A princesa de Krósvia

3 Tchau Brasil. Olá Krósvia


Notas iniciais
Oioi gente. Primeiro queria agradecer pelas coisas positivas que ouvi sobre o ultimo capitulo, fiquei muito feliz. Segundo, que queria me desculpar por alguns erros também do ultimo capitulo, acabei revisando meio por cima, e queria pedir desculpas adiantadas se tiver algum erro nesse, acabei de chegar do curso e to muito cansada, mas não queria demorar pra atualizar porque quero começar a desenvolver a história da Emma e da Regina logo. Por falar em Regina, nesse capitulo já terão um sinal dela, pequeno mas terão. O capitulo ficou maior do que eu imaginei então vou dividir em dois, espero que gostem. Comentem por favor, pra eu poder saber o que vocês estão achando.

– Você está de brincadeira comigo?

Ruby, minha melhor amiga de todos os tempos, tinha acabado de receber a noticia e agiu com ceticismo.

– É verdade. Sou uma princesa. Meu pai é o rei David Markov, da Krósvia.

Ruby riu, desacreditando daquilo, e voltamos a prestar atenção nos minutos finais da aula de Direto Penal.

Um pouco mais tarde, sentada com ela na cantina da faculdade, contei a ela tudo o que tinha acontecido, desde o momento em que vi a mensagem no facebook ao momento em que já estava em casa com a minha mãe, que a propósito, ainda não trocamos uma palavra.

Fomos para casa, e minha mãe confirmou toda a história pra Ruby. O que me surpreendeu foi que ao contrário do que eu pensava, meus avós não sabiam de nada, e de cara desacreditaram tanto quanto eu no começo.

– Então você realmente é uma princesa. Caraca Emma, e agora? Você vai ser coroada? Já pensou que será uma celebridade? Vai ser disputada por todas as revistas, andar com as melhores roupas e sapatos, ter um castelo, e quem sabe... conhecer um príncipe.

Sinceramente, tem horas que eu acho que a Ruby é de outro planeta. Eu conto pra ela que finalmente tenho um pai, e garota só pensa em futilidades, e em príncipe. Como se ela não soubesse que eu não tenho a minima vontade de me casar.

– Calma Ruby. Vamos por partes, por que eu seria disputada por todas as revistas? Pra que roupas de marcas e castelo? E quem te disse que eu quero um príncipe?

Ela revirou os olhos como se o que eu estava falando fosse o maior absurdo e disse:

– Todos vão querer falar sobre a nova princesa do pedaço, as melhores marcas vão querer vestir você, e toda princesa tem um príncipe né Emma. Você não percebe? Sua vida vai ser um conto de fadas.

– Tenho coisas mais importantes pra me preocupar por agora Ruby. Como por exemplo: meu pai quer que eu vá conhecer minhas origens e ficar um tempo com ele, e por mais tentador que seja, eu não queria trancar a faculdade e me mandar pra outro país.

– Emma acorda, qualquer garota morreria pra estar no seu lugar, você ta doida pra ir que eu sei, e como você disse, será só um tempo, pra conhecer. A faculdade não vai a lugar algum. Se você não gostar de lá, pode voltar no mesmo instante.

Odeio admitir, mas Ruby está 100% certa. A verdade é que tenho medo do que me espera, e agora aqueles meus sonhos estão vindo a tona, e se todo esse tempo, esses sonhos realmente estavam tentando me dizer alguma coisa?

– Emma, relaxa. — Disse Ruby vendo minha cara de preocupação. — As vezes lá nem é tudo isso, os príncipes e princesas de lá devem levar uma vida normal.

– Ai é que está, meu pai não teve outros filhos, só tem uma irmã que tem filhos pequenos, nem são herdeiros do trono.

– Emma, você tem que ir porque é a outra metade da sua história. Ser paulista, e estudante de Direito, você tira de letra. Só que você não é só isso e precisa descobrir como é ser de outro jeito, mesmo que depois prefira a forma antiga.

Ás vezes Ruby me surpreende nos seus momentos filosóficos, e agora ela tinha muita razão.

***

– O que sua mulher, digo, a rainha, acha de tudo isso? — Perguntei ao David, mais tarde, assim que o encontrei no restaurante do Hotel Fasano.

– Ela morreu a dois anos, Emma. — Ele disse, com um ar melancólico.

Fiquei chocada, e era óbvio.

– Ela teve câncer, e todos em Krósvia tiveram a mesma reação que você. Foi um momento péssimo em todo o país. Zelena era ótima, adorada por todos, se foi muito jovem, só tinha 45 anos.

Definitivamente, o dinheiro não pode salvar tudo.

