Notas iniciais
Como esta história me foi contada por uma vidente, nomes não foram pronunciados. Então prestem atenção pois será confuso.

Há quem diga que os gatos não passam de animais simplórios como todo o resto. Mas estão enganados! Estes pequenos felinos tem a essência pura da magia palpitando em seus corações. Misteriosos como uma floresta às escuras, querem apenas acompanhar o ritmo dos acontecimentos. Pensam os humanos que os gatos são seres normais, que blasfêmia! Eles são a chave para as portas entre os mundos, metade no nosso mundo, metade em outro. Muitos humanos acham que há apenas o nosso mundo, e o sol orbitando ao redor dele. Estão errados, comparado ao vasto oceano. Nosso mundo não passa de uma pequena partícula, um pequeno grão de areia na imensidão do universo. Há mundos que nem em sonhos mais insanos aqueles aqui presentes conseguiriam imaginar. Planetas onde seres parecidos conosco se locomovem em criaturas de metal que exalam fumaça tóxica e mortífera. Planetas, onde a magia há muito tempo se perdeu. E é tida como um mito, para alguns uma lembrança. Dizem os profetas que esse mundo é o nosso mundo, mas numa idade mais avançada. Não sei sobre ele muito bem. Não me perguntem a respeito, mas, o que eu sei é que nesse mundo havia uma garota muito triste e seu gato.

A garota todos os dias era despertada, se não fosse pelo mecanismo mágico que demarcava o tempo. Era pelo gato; um felino negro de olhos grandes esmeraldinos. De cauda emplumada e um tanto pomposo, sentava-se sobre a barriga daquela que lhe cuidava e a encarava. Ele não miava nem lhe tocava o rosto como geralmente ocorre. Ele apenas a encarava e bastava isso para que a jovem abrisse seus olhos cinzentos, remetiam a uma névoa cansada. Ela lhe sorria e o cumprimentava com um abraço gentil. Todos os dias ela saía de casa, se dirigia para o que deveria ser um lugar para aprender. Lá recebia lições e as executava. Ao chegar em sua casa horas depois, passava o resto do dia na companhia de seu amigo emplumado. Geralmente lia ou desenhava. Ela possuía algo de diferente dos demais humanos; sempre estava sozinha. A jovem não possuía família ou amigos. Quando conversava, se abria unicamente para o sublime amigo que dormia consigo. Uma coisa era certa; ela estava sempre chorando. Sempre apresentava no olhar o aspecto de uma noite turbulenta e ruim, malmente comia. Seu delicado nariz estava sempre avermelhado assim como a região abaixo de seus olhos. Apesar de que às vezes com seu cabelo prateado era possível esconder. Mas as cicatrizes eram impossíveis de se esconder sempre. Eram profundas e demarcavam toda a extensão de seu corpo até a região do pescoço. E as pessoas faziam perguntas, especulações, coisas que a machucavam. Os dias se resumiam a isso, tirando dois dias de sete aonde a garota ia à biblioteca ou a praças desenhar o que lhe fosse atrativo. E nesses dias o negro felino sempre lhe acompanhava, estava quase sempre ao seu lado. Como se zelasse por ela e temesse por ela. Os pesadelos eram frequentes, mas sempre que estava presente ele a acordava para tirá-la de lá. Era uma espécie de protetor. E não duvido que de fato fosse.

Um dia a garota chegou em casa completamente alterada, e foi impossível saber o por que. Correu na direção de seu quarto e escreveu uma carta, guardando num envelope e colocando-a em cima da escrivaninha. Era notável o transe que a envolvia enquanto as palavras eram escritas de forma vacilante no papel branco. As lágrimas rolaram como nunca e sem ruído algum; sem fungadas, sem esconder o rosto, apenas rolavam. Quando acabou, levantou-se da escrivaninha e abraçou o felino de forma apertada e triste. Sorriu à ele e lhe disse o que poderiam ser palavras finais. Após isso, ela puxou do bolso um pequenino frasco contendo um líquido escuro, sentando-se no chão frio de seu quarto. Deu uma última olhada no ambiente não evitando sorrir para os olhos esmeraldinos que demonstravam inquietação. A garota cinzenta respirou fundo e levou o recipiente aos lábios.

Nesse momento o tempo parou

Houve um imenso clarão que cegou a visão de qualquer possível espectador presente

Quando tudo voltou ao normal eles não estavam mais lá

Nem a jovem cinzenta, nem o felino negro

Havia um pequenino frasco quebrado com todo o seu conteúdo derramado no chão

Notas finais
Foi um capítulo confuso admito, eu gosto de fazer as pessoas refletirem. O que acham que aconteceu ? Vai ter cap novo ainda hoje o Abraços da Mew ~~