A saga de Beatrice- A aprendiz de vampiro
23 Uma surpresa daquelas...
Notas iniciais
Novo dia no circo, e tudo parecia bem normal até ouvir um barulho esquisito por perto. Eu tinha saído com sozinha para buscar a comida das pessoinhas –tarefa nojenta- nos arredores do riacho e quando voltei ouvi uma voz. Era Vancha March, o príncipe vampiro, se expondo ao sol!
Fiquei desesperada e corri até ele.
—Sire Vancha! –gritei.
Ele estava com os braços abertos e o rosto erguido ao céu em pleno sol de duas da tarde.
—O que? Ah, olá, Beatrice! –respondeu-me como se nada estranho tivesse acontecendo.
—O senhor está bem? –perguntei incerta.
—Claro! Por que eu não... Oh, sim! –deu gargalhadas. –não se preocupe comigo!
—Mas está... torrando...
—Eu faço isso sempre!
—Como? –como assim ele fazia isso sempre? Então lembrei-me do tom de sua pele estar sempre avermelhado. Sim, ele fazia aquilo sempre. –Por que?
—Você sabe que dizem por aí que não podemos andar ao sol, não é?
—Creio que não seja só um boato, né... –ele ia morrer, eu estava sem saber como agir.
—Não, infelizmente! –disse desanimado-Mas dizem também que tudo foi obra do maluco do Des Tino, que há muitas eras modificou o sangue dos vampiros para que eles não andassem durante o dia!
—Sim, mas o senhor está ao sol mesmo assim por qual razão?
—Bem, creio que se acostumarmos nosso corpo a ficar exposto a luz solar poderemos andar durante o dia! –disse triunfante.
—Hum... Faz sentindo... Mas está fazendo isso há quanto tempo?
—Muito tempo, acredite!
—E tem visto progresso?
—Eu consigo ficar mais tempo exposto hoje em dia do que antes, mas não posso ficar demais... ainda!
—E não acha que já está bom por hoje? –por Deus, ele iria virar uma lagosta!
—Ha ha ha! –gargalhou –Não! Ainda aguento mais meia hora.
—Ok... Então eu vou terminar as tarefas aqui... e... –era muito bizarro. –Qualquer coisa...
—Muito Obrigado, querida! Mais tarde a gente se fala!
—Até logo! –saí rapidamente de perto. –Bizarro...
Depois de alimentar as pessoinhas fiquei conversando um tempo com Ofídio e Alexandre sobre o show daquela noite e falei sobre Vancha. Demos umas boas gargalhadas lembrando do quanto ele era ‘’bizarro’’.
Depois alimentei Madame Octa e fiquei esperando Larten sair do caixão, pois ele deixou um recado com Sr. Tall de que era para eu esperar por ele cedo. Fiquei do lado de fora da tenda dele esperando que levantasse. Ele acordou bem mal-humorado.
—Pelas entranhas de Charna, como ronca! –saiu da tenda resmungando. Ele sempre acordava estressado.
Não tinha me notado ainda.
—Boa noite! –eu disse para me revelar ali.
—O quê? Ah, boa noite, Beatrice!
—Está tudo bem?
—Ah, sim... Somente Gavner que deixa o mundo inteiro acordado enquanto dorme e ronca como um trator!
Ele estava realmente chateado, mas logo ia passar.
—Pediu para que eu o esperasse aqui...
—Sim, sim! Vou me apresentar hoje, mas antes vamos fazer umas coisas!
Ah, essas coisas... Fomos para uma clareira no bosque e ele inventou de que eu tinha que treinar! Eu tentei apelar para o fato de estar toda ferrada e de que queria saber a razão daquilo, mas ele só disse que me diria mais tarde. O treino foi ótimo, eu caí bastante!
—Não está concentrada! –ele dizia em tom autoritário.
—To começando a achar que queimar até a morte seria melhor... –resmunguei.
—Eu ouvi!
—Arg!
No fim, depois de muito apanhar. Sério, muito mesmo, eu consegui desviar de um de seus golpes. Ele não disfarçou a surpresa quando eu o fiz.
—Poderia ficar menos surpreso! –disse irritada.
—Sempre acreditei que conseguiria! –ironizou.
—Então, por que isso tudo?
Ele hesitou e disse que conversaríamos depois. Estava escondendo algo de mim. Deu-me as costas sem sequer me dar a chance de replicar e voltou para o acampamento. Não adiantava mesmo insistir!