— Por que não tiveram filhos? — ousei perguntar. Já que estávamos nesse processo de recuperação do tempo perdido, achei que não faria mal me envolver mais. Juro que não perguntei só por curiosidade.

— Ela teve. Quando nos casamos, a Zelena já tinha os gêmeos Killian e Regina, mas não podia mais engravidar porque tivera que retirar o útero.

— Ela era mãe solteira? — Eu quase gritei ao fazer a pergunta. E minha mãe com medo de ser rejeitada...

— Viúva. Então, nós nos casamos e criamos os gêmeos como se eles fossem de nós dois. Só que nenhum deles é meu sucessor ao trono, porque nossa legislação não permite isso para filhos adotivos.

— Então você os adotou?

— Não no papel. A Zelena não quis porque os dois já tinha conhecido o pai biológico e gostavam muito dele.

– Então eles moram com você?

– O Killian sim, ele era mais apegado a nós. A Regina nos visita sempre que pode. — Ele tinha brilho nos olhos, parece que realmente gostava deles. — Estou feliz em ter encontrado você Emma, foi a melhor coisa que me aconteceu em tempos. — Ele se ajeitou do meu lado e tocou a ponta do meu nariz.

Sorrimos um para o outro.

Eu nunca tinha conhecido um rei de verdade e sempre pensei que eles fossem pomposos e esnobes. Mas David Markov, meu pai, é o contrário disso, o que me deixa muito feliz. Já pensou se eu tivesse que conviver com uma pessoa intratável, arrogante e soberba só por causa do grau de parentesco?

– Quantos anos tem Killian e Regina hoje? — Deu pra perceber o quão curiosa eu sou né?

– Humm. — Disse David, tentando se lembrar. — Acho que 25.

– Então no palacio só mora você e o Killian?

– Eu, Killian e outras pessoas. Você vai ver quanta gente mora comigo. Regina também morava, até seus 18 anos. Então ela foi estudar nos Estados Unidos, fez uma viagem e quando voltou sua mãe já estava em estado terminal. Foi ai que ela decidiu viver sozinha. Killian não quis me deixar sozinho e continuou morando comigo, mas sinto que a qualquer momento ele pode sair do palácio.

Abaixei a cabeça, todos pareciam gostar do meu pai, mas eu ainda estava com um pouco de medo, ele já tinha uma vida, já tinha pessoas ao seu redor, estou me sentindo uma intrusa.

– Filha, eu sei que é difícil pra você deixar sua vida aqui, seus amigos, sua família, sua mãe. Sei que tem sua faculdade, e o estágio, mas você pode trancar matrícula por um semestre. Não precisa ficar na Krósvia mais do que seis meses, se não quiser. Mas acho que não pode virar as costas para parte do que é. Lá também é o seu lugar e, se não tivesse sido por todo esse mal-entendido, você teria vivido na Krósvia a vida inteira. Eu não estou pedindo para você assumir o trono ou começar a governar o país junto comigo. Nem para abandonar o Brasil de vez e esquecer o que viveu aqui. Será só uma experiência. Eu prometo.

Parece ser tudo perfeito, tudo tentador, e meu coração diz pra eu ir, mas minha razão diz pra eu levar em consideração minha vida aqui. Não sei se devo abandonar tudo por um semestre e ir pra um lugar novo, pessoas nova, uma vida nova, totalmente diferente daquilo que eu vivi a vida inteira. A verdade é que eu tenho medo de quando as coisas mudam, aparecer um pai depois de 20 anos já é assustador o suficiente, então imagina ele ser rei e querer que eu vá pro seu país onde ele mesmo governa.

Será que estou sendo ridícula?

***

– É claro que está!

Vovó foi enfática. Ela estava sonhando igual a Ruby, dizendo as mesmas besteiras de celebridade, roubas de luxos, sapatos. Ás vezes acho que a Ruby é uma versão mais jovem da vovó.

— Emma, você passou a vida inteira achando que seu pai era o pior tipo da raça humana. Todo ano nos dias dos pais você ficava deprimida, imaginando em que lugar do mundo o seu estaria. O fato dele ser um rei é só um detalhe. Além do mais, você só vai para conhecer, não é como se o futuro do humanidade dependesse de você. Se você não gostar, pode voltar a qualquer momento, sua vida aqui continuará aqui. Não vai sair andando por ai. E os seus sonhos? Que você sempre tinha, você vivia dizendo que não parecia ser no Brasil, talvez seja um sinal. Se você não for, vai ser como fugir, igual Mary Margaret fez. — Profetizou ela, enquanto aumentava a velocidade da esteira.

