A nova vida de uma alma sem lembranças

92 Capítulo 92 - Príncipe da Pérsia.


Notas iniciais
Postagem: 2022/03/06 19:07 Revisão: 2025/12/11 16:10 Se ficou curioso sobre algo que eu não disse mas você gostaria de saber, mande sua pergunta, eu juro que responderei à todos. — Pessoal. Ultimamente o rendimento da escrita tem caído bastante e está bem difícil concluir os capítulos à tempo, por isso eu acredito que a qualidade possa estar caindo também. Deixem-me saber o que vocês estão achando dos últimos capítulos.

Esse mapa é magnífico.

Ele mostra a minha localização em tempo real, como se fosse um GPS.

A única diferença é que a região apresentada no mapa é fixa, então eu não sei o que vai acontecer se eu sair dessa região.

De qualquer maneira, por conta desse mapa eu estou pegando um caminho mais curto, em linha reta, no lugar de seguir a estrada.

Acredito que isso me ajudará a chegar mais rápido e andar menos.

Havia uma pequena cidade no caminho no primeiro dia, do qual eu parei para dormir.


Sem muito olhar ao redor, só quando parei para comer no segundo dia foi que eu notei que a grama verde que ficava aos redores de Vegúrlia havia desaparecido.

Agora a grama é escassa e amarelada.

As raras árvores que havia na planície agora são um pouco mais frequentes, mas são de uma espécie diferente.

Considerando o que eu estava vendo, isso parecia ser uma savana.

Alguns animais selvagens eram vistos com mais frequência também, mas eles fugiam assim que notavam minha aproximação.

A paisagem com uma montanha no horizonte ao norte também havia mudado e a montanha havia ficado para trás, embora o topo dela ainda pudesse ser vista de onde eu estava.


No final do terceiro dia o cansaço era grande.

Minha magia estava sendo constantemente usada para nos empurrar para frente e para diminuir a resistência do ar.

Notei que essa magia fazia o ar que eu respirava ficar mais escasso e poderia ser ruim para a oxigenação, então de tempos em tempos eu dava uma pausa nessa magia para poder respirar.

Mesmo assim eu estava exausto quando montei minha barraca debaixo de uma árvore.

Para a minha sorte não choveu em nenhum momento até agora, mas eu pude ver uma enorme nuvem de chuva chegando na região de Vegúrlia.

Se eu tivesse demorado talvez teria tomado aquela chuva.


Eu acordei relativamente tarde no quarto dia.

O sol já estava alto, devia ser algo como 9 horas da manhã.

Meu corpo ainda estava cansado e meus músculos doíam.

Mesmo assim eu me alonguei e voltei a correr, pois eu temia pela vida do príncipe.

Huskie parecia cansado também, por isso eu diminuí nosso rendimento no quarto dia.

Por fim, quando o sol estava ameaçando tocar a linha do horizonte eu avistei a cidade de Seti.


A capital tinha uma beleza tão diferente de tudo que eu tinha visto até então.

Ao fundo, não muito distante da cidade capital do reino, havia uma cordilheira.

Essas montanhas eram amareladas e muito mais baixas, se comparadas à montanha onde fica Khuma e a montanha ao sul de Florádia.

Era possível ver pequenos assentamento ao pé dessa cordilheira, onde provavelmente extraíam materiais rochosos ou minerais.

Grande parte da cidade era murada, como Vegúrlia.

Não era um muro todo enfeitado como o da capital imperial, mas suas torres e o portão eram bem trabalhados e mostravam belas arquiteturas.

Mesmo assim havia outra coisa que me chamou a atenção nessa cidade.

A arquitetura parecia muito com aquelas encontradas nas fantasias de cidades persas.

O topo das construções em formato de gota e coloridos eram de uma beleza que eu não havia encontrado antes.

Me peguei admirando a paisagem da cidade enquanto me aproximava dela, esquecendo o real motivo de estar aqui.


Um rio passava por perto da cidade e eu precisei procurar pela ponte.

Ao olhar para o leste, pude perceber que o rio vinha do extremo oeste da Floresta em que ficava Khuma.

Ao Oeste, o rio encostava na cordilheira e continuava seguindo para o oeste.

Depois da ponte a estrada seguia direto para a cidade e havia certa movimentação.

Provavelmente a cidade era abastecida pela água desse rio.

