A princesa de Krósvia

17 Graças ao Romeu.


Notas iniciais
Voltei. Gente, vocês são cruéis hein? Não posso nem descansar poxa, HAHAHAHA! Adoro que vocês me atormentem assim, é sinal de que estão curtindo a fic, me desculpem por ter feito vocês passar por essa turbulência, mas é necessário. Ainda estou devendo a vocês as respostas dos comentários, eu li todos e amei cada um, vocês são lindos demais, obrigado de verdade pelo carinho... E um agradecimento especial pra nahmendonca que me deixou uma recomendação linda, um beijo enorme pra ti sua querida ... Então vamos descobrir por onde Regina anda? encontro vocês nas notas finais !

Passei a semana me policiando para evitar a Internet durante o dia. Se eu me permitisse, checaria meu Outlook o tempo inteiro, mas não estava disposta a me prender diante do computador, nem a deixar a ansiedade me dominar.

Mesmo assim, de vez em quando eu dava uma olhadinha na caixa de entrada e verificava se havia uma resposta de Regina. Mas ela nunca apareceu. Eu poderia tentar me convencer de que talvez seu endereço de e-mail tivesse mudado ou de que ela estava sem acesso à Internet no lugar por onde andava, caso ainda estivesse viajando. Porém, no fundo, já conhecia a verdade: o amor de Regina por mim não era tão grande e ela me deletara de sua vida bem rapidinho.

Não contei minha última façanha para ninguém, nem para Ruby. Aquele fracasso eu guardaria só para mim. Bom, pelo menos, era essa minha intenção...

Mas foi só Killian me ligar para eu despejar em cima dele toda a frustração que sentia.

— Killian, eu sei que magoei a Gina com minha desconfiança, mas não acha que já fui punida o suficiente?

Eu sempre conversava com ele por telefone ou whatsapp e isso me ajudava a me manter conectada com a Krósvia. Killian me falava sobre seu filho e ao resto da familia, incluindo as meninas do Lar Irmã Celeste e dizia que todos eles sentiam minha falta. Eu morria de saudade também.

— A Regina é muito cabeça-dura — comentou ele naquele dia, ao telefone.

— A questão não é bem essa — discordei. — Ela pode não ter participado da armação contra mim, como ficou provado, mas também não estava tão interessada. Caso contrário, teria me dado uma segunda chance, né?

— Não sei, Emma. A Regina é uma mulher incrível, mas é teimosa como ela só, desde criança.

— Bom, se é questão de teimosia, a coisa ainda é pior. Não dá para acreditar que não respondeu ao meu e-mail, nem ao menos para pedir que eu não a procure mais.

— Não sei, Emma. É estranho. De todo modo, você sabe, ela não está aqui em Perla. Nem o Natal Regina passou conosco. Está pelo mundo afora, de mochila nas costas, viajando por aí. Talvez nem tenha recebido sua mensagem.

— Duvido muito, Killian. Mas tudo bem. Acabou. Vou procurar não me preocupar mais com essa história. — Suspirei, mudando de assunto: — Estou pensando em trabalhar como voluntária numa instituição assistencial aqui na minha cidade. Não decidi nada ainda, mas...

— Emma me escuta. — Killian disse num tom sério ­— Eu sei quevocê ama minha irmã, sei disso desde o momento em que o jornalista perguntou sobre vocês, não havia mais como negar, a conexão entre vocês era imensa. Regina está magoada, e com razão, você quebrou o coração dela, um coração que ela demorou para reconstruir depois da morte da nossa mãe. Não será um email que vai faze-lá mudar de ideia, se você a ama, dê um tempo para ela. O amor é algo engraçado Emma, ele pode doer, rasgar teu peito, e vai fazer isso com a Regina, mas no final, não vai importar o quanto você a fez chorar, e sim o quão feliz você a fez, e quando ela perceber isso, ela voltará atrás, mas ai você, você vai ter que provar para ela o quanto a ama e o quanto errou.

— Você realmente acha isso?

