Notas iniciais
Eu voltei gente! Finalmente! Depois de um hiatos de mais de um ano, eu estou de volta! Espero que apreciem o capitulo que eu escrevi com muito amor. Aproveitem! ♥

"Não se pode impedir a primavera de colorir novos olhares"

– Heva Freitas

(...)

A cozinha estava completamente vazia. Em cima da mesa encontrava-se um farto café da manhã e um bilhete de meu tio.

“Anne, desculpe, não poderei tomar o café da manhã junto com você, pois precisarei chegar mais cedo no trabalho. – Com amor, tio Stephen.”

Isso era tudo que o bilhete dizia então me sentei á mesa e enchi minha xícara de café. Estava vivendo com meu tio a pouco mais de duas semanas e desde então notei o quão árduo era seu trabalho afinal, eram raras às vezes em que conseguimos passar as manhãs juntos.

Terminei meu café e fui direto pegar meu ônibus para a escola. Eu havia decidido, desde minha última tentativa falha, que arrumaria um amigo custe o que custar. A viagem de ônibus não durara muito e me sentia tão avoada aquele dia que quase não percebi que já estava em frente à escola, pois o que me acordou de meu transe foi o agudo barulho anunciando o inicio das aulas.

Entrei rapidamente na sala e me sentei organizando os materiais. Foi então que notei uma aura de expectativa pairando sob o ar.

– A professora Rikki vai entregar as provas de química daqui a pouco. Tenho quase certeza de que não irei muito bem esse semestre. – Disse uma garota de cabelos repicados e rebeldes que sentava em minha frente. Ela choramingava para a amiga ao lado já imaginando o que teria que fazer pra se recuperar.

Assustei-me com a figura que havia acabado de entrar na sala. A professora Rikki é sem duvida a mais temida de todas as classes da escola, não por ser ruim ou injusta, mas simplesmente porque era a mais exigente entre os professores.

– Bom dia, Classe. – Disse a mulher de cabelos curtos e acinzentados com uma expressão séria no rosto. – Hoje irei entregas as provas que fizeram semana passada. – indagou abrindo a bolça e retirando de lá um diário escolar repleto de papéis.

Pegou as folhas e encarou-as um tempo antes de começar a falar:

– Como sempre as piores notas estão concentradas nessa turma. — Seu olha era quase mortal para com a sala. – Porem, tive uma felicidade extrema ao corrigir uma das provas, pois uma pessoa conseguiu tirar a nota máxima. – Vi meus colegas de turma ficarem boquiabertos. – Então, vou começar entregando a prova para ela e a parabenizando por seus esforços. – Falou ao retirar umas das provas da papelada em que segurava. – Anne Collins, pode vir aqui? – Perguntou fitando-me com uma expressão de orgulho.

A sala inteira virou-se para me encarar de olhos arregalados. Levantei-me sentindo um pouco envergonhada e assim que fui pegar a prova das mãos da professora ela sibilou um ligeiro: — Meus parabéns.

Agradeci-a e voltei a me sentar rapidamente enquanto ela entregava as provas dos outros alunos.

Quando restou apenas uma única prova nas mãos ela disse:

– Senhor Kyle, como sempre com a pior nota na minha matéria, infelizmente desta vez vou ter que encaminha-lo para a direção. Quando acabarem as aulas me procure na sala dos professores, pois você precisa de uma conversa com o diretor. – Disse impacientemente.

Ele continuou a não prestar atenção na professora mantendo seus olhos apenas no livro em cima da sua mesa. A senhora Rikki suspirou e prosseguiu a aula.

Desde que conheci Kyle descobri pequenas coisas sobre ele, como por exemplo, que ele não larga o livro por um único segundo, que Seth (o professor que havia me ajudado no meu primeiro dia de aula) era seu irmão e que tinha extremas dificuldades em conteúdos que envolvessem cálculos.

As aulas prosseguiram normalmente até a hora do intervalo e assim que o sinal bateu juntei minhas coisas para ir para algum lugar comer sozinha como sempre.

– Anne, aqui!

Ouvi o grito agudo e me virei imediatamente para ver.

– Você pode se sentar com a gente, se quiser. – Reconheci a menina rapidamente ao ver que era a mesma que hoje de manhã estava desesperada com relação a suas notas juntamente com a outra que estava consolando-a.

Fiquei um pouco nervosa, pois aquela era a segunda vez que poderia conversar com um colega de sala. Peguei meu almoço e caminhei em sua direção rezando para não estragar tudo como da ultima vez.

– Prazer, meu nome é Mika. – Disse mostrando a cadeira em que eu poderia me sentar. Pude então ter uma visão mais detalhada sobre a garota. Além de cabelos medianos, repicados, rebeldes e castanhos ela possuía um par de olhos tão escuros que eram fascinantes destacando ainda mais a pele branca.

Sentei-me e a garota ao lado olhou-me simpaticamente e disse:

– Meu nome é Suzanna, muito prazer.

