A seleção
10 Despedida
Respirou fundo. Talvez nunca mais o visse. Ou talvez o visse em circunstâncias nada promissoras, quando o seu pai processasse o dele.
E caramba, ela estava apaixonada. Perdidamente. Por mais que a situação fosse triste, era extremamente doce a sensação. Já tinha tido um namorado, mas nada do que sentia agora se comparava. Era muito mais forte, muito mais real.
Queria algo dele em sua pele, guardá-lo nos seus sentidos, em cada poro. Nunca deixar que ele se tornasse apenas uma lembrança vaga.
Bateu na porta.
O rapaz ouviu as batidas e resmungou. Tentava dormir, esquecer o que tanto o atormentava: a partida daquela que agora ele admitia, amava. E ele mesmo a havia mandado embora. Ouviu mais batidas. Levantou nervoso e abriu.
Ficou surpreso de vê-la ali. Surpreso e feliz. Como sentia falta dela. Tentou controlar o sorriso, mas a vontade de tê-la perto irradiava de todo o seu ser. Não conseguia fingir.
Gina não disse nada, apenas olhou para dentro do quarto, um pedido de permissão tímido.
Ferdinando foi um pouco para trás, dando passagem para a moça. Seria um sonho? Não parecia muito real o que estava acontecendo.
A moça entrou e ficou de pé no meio do quarto. Ele, mais por costume do que qualquer outra coisa, fechou e trancou a porta.
Logo se arrependeu ao achar que ela poderia ficar brava, mas ela continuava silenciosa. Sentiu os olhos dela passearam pelo seu corpo, e não pôde evitar de retribuir e tampouco a resposta que seu corpo dava a um simples olhar da moça.
O primeiro baque. Ela realmente estava em seu quarto. Por vontade própria, sabe-se lá com qual objetivo, depois de tudo o que tinha acontecido. O de deixá-lo louco, provavelmente. Ainda mais.
O segundo baque. Saiu do torpor pós sono e da surpresa, e percebeu os seios dela empinados sob a blusinha do baby doll, subindo e descendo conforme a respiração dela subia e descia de forma um pouco mais acelerada que o normal.
Ela provavelmente não tinha noção de todo o fascínio que exercia sobre ele, ou então era a criatura mais perversa que ele havia conhecido.
Será que ela veio pedir para ele desistir da ideia de mandá-la embora? Esperava que não fosse isso, pois sabia que cederia. Ou era justamente o que ele esperava, inconscientemente? Poder fazê-la ficar, sem ter que voltar atrás, sem ter que abrir mão de seu orgulho.
Só ele sabia quão difíceis haviam sido os últimos dias, a cada hora que passava a certeza de perdê-la se concretizando.
Os olhos treinados desceram, aproveitando a visão de sua barriga levemente exposta pelo pouco comprimento da vestimenta. Nunca a tinha visto assim.
O diminuto short que lhe ia apenas até o começo da coxa, revelando-as torneadas, assim como suas pernas. Avaliou o tornozelo, os pés bonitos. Ela estava descalça. Selvagem até nos mínimos detalhes. Encantadora.
A olhava com atenção, cada pequena coisa nela. Se fosse a última vez que a visse, queria ter um retrato nítido para visitar sempre que quisesse.
Gina o observava analisá-la em silêncio. Ela mesmo estava absorvendo tudo o que podia dele, retendo cada pequeno detalhe: os dreads desalinhados, a pele clara do pescoço, a boca semiaberta. Seria em admiração a ela? O pensamento a fez começar a brincar nervosamente com os dedos de uma das mãos, ao lado do corpo, e os bicos de seus seios endurecerem.
Isso não passou desapercebido para o rapaz, que ainda a media. Tentou dizer o nome dela, perguntar o que ela queria. O som não saiu. Balançou a cabeça, fechou e abriu os olhos, tentando acordar do sonho.
Mas a deliciosa imagem ainda estava em pé a sua frente, mordendo os lábios conforme seus olhos registravam o volume que se formara sob as calças dele. Maldito corpo que não respeitava sua determinação de mantê-la longe, de mandá-la embora.