— O que eu sei ou que eu acho não importa. Pode ser clichê Emma, mas se o amor de vocês for verdadeiro, ele vai prevalecer, não haverá mágica nem tempestades que impeçam. Eu estou torcendo por vocês, você virou minha irmã, estou do seu lado.

Faz um bem enorme para a alma a gente se sentir amada. Eu não tinha do que reclamar quanto a isso, pois tanto minha família brasileira quanto a da Krósvia eram maravilhosas. E Killian, naquele momento, foi um irmão e tanto.

Desliguei o telefone mais aliviada, já que tinha desabafado e tirado um pedaço do nó que andara fixando residência em meu estômago.

Como era sábado, decidi sair um pouco de casa e aproveitar a tarde bonita para fazer uma caminhada pela Avenida Paulista. Vesti uma malha de ginástica, calcei meus tênis de corrida e fiz um rabo de cavalo alto, pois detesto me exercitar com os cabelos soltos, grudando na pele. Enfiei uma nota de 20 reais no cós da calça e saí, depois de avisar minha mãe para onde eu ia.

— Também estou de saída — ela gritou da cozinha. — Vou para aquele evento em Santos. Só volto amanhã.

— Ah, é? Então a festa lá vai ser das boas — comentei.

— Sim. São bodas de ouro e os filhos do casal programaram dois dias de comemoração.

— Bom, boa sorte então — gritei de volta.

— Obrigada, filha! Estou deixando um pastelão de frango. Ah! E uma torta de pão.

— Beleza! Beijo!

Fechei a porta sorrindo. Ter uma mãe craque no fogão tem suas vantagens. A gente nunca passa fome. O lado ruim é que fica impossível controlar as calorias extras com tanta comida boa em casa. Mais um motivo para eu caminhar. Aliás, já que eu passaria o final de semana em casa só comendo, melhor mesmo seria correr de uma vez.

E foi justamente isso que fiz. Apertei meus óculos escuros no rosto, liguei o iPod e segui o fluxo de corredores. No começo, tive um pouco de dificuldade para manter o ritmo, uma vez que andava meio fora de forma. Mas acabei pegando o jeito e me animei a dar mais de dez voltas — meu recorde até então.

Não prestei atenção em nada a meu redor. Não posso nem afirmar se o lugar estava cheio ou não. Só corria, procurando eliminar qualquer tipo de pensamento de meu cérebro. Meia hora depois, já podia sentir o efeito animador da endorfina em meu organismo.

Só parei quando minha panturrilha direita reclamou. Notei que o músculo deu uma repuxada, então desacelerei. Caminhei devagar até um vendedor ambulante e comprei uma garrafa de água mineral.

— Você é a Emma, né? — perguntou ele, com os olhos brilhando de empolgação. — A princesa.

— Sim — respondi com cuidado. A última coisa que desejava era chamar atenção.

— Eu sabia! Falei para minha mulher que já tinha visto você caminhando por aqui, muito tempo atrás, mas ela me chamou de mentiroso. Vê se pode!

Sorri encabulada, doida para escapar dali.

— Meu nome é Romeu e fiquei surpreso quando te vi no Fantástico. Quase caí do sofá. Não acreditei que era você, a garota mais bonita da Paulista. Que história, hein!

— Nem me fale! — Revirei os olhos.

— Você se importa de tirar uma foto comigo?

Quase engasguei com a água.

— Tirar um foto? — repeti, insegura. — Aqui?

— É. Rapidinho. Meu celular tem uma câmera excelente — ele assegurou, enquanto retirava o aparelho do bolso de trás da calça. — Eu só preciso pedir para alguém bater.

— Certo — concordei, resignada. Se eu dissesse não, pareceria uma dessas celebridades esnobes. E não queria ser nem uma coisa, nem outra.

— Ali. Tem uma moça lá.

Romeu apontou para uma mulher parada a poucos metros de distância. Aproveitei o momento e tomei um bom gole da água. O calor estava demais! Quando desgrudei o gargalo da garrafa dos lábios e olhei na direção do vendedor, minhas pernas fraquejaram.

