A saudade que Tenten não entendia

Capítulo Dois – O passado de Tenten

Tenten não morava em Konoha, pelo menos quando morou não teve tempo de fazer o tanto de amizades que tinha atualmente. Então, quando voltou para a sua cidade natal, nunca esperou que passasse por tanta barra pesada, só que as coisas não foram bem como tinha planejado.

Alguns anos atrás Tenten tinha saído do estado onde morava, chamado Suna, para morar em Konoha, um lugar completamente diferente de onde morava. Em Suna as coisas eram bem próximas de si, já em Konoha eram mais distantes.

Sua mudança aconteceu por volta de seus 15 anos de idade, e esse acontecimento só se deve ao fato de sua perspectiva de vida ter mudado. E mesmo estando em uma de suas piores fases, a tal da adolescência, nunca se sentiu tão grata por ter tomado uma iniciativa tão grande em sua vida.

Todavia, não foi tão fácil assim chegar a conclusão de que precisava sair de Suna para abrir seus horizontes, principalmente por ser uma recém adolescente no calor da juventude. Seus pais, é claro, não aprovaram de antemão, mas suas boas notas e sua insistência foram a principal razão para o consentimento de seus progenitores. A filha que tinham era de fato um alguém que não desistia de seus ideais.

O voto de confiança que seus pais deram também tinha uma pequena parcela de sua tia que morava em Konoha. A mulher, com a idade pouco avançada, amava muito a sobrinha-afilhada que tinha. Estava tão animada quanto Tenten com a ideia da garota morar consigo em Konoha.

Mas antes de decidir que queria se mudar, a garota passou por um turbilhão de sentimentos, pois tinha algo específico em Konoha que a atraía, e não era tanto a questão familiar ou o fato de ter nascido lá. Ela não sabia exatamente o que era, no entanto, quando pensava ou ouvia sobre seu passado, algo mudava dentro de si. Havia um sentimento único em Tenten, como se fosse uma tristeza, ou saudade; como se pudesse sentir uma nostalgia por aquele lugar, mesmo que lembrasse de absolutamente nada da pequena temporada que morou em Konoha.

Tenten havia nascido naquele lindo litoral que era Konoha. A garota não se lembrava muito bem como era, é claro, era muito nova quando foram para Suna. Mas as fotos nas praias eram um dos motivos para ter uma ligação tão forte com a ideia de voltar para o lugar onde nasceu; aquelas fotografias antigas lhe aqueciam o coração. E a cada vez que se imaginava no mar, ou imaginava como era o sabor da fruta que tinha no quintal de sua tia-madrinha, mais sentia vontade de conhecer aquela cultura.

Seus pais tinham se conhecido em Konoha, namorado em Konoha, noivado em Konoha, se casado em Konoha e, finalmente, tiveram a luz de Tenten em Konoha. Era sim um lugar importante, no entanto… era importante para os seus pais, e não para ela que nem se lembrava de um dia ter estado naquela cidade. E isso a deixava com certo vazio dentro de si.

O fato trágico de sua avó materna ter câncer foi o infeliz motivo de seus pais saírem de Konoha e irem morar em Suna, por isso se mudaram tão rápido, antes mesmo da pequena Tenten entender mais sobre a vida que tinha na outra cidade. Foi aos 2 anos de idade após seu nascimento que sua avó adoeceu, então tiveram que voltar às pressas para Suna. Cuidaram da avó enferma de Tenten até sua morte.

Depois da perda familiar seus pais não viram motivos para voltar para a cidade onde se conheceram, Konoha. Continuaram em Suna, principalmente pela herança que seu pai repartiu com seu único irmão. Embora isso trouxesse uma estabilidade financeira, logo seu pai conseguiu um emprego, então não haviam motivos para voltar a Konoha.

Tenten sabia, quase como se tivesse decorado, daquela história. Também tentava imaginar como tinha sido para seus pais toda aquela mudança. Mas sabia de uma coisa, havia puxado deles a característica por trás disso tudo: tomar boas decisões em momentos difíceis. Pois sabia, também, que nunca foi fácil para sua mãe sair de perto de sua última família, a sua irmã e madrinha de sua única filha.

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No começo de sua nova vida as coisas não foram tão difíceis para Tenten, pois aparentemente ela estava passando férias de fim de ano na cidade natal. Então era compreensível que ela agisse de maneiras diferentes aos costumes que sua tia tinha. Então, seu sotaque esquisito e seu modo de falar logo foram esclarecidos, pois ela era de Suna.

