A represa
5 Como seria se fosse diferente
29 de Janeiro de 2012
Querido diário,
Imagino em um dia, minha vida pode mudar completamente. Amanhã é meu aniversário de 17 anos, minha mãe e meu pai adoram fazer meu café da manhã preferido quando acordo: bacon frito com suco de laranja. Eu particularmente amo meus aniversários e sempre viajamos para outras cidades, mesmo que sejam entediantes, sempre há algo legal para fazer. Esse ano vamos para Huntsville, realmente? Nunca ouvi falar, mas soube que há uma represa incrível lá. Bom, mas agora vou dormir, pois amanhã tenho um grande dia.
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— Bom dia Marty!! Feliz aniversário!
Gritavam meus pais enquanto carregavam um bolo enorme com 17 velas em cima, como sempre, eu amava. Não imaginava um dia melhor que aquele. Bem, cantamos, comemoramos, tomamos café da manhã, vamos pular para quando estávamos quase indo para o carro quando esqueço meu casaco no quarto, vou pegá-lo enquanto meus pais iam indo para o carro. Quando vou entrar no carro, um grande caminhão de cerveja passa a quase 110km/h em uma rua de 60km/h. Só conseguia imaginar o estrago daquilo em um carro. Bom fomos a Huntsville, uma viajem de 1 hora e meia, aproveitei para tentar adivinhar meu presente, e claro, nunca acerto.
Lá estávamos. Huntsville. O ar era frio como inverno, bom como um abraço quente. Paramos em um mercadinho para comprar algo para comermos antes do almoço e, meu pai como um piadista irônico incrível decidiu fazer mais de umas suas piadas, vendo uma placa "TEMOS VAGAS" e disse:
— Bom Marty agora que você já é um homem pode vir trabalhar aqui, hahaha.
Nada de engraçado, realmente. Bem visitamos a cidade, era bem pequena demos praticamente duas voltas na cidade inteira, vimos um campo de golfe durante a viajem, é bem do lado da cidade, meu pai disse que podemos ir lá depois de ir na represa. Ah, a represa, uma coisa me atraía nessa palavra, na verdade, em especial, esta represa. O estranho é que: nas duas voltas que demos na cidade, não avistamos esta represa. Era quase 19:30, o sol estava indo então ficaremos até amanhã. Eu não conseguiria dormir sem poder ver esta represa. Meus pais foram se registrar em um hotel qualquer e eu continuei procurando e uma passagem que não vimos antes de abriu do nada porque era óbvio que aquilo não existia e ninguém tinha visto! Mas enfim, entrei no meio daqueles arbustos e lá estava, a grandiosa represa.
Era grande, brilhante, simplesmente incrível. Eu via o reflexo das estrelas nascendo no céu em sua água cristalina e o sol em meio termo indo embora com a lua chegando era tudo tão... esquisito. Tinha uma menina ali. Não faço ideia de como ela chegou ali, acho que não devo ter visto ela mesmo. Avisei meus pais que iria voltar tarde por causa que achei a represa, mas isso não era importante. Aquela menina, era tão diferente, Será que todos em Huntsville seriam assim, mórbidos? Não era ela, mas algo em sua cara, na verdade, nem consegui ver sua cara por causa de sua franja e sua touca. Ela era bonita, mas mórbida. Mas o que descreveria exatamente ela seria esquisita. Ela não estava olhando para a gordiosa imagem das estrelas na represa. Estava olhando para mim.
Gostaria de ter coragem de falar com ela, na grande verdade, eu nem deveria me preocupar, eu nunca veria ela de novo. Mas eu não sou assim, já era tarde, quase 23:00. Eu tinha que voltar para o hotel e naquele momento, eu senti uma pontada no coração. Nunca tinha acontecido antes, não deveria ser algo de mais. Levantei e quando estava quase indo embora, tinha que fazer aquilo. Olhei para a garota, agora disfarçando seu olhar para a represa e disse:
— Boa noite.
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No dia seguinte, mostrei a represa para meus pais, infelizmente, a menina não estava lá, mas tudo bem, também jogamos golfe e tudo mais e quando estávamos indo embora, senti uma outra pontada no coração. Mas que saco, isso doía. Bem, estramos no carro e meu pai foi dar ré, vi minha vida por meus olhos, todos os melhores momentos da minha vida se passando enquanto um caminhão de cigarros se passava por trás do carro. Duas coisas estranhas aconteceram naquele momento. 1: Eu nunca vi um caminhão de cigarros na minha vida e estava prestes a morrer por culpa dele e 2: O último melhor momento que se passou por meus olhos foi aquela represa, a menina me olhando e o pequeno sorriso em seus lábios quando eu me despedi dela com um boa noite. E lá estava ela do outro lado da rua. Ou seria apenas a morte disfarçada? Não, a morte não teria me ajudado a sair do carro, me levado ao hospital e me contado a noticia de meus pais. Eles não sobreviveram.
Esse era meu pesadelo. Meu aniversário de 17 anos. Quando eu acordo pela manhã gritando como todos os dias apenas me passou pela minha cabeça como tudo seria se fosse diferente, ainda seria com o mesmo final. Eu sonhava com Amy, minha salvação. Seria possível eu ter algum sentimento por ela? Melhores amigos não sonham um com o outro. E por que eu tinha um diário? Que coisa de otário. Mas uma coisa tinha certeza. Depois desse pesadelo, vou parar de fumar.
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