A saga eterna: O despertar das trevas
1 Capítulo 1: A missão dos deuses
Em um certo local no universo uma estrela estava prestes a morrer, sua luz já estava fraca e diminuía cada vez mais, uma presença em um pequeno asteroide observava o velho corpo celeste se extinguindo, ele estreitou seus olhos amarelados e então levantou o braço com a mão aberta e o apontou na direção da estrela, uma energia vermelha e pulsante surgiu em sua mão, virando uma pequena esfera e cresceu até ficar maior que o ser que a canalizava, então ele a liberou e rapidamente a esfera se dirigiu para atingir a estrela, após poucos segundos ela chegou em seu objetivo mas nada aconteceu, a esfera apenas foi absorvida pela estrela, a mão do ser que havia enviado a esfera ainda estava aberta e então foi se fechando devagar, a superfície da estrela começou a rachar e à medida que ele ia fechando a mão, mais da energia vermelha ia saindo da estrela até ela estar prestes a explodir, então, a mão se fechou por completo e a estrela explodiu em milhares de fragmentos que voaram por várias direções e uma delas foi aonde o ser observava a destruição, rapidamente ele abriu a mão novamente e outra esfera vermelha saiu, menor do que a primeira mas suficiente para destruir o pequeno pedaço que ia até ele, após uma pequena pausa ele observou a situação ao seu redor e então falou:
— Tudo acaba, até mesmo estrelas que viveram milhões de anos, tem o seu fim, e eu sou aquele responsável por ele. – depois disso ele levantou a mão para o céu e gritou – Warp! — Uma rápida rajada de luz branca veio e quando o atingiu ele desapareceu do local.
Uma luz brilhou em uma plataforma circular de mármore cercado por pilastras e dela emergiu um ser vestindo uma armadura dourada, com capa branca, com seu cabelo igualmente branco, caindo até os ombros, uma pele cinza, orelhas pontudas e olhos amarelos, ele observou o local, uma enorme montanha se erguia sobre ele e nela, várias casas e templos estavam espalhados, a sua frente estava um caminho, que como a plataforma, era feito de mármore, nele, um homem estava parada, como aquele que tinha chegado, também estava de armadura, mas esta era negra, com uma capa cinza escuro, seus olhos eram castanhos, a pele morena, as orelhas igualmente pontudas e o cabelo vermelho, curto, ele expressava um grande sorriso, deixando a mostra seus dentes afiados.
— E aí Arceus, como é que vai o meu grande amigo? – perguntou o homem de armadura preta
— Não me lembro de sermos amigos, Liath- respondeu o homem de armadura dourada – e também não tenho tempo para as suas brincadeiras, tenho mais o que fazer.
— Oh... então quer dizer que o grande deus da destruição tem mais coisas para fazer do que receber uma mensagem minha, enviada pelo próprio Azael?
— E por que o Azael ia mandar você, deus da vingança, um membro da casa da morte, para falar comigo, um membro da casa da criação?
— Porque no assunto atual eu sou inútil. – respondeu Liath com um sorriso.
— E que assunto é esse? – perguntou Arceus já cansado de esperar.
— Guerra... velhos amigos seus voltaram, ou melhor, vão voltar, você conhece eles pelo nome de... ah é, lembrei – ele expressou um sorriso maior que os outros – Zentradi.
Arceus cerrou os punhos furiosamente, se virou na direção da montanha e começou a subir com passos rápidos.
— Nossa, eu sabia que ele odiava esses bichos, mas para exibir uma aura dessas – disse Liath para si mesmo enquanto subia atrás de Arceus – se eu não fosse um deus, ia estar morto agora de tão forte.
Os dois subiram rapidamente o caminho até chegarem no topo da montanha, onde havia um grande templo, com pilastras rodeando ele e uma bandeira dourada tremulando sobre sua parte mais alta, eles entraram e lá já estavam vários outros deuses discutindo a situação.
— Sekhen, Alcat, Kaidros, Zenom, Albadum, Harokan, Draven, Seth e Kalahan, tirando a Luna, todos os deuses médios estão aqui, e também os inferiores, Sona, Logi e Elek. – disse Arceus entrando no templo e assumindo seu lugar entre os outros deuses da casa da criação, que como ele, usavam armaduras douradas.
A frente dos deuses que assumiam seus lugares entre as três casas, a da vida, da criação e da morte, haviam três tronos para os deuses superiores, líderes de suas casas. O primeiro a entrar foi um homem, com sua armadura dourada, cabelos negros, olhos castanhos e orelhas pontudas, o líder da casa da criação, Azael, ele se sentou no trono do meio, observando aqueles à sua frente.