A Sra Mahina também adorava colocar a sobrinha-afilhada em um pedestal, é tanto que Tenten logo enturmou com os amigos da tia. Como uma boa ouvinte, Tenten conseguiu absorver muitos conhecimentos antigos dos amigos de sua tia, até entender que Konoha era um lugar especial para muita gente. As viagens incansáveis de barco dos irmãos Hyuuga, os diversos namorados que a Seju tivera, e os inúmeros netos da Sra Chiyo… Tenten tinha muita história para tirar aprendizados.

Tenten até se sentia bem, mesmo que a adaptação à Konoha não fosse algo rápido de se concluir, principalmente nas férias. Embora tivesse pequenas coisas na nova cidade que ainda não compreendesse, a garota tinha o apoio daquelas pessoas, e principalmente de sua tia que a amava tanto. Com tanto amor e carinho que tinha no lar da tia Mahina, Tenten pensava até que talvez estivesse chegado perto de algo que fosse revolucionar a sua ida a Konoha. Tudo parecia fluir, aos poucos.

O Sr Hiashi, o mais conservador dos amigos de sua tia, demorou um pouco para se adequar a garota, mas foi questão de tempo que se tornasse um grande amigo para Tenten. As grandes viagens que fazia a trabalho, junto com seu irmão gêmeo, o falecido Hizashi, lhe proporcionavam diversas reflexões sobre a tomada de decisões cruciais. Foi em uma dessas missões que o irmão foi embora, engolido pelo mar, mas com um sorriso no rosto por sua equipe ter conseguido completar a missão.

Muitas das histórias que Hiashi contava a Tenten deixavam-na nesse impasse de sentir pena e orgulho dos feitos do mais velho. Como quando soube, por sua tia mesmo, que após a perda do irmão, Hiashi cuidou do filho do irmão como se fosse o seu próprio. Era comovente, de fato; e compreensível que existisse uma casca em sua superfície. Tenten não tinha como imaginar o tanto que ele lutou para estar ali.

Já a Sra Tsunade, que era uma pessoa mais acolhedora, e que tinha uma aparência muito nova para a muita idade que tinha, logo de cara recebeu a pequena Mitsashi de braços abertos. Tenten recebia diversos elogios de sua aparência, do modo como era educada e o quanto havia sido corajosa por vir morar longe dos pais. O que tanto aprendia com a Senju era que por mais que procurasse um grande amor, provavelmente o ideal estava a poucos metros de distância. Por isso namorou diversos em sua juventude, enquanto o único que realmente soube amá-la estivesse em seu ciclo de amizade por anos: Jiraiya.

A mais velha de todas, até mesmo da Senju que mascarava tudo com uma boa maquiagem e produtos de beleza, tinha várias histórias sobre seus netos. A Sra Chiyo sempre foi uma grande avó, por isso, como recepção à sobrinha da amiga, lhe fez um adorável cachecol amarelo. As temperaturas de Konoha eram mais elevadas, mas o clima frio estava prestes a chegar, então, juntando o útil com o agradável, a Sra Chiyo teceu um cachecol.

As visitas que sua tia fazia a Chiyo eram sempre acompanhadas de algum retrato, que nele indicava o tamanho de seu amor por seus netos. Tenten logo notou que havia algo em comum com os netos da Sra Chiyo, que era o fato de todos eles, nas fotografias, terem o mesmo cachecol que tinha acabado de receber. Um cachecol macio, felpudo, feito de linho, e tecido exclusivamente pelas mãos daquela senhora. Era um amor imensurável. Outro fato interessante sobre aquela senhora e seus netos era que todos os netos eram adotivos, pois nunca tivera um único filho. E aos poucos Tenten percebeu que tinha ganhado uma nova avó.

Esses amigos, Hiashi, Tsunade e Chiyo, eram os que mais visitavam a Sra Mahina, e que a Mitsashi visitava. Ainda que não conhecesse muitas pessoas, Tenten percebeu que o tempo que sua tia viveu ali havia sido muito rico. Em questão de amizades, Mahina era muito popular, dava para perceber que todos gostavam muito de sua tia. Sem contar que ainda tinha um tal de Madara, que inesperadamente às vezes lhe trazia alguma de suas artes; o pequeno jardim de sua tia era repleto delas e ela amava.

Era incrível como tudo em Konoha era simples, bonito e fantástico. Mal podia ver a hora em que tivesse que ir para a escola, onde conheceria mais os filhos de Hiashi, os netos de Tsunade e da senhora Chiyo. Se todos estes amigos de sua tia eram tão incríveis, imagine só os seus descendentes.


Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.