Vovó é toda preocupada com a aparência, assim como minha mãe e Ruby. Elas estão sempre fazendo exercícios, dietas, tratamentos. Totalmente ao contrário de mim, que prefere passar o dia comendo alpino, do que fazendo supino na acadêmia.

– Não é questão de fugir vovó, só não sei se sou madura o suficiente pra encarar isso.

– Quem disse que você é madura Emma? Você não é minha querida, mas se for para Krósvia vai acabar amadurecendo. Caso contrário, será uma covarde, igual a sua mãe.

Ok vovó. Essa doeu.

E foi assim com todo mundo. Ninguém achava que eu deveria me acostumar com a ideia primeiro, ou esperar o tal amadurecimento cair como chuva em mim. Até mamãe era a favor, o que me deixou mais tranquila, confesso.

***

Depois que decidi realmente ir para Krósvia com meu pai, parecia que eu estava correndo contra o tempo. Trancar a faculdade, me desligar do estágio, avisar aos amigos, familia, comprar roupas novas, tirar passaporte. A unica coisa que tinha decidido não fazer, era festa de despedida, eu não estava indo embora, estava apenas indo passar um tempo fora do país, não tinha porque me despedir, íamos nos falar por skype, telefone, email, facetime, e todos os tipos de telecomunicação possível.

Os dias passaram rápidos demais, e faltava apenas algumas horas para eu pegar minhas malas e ir para o aeroporto, fui ao médico fazer uns exames e ver se estava tudo ok. Voltei pra casa, mais cabisbaixa do que achei que estaria. Então recebi uma ligação da mamãe, pedindo pra eu encontrar ela na casa dos meus avós, contestei dizendo que estava cansada e tinha algumas coisas para arrumar já que no dia seguinte seria meu vôo, mas a mamãe começou a falar demais e resolvi obedecer.

Quando cheguei, o porteiro disse que eles estavam me esperando na área de lazer, não entendi mas também não questionei, só queria acabar logo com aquilo e ir pra casa. No momento que coloquei os pés do salão, me surpreendi. Estavam todos lá, meus colegas da faculdade, algumas tias e primos, meus avós, mamãe, Ruby, o pessoal do escritório que eu fazia estagio, e para minha surpresa, meu pai. A decoração era engraçada, todos estavam com coroas, e tudo bem colorido. Então me toquei que era o que eu menos queria, uma festa de despedida. Nesse momento, me deu um nó na garganta, Ruby percebendo minha cara de choro veio correndo me abraçar, e então eu desabei.

– Emma, você passou 20 anos aqui em São Paulo, e agora tem um país a sua espera, um reino, tem o mundo. Você já tem um capítulo da sua história escrita, é hora de começar outro. Vai, cometa erros, faça amigos, sem se esquecer de mim claro, aprenda, ensine, se joga nessa nova etapa. Quando você voltar eu vou estar te esperando de braços abertos, caso não decida voltar, espero que você esteja me esperando de braços abertos lá. Eu sei que você está com medo, sinceramente, no seu lugar eu também estaria, mas lembre-se que nada acontece por acaso. Tem alguma coisa maravilhosa te esperando por lá, então aproveita a tua chance, e se tiver mesmo, agarre com força. Eu te amo e você sempre será minha melhor amiga, sendo princesa ou aspirante a advogada. — Declarou Ruby, que também não conseguiu segurar o choro.

Passei a festa inteira chorando, relutando em me despedir das pessoas que eu amo, querendo me sentir bem, mas com uma sensação terrível de solidão.

***

13 horas de vôo, e finalmente eu estava sobrevoando por Krósvia. Meu estômago estava embrulhado, meu corpo todo tremia, um turbilhão de sentimentos. Não sabia o que me esperava lá embaixo, estava com medo de perguntar pro meu pai e ele dizer que uma comitiva da imprensa me aguardava.

– Nervosa? — Ele quis saber, minutos antes do pouso.

– Sim, muito.

– Entendo. Mas não se preocupe, ninguém que não deva sabe da nossa chegada.

– Você quer dizer, toda a imprensa?

Ele concordou.

– Terão alguns puxas-sacos, é importante você saber. Mas quero fazer tudo do jeito certo. Quero apresentar minha filha para o país, mas só quando você se sentir confortável.

Dei um sorriso e o abracei. Foi a primeira vez que quis fazer isso, a primeira vez que nos abraçávamos. Então, o piloto informou que já estávamos em solos krosviano. Então entrei em pânico, como ia me comunicar com as pessoas se eu não sabia falar a língua delas?

– Todos aqui falam inglês?. — Perguntei, mais em pânico do que queria aparentar.