-Arceus, Sekhen, Alcat e Karan, membros da casa da criação, assim como Logi. Bom, todos aqueles que me servem estão aqui. – disse Azael.
No trono a sua direita sentou-se outro homem, mas este não vestia a armadura de sua casa, sua roupa consistia de um capacete em forma de cabeça de águia, uma capa de couro cortada em tiras, e uma calça e botas, igualmente de couro, com seu peito nu, o capacete tampava seus olhos e nariz, apenas sua boca ficava a mostra, este era o deus da vida, Luminus.
— Meus bons amigos, vejo que estão todos aqui, Zenom, Albadum, Harokan e... – Luminus parou e observou o local — espere, onde está Luna?
— Meu senhor. – disse Zenom, um homem de cabelos louros e olhos azuis — eu não consegui encontrar Luna em lugar nenhum, creio que ela foi para o mundo mortal.
— Entendo — disse Luminus olhando para cima — pelo menos o resto de vocês está aqui, assim como a jovem Sona, não se preocupem, ela virá, eu sei disso.
— Sim senhor! – falaram todos os membros da casa da vida juntos, fazendo suas armaduras brancas reluzirem no sol que entrava pelas laterais abertas do templo.
Logo assim que terminaram de falar, um homem, com uma pequena barba e cabelos negros, longos, olhos vermelhos e orelhas pontudas entrou na sala, sua armadura, negra, era o deus da morte, Luciel.
— Então — disse ele sorrindo – Seth, Kalahan, Kaidros e Liath, assim como Elek, estão todos aqui, podemos começar logo com isso irmão? – completou ele olhando para Azael.
— Não só podemos como devemos, isto é uma enorme crise – disse Luminus olhando para os deuses a sua frente.
— Os Zentradi voltaram – disse uma voz feminina ao fundo – e eu sei onde eles ressurgirão.
Todos se viraram para ver uma mulher de armadura branca com as mesmas características físicas que Arceus, cabelos brancos, pele cinza e olhos amarelos, ela foi caminhando até chegar na frente dos tronos, então ajoelhou e disse:
— Eu, deusa do tempo, Luna, da casa da vida, estava pesquisando no fluxo do tempo todas as aparições Zentradi através da história, e isso me levou a um local especifico, como todos sabem a primeira aparição desta raça de demônios se deu no planeta da origem, aquela que atualmente é chamada de Terra, eles devastaram terras e mataram muitos, mas graças a uma aliança entre todas as raças do mundo eles foram capazes de levar a guerra contra os Zentradi para um último confronto final, no continente de gelo Artuln, conhecido atualmente como Frostbite, pelo seus nativos, lá, os milhares de humanos, elfos, orcs, trolls, dreyens e anões batalharam contra os demônios, e os magos com nossas bênçãos reunidas, selaram a passagem para seu mundo na enorme montanha conhecida como Topo do Mundo, lá é onde a parede entre o mundo mortal e o mundo dos demônios está mais fraca, lá é onde eles surgirão quando o selo for quebrado.
— Quando? Você tem certeza absoluta que eles quebrarão o selo? – perguntou Luminus olhando diretamente para ela – está atrasada – completou com um leve sorriso.
Ela sorriu rapidamente de volta e continuou a falar:
— Sim, não será possível parar isso a menos que os selos sejam reforçados diretamente por nós, mas não é só isso, aquele selo deveria demorar milhões de anos para poder ser desfeito apenas com força sendo aplicada por um lado.
— Então, alguém do lado dos mortais também está forçando o selo? – perguntou Luciel.
— Exatamente – disse Luna – não consegui rastrear a pessoa ou as pessoas que fizeram isso, mas não foi necessário chegar perto da montanha para forçar, mesmo sendo um grupo e não apenas um ser, são muito poderosos, e se for apenas um, a sua força seria equiparável com...
— Com a de um deus – disse Azael olhando diretamente para frente – reforçar o selo não será necessário, já tomei minha decisão, enviarei dois deuses para poder vigiar a montanha, não, o mundo inteiro, quero que esses dois achem quem está por trás disso e o façam ser punido por tentar invocar demônios. E também deverão enfrentar os Zentradi quando o selo for quebrado, quem se oferece para esta missão?
Rapidamente Arceus e Luna levantaram seus braços, assim como Draven, Seth e Kalahan.
