A princesa de Krósvia
1 Prólogo
Notas iniciais
Algum tempo atrás tenho tido um sonho estranho e recorrente. É tranquilo mas misterioso. E nada nele muda. Nunca. É sempre a mesma coisa: Estou num campo, no que parece não ser no Brasil. Uso um vestido vermelho, longo, com mangas. Lindo. Meu cabelo preso num coque perfeito, nenhum fio fora do lugar. Atrás de mim uma escadaria sem fim, não consigo enxergar para onde ela leva e nem imagino o que tem depois dela. Fico olhando pro alto com um expressão assustada, e por fim acabo sorrindo. De repente começa a ventar, tão forte que meu cabelo se solta e eu acabo rodopiando e caindo no chão. Olho pra cima e algo do outro lado do campo acaba chamando minha atenção. Alegro-me com seja lá o que for que tenha surgido e estendo a mão. Sei que vou tocar alguma coisa, mas quando estou prestes a saber o que é, acordo.
Já fiz sessão de psicanálise por causa desse sonho e a psicanalista disse que meu subconsciente estava em busca de algo para minha vida que só eu poderia descobrir o que era. Não diga! Fui a cartomantes, videntes, médiuns, e todos disseram que eu estava presa a algum carma das minhas vidas passadas. Pois é! Um padre disse que eu precisava frequentar mais a igreja. Sem tempo. E então, minha melhor amiga Ruby, depois de anos de convivência comigo, concluiu que o sonho não tinha nenhum significado especifico e que eu deveria deixá-lo pra lá. Uma vez que ele não revelava nada importante, tipo com quem eu me casaria — se é que eu faria isso — , nem nada bombástico, como a data da minha morte, por exemplo.
Mas o mais sinistro de tudo isso, era a cara da minha mãe toda vez que eu anunciava que tinha sonhado com aquilo de novo. Ela simplesmente arregalava os olhos e dizia:
– Esqueça isso, Emma!
Depois que entrei pra faculdade, parei mesmo de dar atenção a esse sonho. Não que tivesse desaparecido, mas resolvi assumir pra mim mesma que tal sonho não tinha nenhuma significado. Um sonho bobo. Não era uma mensagem, um sinal, um aviso ou coisa assim. Bom, era isso que eu achava.
Até hoje.
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