O juiz apitou logo após alguns minutos do terrível gol do Alemanha. Há diversas competições, os irmãos germânicos sempre ficavam em segundo ou terceiro lugar. Agora, era uma questão de honra. A primeira vitória européia na América do Sul, por isto eles necessitavam ganhar esta copa e, finalmente, conseguiram.

Os poucos minutos de acréscimos nada significaram. A torcida alemã já comemorava. Antes, a Europa nunca tinha ganhado uma copa na América, por isto Argentina cobiçava o prêmio como certa vingança por está na casa do atrevido brasileiro que se achava o rei do futebol. Todavia, depois do resultado, não queria encontrá-lo.

Terminando a partida, voltou ao vestuário junto aos outros poucos jogadores, já que a maioria comemorava a prata recebida. Infelizmente, aquele que menos desejava já o esperava, certamente com piadas prontas para o momento. Quem havia permitido sua entrada? Só porque era o país anfitrião? Aquele espaço era uma área privada.

Ignorando o outro, o argentino apenas entrou para trocar de roupa. Brasil ainda tentou falar alguma coisa, mas se sentiu incomodado depois de notar a expressão do loiro. Também havia perdido para o Alemanha e sabia como era doloroso aquele sentimento.

– Eu só queria lhe entregar sua taça, por isto a trouxe até aqui.

Percebendo o clima desagradável, os demais jogadores saíram com uma desculpa qualquer, trancando os dois sozinhos. Suspirando decepcionado, o loiro fitou o moreno e para sua surpresa este estava completamente caracterizado como um torcedor alemão. Uma veia de irritação saltou na testa argentina. Aproximando-se do moreno que abafava a risada enquanto levantava do banco de madeira, começou a esmurrá-lo, gritando:

– MALDITO! COMO PÔDE TORCER PELA EUROPA?

– Como você pôde perder faltando tão pouco? É um idiota mesmo.

– Pelo menos, eu não levei sete gols. Sendo 5 em menos de 20 minutos. – Debochou, tentando ao máximo controlar a terrível raiva dentro de si, enquanto o moreno aparentava se divertir com aquilo. – Só levei um gol e foi na prorrogação. Pergunto-me quem é o idiota?

– Eu posso até ter levado 07 gols, mas você continuará sendo bi. – Retrucou o brasileiro, franzido o cenho com indignação. Odiava quando seu futebol era questionado. O mal-humorado jogador se distanciou, caminhando para trás, pois sabia que havia tocado em uma dolorosa ferida, mas conseqüentemente o brasileiro acompanhava cada passo. Para o azar do loiro, uns três passos e o armário já barrava sua continuação. O brasileiro também parou e segurou seu queixo entre o dedo indicador e o polegar para que prestasse bem atenção. — Quando você chegar ao penta volte para reclamar comigo.

– Seu boludo ingrato, eu me esforcei pra te vingar e é assim que me agradece? – Gritou, sendo que sua irritação lacrimejava os azulados olhos, puxando o queixo do domínio do outro e encarando a saída trancada. Almejava fugir, mas o outro permanecia com a mão no centro do seu peito inviabilizado qualquer possibilidade.

– Não. Eu vim aqui para comemorar com você. Estou feliz que o Alemanha ganhou e todos estão festejando, pois poderemos fazer a nossa festa.

– Eu não estou com ânimo para festa, boludo. Eu queria a taça...

– Existem coisas melhores que a taça da copa do mundo. – Falou quase que por um sussurro, tendo uma expressão sugestiva no rosto, a qual foi completamente ignorada. – Grande coisa é uma copa. Vim aqui lhe trazer seu troféu.

– Você não está segurando nada, idiota. – Reclamou fitando-o por segundos e foi surpreendido por um apaixonado beijo salgado como as praias tropicais. O argentino tentou escapar no começo, mas logo se rendeu e passou os braços em volta do pescoço do outro, trazendo para mais perto aquele rapaz moreno e implicante, a quem detestava. Aquilo preenchia sua mente e toda a irritação do campo de futebol desaparecia ao descer as quentes mãos pelos ombros definidos daquele peculiar torcedor alemão.

– Este é seu prêmio por permanecer tanto tempo em minha casa. – Respondeu, separando o beijo por um segundo e permanecendo a encarar o rapaz completamente vermelho em sua frente. – Você jogou muito bem, inclusive foi do seu time que escolhi o melhor jogador da copa.

– Boludo idio... – Reclamou baixinho, porém não conseguiu continuar a falar. Entre fogos e comemorações, o vestuário selava aquela copa, eleita como a Copa das Copas, não só pelos visitantes estrangeiros como pelo brasileiro anfitrião.

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Durante alguns anos depois...

– Pelo menos, eu levei uma medalha e você, Brasil?

– Cala a boca, Argentina.

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