— Cinco candidatos – disse Lúcifer – se fosse apenas para matar os demônios eu diria que Seth e Kalahan são mais do que necessário, mas como achar o culpado também é prioridade, acho que deveríamos enviar três?
— Como assim, irmão? – perguntou Luminus.
— Os gêmeos, Seth e Kalahan, podem muito bem lidar com os Zentradi enquanto a deusa Luna tenta achar o culpado, três deuses.
— Não, serão enviados apenas dois, fazer com que muitos desçam pode acabar arruinando a estabilidade aqui – disse Azael olhando para Arceus – por que você quer ir?
— Meu senhor – disse Arceus se ajoelhando – como bem sabe, eu sou um dreyen, e minha raça foi quase exterminada pelos Zentradi na primeira vez que eles vieram, e nessa época eu não era um deus ainda, mas sim uma criança, então eu presenciei a morte e a destruição causada por eles, acho que essa minha pequena parcela de experiência com eles me faz mais apto para esta missão do que qualquer outro aqui.
— Entendo, então diga, quem você iria escolher para descer com você, afinal como eu disse, preciso de dois lá em baixo – questionou Azael.
— Eu escolheria a deusa Luna, já que em suas viagens através da história, mesmo não presenciando diretamente, ela também viu as habilidades e poderes dos Zentradi. Por isso e também por ela ser alguém que pode achar pistas e dicas de onde o culpado esteja com mais facilidade que qualquer um dos outros.
— Você está certo no que diz meu jovem – falou Luminus – eu concordo com Arceus, ele e Luna seriam a melhor dupla para descer ao mundo mortal e cuidar desses dois objetivos.
— Concordo com Luminus – disse Luciel – dessa vez nenhum dos meus tem a habilidade necessária para achar o culpado, apenas para combater os Zentradi, mas para isso, o deus da destruição já será o suficiente.
— Está decidido então – disse Azael — Deus da destruição Arceus e deusa do tempo Luna, vocês aceitam a missão de ir ao mundo mortal, achar aquele que tenta trazer os Zentradi para este mundo e também os derrotar quando a hora chegar?
— Sim, meu senhor – responderam os dois ajoelhados e de cabeças erguidas.
— Ótimo – disse Luminus – só mais uma pergunta, quando o selo será rompido?
— Se meus cálculos estiverem certos, dentro de cerca de cento e quinze anos – respondeu Luna, já em pé.
— Eu esperava que, para uma emergência o selo fosse se romper mais cedo – disse Luciel surpreso – dois ou três anos no máximo.
— Para mim é um número aceitável, considerando que quase oitocentos magos, com a nossa ajuda o fizeram – disse Luminus.
— Não importa, partam imediatamente, pode ser que vocês encontrem o culpado antes disso e possam atrasar a quebra da barreira, mesmo que por poucos anos. – disse Azael se levantando – este conselho está encerrado, voltem para seus trabalhos.
Luminus e Luciel também se levantaram e saíram por uma passagem diferente da qual os outros deuses entraram, depois disso os outros deuses seguiram para seus respectivos templos e casas, Arceus também estava indo embora quando sentiu uma mão pousar suavemente em seu ombro, ele virou o rosto e viu Luna com um sorriso no rosto.
— Podemos falar em particular? – perguntou ela.
Após alguns instantes eles chegaram em um jardim cheio de rosas brancas, eles caminharam por um pequeno caminho entre elas até chegar em um banco de madeira igualmente branco, ela se sentou, mas ele permaneceu em pé observando as rosas, perto de algumas, uma criança brincava, em outras, um marinheiro lutava contra o tempo para poder chegar em casa, em outras, humanos se matavam em uma batalha sangrenta e várias outras mostravam imagens diferentes.
— As rosas do tempo – disse Luna – eu não tenho poder sobre o que elas podem mostrar, nada disso está acontecendo agora, aquela criança agora já deve ser um adulto, o marinheiro está em outras viagens, e os soldados nesta batalha devem estar em outras batalhas.
— Ou mortos – disse Arceus – mas eu não creio que nós viemos aqui só para falar de plantas mágicas, não é? O que você quer?
Ela suspirou e pegou uma pequena rosa que mostrava uma criança dreyen suja e magra, descalça, com apenas uma calça de couro, ela corria de um outro dreyen mais velho, que gritava insultos e mandava a criança devolver seu dinheiro. Luna sorriu e colocou o dedo sobre a pequena flor, que se desfez em uma luz branca.
— Você era uma criança agitada – disse ela – E agora é um adulto sério, sério até demais.
— As pessoas mudam, mas diga logo, o que você quer?