De calça jeans clara, surrada, até com uns rasgos no joelho, camisa verde, botas marrons, óculos Ray Ban e um cabelo bagunçado, a imagem de Regina preencheu todo o meu campo de visão. Miragem ou não, só sei que a garrafa de plástico escorregou de minha mão e se espatifou a meus pés.

Não consegui pronunciar nenhuma palavra. Perplexa, acompanhei com o olhar a aproximação de Romeu e Regina, lado a lado, vindo em minha direção.

— Essa moça aqui não fala português, mas acho que entendeu meu pedido. — Alheio ao fio elétrico que me ligava a Regina, Romeu preparou a câmera do celular.
Acho que todo o sangue de meu corpo se esvaiu e meu raciocínio lógico se foi. Eu não sabia o que fazer. Regina não tirava os olhos de mim. Nem os óculos escuros foram capazes de esconder isso.

— Pronto, princesa Emma — Romeu falou. — Posso chegar mais perto?

A essa altura, Regina segurava o celular de Romeu e o apontava para nós. Mexi a cabeça, concordando. Então, fizemos uma pose e a foto foi tirada. Em seguida, o vendedor pegou o telefone de volta e conferiu a qualidade da imagem.

— Obrigado! — ele agradeceu. — Agora, quero ver minha mulher duvidar de eu que conheço você!

E então Romeu desapareceu com seu carrinho, permitindo que Regina e eu ficássemos cara a cara e a sós. Mas eu não sabia como agir. Decidi não fazer nada e esperar Regina se manifestar.

— A gente pode conversar? — Aquela voz maravilhosa e profunda, que eu não escutava havia tanto tempo, atingiu meus ouvidos num inglês carregado com o delicioso sotaque da Krósvia.

Num segundo, os óculos de Regina foram parar no V de sua camisa e eu pude visualizar aqueles olhos castanhos que me levavam à loucura. Ela deu um passo, aproximando-se, e eu dei outro, só que na direção oposta. Eu me recusava a ser decepcionada novamente.

— Conversar sobre o quê? — questionei.

Regina esfregou os cabelos, que estavam mais curtos. Na mesma hora, meu estômago deu uma cambalhota.

— Sobre nós, Emma, é claro. Por que outro motivo eu estaria aqui se não fosse por você? — Ela parecia impaciente.

E eu mantive o mesmo tom.

— Bom, faz tempo, você não acha? E eu não entendo o que te trouxe a SP, já que, ao não dar bola para meus e-mails, os dois, você deixou bem clara sua decisão.

— É por isso que precisamos conversar — insistiu ela, ainda bastante sisuda, mas ansiosa. — Preciso explicar umas coisas.

Sempre tão mandona...

— Por favor — completou. — Essa história já foi longe demais.

E como, pensei. Mas não por minha culpa. Parece que Regina adivinhou meu pensamento, pois começou a explicar:

— Sei que não facilitei as coisas, Emma. Fui uma idiota completa. Agora, estou apavorada aqui, na sua frente, com medo de você virar as costas e dizer que não tem mais jeito.

Meus olhos começaram a lacrimejar. Entretanto me recusei a chorar diante dela. Já tinha feito isso uma vez, por puro desespero, e depois quase desidratara durante um mês de muitas lágrimas. Chega!

— Regina, eu não sei o que dizer — confessei, puxando nervosamente a barra de minha blusa de ginástica.

— Então, deixa que eu falo.

Olhei ao redor. Havia gente demais por perto e muito barulho de conversas, gritinhos de crianças e motores de carros.

— Aqui não é o lugar ideal.

— Concordo. Vamos até sua casa, então.

Franzi a testa, desconfiada.

— Como sabe que moro perto daqui?

— Ora, Emma, eu tive que correr atrás para te encontrar, né? E eu tenho fontes confiáveis.

— Posso presumir que minha mãe faz parte delas?

Regina riu pela primeira vez desde que se materializara diante de mim. Fiquei sem fôlego. O sorriso dela não tinha explicação. Aquela veia na testa... Hummm...

