A nova vida de uma alma sem lembranças

86 Capítulo 86 - Traçando rota.


Notas iniciais
Postagem: 2022/01/08 17:42 Revisão: 2025/12/11 16:07 Se ficou curioso sobre algo que eu não disse mas você gostaria de saber, mande sua pergunta, eu juro que responderei à todos.

A aula de hoje foi sobre as derivações dos elementos e magias que não são associadas a um elemento.

Eu achava que a magia de rastreio era do elemento ar, mas é uma magia espacial, uma afinidade especial.

Existe magia de som, magia de raio, magia de ilusão entre outras magias que não são diretamente associadas a um elemento.

O que mais me impressionou foi magia de congelamento.

Não como eu imaginava, magia de congelamento não é derivado da magia de água, mas sim de fogo.

Como assim?

Sim, derivado da magia do fogo existe a magia de controle de calor, e magia de congelamento nada mais é que remover completamente todo o calor de algo.


É estranho, eu sei, mas é o lógico, certo?

Não é Magia de Gelo, é congelamento.

Ou seja, se você usar isso em água ela se tornará gelo, mas se você usar isso em um monstro ele vai apenas congelar.

Você não consegue disparar flechas de gelo da sua mão ou varinha com essa magia, mesmo assim ela pode ser letal.

Achei interessante, principalmente com a minha programação do dia seguinte.

Se tudo desse certo, eu poderia simplesmente congelar o Gato de Dupla-Orelha e trazer o corpo dele inteiro.


Parece até coincidência aprender sobre magia de congelamento exatamente no dia anterior à minha missão.

Apesar disso, o professor não nos ensinou nenhuma magia, apenas explicou a parte teórica do assunto.

Aparentemente o professor Norak não ensinava nada prático, apenas o teórico.

Até agora a única magia nova que aprendi foi a de iluminar a ponta da varinha com magia de luz.

Seria praticamente como uma lanterna durante a noite, porém, como todas as magias que eu aprendia a usar sem o encantamento, eu podia fazê-la ficar muito forte para cegar temporariamente o inimigo durante um combate.

De qualquer maneira, depois da aula eu pedi ao professor me ensinar algo de congelamento, só que foi negado.

Nós aprenderíamos mais para frente de qualquer maneira, mas ainda era muito cedo para aprender uma magia "perigosa".


Se o professor soubesse as magias perigosas que eu já conheço.


Na aula seguinte nós tivemos o primeiro treino prático com as varinhas com a professora Larienize.

Pensei em pedir para ela me ensinar uma magia de congelamento, mas pensei que ela daria a mesma resposta, então perguntei sobre magia de manipulação de calor.

Se eu aprendesse a diminuir o calor de algo talvez eu conseguisse congelar.

Infelizmente Larienize não me ensinou também.

"Uma hora vocês vão aprender, seja paciente" ela disse.

Só que eu precisaria disso para amanhã! Eu pensei.

No fim nós ficamos praticando tiro ao alvo com magia, também algumas magias de proteção mágica contra-ataques mágicos.

Praticamos em dupla, com um atacando o outro com uma magia de vento fraco enquanto o outro tentava se defender.

A magia de ataque não cortava como as magias de vento que eu já conhecia, o máximo que aconteceria caso não conseguisse se defender seria ser derrubado no chão.


Já na sala do Foco nós desenvolvemos uma armadilha para capturar o monstro, mas era muito grande para correr com ela e não dava para simplesmente desmontar agora e montar no lugar, pois não era algo desmontável.

Infelizmente eu teria que caçá-lo à moda antiga.

De qualquer maneira isso não era problema para mim.

Embora, eu realmente queria realizar a missão junto ao pessoal do grupo de estudos.

Queria que fosse algo mais... Divertido.


Na noite daquele dia eu avisei Necifran sobre a missão que eu faria.

Ele me instruiu a não usar nenhum tipo de magia e tentar atacar o monstro usando minha espada.

Me mostrou algumas técnicas de espada que eu poderia utilizar contra o monstro e como eu poderia me defender dos ataques comuns que aquele gato poderia realizar.

De alguma maneira, eu senti que Necifran estava feliz com aquilo.

Acho que ele já estava cansado do que estava me ensinando e queria mudar um pouco.


— Mesmo assim, se sentir que está muito perigoso, use sua magia para se salvar. Sua vida vale mais que o treinamento. — Necifran disse seriamente.


Como não era dia de treino, eu não fiquei muito na casa do mestre e acabei por voltar à academia.