A cidade era bem menor que Vegúrlia, tanto em sua extensão quanto na altura das construções, mesmo assim era uma grande cidade.

Quando percebi o quão próximo eu estava, fiquei até mais animado e apertei o passo.


— Com licença, senhor Guarda. — Assim que cheguei ao portão da cidade eu me aproximei de um dos guarda, furando a fila e apresentando a carta da Rainha. — Me chamo Dinus de Khuma. Eu recebi essa carta da rainha, você pode me ajudar a me encontrar com ela?

— Hm? — Primeiramente o guarda me olhou desconfiado, então ele pegou a carta e analisou o selo rompido. Ao perceber do que se trava, entrou correndo em uma das salas do portão e me deixou esperando. — Aguarde um minuto, por favor.


O guarda apareceu alguns segundos depois acompanhado de outra pessoa.


— Senhor Dinus, por favor, me acompanhe. — Respondeu a segunda pessoa.


O homem estava bem-vestido, parecia ser algo como um nobre árabe.

Sem sequer se apresentar, ele me guiou para dentro da cidade, pedindo para deixar Huskie com os guardas no portão.

As pessoas na cidade me olhavam curiosas e conversavam entre si, enquanto eu era guiado rapidamente por entre as ruas sentido ao castelo da Rainha.


Ainda sem dizer muitas palavras, o homem me levou para dentro do castelo.

Era uma estrutura bela, mas não deu tempo de olhar bem para ele pela pressa que estávamos.

Então, ele finalmente parou próximo a uma outra pessoa dentro do castelo.


— Chame o primeiro-ministro, avise que o garoto solicitado pela Rainha está aqui. — O homem que me acompanhava falou para o outro, entregando a minha carta em suas mãos.

— Sim, senhor!


Sem dizer mais nada, o outro homem andou rapidamente pelos corredores e desapareceu de vista, enquanto eu fui levado para um cômodo no castelo.

Fora dos corredores, os cômodos eram espaçosos e altos, com pilares bem trabalhados e com tapetes espalhados pelo chão e paredes.

Estranho para mim era o fato de ser mal iluminado, se comparado com o palácio de Vegúrlia.

As paredes aqui não emitiam nenhuma luminosidade e em todos os lugares que eu olhasse haveria uma tocha, vela, candelabro ou lamparina.

A luz alaranjada do fogo deixava o ambiente diferente daquilo que eu estava acostumado.


Enquanto eu estava perdido em pensamentos uma outra pessoa se aproximou de mim.

Dessa vez era uma mulher, muito bem-vestida.

Ela usava uma roupa toda branca, com detalhes dourados.

A roupa cobria quase todo o seu corpo como um manto e havia acessórios em esmeralda em seu pescoço, punho e orelhas.

Uma grande peça cônica estava em sua cabeça como um chapéu, do qual ostentava uma grande pedra de esmeralda e uma pena verde, parecendo de um pavão, mas sem o detalhe arredondado.


— Você deve ser Dinus, certo? Por favor, me acompanhe. — A mulher se aproximou de mim com pressa e me guiou, deixando o outro homem para trás. — Eu me chamo Var'nis, sou a primeira-ministra da rainha Na'am'mi.

— Muito prazer, primeira-ministra.

— Você já deve saber o motivo de ter sido chamado, o príncipe Namir está desacordado a uma semana e sua febre está mais alta que nunca. — Var'nis foi me contando enquanto me levava para algum lugar no interior do castelo.

— Ele não estava conseguindo comer a fruta de Kojo?

— Infelizmente ele estava se recusando a comer recentemente, por conta do sabor. — Ela respondeu.

— Entendo. — Eu tentei pensar em algo para dizer. — Espero que...


Eu não concluí o que iria dizer, pois algo chamou minha atenção.

Naquele momento eu não estava usando minha detecção mágica, já que dentro de uma grande cidade como essa eu ficava desnorteado.

Só que a quantidade de magia que vinha da porta à frente era enorme.

Era tão grande que me dava até calafrios.


— Ele está aqui, não é? — Eu perguntei para a primeira-ministra.

— Sim. — Ela respondeu, abrindo a porta para mim.


O quarto era simples.

Estava mais escuro que os corredores e o resto dos cômodos que eu passei.

As paredes pareciam bem mais grossas que o resto do castelo todo e não havia nenhuma janela.

Pude perceber que havia magia nas paredes do quarto todo.