— Lógico que sim. Além de me contar onde você estava.

Por que eu estava impressionada? Regina sempre conseguia o que queria.

O trajeto de volta a meu apartamento foi tenso. Caminhamos lado a lado, mas não permiti que nos tocássemos. Já havíamos estado naquela situação, quando passeávamos despreocupadamente pelas estradas e cidades da Krósvia. A diferença era que, naquela época, não tínhamos experimentado estar nos braços uma da outra. Portanto, ficar perto de Regina sem sentir seu calor era como ir a uma bomboniere e não se empanturrar de doces.

Ela até tentou engatar um início de conversa, mas preferi esperar o momento certo, quando estivéssemos dentro de casa. Falamos apenas sobre banalidades no elevador, que demorou demais até parar em meu andar. Ao chegarmos, abri a porta e anunciei:

— Vou tomar um banho primeiro.

— Ah, qual é, Emma! — Regina quase estourou. — Vai ficar adiando só para me castigar?

— Não, Regina. Preciso de um banho porque corri demais e estou suada, né? Já reparou como faz calor aqui? Toma. — Entreguei na mão dela o controle remoto da televisão. — Assiste a um pouco de TV. Não vou demorar nada.

E saí sem dar chance a ela de retrucar. Na verdade, a chuveirada era um pretexto. Eu precisava me acalmar e colocar a cabeça para pensar com coerência, pois não queria me fazer de difícil, mas também não podia baixar a guarda assim, de cara. Sabe-se lá o que Regina diria, no fim das contas.

Deixei a água da ducha massagear minhas costas e meu coro cabeludo. Notei que a tensão que me dominava se esvaía aos poucos, então decidi não protelar mais a tal conversa decisiva e desliguei o chuveiro. Enrolei meu corpo numa tolha e os cabelos em outra, moldando uma espécie de turbante em cima da cabeça.

Não me preocupei em sair do banheiro desse jeito porque meu quarto é uma suíte. Portanto, abri a porta, que eu nem tinha trancado com chave, com a intenção de me vestir logo e encarar Regina em seguida.

— Gosto mais do seu quarto do castelo.

Literalmente pulei de susto. Como de costume, Regina me surpreendeu dentro de meu quarto, sem dar aviso prévio. Agarrei o nó da toalha com força. Se ela resolvesse cair, o negócio ficaria feio para o meu lado.

— Sei lá — continuou ela, todo à vontade. — A vista é mais bonita e a cama... bem maior.

Regina já tinha perdido o ar de preocupação e agora falava com a segurança de quem sabia que teria sucesso em seu propósito. Seu olhar passeou de minha pequena cama de solteiro para a toalha que cobria insuficientemente meu trêmulo e apavorado corpo. Estremeci.

— Você não perde a mania de invadir os lugares sem ser convidada — acusei. — Eu pedi para você me esperar.

— E foi o que fiz.

Regina avançou em minha direção até me prender contra a parede. Tive, então, a consciência de seu perfume e da rigidez de seu corpo. Sem que eu pudesse prever, ela estendeu a mão e retirou a toalha de minha cabeça. Meus cabelos caíram molhados e completamente bagunçados sobre meus ombros. Mas, como minhas mãos seguravam a outra toalha, não pude arrumá-los.

Mais uma vez prevendo minha intenção, Regina penteou os fios indomados com os dedos, tanto ajeitando a cabeleira quanto me torturando. Minha respiração acelerou.

— O que você está fazendo? — ofeguei.

— Tentando te persuadir a baixar a guarda para mim.

Ai, meu Deus! Regina era tão segura de si, tão autossuficiente!

Empurrei-a para longe. Quero dizer, não tão longe, mas o suficiente para seu corpo deixar de pressionar o meu.

