A ressurreição do fantasma vigilante
10 Almas Perdidas
Notas iniciais
Não há como escapar
Por mais que tente dar as costas,
A fagulha de esperança volta a queimar.
Na tentativa tenho fé, mas nem sempre acerto.
Sinto que devo lutar, mas já não tenho mais coragem.
Sinto sua falta toda vez que me lembro de seu olhar...
Mente e almas são imperfeitas,
Pois sempre nos fazem perder,
A esperança nunca fica, entra e sai quando quer
Para animar meu coração e destruí-lo então...
“Esse verso não está legal...” disse Monica rabiscando o ultimo verso e reescrevendo a poesia que lhe veio à mente. Ela ainda não sabia se estava escrevendo para o Dc ou para o fantasma. Só sabia que nunca fora boa de poemas, mas agora pareceu brotar as palavras de sua alma.
Sei que um guerreiro jamais abandona sua luta,
E que o medo é sempre presente.
Eu não sou uma guerreira, mas é preferível perder à fugir.
Deixarei meus medos escaparem. Talvez eu abra a caixa, e deixarei a chave com você.
Você está tão perto e ao mesmo tempo tão longe...
A caixa vai ser aberta, quem sabe quando conseguir me aproximar de você?
Só você tem a chave
E eu tenho a esperança de que um dia você abra a caixa...
“Fantasma... eu lhe imploro que me mostre sua face.” Pensou Monica. Minutos depois de ler, ela conseguiu relacionar o título. Caixa de pandora. Isso resumia bem o que ela queria dizer.
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Titi caminhava devagar e de cabeça baixa. Ele ainda não tinha acreditado que outra pessoa o abandonara. Era duro ser o cara mais foda do bairro e não ter ninguém.
Ele estava sozinho e estava escuro quando ele viu o garoto.
Ele estava como Titi se lembrava, com a camisa ao contrário, jaqueta preta e a calça jeans tão rasgada que chegava quase a ser indecente.
Isso não fazia sentido, já que Do Contra deveria estar morto. Titi tentou correr, mas assim que se virou, DC estava de costas para ele à sua frente. Titi colocou a mão no ombro dele.
– Isso não tem graça cara, você deveria estar morto!
Do Contra não se virou ou fez qualquer movimento. Talvez fosse só uma pegadinha, mas ainda assim...
– Eu estou. – comentou Dc.
Titi tirou a mão do ombro dele e tentou correr para o outro lado, mas DC estava lá também. Quando ele finalmente conseguiu ver o rosto do amigo, notou o enorme chifre que crescia no meio de sua testa. Aquele não era Do Contra.
– Meu nome é porta-voz. – disse DC/Porta-voz – eu estou aki para lhe avisar.
– Avisar do que, Caralho? – gritou Titi assustado. – eu não tenho nada a ver com o tal fantasma.
O filho de umbra riu.
– Como pode saber então sobre o tal Fantasma? – Titi aparentou saber mais do que o possível. – Você não precisa responder. Só quero que você ouça.
De lugar nenhum surgiu uma musica de violino, tocada linda e lenta.
– A morte irá falhar e os espíritos voltarão. A lua se escurecerá e pelo seu manto um anjo padecerá. Cale se para sempre ou faça o que é certo.
O fantasma sumiu. Titi estava tremendo de medo. Ele não entendeu uma palavra do que aquela criatura disse, mas ficou na sua memória. Quando ele se virou para ir embora, Do Contra estava novamente parado à sua frente, dessa vez sem o chifre.
– Lembre-se – o tal fantasma sorriu. – Se contar para alguém eu te mato. Sei que não consegue guardar segredos.
Titi ficou vermelho.
– Por que me contou então?
– Ninguém contaria um segredo à um linguarudo. Eu gosto desse lance de ser diferente.
Sim. Aquele cara pirado e louco ( mais do que o normal ) era Do Contra. Isso não faz sentido. Ele está morto, não é?
Quando Titi piscou, o garoto sumiu. Titi se esquecera da briga, do Cebola que sumiu, do fantasma que ele em sabia que sabia que existia. Simplesmente correu de volta para sua casa.
Quando chegou na soleira da porta, viu um vulto lá parado. Não pode ser, mas aquele topete era inesquecível. Como diabos DC chegara assim tão rápido?
Do Contra sorriu.
– Eu só queria desejar uma boa noite. – DC colocou a mão na testa dele e ele caiu no chão desacordado. – durma com os anjos.
E sumiu.
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– Careca!!! – gritou cascão para o amigo. Há muito tempo ele ficara fora de vista da Monica, tudo por causa do namoro dela com o DC. O que ela não notou, é que ele estava lá no enterro, ele até mesmo escolheu a musica que ia tocar.
– O que você quer, Cascão? – gritou o amigo do outro lado da casa de cascão.
– Como assim o que eu quero? Exijo que me conte que porra está acontecendo aqui.
– Você já sabe. Estou usando sua casa para meu novo projeto e para que a Monica não me encontre.
– Essa historia de projeto não faz nenhum sentido! – gritou cascão. – o Fantasma Vigilante voltou e você não sabe nada não é?
Cebola sorriu.
– É, talvez eu saiba de algo, mas eu não uso mais aquela fantasia tosca.
– Você vai ter que me contar. – implorou Cascão.
– Em breve saberá, nobre cavalheiro. Agora tereis que prestar seus serviços diretamente ao seu senhor.
– Cebola – disse cascão nervoso – Está me assustando.
Cebola riu.
– Acalme – se meu amigo mal cheiroso. Venha cá Cascão. Vou te contar quase tudo o que eu sei, o que não é muito.
E os dois seguiram para a casa do Cebola.
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– Hello... Fantasma... – chamou Denise.
– O que queres, nobre dama? – perguntou o fantasma entrando no quarto de Denise.
– Você está sempre pensando no próximo passo... – sussurrou a garota caminhando desfilando até ele, como uma modelo. As roupas que ela usava eram sexy, como de costume, porem, existia uma certa diferença na garota. – você nunca pensa em se divertir?
O fantasma entendeu o que ela quis dizer.
– Não tenho tempo para isso. – ele disse. –não agora.
– Ahhh... – ela praticamente miou. – de atenção para sua princesa...
Ela começou a abraçá-lo e se esfregar nele. O que essa garota estava pensando? O fantasma fez uma rosa surgir de sua manga e entregou a à garota.
– Quem sabe um dia você encontre uma pessoa especial para isso? Eu jamais conseguiria.
Denise tirou a camisa e caminhou devagar até ele. Detalhe, lingerie vermelha.
– Você tem certeza que não conseguiria? – ela sussurrou.
Ele percebeu tudo. Com um tapa, fez o demônio se revelar. Era uma succubus, não a Denise.
Alguém enviara aquela besta do inferno para atacá-lo. Enquanto ela se transformava no que realmente era, um demônio com asas de morcego em forma da mais bela mulher nua, ele correu até ela e desenhou um círculo de sal em volta.
– Cadê a Denise? – rosnou o fantasma.
– Está junto com o outro, o tal Cebola.
Com toda a raiva que podia juntar, ele tirou a sua espada escondida da bengala e enterrou no peito do demônio.
Depois de algumas horas, ele conseguiu se livrar do corpo e limpar toda aquela bagunça. Imagine só o que a mãe da Denise falaria se encontrasse a casa daquele jeito?
E ainda tinha o vegetal. O demônio também o levou. Se isso aconteceu mesmo, quem ele vira no funeral aquele dia? A quanto tempo o Cebola não é o Cebola?
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