A profecia - Scorpius e Rose
3 Capitulo 3
TRÊS ANOS DEPOIS.
Scorpius estava irritado, adorava sua varinha, mas agora a perdera, tudo isso porque foi descuidado, porque errou na hora de dar o bote em um grupo de bruxos que estavam envolvidos com magia das trevas, e, agora sua varinha estava quebrada.
—Desculpe, senhor Malfoy, mas sua varinha não tem conserto, mas ficaríamos bastante felizes em lhe ajudar a encontrar outra.
Havia dito uma bonita atendente, mas ele não acreditava naquilo, não poderia acreditar. Com certeza ela mentiu somente para fazê-lo comprar outra.
—Gostaria de falar com sua chefe.
Disse ele mostrando toda sua irritação com o atendimento.
—Me acompanhe, por favor.
Por um instante, enquanto era levado ao fundo da loja, seu coração bateu acelerado com a hipótese de encontrar Rose, a proprietária da loja, e a fabricante de todas as varinhas, no entanto, lembrou-se amargamente, que era impossível, afinal Rose desistira de tudo para ir a Bulgária casar, e, embora o noivo tenha morrido e a deixado grávida…
—Senhor Malfoy, em que posso ajudá-lo.
Disse Emma o tirando de suas lembranças. Aquela era a melhor amiga de Rose.
—Minha varinha quebrou e…
—Temos funcionários lá fora que podem muito bem cuidar desse problema.
—Eu sei que sim, mas veja, a senhorita que me atendeu disse que minha varinha não tem jeito, mas acho que ela só queria vender outra varinha para lucrar mais.
—Aí que se enganar. Recuperar varinhas dar muito mais lucro, não imagina o quanto os bruxos são apegados de sua varinha. Se minha funcionária lhe diz que não tem jeito, é porque não tem. Então volte para a loja e compre outra varinha, a não ser que tenha aprendido a usar mágica sem varinha…
Os dois ficaram em silêncio. Scorpius controlava-se para perguntar o que estava lhe incomodando, o que queria saber.
—Como ela está?
Emma se surpreendeu com a pergunta.
—Por que se importa?
—Eu sei que fui um canalha, mas queria muito que ela fosse feliz.
—Ela é. A Bulgária fez bem a ela.
Scorpius saiu da Varinha Weasley com aquela frase na cabeça “A Bulgária fez bem a ela”, o que aquilo significava? Ela estava realmente feliz? Ele não estava, na verdade teve poucos momentos na vida em que se sentiu plenamente feliz e todos foram com ela, e ele sempre conseguiu estragar tudo depois.
Scorpius nasceu com um caminho traçado, recuperar a honra e o respeito dos Malfoy’s, para isso ele precisava ser o melhor em Hogwarts, e se tornar auror. Seus pais, planejaram a vida dele, da mesma forma como se planeja a construção de um prédio, com todo cuidado. Desde pequeno ele foi moldado, seus pais lhe disseram como agir, como reagir, as amizades que seriam proveitosas no futuro, as amizades que seriam descartadas, eles lhe diziam tudo, eles sabiam tudo, e, ele obedeceu, ele aceitou seu papel naquela peça que os pais criaram.
Rose, foi seu único ponto fora da curva, a única coisa que não fez, para os seus pais, ou pelos seus pais, a única coisa que fez para si. Ela sempre fora encantadora, inteligente, quase perfeita, quase porque ela não estava no plano dos pais dele, e portanto ele nunca a poderia ter. Porém, no aniversário de Alvo, no sétimo ano, eles ficaram.
Scorpius não queria admitir, mas seus encontros com Rose, eram os melhores momentos do seu dia, ele não conseguia se lembrar de se sentir tão leve e feliz quanto naqueles dias, mas então as férias de natal vieram, e seus pais o apresentaram a Turner, ele entendeu o recado, ela estava aprovada. Os encontros com Rose foram se tornando escassos, e seus momentos de felicidade também, ele teria que namorar a Daisy, o show teria que continuar.
Ele tentou por vezes contar a Rose antes de anunciar para todo o castelo, mas os encontros eram tão poucos, e ele sabia que era menos um, então ele foi egoísta e preferiu aproveitar seus últimos momentos com Rose. O olhar dela, ele nunca conseguiu esquecer o olhar de Rose quando ela o viu com Daisy, sonhou com aquele olhar por meses. Mas ele precisava afastá-la, não poderia dar esperança, não poderia ter esperanças, Rose não estava no planejamento de vida dele. Então ele disse coisas que iriam machucá-la, mas que causariam uma dor menor que o da esperança.
Depois daquele dia, Rose mudou com ele, e até mesmo com seu primo Alvo que era melhor amigo dos dois, após Hogwarts, ele pensou, como os demais, que ela seguiria a carreira de auror, mas ele a surpreendera e viajou o mundo fabricando varinhas, aparentemente, em uma dessas andanças, ele conheceu aquele que seria seu futuro noivo.
Antes do reencontro do casal, Scorpius e Rose haviam se reencontrado. Novamente em um aniversário de Alvo, a existência do Potter, aparentemente servia par juntá-los. Rose como sempre estava linda, muito mais madura, ele a observava a distância, ela ria com sua prima Lilian, e seu coração se aqueceu só com o som da risada dela.