— Você acha que pode resolver as coisas assim, me seduzindo como se eu fosse uma adolescente cheia de hormônios e incapaz de resistir ao seu toque? — indaguei, estressada demais para ser delicada. — Regina, no momento nós precisamos de palavras. Eu preciso entender o que houve no último mês, o que aconteceu para você desaparecer e não aceitar meus dois pedidos de desculpas. E o que mudou para agora você estar aqui na minha frente, tentando retomar de onde paramos, como se nada tivesse acontecido nesse intervalo de quatro semanas!

Ela me encarou por um tempo e depois se sentou em minha cama, desviando o olhar para meu mural de fotos. Eu mantinha uma espécie de linha de tempo num painel de metal sobre a escrivaninha. Havia retratos desde minha infância até meu período na Krósvia. Mas tive o cuidado de não colar nenhuma foto dela. Para quê? A imagem de Regina jamais substituiria sua pessoa, e olhar para ela no papel me faria sofrer ainda mais.

— Emma, eu tive muita raiva de você.

Agora, sim. Conversaríamos sem joguinhos de sedução. E, mesmo não gostando de escutar aquela primeira frase, não a interrompi.

— Eu fiquei puta, porque nunca imaginei que você fosse acreditar na palavra de desconhecidos em vez de confiar em mim. Eu tinha aberto meu coração, coisa que não faço com frequência, tinha lhe dado a escolha de ficar ou não comigo. Porque eu não forcei a barra com você, não no que diz respeito a dormirmos juntas. Verdade ou não?

Balancei a cabeça, concordando.

— Então, como pôde pensar mal de mim? Desde o princípio, aquela história tinha cara de armação!

— Regina, tudo aconteceu muito depressa. Fui pega de surpresa — justifiquei-me, sentada de frente para ela na cadeira de estudo. — E um dos fotógrafos falou com você, te chamou pelo nome. Acha que consegui raciocinar com clareza?

— Era só olhar para mim que enxergaria a verdade. Eu estava tão chocada quanto você. Até mais, porque eu vi repulsa no rosto da mulher que eu amo, uma repulsa por mim. Isso depois de ter passado com ela a melhor noite da minha vida, de ter feito de tudo para que fosse perfeita.

Regina enterrou o rosto nas mãos, mas não parou de falar. Enquanto isso, minha mente se fixou na afirmativa “mulher que eu amo”, dita no presente.

— Eu esperava um pouco mais de crédito — continuou ela.

— Com a cabeça quente, nem sempre agimos com lucidez — interrompi. Meu coração batia aos pulos, dificultando bastante a pronúncia das palavras, que saíram meio entrecortadas, como numa transmissão ruim de rádio.

— Certo. Isso eu até entendo. Mas você só mudou sua opinião a meu respeito quando ficou provado que eu não estava envolvida na armação. E já tinha dado tempo de esfriar a cabeça, não é?

Diabo de mulher que tinha argumento para tudo!

— Sim, Regina. Por isso é que eu praticamente implorei para você me perdoar, porque tive consciência do tamanho da minha burrada.

— No dia que recebi aquele e-mail, eu estava mal. — Seus olhos prenderam os meus. — Não consegui te desculpar naquela hora, Emma.

— Nem depois, né? — completei para ela. — E olha que meu segundo e-mail foi ainda mais desesperado. Eu confessei coisas inéditas até para mim mesma.

Com um movimento inesperado, Regina ficou de pé e enfiou a mão num dos bolsos de trás da calça. Retirou de lá um papel dobrado e se ajoelhou para ficar com o rosto no mesmo nível do meu. Eu só conseguia olhar para a folha branca, que se revelou, depois de desdobrada, ser minha segunda mensagem.

— Emma, quando recebi isto aqui — Regina balançou o papel —, estava prestes a ceder. Viajei por um tempo, o que me ajudou a pensar com mais calma. Eu viria atrás de você de qualquer forma. Sua mensagem só reforçou minha decisão. E se eu não respondi foi porque queria te olhar e falar olhando nos seus olhos, porque apesar das nossas falhas, de nós duas termos sido cabeças-duras, eu só consigo ficar feliz perto de você.

Senti que um sorriso tímido se insinuou em meus lábios e Regina os contornou com o polegar, como já havia feito antes, em meu outro quarto, na Krósvia.

