Durante boa parte do Século XVI, Karl ficou vagando pelo oriente. Alguns dizem que ele agiu por anos como o único templário a agir pelo território da Rússia e China. Foi nessa época que o, agora vampiro, resolveu parar de agir como um matador. Nesse período de calma, Karl conheceu alguém. Esse alguém seria talvez a melhor coisa que lhe aconteceu. Durante seus tempos de calmaria, Karl se estabilizou ao norte do Japão, onde morou numa pequena vila. Amado por muitos, Karl era querido por quase todos que estavam ao seu redor, com excessão de alguns, que acreditavam piamente que Karl era o demônio.

Uma certa noite, Karl estava perto de uma fogueira com crianças lhes contando sua história quando o sinal de recolher foi tocado. Por estar vivendo entre humanos, Karl até aprendeu a controlar sua sede de sangue, mas naquela noite, seu frenesi seria o mais violento em anos, segundo ele mesmo. O cheiro de quimado invadiu os pulmões do Brujah, que saiude sua tenda e viu legiões de Shoguns ateando fogo na vila. Sua reação foi única: Vestir sua armadura e avançar sobre todos, apesar do seu medo de chamas ser maior que tudo. Alguns soldados menores tiveram seu pescoço decepado pela espada ou dentes do vampiro, já outros mais armados encararam fisicamente o Brujah, que em golpes rápidos lhes decapitou sem problema. Porém, Karl não contava que havia centenas deles. Por mais que matasse os samurais, mais deles apareciam. Mas Karl não era burro. Logo após saber que era uma cilada, montou num dos poucos cavalos que poupou e saiu em caçada aos poucos Shoguns que estavam fugindo. Apesar de ter matado a maioria, apenas um escapou.

– Merda! Onde esse cara ta indo!? Aliás... Por que eles queimaram a vila?

Karl resolveu por a vila em segundo plano por enquanto e seguir o último Shogun. O caminho foi longo, tortuoso, quase impossível de prosseguir. Ao fim, Karl desceu do cavalo e seguiu aquele guerreiro em todo silêncio. O tal guerreiro encontrou-se com um tipo de lider, uma figura que Karl reconheceu só pela voz.


– Ele... ele está vivo?! Eu, eu o matei... Não é possível

– Karl... Eu sei que está aí. Acha mesmo que foi prudente em seguir o meu melhor soldado? Revele-se. Você está a um passo de se encontrar com suas malditas crianças, mulher e a rameira da sua mãe...

Karl novamente olhou para o samurai e para o lider Feudal. As lágrimas que lhe escorrem são de puro ódio. Não o lider era o mesmo Frei que matou sua mãe, mas como o braço direito dele era seu melhor amigo de outrora. A luta entre os 3 foi violenta o suficiente de voar sangue e membros. O únicos que restaram foram Karl e o lider feudal.

– Como você suportou tanto tempo vivo?

– Pobre rapaz... Você era um vampiro recem nascido naquela época. Não sabia como matar um vampiro ancião. E a resposta estava diante dos seus olhos. Mas não quero diálogo. Não pense que ainda vai me matar. Tenho um presente para você. Sentiu falta de sua mamãe? Ah, você não a conheceu, mil perdões. Eu a trouxe de volta para vocês se conhecerem.

Justine ressurge diante dos olhos incrédulos do filho. Ainda se mantinha bela, mas agora os cabelos eram mais longos e escuros, além de uma venda amarrada nos olhos e manchada de sangue. Apesar de parecer viva, não era a mãe de Karl ali.

– Boa diversão com sua mamãe, rapaz...

Enquanto some como fumaça, Karl se vê ali com aquela criatura maquiada e de vestes negras, além de uma enorme espada. Não demora para Justine avançar em Karl e uma violenta luta de lâminas começar. Os ataques tinham tanta precisão que quem estivesse a 100 metros poderia ouvir o tilintar dos metais se chocando. Mas o pior ainda viria.

Karl apesar de mostrar exatidão e rapidez nos cortes, no fundo ainda sentia certo remorso de estar empunhando uma espada contra sua mãe e obviamente essa maré de culpa geraria distração. Foi nesse momento que Karl tomou 3 cortes que quase o mataram, sendo uma amputação de parte do braço esquerdo, um corte preciso no pescoço (uma quase decapitação) e um terceiro no ombro direito, o suficiente para quase partí-lo ao meio.

– QUE FOI? SE É PRA ME MATAR, ME MATA LOGO! VAI PARAR?! Mas o quê? Ela... Ela ta chorando

Dos olhos arrancados e sob a bandagem vermelha escorrem lágrimas tão vermelhas e dolorosas que Karl jurou estar diante de um ser "vivo"

– Filho... Não... Quero... Matar... Dói...

Karl por um segundo esqueceu os cortes e abraçou aquele ser tão morto e tão vivo ao mesmo tempo

– Se você for mesmo a minha mãe... Por que está me atacando? Quem mandou?

– E... Ele...

– Ele quem, mãe?

– Aza...Az...Aza...ghal

– Então o nome dele é Azaghal — Pensa Karl enquanto está abraçado a Justine, que misteriosamente sente algo e gira o corpo e é atingida por uma flecha, que atinge não só ela, mas atravessa parte de Karl, indo diretamente ao coração do Brujah

– Ahhh, que lindos... Mãe e filhos morrendo na minha frente. Tem coisa mais excitante do que isso? No fim... Eu perpetuei a soberania cristã e matei a bruxa com o filho...

Karl por algum motivo soltou o corpo da mãe e olhou diretamente os olhos de Azaghal.

– Engraçado você ter sobrevivido tantos anos... Seria você um vampiro como eu?

Azaghal solta uma sinistra e alta risada enquanto olha nos olhos de Karl

– E COMO VOCÊ ADVINHOU?

–Era o que eu precisava ouvir!

Ampliando seu poder ao máximo que pode, Karl retira a flecha do coração e avança veloz contra Azaghal, lhe abocanhando o pescoço com todo ódio. Mal sabia o rapaz que, apesar de estar diablerizando um ancião poderosíssimo, viria a carregar uma cruel maldição.

– Você pode me matar, moleque... Mas nunca vai se livrar de mim. Eu hei de te seguir e destruir tudo que você considerar querido e amado. Guarde essa maldição!

Por algum Karl devorou aquele vampiro ancião, com o pouco de força que teve buscou por algum tipo de sobrevivente caso os moradores tivessem sido sequestrados e em seguida pegou sua mãe para enterrá-la sob a sombra de uma cerejeira. Apesar da luz do sol estar lhe queimando a pele, resistiu bravamente ao sol.

– Mãe... Agora você tem um descanso decente. Vai em paz, já que Deus não foi capaz de protegê-la

Karl imediatamente deixa algumas lágrimas rolarem enquanto aos poucos perde sua consciência e sai sobre o tumulo improvisado de Justine. Estava fraco, debilitadíssimo pelos ferimentos, apesar de ter diablerizado Azaghal. Para sua sorte, alguns sobreviventes, uma linda japonesa de lindo sorriso e alva pele o removeu dali, o levando para longe dali protegido de sombras num complexo e escuro caixão de mármore.

Karl já viu muita tristeza em poucos séculos e merecia um pouco de tranquilidade.

200 anos se passam... Entre pequenas ajudas e grandes guerras no decorrer dos anos, Karl jurou para si nunca mais agir como um vampiro.

O inferno retornaria em 1980

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.