Ela o viu, os olhos dois se encontraram, mas rapidamente ela desviou, Alvo, parecia chateado com Rose, Scorpius riu quando percebeu o que acontecia, Alvo estava chateado porque ela não quis ser auror, os três sempre planejavam ser aurores juntos, mas ela não havia cumprido a promessa.
A festa acontecia na casa de Alvo, na Londres trouxa. Scorpius observou Rose mais um pouco e tentou decorar a expressão risonha que ela parecia sempre carregar no rosto. Afastou-se do resto dos convidados, ele não estava em um bom, havia terminado com Daisy, não que isso te fato importasse, mas brigara feio com Draco, por não ter corrido atrás dela, e implorado que ela voltasse. Scorpius riu da ironia, a única mulher que ele conhecia, que merecia que ele corresse atrás dela e implorasse perdão era Rose, mas ela nunca demonstrou querer isso, o que era muito pior, a indiferença dela o matava, embora soubesse que era essencial para os dois.
—Desculpe, não sabia que a varanda estava ocupada.
Scorpius fechou os olhos quando ouviu a voz dela.
—Não precisa sair. Alvo está ganhando muito, cabe nós dois aqui.
Ela o olhou com receio, mas se direcionou do lado oposto ao que ele estava.
—Fugindo da família?
Perguntou. Ele não devia tentar puxar assunto.
—Não dos meus primos. Londres nunca me faz bem.
Confessou mais para si que para Scorpius. Ela, pelo menos, não o havia ignorado, talvez, só talvez, ela havia amadurecido e esquecido ele.
—Felizmente encontrou um emprego em que nunca vai precisar ficar parada.
—Realmente, é maravilhoso viajar ao mundo. Você se surpreenderia, sobre tradições bruxas em lugares como Canadá, Alemanha, África do Sul, Bulgária…
Disse ela de forma saudosa. E ele desejou ser livre para ir junto com ela.
—Sua loja ficou bonita. A vi quando fui ao beco diagonal outro dia. Isso significa que ficará mais tempo em Londres, agora?
—Não sei. Só montei a loja porque queria um local para poder vender as varinhas que fabrico, mas não pretendo parar com uma em Londres, talvez em outros países… Além não há nada que me prenda aqui em Londres.
—Nem mesmos seus pais, ou seus primos?
—Eu os amo, mas eu devo amar muito uma pessoa para que eu fique presa com ela em um único lugar.
—Você é um espírito livre.
Ele disse encantado.
—Gostei dessa definição. Mas e você, como anda a vida de auror? Ganhado tão bem quanto Alvo?
—É mais chata do que imaginei se quer saber. Pensei que mudaria o mundo, mas, na verdade, é só um monte de papelada. Estou quase desejando uma guerra para ter desculpa para usar minha varinha. É frustrante.
—Alvo não parece se incomodar tanto…
—Bom, ele é filho de Harry Potter, e, apesar de saber que ele não pede por isso, os melhores casos são destinados a ele.
—Inveja, Malfoy?
—Dos casos sim. De ser Alvo, nunca.
—Já fugi, da minha família o suficiente por hoje. Devo voltar.
—É claro.
Então Scorpius se aproximou dela, por um momento, houve um momento constrangedor em que eles não sabiam como se despedir. Dar as mãos: formal demais; Abraço: intimo demais; Beijo na bochecha: próximo demais. Por fim, Scorpius a beijou, em um momento de impulso. Ela retribui. O Malfoy havia esquecido o quanto o beijo dela era gostoso.
Os dois se encaravam após o beijo, nenhum dos dois falou sobre o que aquilo significava, ou sobre como o coração deles batiam em descompasso, Scorpius em mais um ato de coragem tomou os lábios dela novamente, e Rose que havia prometido a si mesma, nunca mais se deixar encantar por Scorpius retribuiu novamente.
Scorpius a apertou contra a parede, o beijo tornou-se quente, urgente, as mãos dele percorriam o corpo de Rose, ele já não pensava mais, ele a queria, a desejava, a amava.
—Estou hospedado no hotel Grim. Quarto 104. Nós podemos sair daqui e continuar isso aqui lá. Muito mais discreto. E, sem chances que eu leve um murro de alguém.
—Eu quero você, Rose. E você também me quer, eu sei que quer.
Ele concluiu quando percebeu que ela negaria. Rose assentiu. E sem se despedirem e sem serem percebidos, saíram em direção ao hotel.
—Por que está hospedado em um hotel, achei que tinha um apartamento.
—Eu tenho, mas… Dayse e eu terminamos, e estávamos morando juntos… Estou aqui até ela encontrar um outro lugar.
