço, ele agarrou o braço de Clark com força o forçando a olhar em seus olhos ilegíveis.

-Sabe o que acabou de fazer? –Ele mantinha apesar do medo a voz controlada e sem emoção. – Pelos deuses! Ares vai acabar contigo!

Pelos deuses? Ares? Será que eu apanhei e eles enlouqueceram? Dobrei-me para frente Jesse se ajoelhou ao meu lado preocupado, tudo em meu corpo doía sentia o frio percorrer meu corpo correndo-me por inteira, queria chorar e gritar, mas nem mais isso eu era capaz.

Encostei a cabeça no peito morno de Jesse.

-Ela tá tremendo. –Clark correu se ajoelhando também ao meu lado. Nico correu para o lado oposto para ver o estrago do amigo As mão ágeis de Clark levantaram a barra de minha saia investigando o corte de punhal, ele franziu o cenho e correu os olhos âmbar por meu corpo, ele empurrou Jesse e examinou o ferimento da pena a retirando com cuidado.

-Coma isso. –Ele me passou um saquinho de coro. Recusei-me.

-Nem pensar, sem chances. –Disse eu tentado empurrar para longe.

O menino insistiu tentando enfiar na minha boca.

–Que diabo é isso? Ele revirou os olhos.

-Ambrósia o que mais seria? -Entortei o nariz.

-Ambro... O que?

Ele suspirou.

-Pelo jeito a pancada foi boa. Apenas coma, o.k.? –Não havia mais como me recusar.

Jesse me ajudou a colocar um pedaço de sei lá eu o que na boca, o gosto de algodão doce dançou sobre aminha língua, mais especificamente o gosto de algodão doce do Central Park, senti uma arrepio correr por minha espinha, àquele gosto me lembrava da primeira e única vez que vira... Não podia ser, aquele gosto era uma lembrança... Uma lembrança do... . Nico arrancou de minhas mãos fracas o pacote de ambrósia. Ficando vermelho de raiva e medo.

-Você enlouqueceu foi? E se ela não for uma de nós? Ela pode explodir em chamas! Uma de nós?

Levantei-me com raiva. Clark ficou pálido como se esperasse que eu virasse um monstro com penas.

-Eu... eu não... ela lutava como uma de... –Ele socou o chão. –B-Bem se ela não for uma de nós o veneno vai mata-la tão rápido quando uma mordidinha de ambrosia. — Desfiz-me dos braços de Jesse que estavam estendidos esperando que eu caísse ou supostamente explodisse.

Arrumei meu cabelo e me dirigi à porta.

-Olha para mim já chega, vou-me embora! — A dor sessara, era como um anestésico mas o sangue ainda fluía lavando a o chão onde pisava com poças e mais poças de sangue.

-Espera! –Nico segurou meu braço, perdi o equilíbrio, Jesse se apressou a me amparar me dando suporte. Tentei me desfazer de ambos. –Fique. –Vacilei, ergui uma sobrancelha. –Por favor.

- Ficar? Você quer que eu fique? Como você me disse que não sou uma de vocês então se me der licença vou esperar explodir em chamas na enfermaria.

Jesse riu, mas sua risada morreu ao ver a tensão no ar. Queria ir embora, e ao mesmo tempo ficar perto deles, sentia que no fundo eles eram parecidos comigo.

-Antes nos diga quem é seu pai. – Pediu Nico.

Quem é meu pai? Que diabo de pergunta era aquela? As pessoas normais perguntariam coisas como “Quer ajuda para chegar à enfermaria?” ou em caso extremos “De onde diabo surgiu àquela galinha?”, mas nunca é sobre a família. Tentei me soltar, eles eram fortes demais. Os outros dois me encaravam curiosos com certo ar de mistério. -Eu não sei... Minha mãe.... –Fechei o punho com força sentindo as unhas entrarem de leve me minha pele. Puxei meu pulso novamente, e desta vez Nico me largou sem hesitar e Jesse saiu do meu caminho largando meu braço, era difícil andar com a perna naquele estado, sem contar que mal conseguia mover meu braço.

Estava quase na porta quando um homem entrou bloqueando minha passagem, ele era alto corpulento, lembrava um general do exercito americano de filme de guerra, haviam cicatrizes em todo rosto e braços, ele usava uma jaqueta de couro que o deixava com uma cabeça desproporcional ao reto do corpo, ele tinha uma aparência nojenta. Ele sorriu, torci o nariz, sua presença me incomodava. Sem notar minha presença ele passou por mim, senti cada energia de meu corpo se agitar.

-Olá semideuses... –Falando ele era ainda pior sua voz era rouca e controlada com leve toque de sarcasmo. Nico se mantiveram parados com as espadas levantadas. –Ora vejam o que mataram hoje... MINHA GALINHA!

O chão tremeu diante de seu grito, apesar de sentir um medo descomunal de sua imagem continuei a fitá-lo, observava cada um de seus movimentos, ele se movia como se fosse matar qualquer um que se aproxima-se. Jesse se postou a minha frente como se tentasse me esconder, era inútil, aquele homem era maior que uma montanha de Jesses. Ele andou ate o montinho de areia no centro da quadra, e retirou a flecha e Clark.

-Ah é claro, um filho de Apolo. –Ele deu uma risada sádica e louca.

Vi com o canto de meu olho Clark engolir em seco. –Vejo que assinou sua passagem só de ida para o mundo inferior. O homem estilhaçou a flecha com sua enorme mão.

