A ressurreição do fantasma vigilante
15 Highway to hell
Notas iniciais
– Então você e a Bianca eram... – Monica não conseguia nem sonhar com tal coisa. Foi por causa dele que a Bianca se apaixonou pelo tal charlatão. Ele disse também que a cada reencarnação a alma da garota se dividia. Então, de um certo modo, Monica era essa garota. No fundo, bem no fundo mesmo, sentia inveja de Bianca e raiva do tal príncipe. Se isso acontecesse, se eles tivessem ficado felizes e se amando, isso jamais deveria ter acontecido. Significava também que ela não existiria, nem sua dor.
– Monica, isso não importa agora okay? – ele se inclinou para a cadeira onde a garota estava sentada. – só te contei, para você entender que à séculos eu anseio por seu amor.
– Você não me ama. – ela abaixou a cabeça e começou a chorar. – é só uma maldição que o diabo colocou em você.
O fantasma sorriu.
– Sabe o por que de monstros não poderem amar? Porque quando Deus fez os anjos, eles eram imperfeitos. Podiam criar e amar qualquer coisa, mas não podiam obrigar ninguém a amá-los.
O fantasma se ajoelhou na sua frente e levantou seu rosto. O beijo foi sedento, inesquecível e repleto de paixão. Monica soube que não era fingido, não podiam ser. Era um daqueles beijos que a deixavam com arrepios e a fazia ficar pensando nele horas depois. Era a sensação de ter beijado Cebola pela primeira vez, mas também tinha algo meio “Do Contra” naquele beijo. Aqueles foram os únicos garotos que ela já beijara em vida. (sem contar o Cascão, aquilo foi quando ainda eram crianças e foi tudo um mal entendido por causa da Denise.) A garota teve certeza de que naquele momento, poderia beijar todos os garotos do mundo, mas jamais chegariam perto do que foi beijar o fantasma vigilante.
– Eu devia ter feito isso antes. – sussurrou o fantasma contra seus lábios. Monica o empurrou.
– Não, você não devia ter feito isso. – ela não queria admitir que fora o melhor beijo da sua vida e que queria outro. – E o Do Contra, mesmo estando morto, eu ainda não terminei com ele. Ele é o meu namorado, não posso fazer isso com ele.
O fantasma sorriu.
– Ainda?
– Vamos embora daqui. – disse a garota toda corada.
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– O que você quer de mim? – disse Cebola assustado. – Eu não fiz nada pla você!
Bianca sorriu e caminhou lentamente até ele, desfilando em seu vestido de noiva.
– Você fez sim uma coisa para causar minha ira. – disse a garota com a face mais angelical do mundo. – Você não quis ser o meu príncipe. Preferiu ela.
Isso já tinha acontecido antes, ser recusada por um cara que ela tinha sentimentos.
– Você queria levar meu coração! – ele diz se afastando da garota. – queria que eu fizesse o que?
– Você então mentiu sobre amá-la? Que filho da puta você é...
– Eu não fingi nada! – ele diz. – Eu realmente a amo.
Bianca se sentiu culpada. Ela nunca quis separar um amor assim.
– Eu ainda posso lhe dar uma coisa dela.
Sem aviso, Bianca o beijou. Era um beijo intenso, provocante e que lembrava muito o da Monica, mas não era tão quente. O beijo de Bianca era como o de qualquer fantasma deveria ser, frio e ao mesmo tempo bom. Cebola começou a passar a mão pela cintura dela e querer cada vez mais o beijo. Ele não queria largá-la, era familiar demais e não se importava com “mãos bobas.”
Bianca o afastou e desapareceu. Cebola caiu sentado no chão da cela.
– Calacoles, — murmurou. – essa gulia é mais louca que a Denise.
E para que ninguém escutasse, ele pensou:
“ mas o beijo era bom.”
– Vegetal... – sussurrou um vulto.
Ele olhou para a direção e viu um garoto parado ali.