No meu quarto, enquanto Khonar já dormia, eu peguei um mapa da região sul da planície de Vegúrlia para planejar e definir o caminho que eu tomaria para chegar ao local da missão.

Pelos meus cálculos, eu chegaria lá no meio da tarde, pois era bastante próximo à floresta ao sul.

O nome dessa floresta era "Floresta de Florádia".

Era lá que ficava a aldeia élfica onde Myuka nasceu.

Mesmo assim, meu destino era longe da aldeia e eu não chegaria a entrar na floresta.

Além disso, apesar de ser uma aldeia élfica, ninguém chamava de aldeia, apenas de Florádia, diferente de Marima, que era chamada de "Aldeia Marima".

Meu destino era uma pequena cidade humana chamada simplesmente de "EL"


El é um pequeno assentamento, pouco maior que Khuma, basicamente uma vila humana.

Mesmo assim todos os assentamentos humanos são chamados de cidades, desde que eles tenham um prefeito, ou então povoado quando não há um prefeito.

Apesar de estar tão longe de uma capital humana, e tão próxima da capital do império, El ainda é uma cidade sob domínio do reino de Seti.

Com isso, existe algum nobre responsável pela região.

A cidade de El fica na Baronia de Nar'al, sendo governado pelo Barão Salis Nar'al.

Embora seja pequena, a rota entre Florádia e Vegúrlia passa por El, então é uma cidade relativamente movimentada.


Assim que a rota estava definida, eu preparei meu equipamento.

Verifiquei minha espada, meu arco e minhas flechas.

Preparei minha roupa de caça e minha bota.

Arrumei minha mochila com itens para acampar e para fazer minhas refeições.

Também deixei pronto ferramentas para extrair plantas e ervas que eu pudesse conseguir algum dinheiro ou para extrair partes de outros monstros, caso encontrasse, para também vendê-los.

Só não tinha como deixar pronto os mantimentos, do qual eu teria que comprar no dia seguinte cedo.

Então eu fui dormir.


A ansiedade pela missão e pela viagem me fez dormir mal.

Eu acordei uma ou duas vezes durante a noite.

No fim eu despertei antes do sol nascer, ainda no lusco-fusco.

Decidi não ficar enrolando na cama, aproveitei para meditar e então vestir meu equipamento de caça.

Quando eu estava terminando de me arrumar, Khonar acordou e a luz do sol já estava entrando pela janela.


— Bom dia, Dinus. — Disse Khonar, ainda com o rosto inchado, assim que percebeu minha movimentação.

— Bom dia! Desculpe se eu te acordei.

— Está tudo bem. Você não me acordou. — Ele se levantou lentamente da cama. — Você... Vai sair?

— Sim! Eu vou fazer uma missão para o meu Foco hoje. — Eu respondi sorrindo. — Devo retornar amanhã.

— Entendi. — Ele deu um grande bocejo. — Você já tomou café?

— Estou indo tomar agora.

— Então eu vou com você. Deixa só eu trocar de roupa.


Khonar se trocou rapidamente.

Parece que ele entendeu que eu já estava de saída e não enrolou.

Fomos juntos para o refeitório.

Sentado entre as várias mesas estava apenas o diretor Yunis, bebendo alguma coisa enquanto lia alguns papeis.

As pessoas da cozinha também estavam por lá, mas para dentro do local onde elas trabalhavam.

Havia apenas nós três.

Naturalmente eu peguei o café da manhã no balcão e me direcionei para a mesa de Yunis.


— Ei, você não está pensando em sentar-se com o diretor, né? — Khonar perguntou baixinho quando percebeu que eu estava andando na direção da mesa do diretor.

— Sim! Por que não? — Eu perguntei inocentemente.

— Bom. Ele é o diretor afinal, não sei se podemos nos sentar com ele. — O Elfo alado parecia preocupado. — Eu já conversei pessoalmente com ele, mas nos sentar para comer...

— Tudo bem. O diretor é uma pessoa legal, acho que ele não se importará.

— Hmm. Okay. — Khonar pareceu relutante ao concordar.

— Bom dia, diretor Yunis. — Eu me aproximei e falei naturalmente. — Se importa se nos sentarmos aqui?

— Bom dia, Dinus. Claro que não. — O Elfo da Planície deu aquele típico sorriso estranho dele quando me olhou. — Sentem-se.


Nós nos sentamos para comer na mesma mesa que Yunis.

