A paixão da morte

3 Uma mãozinha da morte.


Eu queria poder conversar com os homens, se vocês acham que eu sei de tudo, se enganam, posso saber o motivo de todas as guerras, de todos os segredos... disso eu entendo bem. Mas não sei muito sobre sentimentos, e precisava conversar com alguém, mas quem, eu sou a morte e a morte não tem amigos.

Sentia uma coisa dentro de mim, como se fosse um coração, o que não era, se eu disse que era um frio na barriga seria uma piada por que eu sou fria, desculpa, mas realmente não consigo falar o que eu sinto, só sei que eu nunca mais fui a mesma. Como uma criança podia ter feito isso comigo, me encantou, e ela só tinha 11 meses, geralmente me encantava por historias de conquista, bravura, quando sangue era jorrado pelo bem geral, mas nunca por alguém que nem mamãe falava. Mas não me deixei abater, gostava daquilo, e por longos minutos olhava ela sorrindo para mim, sem poder toca-la, o que muito me frustrava. Deixei ela e seus olhos me acompanhavam, até que seu irmão a tirou toda atenção de mim, e ela focou somente nas suas caretas e no calor que ele podia passar.

Talvez muitos de vocês perguntam como eu sou, eu sou o que vocês querem que eu seja. Não sou quem foi o esquisito que me fez com aquela capa preta horrível e com uma foice na mão que tem nada a ver, mas se você tem essa imagem de mim, e essa imagem que você terá de mim, sessenta por cento das pessoas que passam por mim me vêem assim, as outras me vê como a luz no final do túnel, um anjo, um parente que já se foi a muito tempo, uma jardim, já me viram ate como um animal, de todas as formas já me viram, só lamento pelos que não acreditam em mim, eles só vêem uma escuridão horrível mas que passa.

Elisabeth me viu como uma luz branca, e ela nem sabia o que era morte, eu nunca mais deixaria aquela menina.

Ela estava quase completando seu 1 ano de vida, e seus pais estavam angustiados por não saber como comemoraria, eles sempre comemoram o aniversários dos filhos mas as coisas andavam meio difícil para o senhor Martinelli, ele estava preocupado com o trabalho e não sabia de onde poderia tirar o dinheiro para a festa, faltava quinze dias e eles queriam muito isso. Até que eu uma idéia me surgiu.

Deixei a casa com uma vontade de voltar, continuei meu trabalho mas não conseguia esquecer o olhar da minha pequena, e como eu iria ajudar a fazer sua primeira festa de aniversário, essa deveria ser inesquecível.

Já era outro dia quando a agonia da festa batia tirando meu sossego, e também ao Sr. Thomas que foi para a fábrica pensando como iria conseguir. Então resolvi segui-lo.

Ele passou por um mendigo que lhe estendeu uma caneca, ele olhou para dentro como se roubar de um miserável pudesse lhe ajudar, mas ele nunca faria isso, era honesto de mais. Cumprimento o Sr. Richard o dono da barbearia pensou também em pedi-lo, para ele era fora de cogitação, muquirana de mais, e passou por uma doninha, de estatura bem baixa, curvada, com os cabelos brancos como a neve, e a voz já muito cansada, acenou a ela e não pensou em nada pois ela vivia numa situação bem pior que ele. Mal sabia essa doninha que mais no correr da tarde eu iria dar uma visitinha. E continuamos o nosso caminho até a fábrica de lã.

Era uma fábrica pequena, com péssimas instalações segurança zero, e nos últimos anos já fui lá pegar uns vinte mais ou menos, todos partiram por acidente de trabalho. O dono de tudo aquilo era o milionário Piter Bruscovite, um homem arrogante, extremamente desonesto e que nunca estava satisfeito com o que tinha. O Sr. Thomas foi até seu posto de trabalho, se acomodou muito mal, e mostrou que tinha muita intimidade com as lãs, isso se estenderia durante todo o dia se não fosse pelo o que estava por acontecer.

Aquela fábrica pagava muito mal seus funcionários, mesmo o Sr. Thomas tendo tantos anos de fábrica nunca recebeu aumento e nem se quer cogitaram a ele mudar de cargo, para algum que lhe rendensse um pouco mais. Ele era o que tinha mais desenvoltura herdou o talento do pai um homem que ajudou ao Sr. Bruscovite ter uma fábrica e que nunca ganhou nada por isso.

Piter Bruscovite já era um homem velho, baixo, gordo, que não se casou por miséria e não tinha herdeiros, vivia na maior casa da região, ele, o mordomo James, a cozinheira Helena, e dois cachorros horríveis. Nunca se sentia sozinho, era como se ele se drogasse com todo o seu dinheiro e poder. Ele não conseguiu o que tinha sozinho muitos o ajudaram e ele chutou a todos, principalmente o Senhor Charles Martinelli pai de Thomas, os dois era grandes amigos e sempre sonharam em ter uma fábrica. Charles deu duro para conseguir o investimento necessário enquanto Piter matou a própria vó para receber a pequena herança. Eles abriram um pequena fábrica que estava dando muito bem, mas o retorno ainda era pouco para Piter e ele queria tudo, e para isso precisava afastar Charles da sua vida.

Me lembro até hoje daquela madrugada. Os dois como de costume todas as sextas iam até um bar toma algumas, tudo já planejado Piter fez Charles beber mais do que podia, mostrou um documento que dizia ele que era somente para o registro no cartório, e que na verdade fez Charles perder todo o direito sobre a fábrica, e para que a noticia da traição não se espalhasse depois que Charles descobrisse tudo ele o jogou no rio e tive que acolher Charles em meus braços, deixou a mulher grávida, e que mais tarde se tornava empregada na mansão de Piter até o dia em que a criança nasceu, e ela não agüentou e veio para mim, e a criança foi mandada para um orfanato onde se tornou o grande homem que é.

Uma idéia passava por mim, eu podia entrar nos sonhos das pessoas e naquela noite o senhor Piter teria um sonho nada agradável.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.