– O que faz aqui?
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Cebola voltou para a cela aquele dia, mas estava diferente. Parecia que flutuava de tão radiante que estava. Cascão e Denise estavam envergonhados pelo flagra do fantasma, mas mesmo assim, dormiam juntos. Da primeira vez que o fantasma esteve ali, deixou sua capa nos ombros da garota. Ela nem notara, até perceber que não estava com frio mais.
– O que aconteceu aqui enquanto estive fora? – perguntou Cebola.
– Nada – disse um nervoso Cascão.
– Nada, nada, nadinha – disse uma nervosa Denise.
– Vocês estão mais estranhos que o normal.
– Nós? – disse Cascão vendo a felicidade nos olhos do amigo. – como diabos pode estar feliz no inferno?
– Você também ficaria se Bianca te beijasse.
Denise e Cascão pularam em cima dele e o jogaram no chão. Começaram a bater nele.
– Porra! A gente tava aqui sofrendo e você beijando um fantasma!
– Pala gente!
– Pára o caralho! – gritou Denise. – Eu vou te matar agora mesmo! Aquela diva-ghost traiu a gente e você ainda fica se pegando com ela?
– Puta que Pariu! – disse Cebola chorando de dor. – Eu posso explicar!
– Denise, acho que devemos dar uma chance a ele.
– Está louco? – ela deu um murro no “brinquedo” de Cebola.
Depois de algum tempo, Cascão conseguiu afastá-la e acalmá-la. Demorou um tempo para que Cebola se recuperasse do soco. Claro que ele queria que ela o tocasse ali, mas com um pouco mais de delicadeza.
– Eu peguei a chave! – disse ele com dificuldade e curvado em um ângulo estranho.
– O que? – exclamou Denise com emoção e correu até ele para abraçá-lo.;
“ Retiro o que eu disse, Denise é mais louca.” Ele pensou.
– Nós ainda não vamos poder usá-la. Tem fantasmas demais aqui, vamos ter que esperar o fantasma chegar. – disse Cebola.
– Se isso for mais um plano infalível, — disse Cascão. – eu juro que te mato.
– Esse vai dar certo, já que não é meu.
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– Então é aqui? – perguntou Magali, agora todo mundo já estava na casa. Ela se referia à cama de Bianca.
– Sim, é aqui que ela partiu uma vez. – falou o fantasma.
– E como isso vai nos ajudar a abrir uma porta para o inferno? – perguntou Carmem tremendo de medo.
– Nós vamos abrir a porta, você não. Não pode arriscar. – O Fantasma disse em um sussurro.
– Por que você se importa? – ela pergunta.
– Isso é uma historia para outra hora. Vá agora.
Enquanto Carmem saía, Monica tentava entender o que foi aquilo que acabara de acontecer. Será que o fantasma ainda tinha uma outra Milayde? Fora ela, a Denise e a Bianca?
– Como vamos abrir? – pergunta Magali. Ela entendia um pouco dessas coisas de bruxaria, mas nunca na vida tentou abrir um portal para o inferno.
– Vamos precisar de sangue humano. – ele diz enquanto pega Titi pelo pescoço e o deita na cama, para o susto geral.
– O-O que tá fazendo cara? – pergunta suando. Por que sempre ele é que corria risco de morte.
– Cale a boca. – e cortou lhe o pulso. Deixou sangrar por um tempo e colocou um curativo depois. O colchão de Bianca estava agora sujo de sangue.
– Poderia ter avisado. – diz Monica.
– Poderia mesmo. – concorda Magali.
– Esse cara está jurado de morte. – disse o fantasma. – se ele ficar com um pouco mais de medo, capaz de o portal se abri sozinho.
– O que a gente faz agora? – pergunta Monica se recuperando do susto.
– Precisamos de água benta e sal para purificar. – diz o fantasma traçando um pentagrama com o sangue de Titi.
“ Uma jornada para o inferno... É o que eu sempre sonhei.”
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