Suzanna era sem duvidas aquele tipo de pessoa que aparenta ser mais velha apenas pela personalidade. Possuía longos cabelos pretos, olhos dourados e ligeiramente esverdeados e uma pele mais escura que de Mika.

– Então Anne, desculpe-nos parecermos aproveitadoras. – Começou Mika enquanto comíamos. – Mas o fato é que realmente necessitamos da sua ajuda.

– No que eu poderia ajudar vocês? – Respondi um pouco sem graça.

– Basicamente: Química. – Mika respondeu rapidamente. – Queremos umas aulinhas de reforço com você e em troca pagaremos quanto quiser. – Pediu juntando as mãos e rezando por uma resposta positiva.

Eu assustei-me um pouco de inicio, mas logo achei graça e respondi:

– Claro que posso ajudar vocês. – O sorriso de Mika foi inevitável. – Mas não quero dinheiro como pagamento. Quero apenas poder passar o intervalo com vocês todos os dias. Tudo bem pra vocês?

A garota de cabelos rebeldes quase chorou de alegria. Ela e sua amiga concordaram imediatamente com minha proposta. Então o intervalo prosseguiu-se enquanto conversávamos sobre os mais diversos assuntos. Notei que Mika era bastante animada e extrovertida, fazia piada de qualquer assunto que estivéssemos falando. Enquanto Suzanna era mais fechada, falava pouco e raramente, mas não que fosse arrogante ou metida, pois o brilho de simpatia nunca saia dos seus olhos.

As aulas recomeçaram e eu me sentia extremamente bem e leve e pude continuar assim até o ultimo horário. Antes de sair da sala despedi-me das meninas e passei meu endereço para que pudéssemos estudar no dia seguinte, pois já era sábado.

Antes de ir embora corri para o jardim para dar a noticia a Luke. Desde aquele dia nós temos conversado quase todos os dias e acreditava que poderíamos estar começando uma verdadeira amizade.

Estava caminhando até o jardim quando parei ao lado de uma das salas e ouvi uma conversa pela janela.

– Senhor Kyle, essa é a terceira e ultima vez que te avisamos. – Escutei uma voz grossa e ameaçadora.

Olhei pela janela e lá esta o garoto de cabelos castanhos, quase inexpressivo, olhando para algum ponto da sala e a sua frente estava o diretor calvo e rechonchudo, repreendendo-o.

– Se o senhor me aparecer mais uma única vez nessa sala com notas baixíssimas como essa eu, infelizmente, vou ter que expulsa-lo. – Falou. – E você sabe que a reputação do seu irmão como professor novato também corre risco, certo?

Kyle continuava inexpressivo.

– Olha Kyle, você sabe que nossa escola é uma das melhores escolas publicas de Tóquio. Essa reputação precisa ser zelada e não podemos deixar que nenhum de nossos alunos zerem três provas seguidas, você me entende? – Disse o diretor dessa vez com um olhar de súplica.

A sala ficou em silencio por um tempo até que o garoto resolveu se pronunciar:

– Eu posso ir agora?

O diretor deu um suspiro ao notar que nada do que dissera havia surtido efeito e simplesmente levantou a mão apontando à saída para o jovem. Então Kyle saiu apressadamente.

Mudei meu trajeto e decidi procura-lo e por sorte peguei-o na entrada arrumando seus materiais em frente a seus armários.

Eu estava ao seu lado e ele nem precisou levantar os olhos para me olhar antes de dizer:

– O que você quer aqui?

– Eu posso te ajudar a não ser expulso, se você quiser. Estou dando aulas particulares para ajudar algumas pessoas que também precisam de ajuda.

Ele riu em deboche.

– E o que você quer em troca? O meu dinheiro? Porque se for...

– Sua amizade. – Respondi imediatamente antes de ele continuar.

– Minha oque?

– Eu quero sua amizade em troca das aulas. – Falei mesmo achando que aquilo não ia dar muito certo.

– Você é retardada?

– Não eu não sou! Vou lecionar você gratuitamente e em troca você deverá apenas fazer comigo o que um bom amigo faz, tudo bem?

– Você só pode tá de brincadeira comigo. – Respondeu rindo.

– Tudo bem então, se não quiser eu vou embora. – Respondi dando meia volta e indo embora, mas rezando para que ele mudasse de ideia.

– Espera! – Ele resmungou e eu quase pulei de alegria.

Virei-me e esperei que ele continuasse.

– Eu aceito sua proposta. – Falou um pouco irritado.

Caminhei até ele com o meu melhor sorriso de vitória, pois era evidente que ele não estava nenhum pouco feliz com aquela história, estendi minha mão e disse:

– Amigos?

Ele olhou para minha mão pairada no ar e juntou com a sua consolidando o aperto de mãos. Não respondeu mais nada, mas era evidente em que seus belos olhos esverdeados surgiam um brilho diferente.

Notas finais
Eu espero realmente que vocês tenham gostado. Queria ressaltar que não será só a Anne que irá narrar a estéria. Acredito que cada um dos personagens irá narrar pelo manos um capitulo. Enfim, me digam o que estão achando nos comentários! Bjinhos~
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.