— Bem teoricamente meu nobre senhor Ares, quem matou a galinha, foi à flecha eu apenas me dei o trabalho de lança-la. –Sua voz soava alta e imponente. O menino parecia se divertir com o se quilo não passasse de uma peça de teatro. Ares estava a ponto de matar Clark com apenas um olhar — Contudo, acho que ela deveria estar ciscando em outro lugar, não? –Olha aqui pivete, – Ele agarrou o garoto pelo colarinho da camiseta.

–Você dobre esta sua língua antes de falar comigo desta forma. –Ele sorriu ainda mais serrando os dentes. –Ou eu mesmo dobro ela para você.

O menino deu de ombros, ele lembrava um bonequinho nas mãos de Ares. Senti medo quando o homem o jogou contra o chão, Clark parecia não passar de um boneco de pano e Ares uma criança grande feia e mimada. Ele olhou em minha direção como se tivesse lido meus pensamentos.

-Vem cá sua mãe não te ensinou que é feio encarar? Mantive o olhar sobre ele.

-Não senhor. Não a conheci. –Disse eu ao sorrir.

-Então me diz quem é seu pai que ainda hoje eu acerto sua educação.

Dei de ombros.

-Não sei o nome dele.

Tirando meu ar Ares me agarrou pela cintura, sua mão dava quase uma volta em mim, me encolhi, sentia que hoje a previsão de Muriel se concretizaria.

-Solte a menina Ares. –Disse uma voz as minhas costas. Olhei para traz.

Um homem robusto com barba e os cabelos negros muito cacheados, ele estava em uma cadeira de rodas com uma manta vermelha sobre as pernas, ele parecia ter a idade do mundo estampada nos olhos apesar de não aparentar mais que cinquenta anos, era impossível não ver o poder emanado á sua volta. Os meninos sorriam extasiados, vi em seus olhos azuis como o céu à noite a segurança e o conforto. Ares me deixou cair no chão sem relutar, Clark correu a meu encontro me pegando em seus braços, seu corpo era quente e confortável, podia ouvir seu coração batendo por causa da adrenalina, ele apertou o ferimento da minha perna com força. Tentei não me desfazer naquele abraço.

O homem da cadeira de rodas e Ares se encararam por alguns instantes. Era possível ver a energia negativa que fluía entre ambos, algo entre o ódio e a ira.

-Quíron. –Ares cuspiu o nome que estava entalado em sua garganta como se ele não passasse de um pedaço de milho preso em seu dente. O homem assentiu, seus olhos passaram por todos de vagar como se observasse a bagunça de crianças e avaliasse o melhor castigo. Ate seu olhar cair sobre o de Nico, eles se encararam por alguns minutos deixando Ares com ar de impaciência.

-Ares... –Ele sorriu. –Vejo que encontro meus pupilas, lamento se causaram lhe algum estrago. Podemos conversar sobre isso no caminho ate o olimpo, o que acha?

O.K. aquilo já era de mais, Quíron? Olimpo? Do que favam, por que tanto nome mitológico grego? Será que eram agentes secretos do governo que estavam atrás de seus animais com anomalias genéticas — A pesar que é quase impossível uma galinha botar um ovo que coubesse um animal daquele tamanho. – ou de experimentos científicos com raças alienígenas? -O que poderia justificar o tamanho daquela galinha.- Todas as minhas ideias me pareciam absurdas e de pouca relevância. Provavelmente era o efeito do remédio maluco de Clark. Quíron falava de vagar parecia tentar fazer como Luke Skywalker de Star Wars, e controlar a mente de Ares, o enorme homem sacudiu a cabeça como se estivesse tentando se desfazer das palavras de Quíron.

Endireitei-me nos braços de Clark, não queria parecer fraca ou coisa parecida, ele apenas colocou a outra mão em minha orelha como se tentasse fazer com que permanecesse deitada em seu peito.

-Crianças, por que não vão indo na frente e mostrando para a Srta. Singer o acampamento? – Como aquele homem sabia meu nome? As coisas estavam piores do que havia imaginado.

Ele olhava para Nico com um olhar onde era possível ler claramente as palavras saiam-daqui-AGORA. Quíron voltou sua atenção a Ares, sorrindo e continuou a falar de maneira controlada apesar da eletricidade do ar.

–Acho que eu e meu sobrinho vamos nos demorar em nossa conversa. –Ares assentiu.

-Mas isso não vai ficar assim filho de Apolo, escreva as minhas palavras!

Clark pegou um bloquinho de dentro do bolso da calça e anotou algumas palavras, estava pronto para fazer uma piada quando Quíron o cortou com um olhar. Ele engoliu em seco e devagar o colocou de volta ao bolço. Tentei me levantar, Nico correu em minha direção tomando-me em seus braços, senti-me constrangida diante da situação, mas estava exausta, confusa e fraca de mais para lutar contra a força dele.

Sentia-me segura ouvindo o batimento de seu coração controlado, o calor de sua pele pálida, o toque forte e macio de suas mãos em minhas costas, seu perfume assim como o de Jesse era de pele humana queimada e suor, mas além destes aromas estranhos e pouco convidativos havia um leve toque de romã e laranja. Durante o trajeto ate o estacionamento lateral sentindo o balanço e sua respiração calma cai em um sono profundo.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.