Karl é estratégico, mas algo nunca lhe foi ensinado. Baixar a cabeça não é qualidade dele. Segundo o próprio "Prefiro minha cabeça fora do meu pescoço do que abaixada por um ideal porco". Não foi diferente aquela noite

Todos dormiam no interior da caravela quando foram surpreendido por cavaleiros incrivelmente armados. Apesar do sangue, cabeças cortadas, corpos divididos, Karl foi capturado com mais 30 homens sobreviventes. Todos levados a juri e torturados, outros mortos, mas para Karl o destino foi mais cruel. Por algum motivo desconhecido, os carrascos que mataram Justine sabiam da noite da dissecação e guardaram os ossos para usos futuros, afinal de contas, descendentes de bruxas mereciam uma morte cruel. Karl foi espancado por 11 dias 10 e noites com os ossos da própria mãe, além de intensas perfurações pelo peito e pernas. E assim o deixaram até que a 11ª noite. Seu corpo já estava repleto de machucados, feridas profundas, além de carrapatos. A cripta onde estava fedia de cadáveres, vermes, mas sua vingança estava a caminho. Na calada da noite, quando Karl dava seus ultimos suspiros, alguém parecia o vigiar.

– Você me parece um tanto mal, meu jovem. Vejam essas feridas, esses cortes... Mas eu posso te salvar da morte. Tudo que você tem que fazer é confiar em mim e todos os que lhe maltrataram sucumbirão em vingança, fogo e sangue

– Eu... Quero... Vingar... Minha... Mãe...

Apesar da vontade, foram as ultimas palavras de Karl antes de morrer. Porém, a figura que o observava, rapidamente o toma nos braços e o morde a tempo. Karl berra loucamente com a mordida por horas. Seus gritos ecoam pelo local, mas mal sabem os inquisitores do que está por vir. Poucos minutos antes da execução do Templario Negro, marcada para a meia noite, um grupo de guardas é enviado para checar se o mesmo estava vivo. Uma tempestade violenta se aproximava de Paris aquela noite.

Os guardas entram naquela prisão e observam Karl caído e imovel, mas ao se aproximarem, os guardas tomam o pior susto de suas vidas. Karl os atravessa em um único golpe, fazendo seus orgãos vazarem pelo buraco em suas barrigas. Outros guardas tentam conter Karl e se assustam com o que presenciam. Golpes de espadas, lanças, cortes não o fazem sangrar e o mais sinistro é ver os cortes fechando como magia

– Eu avisei que vingaria minha mãe...

– Agora vá... Vingue sua mãe e espalhe o triplo do ódio que eles espalharam

– Quem é você?

– Me chame apenas de "Troile". Agora vá. Vá e mate a todos. A princípio. Sua roupa está na ala oeste

Karl ainda desconfia daquela ajuda, mas sorri sádico para o seu mentor enquanto avança rumo a ala oeste. O lugar estranhamente desprotegido, o que faz o sorriso de Karl crescer de orelha a orelha. Após vestir sua armadura, é hora de orquestrar um massacre cristão.

Apesar de atrasar o processo de ódio em 10 minutos com alguns guardas, Karl consegue localizar os freis que comandariam sua execução. Um dos responsáveis foi o mesmo frei que matou a mãe de Karl. Por "questões de honra", poupou o frei e seus cardeais, ironicamente os mesmos da noite da morte de sua mãe.

– Mas olhem só que maravilha... Vários coelhos para uma única cajadada. Por quem eu começo?

Karl não encontrou dificuldade em matar os cardeais. Foi fácil como respirar lhes cortar as cabeças. A estrutura de execução estava montada no centro de Paris esperando a vinda daquele frei. Ao abrir das cortinas vermelhas, o choque de todos. Os cardeais e o arcebispo esquartejados e suas cabeças atravessadas em lanças enquanto o frei prestes a ser enforcado.

– Gostaram da surpresa, amigos? Tão linda quanto a gratidão de vocês com aquela pobre moça no auge dos seus 25 anos. Se vocês não entararm num novo surto de tuberculose e peste negra, vocês devem a ela. Mas não... É mais bonito, mais justo e mais leal a condenarem a execução... Pois bem... Este maldito verme suspenso por uma corda matou minha mãe, que por coincidência é a "bruxa" executada.

A plateia entra em extase tentando avançar contra o palanque onde está o vampiro. Karl retira seu elmo negro e encara um a um nos olhos...

– Sei que alguns de vocês nunca quiseram minha mãe morta e sei inclusive que um de vocês me salvou. Devo a vocês eu estar aqui... Morto. Mas aqueles que entregaram ela... Tenho pena e nojo de vocês. Eu poderia perder meu tempo matando um por um, mas farei melhor e mais violentamente.

Além de executar o frei com violência lenta e extrema lhe decepando membro por membro aos poucos e jogando pra platéia que assistia os berros estarrecidamente, ainda o deixou vivo por alguns minutos, o deixando desmembrado para assistir o que seria o grande ato de ódio, Karl soltou centenas de ratos contra a população. Os que sabiam as poções de Justine, certamente sobreviveriam. Já os que acreditavam que ela era uma bruxa, não sobreviveriam a um segundo surto de peste negra.

Quanto ao frei que matou sua mãe, Karl sorriu e o olhou. Lhe molhou com uma substância inflamável e o assistiu se debater sem braços e pernas enquanto o vampiro acendeu uma tocha e lhe queimou ali mesmo. Antes de arder em chamas, o frei lhe implorou para ser poupado

– Você poupou minha mãe? Você me poupou de uma condenação tão vil? Então não tenho motivo pra te poupar... Te vejo no inferno

Pela manhã, Karl foi procurado por um dos monges da ordem parisiense. Apesar da vontade de executa o pobre idoso, lhe foi revelada uma verdade

– Eu te entendo, meu filho, EU JURO QUE LHE ENTENDO. Tanto que estou aqui para lhe dar algo que lhe pertence. Sua mãe teve muitos bens confiscados pela Igreja. Não é muito perto do mal que lhe foi feito, mas eu e alguns monges viemos lhe devolver o que foi roubado de sua mãe

Karl olhou aquilo e por alguns momentos lembrou das histórias que seu pai lhe contava sobre sua mãe. Imediatamente recusou a devolução

– Ergam algo que fará bem ao mundo. Escolas, faculdades, algo que sirva para ajudar os que precisam. Esse dinheiro não traz minha mãe de volta. Me contento com apenas 25% dessa riqueza. O resto eu peço que fiquem. Só não quero esse dinheiro indo parar de volta na mão desses porcos malditos... Acham justo?

Os monges se olham mas acham justa a troca. Após a conversa, Karl até mesmo doou a caravela que usou e resolveu sair da França a cavalo. Após parte de sua vingança ter sido concluída, o vampiro simplesmente saiu da Europa rumo ao oriente, onde aparentemente viveria anos de paz e sossego