David deu uma gargalhada.

– Não se preocupe, você vai se virar muito bem com o inglês, mas está livre para aprender o krosvi.

Meu pai tinha dito a verdade, no aeroporto da capital, Perla, só havia um motorista num carro preto com vidros escuros esperando por nós. Não era um veículo usado pela família real, David havia pensando que seria melhor não chamar tanta atenção. Eu achei ótimo.

Era final de outono na Europa, mas o tempo estava bem agradável. Perfeito para uma paulista nata. Ao sair do aeroporto, pude ver como a cidade era bonita, apesar da época, havia muitas flores. Praças e monumentos para todos os lados. Era um lugar extremamente agradável, e finalmente meus ânimos se acalmaram.

Passamos pelo palácio administrativo, de onde meu pai governava Krósvia. Quase perdi o fôlego, era uma construção maravilhosa, gigante.

– É aqui que você mora?. — Perguntei um pouco animada, o lugar era realmente lindo, digno de uma família real.

– Não, esse palácio foi construído no século XV com o intuito de abrigar a família real, mas depois de alguns anos, as famílias reais foram escolhendo palácios que chamassem menos a atenção, ou em regiões mais calmas. — Respondeu ele, e sabendo que eu ainda continuava curiosa, continuou. — Eu moro no Palácio Sorvinski.

Dei um sorriso tímido e continuei olhando ao redor.

O que mais me impressionou foi a fonte em frente do palácio. Ela ficava dentro de um imenso lago cristalino e devia ter mais de 20 jatos de água, que se alternavam em jorros dançantes.

Depois, à medida que nos aproximávamos do Palácio Sorvinski, a paisagem urbana foi dando lugar a um cenário bucólico, quase paradisíaco. Já dava para ver o mar! Meu Deus! Que demais! Só agora eu me dava conta de que passaria uma temporada à beira do oceano.

De repente o palácio surgiu, e meu queixo caiu. Nem tanto pelo prédio em si — que é grande também —, mas pelo conjunto formado pelo castelo, a fonte, o jardim opulento e o Mar Adriático atrás. O que senti não tem explicação. O carro parou num pátio imenso, onde já havia outros veículos. No mesmo instante, surgiu uma mulher bonita, de cabelos loiros presos num coque perfeito. Ela esbanjava eficiência, tanto pela postura quanto pela aparência, vestida com um tailleur cinza-chumbo, meia-calça e saltos altos com pontas finas, que faziam barulho no piso a cada passo que ela dava.

– Olá majestade, que bom vê-los.- Falou olhando de meu pai para mim fazendo uma avaliação disfarçada.

– Olá Irina.

– Essa é a Senhorita Swan, digo... Emma. — Corrigiu ele. — Minha filha. Espero que tenha feito tudo o que eu pedi.

– Claro Majestade, está tudo conforme o senhor pediu. — Irina disse num tom alegre e então se virou para mim. — É um enorme prazer conhece-lá Senhorita. Estávamos todos ansiosos com a sua chegada.

Todos? Ela continuou.

– Espero que goste do seu quarto, e do palácio. Ah, do país inteiro. Aqui, tudo é maravilhoso.

Coitada. Estava uma pilha de nervos, não sei se por causa da minha presença, ou por causa do meu pai.

– Emma, Irina será sua secretária, assessora, não sei ao certo como chamar isso. Ela trabalha pra mim, mas ficará responsável em resolver tudo o que você precisar enquanto estiver aqui.

Então vou ter uma babá?

– Não vou poder andar por ai sozinha?

– Claro que sim, você pode fazer o que quiser, mas quando a noticia de que eu tenho uma herdeira se tornar publica, teremos que tomar algumas precauções.

Gelei.

– Vamos entrar?. — Disse Irina, estendendo a mão para mim.

Eu não via a hora de ficar sozinha e ligar para todo mundo no Brasil. Estava me sentindo uma princesa dos contos de fadas da Disney. Ruby adoraria tudo isso.

***

A escadaria da frente do castelo era um prenúncio do que viria a seguir. De alguma forma, ela me pareceu meio familiar. Os degraus eram de mármore, ladeados por um guarda-corpo em colunas. Tudo muito antigo. Ao passar pelo portal de entrada, tão enorme e pesado, com o brasão da família Markov esculpido no centro, dei de cara com um salão gigantesco, mobiliado ao estilo do século XVIII. Longas e pesadas cortinas de veludo cobriam as janelas; havia várias poltronas escuras, parecidas com as dos filmes e novelas de época; tapetes — será que da Pérsia? — forravam o chão de mármore branco e polido. U-au! E o lustre? Nunca tinha visto um assim: do teto, pendia uma escultura de cristal formada por uma infinidade de gotas cristalinas. A peça devia ter o tamanho de um Fusca. Sem brincadeira.