Seria uma espécie de brincadeira? Seus olhos se encontraram. Os castanhos docemente inflamados, as azuis com luxuriosa expectativa.
A espera cedia lugar ao mais simples desejo conforme ele percebia os sinais do corpo da ruiva. O desejo. O convite.
Deu um passo em direção a ela. Não conseguiam parar de se olhar. A tensão entre eles era palpável, era real. Aguardou. Não era possível prever as reações dela, nunca. Só podia prever as suas, e nem se sentia mais triste ao perceber que todas elas envolviam seus corpos juntos e um pedido para que ela ficasse.
Ela percebeu a hesitação dele. Queria uma confirmação? Ela podia dar.
Deu um passo em direção a ele também. Quase desmoronou sob o olhar de escrutínio que ele lhe lançou. Ferdinando simplesmente não sabia o que fazer. Sabia o que queria, mas ela era tão imprevisível. Isso só o deixava com mais vontade.
Devorava seu corpo com os olhos, via que a excitação dela também era indisfarçável.
Ela continuava imóvel e em silêncio. Ele mesmo não conseguia falar nada. Passou a mão na cabeça, exasperado. Era o que ela queria? Levá-lo à loucura, ter certeza de seu desejo, caçoar de seus sentimentos? Mostrar que podia fazê-lo voltar atrás, em apenas 10 minutos de olhares em seu quarto?
A olhou com ferocidade. Mágoa. Desejo, muito. Ela sustentou seu olhar, suas írises dilatadas, era toda vontade. O olhar do engenheiro se tornou pergunta. Súplica.
Ele não avançaria mais. Não enquanto não tivesse certeza. Seu olhar pedia que a moça confirmasse. O que queria?
Gina deu um sorriso nervoso. Para ele, um sorriso deliciosamente provocante. Não era mais nenhuma menina. Se intencional o tanto que ela lhe provocava, não sabia. Mas que conseguia tirá-lo do sério, conseguia.
Subiu uma de suas mãos até o ombro. Passou o dedo pela extensão da alça da blusinha, sentindo os olhos azuis decorando cada movimento. Colocou o dedo sob a alça, e começou a puxar para baixo, vagarosamente, deixando-a pender em seu braço.
Sim, era um convite. Ela o estava convidando a fazê-la sua esta noite. E queria que ele fosse dela.
Era difícil entender o que estava acontecendo. Era difícil esquecer como ela parecia retribuir, mas na verdade não estava. Era difícil esquecer as mentiras dela, a frieza. Mas era mais difícil ainda resistir.
Caminhou até ela e passou a ponta dos dedos por sua face. Teria todos os cuidados possíveis. Precisava ter certeza absoluta. Ela inclinou o rosto para receber o carinho. Abriu a palma da mão e a deixou encaixar a face nela.
A moça passou os dedos pelo peitoral dele, vendo a pele arrepiada por onde seus dedos passavam.
Outro olhar, ainda mais abrasador. Teve certeza do que ela tinha vindo fazer. Mais ainda: teve a certeza de que precisava do mesmo.
Diabos, ele realmente a queria também. Não tinha a menor possibilidade de resistir, de não aceitar o que for que ela quisesse.
Gina avançou e tocou levemente os lábios na lateral de sua boca. Não pôde deixar de gemer. Sonhava com essa boca todos os dias.
Deixou que ela lhe provasse a pele da mandíbula, mordesse a orelha, o pescoço. Explorasse seu corpo com as mãos.
Agora seria sua vez. Segurou o cabelo dela forte e inclinou seu rosto. Passou o nariz pelo pescoço, afundou em seus cachos e sentiu o cheiro que tanto o perturbava.
Não conseguiu evitar de beijar sua bochecha, seus olhos, nariz, seu queixo atrevido. Chegou em sua boca, distantes milímetros. As bocas abertas, seus hálitos já se confundindo.
Como era possível que tão poucos gestos fossem tão íntimos, tão gostosos? Que o pouco contato que tiveram até então, mexesse tanto com eles?
O beijo. O gosto. O encaixe. Não estavam preparados para recordar o que o toque de seus lábios provocava.