Por um momento o diretor apenas continuou lendo, mas logo ele me encarou e percebeu minhas roupas.


— Ah sim! É hoje que você vai realizar o serviço de caça, certo? — Ele sorriu, mas dessa vez era um sorriso menos forçado do que o de costume. — Meu filho me contou.

— Sim. Estou indo para a cidade de El. — Eu respondi casualmente.

— Certo. — Ele se levantou, pegando a xícara onde bebia seu café da manhã e os papeis que estavam com ele. — Eu sei sobre suas habilidades e suas conquistas, mas tome cuidado, pois monstros sempre são perigosos.

— Claro! Obrigado pela preocupação. — Eu respondi com um sorriso. — Cuidado nunca é demais, certo?

— Sim. — O diretor sorriu de volta e então deixou o refeitório.


Depois de terminar meu café, me despedi de Khonar na porta do quarto, peguei minha bagagem e saí.

Antes de ir ao portão, eu passei na parte comercial da cidade e comprei o que me faltava para a viajem.

Foi boa parte das minhas economias, mas a recompensa da missão que eu faria supriria o que eu gastei.

Mesmo ainda bem cedo e com pouco movimente, também por ser um dia de descanso, muitas das barracas e lojas da área comercial já funcionavam.

Devia ser antes das 8 horas da manhã quando deixei a capital.


A estrada era razoavelmente boa.

Assim como a estrada que liga a capital com a floresta ao norte, a estrada que liga a capital com a floresta ao sul tinha a mesma aparência.

Ela começava como uma estrada de pedras, como um paralelepípedo, mas se torna apenas terra batida depois de uma certa distância.

Embora seja apenas terra, a estrada era lisa, sem muitas irregularidades.

Claro, não era perfeita, mas se compararmos às estradas de terra da antiguidade da terra, essa com certeza estava muito melhor.

Obviamente não há como comparar com as rodovias asfaltadas do nosso planeta, pois é uma tecnologia completamente diferente, mesmo assim andar com uma carroça ou carruagem com suspensão mágica não era algo tão ruim assim.

Mesmo eu que estava correndo não me sentia tão fadigado quanto poderia sentir se o terreno fosse irregular.

Então, por conta disso, a viagem foi relativamente tranquila.


Enquanto avançava pela estrada, e como era de se esperar, eu cruzei com outras pessoas também viajando, tanto sentido capital quanto à floresta.

Como seria difícil explicar como uma criança viajava tão rápido quanto um lobo, eu cobria o meu rosto com um capuz improvisado que eu mesmo havia confeccionado.

Não era nada bonito, mas servia muito bem ao objetivo.

Também não parava para conversar com ninguém, mesmo se me chamassem.

Apenas passava correndo por todos que encontrasse no caminho.

Fico imaginando os rumores que aparecerão por essas áreas por conta daqueles que viram um cão e um pequeno ser encapuzado correndo.


Em um momento eu me encontrei em uma encruzilhada.

Havia uma placa de madeira um pouco alta.

Talvez a sua altura devesse ser para cocheiros montados em suas carroças ou pessoas montadas em cavalos.

No chão onde a placa estava instalada havia um símbolo cardinal mostrando que eu estava indo para o sul.

Ao Oeste, à minha direita, a placa dizia "Vulcão Arranha Céu"

Ao Sul, à minha frente, a placa indicava "Floresta de Florádia"

Ao Leste, à minha esquerda, estava escrito "Império de Tarúdia"

E ao norte, às minhas costas, ela mostrava simplesmente "Vegúrlia"

Abaixo das grandes placas que mostrava as quatro direções do cruzamento, havia placas menores indicando nome de cidades e povoados nas proximidades, e entre elas a cidade de El.

Vulcão Arranha Céu pode parecer um nome engraçado, mas não deixa de ser verdade.

Mesmo de onde estou, é possível ver no horizonte o pico de uma montanha, mas ela está tão longe que fica bastante difícil de enxergar.

Se é possível ver a ponta da montanha à essa distância, significa que é muito alto.


Eu já estava começando a ficar ofegante ao chegar na placa e decidi aproveitar aquele ponto para fazer uma pausa.

Depois de descansar minhas pernas e me hidratar, além de hidratar também Huskie, eu voltei a correr em direção ao Sul.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Deixe-me saber o que você achou desse capítulo. Agradeço profundamente qualquer apoio. Aproveite e siga a página no Facebook em https://www.facebook.com/MukiokuTensei