— Sinto falta de tudo em você, Emma — ela continuou, sussurrando, a voz meio embargada. Seus olhos castanhos não largavam os meus. — Tenho saudade da sua alegria, do seu amor pelas pessoas, do seu entusiasmo diante das situações mais simples, até do seu humor variável.

Quase chorei quando a palavra saudade foi dita em português. Significava muito para mim, não pelo uso de meu idioma, mas porque traduzia a enormidade de seus sentimentos.

Com a boca colada em meu ouvido, Regina completou:

— Sinto saudade da sua pele, dos seus lábios macios e do seu corpo apaixonado. Não posso mais viver sem tudo isso, Emma. Então, por favor, diz que me aceita de volta e acaba com essa agonia.

Mais inebriada de paixão do que qualquer princesa de contos de fadas, respondi ao apelo de Regina jogando meus braços em volta de seu pescoço, puxando-a para um beijo daqueles. Nem preciso dizer que a toalha que envolvia meu corpo afrouxou e, num instante, não estava mais a meu redor. Regina me tirou da cadeira e me levou até minha minúscula cama, mas, em vez de matar a saudade dos momentos que vivêramos na Ilha de Zelena, ela primeiro contornou minhas feições com o indicador e declarou:

— Você é a pessoa mais importante da minha vida, Emma. Esse último mês foi um pesadelo.

Fechei os olhos e me entreguei a meu amor. Eu e Regina ficamos nos beijando durante o que me pareceu ser horas, e meu corpo já estava cansado de esperar, num movimento rápido, passei Regina para baixo de mim, ficando encima dela e disse:

— Hoje sou eu quem vai amar você.

Uma Emma que eu nunca havia visto antes tomou conta do meu corpo, tirei a blusa de Regina e olhei para ela, não queria que ela dissesse para que eu continuasse, queria apenas ver desejo nos seus olhos, e foi o que eu vi. Os olhos dela ardiam sobre mim, rasguei seu sutiã e preenchi minha boca com seus seios. Regina soltou um gemido que me deixou mais excitada, meu sexo contraiu, eu não queria mais esperar, eu queria senti-lá.

— Eu te desejei tanto Gina...

Mais gemidos, tirei sua calça e e voltei aos beijos, nossos beijos eram voraz, como se dependêssemos daquilo, então sem pudor algum, penetrei um dedo em Regina e disse:

—Esse é por não ter me procurado depois que sai da ilha. — Disse no pé de seu ouvido. Mais gemidos. Penetrei mais um dedo e continuei. — Esse é por não ter me respondido de imediato. — Mais gemidos de Regina, mais excitação em meu corpo, mais vontade. Resolvi abusar e penetrei o terceiro dedo. — E esse... ahhh... esse é só porque você é maravilhosa demais. — Regina soltou um grito abafado entre meus cabelos e mexia seu quadril conforma os movimentos dos meus dedos no seu sexo.

Com dificuldades respiratórias, eu ousei dizer:

— Vamos Gina, mostre o quanto você sentiu minha falta, goza pra mim.

Mal terminei de dizer e senti Regina explodindo embaixo de mim, soltei um sorriso travesso enquanto pensava o quão eu havia gostado dessa Emma que havia me habitado, ver Regina gemer, gritar e gozar pra mim foi uma sensação maravilhosa. Na nossa primeira noite ela havia se dedicado somente aos meus orgasmos, mas devido ao que eu fiz acho que ela merecia isso, e creio que ela tenha pensado o mesmo, já que disse com dificuldade:

— Emma isso foi... uau... foi tão... nossa

— Shiiiiiu amor, não fala nada, só fale depois que eu gozar pra você!

Notas finais
Ai gente, eu quero uma Regina pra mim, será que tem no aliexpress? Hahahaha, mentira, já achei minha Regina :p mas eai, me contem... o que acharam dessa Emma? Bem abusadinha né, run... Comentem ai, JURO que irei responder... BEIJOS !