Ainda a segurava fortemente pelo cabelo. Passou a língua pelo interior dos lábios dela, e gemeu novamente quando se sentiu ser sugado pela boca carnuda. Como é gostosa.
Se beijaram devagar, bom, úmido, cadenciado.
As mãos dela pareciam estar em cada parte, explorando, memorizando seu corpo, seus músculos, tendões, formas.
Também tentava lembrar tudo dela, guardar no tato o contorno dos braços, a curva da cintura, o pescoço.
Ela era suave ao tocar. Como podia? O contraste só o deixava mais louco.
Ele era firme, quase grosseiro quando deixou a mão explorar seus seios por baixo do baby doll. Como podia? O contraste só a deixava mais louca.
Encheu a mão com seus seios, delirou com a vontade de tê-los na boca.
Não soube exatamente como, mas as mãos dela tinham chegado no cordão de sua calça e o desfazia. Sentiu o tecido escorregar por sua perna.
Ela o queria. Ela o queria. A percepção fazia coisas nele que jamais poderia definir.
Era demais, tudo nela. Seu jeito, seu cheiro, seu toque.
O toque. Ah, o toque... Ela passava os dedos o mais suavemente possível sobre sua cueca, provocando. Deixou os dedos irem para a borda de sua boxer, arrastando levemente para baixo, mas desistindo no meio do caminho.
Os lábios do engenheiro traíram um sorriso. Sem dúvidas, iria enlouquecer se aquilo fosse apenas uma brincadeira dela. Mas diabos, que loucura deliciosa. Não se importava.
Precisava vê-la nua. Completamente nua, para ele. A ideia o fez estremecer. Completamente nua, para ele.
Se afastou alguns centímetros dela, apenas para ver seu corpo se revelando lentamente enquanto a despia.
Colocou os polegares um sob cada alça, e terminou de puxá-los para baixo, vendo seus seios se revelando deliciosos, bicos endurecidos ainda mais pelo contato do tecido raspando sobre a pele.
Tirou toda a peça, ficando sem fôlego com a visão. Prendeu um dos seios com os dentes, enquanto suas mãos desciam em suas costas, contornando a curva de suas nádegas.
Apertou e sorveu o gemido que ela deu. Apertou novamente. Uma, duas, três vezes.
Pegou a região entre a nádega e a coxa, deslizou a mão por dentro do baby doll. Quente. Úmido.
Se ajoelho e segurou seus quadris. Mordeu sua barriga. Lisa, bem feita.
Gina ficou nervosa enquanto ele deslizava o baby doll pelas suas pernas, vendo-a completamente entregue. Uma diminuta calcinha se revelou.
Céus! A umidade dela era visível. Passou o nariz pelas coxas e virilhas, marcando bem o aroma.
Exigiu uma última confirmação. Colocou as mãos sobre a calcinha, e a encarou. A afirmativa veio de uma forma melhor do que ele havia imaginado: ela agarrou seus dreads e o fez beijá-la ali.
Ela pensou que poderia se arrepender do que estava se propondo a fazer, mas quando ele terminou de despi-la e sentiu os dedos dele a acariciando, teve certeza de que jamais se arrependeria.
Deixou o dedo passar pela virilha, contornar seu sexo, e depois descer lentamente pela sua abertura.
Ele devassou seu corpo com os dedos, apertando seu ponto sensível com o polegar e sentindo sua umidade com os outros dedos.
Começou a lambê-la, explorando cada pedaço de sua intimidade. A bebeu toda.
Não aguentava mais. Precisava de uma contrapartida. Era desesperadora a vontade de se sentir dentro dela.
Levantou e deixou que ela tirasse sua cueca.
Apreciou a aprovação nos olhos dela, e mais ainda quando ela o envolveu com as mãos, sentindo cada veia, cada detalhe.
Segurou novamente seus cabelos e começou a andar para a frente, fazendo-a se chocar na escrivaninha.
Diabo, não podiam fazer barulho!
Segurando em sua cintura, a colocou sentada. Ela abriu a perna e ele se encaixou.
