A sedução do poder
1 Capítulo 1
O fato mais curioso era eu nunca ter percebido aquela porta antes. Não era nada chamativa, mas também não era necessário ter uma visão bem treinada para percebê-la Talvez eu até tivesse visto mas não dei importância. Hoje, depois de todos os acontecimentos achar um segredo nessa companhia sangue suga é mais do que vital para minha permanência entra tantas ofídias. Tentei abrir a porta e não encontrei nenhuma resistência. Olhei ao redor para me certificar de que ninguém estava me vigiando e simplesmente entrei de uma vez no cômodo sem saber o que esperar e muito menos o que encontrar.
Para minha surpresa as luzes estavam acessas haviam uma longa escadaria. Desci com cautela, com receio de que alguém surgisse de repente mas não iria voltar. Eu precisava descobrir alguma coisa sobre eles ou eles iriam descobrir alguma coisa sobre mim e seria tarde demais. Encontrei uma porta e atrás dela havia vários cilindros dispostos em fileira. Deviam ter uns 2 metros de diâmetro e de comprimento. O curioso é que estavam vazios. Procurei por alguém que pudesse estar fazendo trabalhos extras, contudo, o cômodo era muito maior do que aparentava e não consegui ver o fim. Fui andando como um gato a espreita, com movimentos leves e sentidos atentos – era possível até sentir minha pulsação em alguns lugares específicos.
Parei quando cheguei em um ponto onde os cilindros estavam cobertos por panos vermelhos grossos. A pessoa que teve a ideia de cobrir os vidros pra evitar olhos curiosos sobre um segredo devia ganhar um premio de pior ideia do século porque o proibido sempre atiça mais a curiosidade do que a verdade nua e crua. Na verdade, talvez a intenção não fosse aquela. Parecia simples demais. Nessa empresa nada é por acaso. E se a intenção fosse justamente descobrir o incoberto?
Independentemente de qual fosse a verdade eu precisava saber. “Seja o que Deus quiser” pensei. Inspirei fundo e puxei o pano de uma vez. Se minha mandíbula não estivesse presa ao restante do crânio com certeza teria caído no chão naquele instante. Eu não podia conceber aquilo. Eu pensei ter entrado naquele lugar preparada para qualquer coisa, mas a gente só percebe o limite de “qualquer coisa” quando bate com a cara nesse limite. Não podia ser verdade. Como eles puderam fazer isso? Ainda em estado catatônico olhei para o lado e comecei a puxar os demais panos e todos revelaram o mesmo segredo. Se fosse um do dois já era algo ruim, todavia, para o meu desespero, lá devia ter centenas e isso era o que meus olhos conseguiam ver.
— Demorou tanto que eu já estava duvidando da sua capacidade de nos encontrar.
— Como você pode fazer isso? Disse gesticulando para os cilindros.
— Não seja hipócrita Julia. Você sabe muito bem que não fui eu quem começou?
— E quem foi então?
— Pense! Eu não esperei tanto tempo pra ouvir sermão seu agora, minha querida.
— Querido, e você quer o quê? Que eu sente e bata palmas pra você. Sinto muito por te decepcionar mas eu esperava mais da sua pessoa. Eu nunca fui e nem vou ser marionete nem sua e nem do Dexter.
— Eu sei. È uma das coisas que eu amo em você, my lady.
— Eu não acho que obsessão seja amor.
— Sério? Nós vamos discutir isso nesse momento? Eu prefiro saber a sua resposta.
— Sobre?
— Quem começou isso, Julia?
Eu estava parada em frente ao Charles. Ele havia saído de trás de um dos cilindro e agora me observava com o olhar fixo. Examinava cada gesto, cada palavra minha. Era um olhar bastante intrigante e muito desconfortante, entretanto eu já o conhecia tempo suficiente pra saber que diante de um predador a ultima coisa a se fazer é sentir medo e retroceder. Eu não estava ali pra ser intimidada e manipulada como a menina que foi usada como peão em um jogo de xadrez. Agora eu era a rainha e no meu jogo o os reis estavam em cheque.
— Parece que foi eu.
— Muito bem. E agora?
— Eu fui o começo e eu serei o fim – eu comecei a andar em sua direção sem desviar o olhar em nenhum instante ou estaria tudo perdido até que nossos rostos estavam a menos de 30 centímetros de distância.
— E eu posso perguntar como my lady pretende fazer isso?
— Acho que eu vou ter que passar por você primeiro.
— Com certeza.
— Então não tenho nenhum problema.
Dito isso eu sorri. Não um sorriso qualquer ou de ingenuidade, mas aqueles que só nos dois sabíamos o que significava. Ele sorriu de volta, passou a mão ao redor da minha cintura e me beijou como não fazia há tempos.
— Desde quando eu faço as suas vontades?
— Desde quando elas são só minhas?
Então ouvi um baralho ao longe. Havia mais pessoas ali e eu tive a certeza de que aquilo era só a ponta do iceberg.
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