— Marty? Ta acordado?

— O que aconteceu? — Pergunto confuso.

— Você não se lembra? Deve ser por causa de tantos analgésicos que te deram...

— Amy?

— Sim sou eu. Você realmente não lembra o que aconteceu, né? — Ela fala aliviada me olhando fixamente. Eu balanço minha cabeça negativamente e ela continua. — A gente tava la no barco, na represa né. No meu aniversário...

— Ahn... quando foi isso? — Eu a interrompo. Realmente não sei a quanto tempo estou aqui.

— A uns 4 dias. Você meio que ficou em um mini coma, quase ME colocou em um coma. Não faz mais isso! — Ela me da um soco bem fraco de mentira mas até que doeu. — Mas enfim, a gente chegou em uma parte que a represa era mais um lago e então você sugeriu que a gente entrasse sabe, de roupa mesmo. Quando eu tava quase mergulhando eu me virei pra trás pra ver se você ia entrar e tipo você simplesmente desmaiou. Imagina se você tivesse entrado na água...

— Eu desmaiei. Ta. E você ficou aqui, todo dia? Mais ninguém? — Pergunto à ela mas na verdade estou me perguntando, tentando procurar em minha memória algo que eu me lembre.

— A Kate, Spencer e Justin te visitaram mas eu fiquei aqui todo dia sim. Você não se lembra de mais nada?

— Eu lembro que tinha alguém aqui... Eu tava morto. Sei lá, muitas nóias... Minha mãe falou comigo, mas não era ela. Era ela mas tipo, não era.

— Talvez ela tenha vindo te visitar... — Amy fala mas escapa um risinho claramente mostrando que não acreditava no que eu estava falando.

— É sério isso!

— Ta bom então. Ela te falou alguma coisa? — Ela pergunta falsamente intrigada.

Eu penso um pouco no que tinha acontecido. Era como um sonho, tudo girava, nada fazia sentido. Tinha uma pessoa. Não sabia quem era, homem ou mulher. Eu falava com essa pessoa mas a voz é como se não existisse, não daria pra saber. Me aprofundo na minha mente tentando lembrar do máximo possível mas não consigo.

— Eu não sei... Nem sei se era ela. Só esquece. Quando eu vou poder sair desse hospital?

— Os médicos precisam fazer alguns testes mas acho que hoje ainda dá. Eu só tenho uma notícia meio ruim... — Ela fala mudando de assunto.

— Ah começou... Posso voltar pro meu coma? Era mais legal lá. — Eu digo brincando mas ela continua séria.

— Você foi demitido. Sinto muito. Seu chefe veio falar comigo e... bom. Parece que quase morrer não é uma desculpa por faltar 4 dias no trabalho...

Depois de um suspiro, me recomponho e respondo com o tom mais normal que eu consegui.

— Tudo bem. Só preciso achar outro emprego... E uma casa mais barata. Talvez eu me mude pra casa dos meus tios sabe, já faz mais de um ano desde o acidente. Você acha que eles me recolheriam?

— Você tá louco? Depois de tudo que você fez pra evitar isso, vai morar com seus tios porque foi demitido?! Se o problema é esse você pode morar comigo, é até melhor pra mim também...

— É claro que não, Amy. Você não precisa fazer isso.

— Não mesmo. Eu quero. — Ela termina encerrando o assunto. Depois de um tempo meu médico entra no quarto explicando o que aconteceu por eu ter desmaiado.

— Marty, podemos ficar sozinhos um momento por favor? — Ele fala olhando para Amy, que imediatamente se levanta mas eu protesto:

— Não, ela pode ficar... É até melhor se você falar com ela também.

— Tudo bem então... Enfim, descobrimos porque você desmaiou. Seu coração consegue "pressentir" quando coisas ruins acontecem então ele te da algum tipo de aviso, talvez? — Ele me olha esperando eu concordar, ver se eu sentia algo mas eu apenas o encarei esperando-o terminar. — Seu coração pulsa mais forte alertando as coisas. Nem sempre podem ser ruins, as vezes algo ótimo está para acontecer e você fica muito ansioso por algo e BAM. Seu corpo não aguenta e entra em algum tipo de colapso, mas parece que dessa vez te salvou de qualquer coisa que poderia acontecer quando você desmaiou. Existem remédios que controlam isso, certos tipos de calmantes, mas acho que não é necessário. É só você saber o que está por vir que tudo ficará bem.

Não hesito um segundo antes de disparar:

— Como faço pra controlar esses "alertas" sem tomar algum tipo de droga?

— Bem, sua vida terá de ser mais calma. Terá que reduzir o stress que tem no seu dia-a-dia a 0. E isso inclui na sua saúde também que afeta muito o coração. Tem alguns cardápios de nutrição pra pessoas do seu tipo, eu posso pedir para alguma enfermeira te trazer depois, certo? Tudo vai ficar bem, eu te garanto... Mais alguma pergunta?

— Só uma: Quando eu posso sair daqui?

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— Finalmente em casa! — Amy fala aliviada se jogando no sofá.

— Você realmente não se resistiu a mim e teve que me convidar pra morar com você, não é mesmo?

— Realmente... Não conseguia ficar mais longe de você, aliás, aqui vai ser sua nova cama. Eu não tenho dois quartos e não estou disposta a dormir com você então... — Ela fala sorrindo.

— Tudo bem, já é o bastante você me deixar ficar aqui. E ter ficado comigo no hospital. E ter me ajudado a pegar minhas coisas no meu antigo apartamento. E por se preocupar tanto. Eu sinto como se não fizesse nada por você e você faz tudo por mim...

— Você é meu amigo, ué. Você faria o mesmo por mim... Ei, pelo menos só falta um ano pra gente se formar, certo? Até lá as coisas vão melhorar.

— Espero... — Falo e ela começa a bocejar.

— Você dormiu por 4 dias, eu não durmo faz 4 dias, então vou dormir, ok? Fica a vontade ai.

— Ta, boa noite. — Digo e ela vai direto para seu quarto. Eu nunca contei pra ninguém sobre as pontadas mas acho que se eu contasse a Amy ela poeria me ajudar. Eu realmente preciso de ajuda. Eu sei que o último lugar que eu deveria ir era lá, mas por algum motivo era o único lugar que eu conseguia pensar. Eu me sentia próximo da minha família lá, nunca senti uma conexão tão forte com um lugar, afinal é só uma porra de represa, mas Amy compartilhava esse sentimento comigo, talvez eu devesse compartilhar outras coisas com ela também.

Fui até a borda da represa, coloquei minha mão submersa à água e nunca me senti tão vazio quanto me senti naquele momento.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.