O sexo com Rose o levava a lugares que não sabia que existia, era intenso, e, eles se encaixavam e tinham uma conexão na cama incrível. Ela babava quando dormir, notou Scorpius com um sorriso. De repente, ele a escutou dizendo que o amava, e mais uma vez ele percebeu que tinha feito merda. Rose tinha a capacidade de fazê-lo esquecer que não tinha escolhas, quando estava perto dela pensava com dificuldade, quando a beijava não pensava mesmo, os impulsos o dominavam quando estava perto dela. E, agora ela dizia enquanto dormia que o amava, ela não poderia amá-lo, isso a machucaria, então ele tinha que machucá-la novamente, para afastá-la, porque a amava demais para deixá-la perto dele.
—Bom dia.
Rose acordou sorrindo. O coração dele se aqueceu, mas ele precisava entrar no personagem.
—Por que ainda está aqui?
Perguntou ele.
—Eu deveria ir embora?
—Bom, é isso que as mulheres devem saber depois de sexo casual. A não ser é claro que queira recomeçar, nesse caso, pode ficar mais um pouco.
Rose o olhou com raiva.
—O que quer dizer com isso, Scorpius?
—Ora, Rose. Somos adultos e fizemos sexo, isso não quer dizer que eu queira acordar com você. Se não nos conhecêssemos, eu nem saberia seu nome.
—Eu sou uma estúpida!
Disse ela levantando-se da cama e vestindo suas roupas.
—Por um instante, pela porra de um instante, eu imaginei, estupidamente que você estava mais maduro… Me enganei, na verdade, está mais babaca.
—Foi proposital. Você sempre acreditou que as pessoas poderiam mudar, mas não mudam Rose. Eu sabia que se fingisse ser mais maduro e te desse um amasso, você ficaria molinha, só no ponto de vir até aqui.
Ela lhe deu um tapa na cara.
—Não me culpe por ser uma molenga com coração Weasley. É você e, não eu que sempre confunde as coisas. Seja em Hogwarts, ou agora.
—Por que seu interesse em mim Scorpius. Se deu o trabalho de se fingir de maduro porquê?
—Em Hogwarts, porque eu queria provar a mim mesmo que conseguiria de pegar. Ontem, foi uma aposta com Zabine na verdade, ele apostou comigo que eu não dormiria com você. Os 100 galeões mais fácil de toda minha vida. Porque mais eu ia querer você Rose? Você não tem atrativos, nem financeiros, nem de beleza, talvez políticos, mas nesse caso sua prima Lilian seria de mais serventia porque é linda e filho e Harry Potter.
Rose nunca foi tão humilhada, as lágrimas queriam descer pelos seus olhos, mas ela impediu, deveria dizer poucas e boas para o Malfoy, mas seu coração doía tanto que não conseguia forma uma palavra. Saiu do hotel e aparatou na porta de sua amiga Emma. Dois meses depois ela descobria a gravidez, mas prometeu a si mesma que ele jamais saberia e aquela promessa ela cumpriria.
Se Rose saísse um pouco mais lentamente, teria ouvido o grito de dor que Scorpius saltara, ele nunca havia se sentido tão sujo, tão baixo, a forma como ela o olhou… nunca sairia de seus pensamentos, de fato, se ele fechasse os olhos, agora, quatro depois ele ainda os via tão nítidos quanto naquele dia.
Quando ele leu no profeta sobre a gravidez de Rose, seu coração bateu acelerado, será que poderia ser dele? Mas, no outro dia, Hugo, havia esclarecido a situação, não era dele, era de um trouxa, com quem ela se relacionara em suas viagens pelo mundo. Scorpius havia sido um lerdo, ele devia ter percebido que algo acontecia, Alvo andava mais estranho que nunca, e Rose mais sumida, por um tempo ele achou que ela tinha contado tudo para ele, no entanto, pensou bem, e percebeu que Alvo lhe faria de saco de pancadas se isso tivesse acontecido.
Robin. Scorpius não conseguia esquecer o nome que ela escolhera. Robin. Era um belo nome, perfeito. As vezes ele se pegava falando ‘Robin’ para o vento, e se sentia estúpido por pensar nesse nome, ou melhor, pensar naquela criança. Ela era filha de Rose, com outro cara, um homem que ela amou de verdade, a ponto de ficar em um só lugar com ele, e mesmo depois da morte dele continuar no mesmo lugar. Scorpius sentiu-se um lixo por meses, mas era melhor assim, eles não podiam ficar juntos, ela não estava no futuro dele, nem poderia estar, seus pais jamais permitiriam. Uma vez, Scorpius estava encarando a garrafa de uísque de fogo em sua mesa de jantar, cansado de sofrer por Rose, resolveu ir atrás dela, chegou a ir no apartamento de Alvo exigir que ele lhe contasse o paradeiro dela, mas não teve coragem, as palavras não saíram, tudo que ele conseguia era chorar e pedir para voltar no tempo.
Alvo se preocupou com Scorpius, o amigo nunca agira assim, nunca demonstrou nenhum tipo de sentimento, nunca havia chorado, e estava desabando no seu braço. No dia seguinte, Scorpius fingiu não ter acontecido nada, e Alvo seguiu o roteiro e não perguntou, porém ficou de olhos mais abertos para o amigo. A sorte de Scorpius foi que Harry começou a confiar mais no trabalho dele, e, logo ele soube que as coisas eram mais ruins do que ele podia imaginar.
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