Irina não se cansava de explicar a história da família e do castelo. Ouvindo o incansável falatório da secretária/governanta/assessora/sei lá mais o quê, seguimos pelas escadas — longas e adornadas — que levavam ao segundo andar.
Toda aquela conversa já havia me cansado, sinceramente, não sabia se estava no inferno ou no paraíso. Tudo que eu precisava era descansar meu corpo e minha mente. Um banho para relaxar seria um bom começo. O fuso horário de 5 horas na frente do Brasil também estava ajudando no cansaço.

Paramos no meio do corredor e Irina abriu a porta, me surpreendi, era um quarto enorme, maior do que a minha casa em São Paulo. Um pouco exagerado, mas maravilhoso. As paredes eram bege, a cama — gigantesca — ficava no centro do dormitório, encostada numa parede recoberta por um papel de parede listrado de bege e marrom. Havia também uma lareira e, em frente a ela, duas poltronas cor de pêssego. Um painel de madeira escura cobria toda a parede em frente da cama. Nele, estava instalada uma televisão enorme de LED com entradas e saídas para tudo o quanto é tipo de mídia.

– O que achou senhorita?. — Perguntou Irina, animada.

– Maravilhoso. — Eu estava realmente impressionada.

– Venha ver o closet

– Uau, isso é maior que meu quarto no Brasil. Minhas coisas vão sumir ai dentro.

Um sorriso insistente e fácil grudou em meu rosto. Nada se comparava a essa sensação de ser querida num meio completamente estranho e novo. Irina tivera um trabalhão para deixar aquele quarto perfeito para mim. E eu fiquei, é claro, muito grata.

– Obrigado Irina, é realmente tudo maravilhoso. Não precisava.

– Claro que precisava, você é a princesa de Krósvia.

Ouvir isso me fez pensar na Ruby, ela estaria surtando se estivesse ali.

– Você gostou filha?. — Perguntou meu pai com brilho nos olhos.

– Eu amei David, nem sei como agradecer.

E não sabia mesmo, ele estava se mostrando uma pessoa maravilhosa. Como minha mãe o deixou escapar?

– Fico feliz Emma, querida. Quero fazer tudo o que estiver ao meu alcance por você. Posso ter perdido 20 anos, mas agora não quero perder nem mais um minuto se quer.

E a verdade, é que nem eu queria.

***

Acordei sem saber onde estava, minha cabeça doía como se eu tivesse dormido anos seguidos, custei a reconhecer o lugar. Krósvia. Princesa. Pai. Dei um pulo e me lembrei de tudo que tinha acontecido nas ultimas horas, então era real, eu realmente estava ali. Lembrei que não havia dado noticias no Brasil e quando peguei o celular tinha 20 chamadas não atendidas e 10 mensagens. A maioria da mamãe, e umas três de Ruby. Mandei noticias por escrito mesmo, não estava com animo pra bater papo. Levantei e acendi as luzes, vi um bilhete da Irina pedindo pra eu encontrar todos na sala de jantar assim que acordasse. Tentei me arrumar da melhor forma possível e sai do quarto.

O palácio é enorme demais, e eu claro, totalmente perdida. Entrei em uma sala enorme, com muitos, milhares na verdade, de livros, e deduzi que seria a biblioteca, mas sem tempo para ficar olhando, prometi que voltaria depois para bisbilhotar. Dei as costas para os livros e me choquei contra um corpo, parado no meio da sala.

– Ai. — Dei um gritinho, mais pelo susto do que pela dor.

– O David está maluco atrás de você.

Uma voz rouca, um tom ríspido, dei um passo para trás e vi uma jovem, muito bonita, vestida casualmente mas ao mesmo tempo elegante. Ela é alguns centímetros mais baixa que eu, uma pequena cicatriz no lábio superior e tinha cheiro de maçã. Estava séria, e me olhava com um olhar irritado. Não sei exatamente o que eu senti olhando para aquela moça, mas com certeza o que ela estava sentindo em me olhar, não era nada bom.

Notas finais
Eai gente, o que acharam? Me desculpem se eu estiver correndo muito com a história e não estiver contando nos mínimos detalhes, eu pensei que dois capítulos seria o suficiente pra introduzir a Emma nessa revelação e "nova vida" e começar logo a introduzir ela com a Regina. Ta bom assim? Ou ruim? Comentem o que estão achando... E acharam o capitulo muito grande? Se sim desculpa, tento escrever menos no próximo. Espero que tenham gostado...