Fiquei pensando se deveria dizer ao Larten que eu tinha conhecido Daniel, mas logo cheguei a conclusão de que não era importante, pois iríamos embora da cidade logo. O show começou no horário como sempre. Eu auxiliei os artistas como antes e vi Sr. Crepsley atuar das cochias, o número foi ótimo, misturou escapismo e a presença de Octa. Era algo novo ver Sr. Crepsley daquele jeito, mais extrovertido... Gavner só apareceu no final e eu fiquei de olho na plateia para ver se Daniel estava por ali. Eu não o vi e no fundo lamentei por ele não ter ido assistir ao show.
Teve, como de costume, a comemoração no final eu aproveitei um pouco, mas logo quis voltar pra tenda. Larten não pegou muito leve mais cedo, eu me sentia um saco de pancadas.
Daniel não saía da minha cabeça, e enquanto eu caminhava de volta para a minha tenda olhei para a saída do circo e fiquei imaginando que talvez ele pudesse estar andando de skate na pista naquela hora e que talvez estivesse me detestando. Lembrei de Jhon e de como ele se sentiria se soubesse que eu não morri e que o tinha deixado para trás.
Quando dei por mim eu já estava seguindo pela estrada de terra e chegando ao asfalto. Ele não podia me ver caso estivesse lá, e eu só ia olhar de longe. Provavelmente não o veria nunca mais na minha vida e não queria que a última imagem de Daniel na minha mente fosse da decepção no seu rosto.
Continuei andando e ele não estava em lugar nenhum e quando finalmente resolvi desistir e voltar, sentindo-me realmente infeliz, tive uma surpresa daquelas...
—Olá, querida Beatrice! –um cara forte e grandão, moreno, com uma cicatriz na boca e olhos vermelhos surgiu. –Sentiu saudade?
—Victor! –eu petrifiquei. Pensei que ele estivesse morto. –O que é que...
—Pssit... Fique calma. Eu não vim sequestrar você novamente!
Ele estava com um tom de voz calmo demais para o meu gosto e eu olhava em volta calculando uma forma de escapar sem que ele me seguisse a ponto de me alcançar antes de eu chegar ao circo.
Ele me observava e voltou a falar.
—Está procurando alguém?
—Não!
—Tem certeza?
—Eu não tenho que conversar com você!
—A língua sempre afiada...
—O que é que você quer? –perguntei furiosa.
—Quem, eu? Ah... Eu só estava caminhando ontem à noite por aqui e gostei bastante do lugar... tem um cafénet por perto onde os jovens gostam de se encontrar que funciona o tempo todo sabe...
Eu não estava gostando nada daquela conversa.
—E eu conheci um garoto muito bacana que estava muito triste sabe?
Eu não disse nada.
—E hoje eu o encontrei outra vez...
—E o que é que eu tenho a ver com isso?
—Oh, é que eu pensei que você talvez o conhecesse, pois ele estava com um bilhete na mão ontem que tinha o seu nome...
Senti todo o meu sangue gelar.
—E hoje ele estava indo ao circo com dois ingressos no bolso e eu achei que não faria muito bem para ele ir até o lugar onde ele queria levar a garota cruel que partiu o coração dele na noite anterior, você entende?
—O que fez com o Daniel?
Ele sorria de satisfação.
—O que é que você fez com ele? –gritei.
—Calma! Nada... ainda. Estou pensando em transformá-lo no meu assistente, mas ainda acho que matar é a melhor opção!
—Seu monstro!
Ele gargalhou.
—Você gosta dele? Pensei que não se importasse...
—Cala a boca! O que você quer?
—Você o quer de volta? Podemos entrar num acordo...
Eu o encarei odiando-o.
—Eu te entrego o rapaz são e salvo se em troca você me entregar o Crepsley! –ele sorria malignamente.
Fiquei em silêncio encarando-o.
—Nunca! –respondi friamente.
—Bem, então, diga adeus ao seu querido namoradinho! –o sorriso se desfez e ele tirou do casaco os dois ingressos pro show daquela noite que Daniel tinha comprado e os jogou no chão a minha frente. Depois disso sumiu!
Eu abaixei, peguei os ingressos e corri o mais rápido que pude de volta ao circo. Eu tinha que falar com Sr.Crepsley.
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