Realmente estava acontecendo. Ele a teria. Enlouquecia apenas com o pensamento.
Ela o pegou novamente e conduziu até a entrada. Se esfregou nela, passando seu membro por toda a extensão da entrada dela.
Queria sentir sua umidade, provocá-la, como ela fazia com ele. Funcionou. Ela o abraçou com as pernas, um pedido silencioso. Para ele, uma ordem.
Puxou seu quadril e se enterrou nela, provocando um gemido de satisfação em ambos.
Droga! Menos barulho. Tentou se lembrar, enquanto se movimentava lentamente para evitar as batidas do móvel na parede quando investia e ela ondulava o quadril procurando se encaixar mais.
Ela o queria mais fundo.
Insuportavelmente deliciosa a sensação. O calor dela, o aperto gostoso — na medida.
A abraçava pela cintura, puxando-a em direção a seu próprio quadril, e ela atendia prontamente.
Era insana a forma como se encaixavam. Chupava seus seios e sua boca, mordia seu queixo, tentava uma forma de tê-la completa.
As mãos dela em sua costa não paravam de puxá-lo, reclamar mais rápido, mais.
Tentou. O barulho na parede parecia mais alto do que realmente era pelo medo de serem descobertos.
Com o braço ainda enlaçado em sua cintura, a tirou da escrivaninha e a levou até a cama. Jogou. Ela se ergueu levemente, seu olhar questionando a demora em tomá-la novamente.
Loucura. Como podia ser tão bom? Avançou. A prendeu sob si, elevou seus braços e segurou no alto de sua cabeça. Seus seios se arrebitaram deliciosamente e logo preencheram sua boca.
Ritmo. Se forçava a se manter um ritmo, senão estaria perdido. Teve que calar com sua língua um gemido mais alto que ela soltou.
Sim, ele a estava deixando louca. Ela também não resistia. A ideia o satisfazia.
A ruiva entrou em combustão. Erguia o quadril, tentava ir mais fundo, mas ele a segurava e ditava o ritmo. Não podia deixar que ela controlasse, não aguentaria mais rápido, mais forte.
Ela soltou o braço e o virou na cama, queria montá-lo. A cama era de solteiro, caíram. Estrondo.
Rolaram no tapete, seus corpos entrelaçados e já suados. Ela conseguiu montar. O que ela não conseguiria dele?
Mordeu os lábios para prender um gemido quando ela começou forte, e rápido, rebolando de forma tentadora.
Como ela era quente. E linda. A visão dela sobre si, cabelos desgrenhados e molhados, boca inchada, olhos semifechados, controlando o próprio prazer, e o dele.
Apertou sua bunda e começou a controlar o ritmo, ajudá-la a ir mais, mais, mais.
Surreal.
A moça diminuiu o ritmo. Tinhosa. Nunca deixaria nada minimamente fácil?
Subiu uma mão pelas suas costas e a virou. Segurou suas pernas e desistiu de qualquer controle quando sentiu as unhas dela rasgando a carne de suas costas.
Fim de jogo. Ambos não conseguiam segurar, era nítido.
Ela ia gritar. Céus, ele também. Muito. Tomou sua boca e seus gemidos enquanto explodiam, juntos.
Não a largou muito tempo depois disso. Ele realmente a tinha feito sua, não só para o momento.
Deitou do seu lado e acariciou sua face. Quer mulher linda, ela toda. Diabo de mulher linda que tornava sua vida um inferno.
Ainda não tinham dito nada, desde que ela entrara no quarto.
— Gina?
— Shiu... Ela fez um sinal com a mão.
Ela não queria falar. Nem era tão barulhento assim. Decerto tinham feito mais barulho antes. Mas temia o que podiam dizer.
— Só dorme aqui hoje.
Foi para a cama. Ela o seguiu e se aninhou mais em seus braços. Era perfeito, assim como a forma que ele acariciava seus cabelos.
Estava quase pegando no sono. No dia seguinte, tudo isso seria apenas lembrança. Não queria ir embora sem que ele soubesse.
— Eu te amo Nando.
Ele apertou o abraço em torno dela.
— Eu também te amo menininha.
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