Em uma cama no centro estava o príncipe e muitas pessoas trabalhavam no quarto para manter a saúde dele o melhor possível.


— Mayi não está aqui? — Eu perguntei para Var'nis quando notei que não estava encontrando minha antiga professora.

— Ela e a Rainha estão vindo para cá. — A mulher respondeu prontamente.

— Será que eu já posso começar? — Eu perguntei, me aproximando da cama.

— Eu não sei... O que você vai fazer? — Var'nis parecia perdida.


Eu cheguei perto do príncipe.

Os guardas que estavam dentro do quarto ficaram atentos comigo, mas a primeira-ministra ordenou-os a relaxarem.

O príncipe havia crescido consideravelmente desde a última vez que eu o vi.

Parecia bastante saudável, provavelmente já andava com suas próprias pernas.

Eu me concentrei o máximo possível apenas nele e notei a enorme quantidade de magia acumulada em seu corpo.

Comecei a sugar a magia dele da maneira que eu sabia fazer, mas estava preocupado com a quantidade.


A porta que havia sido fechada se abriu com força e me deu um susto.

A Rainha e Mayi entraram pela porta.


— Graças aos Guardiões, você chegou rápido. — A Rainha exclamou ao me ver ao lado de seu filho.

— Dinus! Você já começou a remover o excesso de magia do príncipe.

— Olá, vossa majestade e mestra Mayi, já comecei sim. — Eu falei devagar, enquanto me concentrava.

— Tome, pegue isso. — Mayi estendeu a mão para mim e me deu alguns cristais. — São cristais mágicos, usados para ativar círculos mágicos. Esses estão vazios. Eles absorvem magia naturalmente de forma lenta. Tente colocar o excesso de magia que você remover do príncipe nos cristais.

— Certo, eu vou tentar fazer isso.


Eu coloquei os cristais que ela me deu no criado que estava ao lado da cama, ficando com apenas um em minha mão.

Era possível sentir ele lentamente sugando a energia da minha mão, então eu tentei forçar a magia para dentro dele.

Mayi estava certa, eu conseguia colocar o excesso de magia dentro do cristal.


— Chega! Veja como ele está brilhando. Pegue outro cristal. — Depois de poucos minutos, Mayi me alertou para trocar o cristal antes que ele sobrecarregasse.

— Certo. — Eu apenas fiz como ela disse.


Um após o outro, os cristais foram se enchendo.

Quando acabaram os cristais que estavam na cômoda, Mayi tirou mais cristais de uma bolsa e me entregou.

Um total de 23 cristais foram usados para estabilizar a magia do príncipe.

Acho que passei quase uma hora fazendo aquilo.

A febre foi passando e a respiração dele ficou mais leve.

Apenas com a confirmação de uma das enfermeiras foi que a expressão facial e corporal da rainha se aliviou.


— A febre já baixou. O príncipe aparentemente está dormindo.

— Ótimo. — Mayi foi rápida em se manifestar.


Mayi se aproximou do príncipe, encostando sua mão no braço dele, e recitou uma magia.

Provavelmente era uma magia de cura, já que eu conhecia algumas das palavras que ela usou, mas eu não sabia exatamente o que era.


— Pronto. Agora ele vai dormir tranquilamente até amanhã cedo. Depois disso teremos que alimentá-lo bem. — Mayi concluiu.

— Eu não tenho como agradecê-lo por tudo que você fez por mim e pelo meu filho, hoje e no passado. — A rainha começou a falar comigo.

— Desculpe se eu for rude, vossa majestade, mas eu realmente preciso descansar, meus músculos estão doendo e eu estou exausto. — Eu pedi para descansar, pois assim que a tensão da preocupação com a saúde do príncipe passou eu senti meu corpo fraquejar.

— Certo! — A rainha agora falou com uma voz mais alta, para todos escutarem bem. — Preparem um banho e um quarto para ele.

— Eu vou te ajudar com os músculos. — Mayi disse, então encostou sua mão em minha cabeça e recitou outra magia.


No momento que Mayi terminou de recitar a magia, eu senti todo meu corpo ficar mais leve e meus músculos pararam de doer.

Então uma sonolência tomou conta de mim e eu apaguei.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Deixe-me saber o que você achou desse capítulo. Agradeço profundamente qualquer apoio. Aproveite e siga a página no Facebook em https://www.facebook.com/MukiokuTensei