— Você não me engana Arceus, seu desejo de participar dessa missão não é porque você possui mais conhecimento dos Zentradi, é porque você quer vingança, não é? – ela se levantou lentamente e pegou a mão dele – eu sei a raiva e a dor que você sente, eu também sou uma dreyen, você acha que eu não estou com raiva de que essas malditas criaturas vão voltar? É claro que eu estou, mas agora precisamos nos concentrar em defender as pessoas da Terra, não importa se eles são Zentradi, ou qualquer outra coisa. Entendeu?
Ele se virou na direção dela e segurou a mão dela junto de seu peito, um leve sorriso apareceu em seus lábios e nos seus olhos, lágrimas começaram a se formar, mas ele rapidamente as limpou com sua outra mão, então olhando para ela disse:
— Meu desejo de vingança é enorme, mas eu sei que nossa prioridade é defender os mortais. Não se preocupe – ele parou por um tempo olhando para ela – professora.
Luna riu, então abraçou ele com força. Ela o olhou nos olhos e sorriu ainda mais.
— Faz muito tempo que você não me chama assim, desde quando você chegou aqui, você só conversava comigo nos primeiros dias, eu me perguntava porque, mas era simples não? Era porque além de você, eu era a única dreyen aqui.
— Continuamos sendo os únicos — disse Arceus se separando do abraço – eu preciso ir, pretendo sair amanhã de manhã se possível.
— Tente não exagerar, eu tenho que checar mais algumas coisas então só sairei daqui a uma semana ou mais.
Eles se despediram e Arceus seguiu para seu templo, que após poucos minutos de caminhada já se encontrava em sua frente, com dois guardas vigiando a entrada, os chamados semideuses, guerreiros poderosos que serviam os deuses, mesmo ultrapassando muito a força de mortais comuns, eles ainda não possuíam nem a metade da força de um deus.
— Meu senhor! – disse um dos guardas – ouvimos que algo muito ruim está acontecendo na Terra, é verdade?
— Sim, os Zentradi vão voltar, por isso eu vou para lá para tentar encontrar a pessoa que está tentando invoca-los e tentar parar isso, chamem o Marcos para mim, quero falar com todos os guardas.
— Sim senhor! – falaram os dois guardas ao mesmo tempo, então saíram para chamar seus companheiros.
Arceus observava cinco homens na frente dele, após alguns segundos, falou:
— Marcus, Theo, Lando, Jean e Ronan, vocês são ótimos subordinados, por isso eu confio o templo da destruição a vocês uma vez mais, só que dessa vez será por muito mais tempo, espero que possam cumprir com seu dever novamente.
— Claro que sim – disse Marcus, um homem de cabelo castanho e olhos igualmente castanhos – não se preocupe e faça o que você tem de fazer, quando voltar, estaremos aqui, vigiando, eu, Marcus, capitão da guarda assim prometo.
— Excelente – disse Arceus – então irei me retirar, vou acordar cedo amanhã.
Sem mais nenhuma palavra ele se virou e entrou no templo, onde comeu um pouco e foi dormir, mas apenas poucas horas depois ela já estava em pé, com uma calça e camisa de lã marrom e uma armadura leve de couro, uma espada simples de uma mão presa na cintura e uma pequena mochila com alimento, mapas e um pouco de dinheiro, seguindo para o círculo rodeado de pilastras, ele encontrou Luna e Liath a sua espera.
— Nossa! – falou Liath – então é assim que você fica sem sua armadura. Bem normal eu diria.
— Por que estão aqui? – perguntou Arceus.
— Vim me despedir e quando cheguei aqui encontrei ele também. – respondeu Luna observando as roupas de Arceus.
— Olha, é realmente bom você ir disfarçado e tal, mas você sem dúvida vai conversar com as pessoas lá, né? Deveria inventar um nome também, todo mundo sabe que Arceus é o deus da destruição.
— E você acha que eu não pensei nisso? Lá eu irei dizer que meu nome é Ray, um simples drayen viajante. E antes que você pergunte, sim, eu estou com minha armadura divina, está aqui. – disse Arceus mostrando um colar prateado.
— Então não precisamos nos preocupar – disse Luna – tome cuidado.
— Vê se não morre tá? – falou Liath.
— Não se preocupem – respondeu Arceus subindo no círculo de mármore – não há nada lá que seja uma ameaça para mim. – então ele levantou a mão e gritou – Warp!
Uma luz branca desceu dos céus, envolveu Arceus e então ele desapareceu. Seguindo para a Terra.
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