A nova vida de uma alma sem lembranças

84 Capítulo 84 - A noite que nunca termina.


Notas iniciais
Postagem: 2021/12/26 18:55 Revisão: 2025/12/11 16:06 Se ficou curioso sobre algo que eu não disse mas você gostaria de saber, mande sua pergunta, eu juro que responderei à todos.

As ruinas da Cidade Cemitério.

Esse é o nome do livro que estou lendo agora.

O título me chamou a atenção enquanto eu olhava na biblioteca.

Ele conta a história de uma pequena cidade humana que foi atingida por uma tragédia.

Quase todos os moradores dessa cidade morreram nesse incidente.


A história de fundação e expansão da cidade é como de qualquer outra cidade fundada na Primeira Grande Era.

Um vilarejo humano vivia de caça e colheita da natureza.

Os caçadores mais habilidosos se tornaram de importância no vilarejo e transformaram em líderes.

Os descendentes dos líderes herdaram a liderança mesmo não sendo de fato bons caçadores.

Conforme o vilarejo crescia, os líderes começavam a acumular objetos preciosos e riquezas, enquanto a diferença social crescia.

Em um momento da Primeira Grande Era o vilarejo cresceu o suficiente para se tornar uma cidade e se tornou movimentada ao realizar comércio com as cidades próximas, fossem humanas ou élficas.


Em uma época que os humanos exploravam e experimentavam a magia, alguns estudiosos nasceram nessa cidade.

A humanidade invejava a imortalidade dos Elfos, que viviam centenas e até milhares de anos.

Um dos estudiosos havia perdido uma pessoa próxima quando decidiu tentar usar seus conhecimentos mágicos para buscar uma maneira de burlar a morte.

A lenda diz que ele tentou realizar uma transfusão de sangue élfico no corpo falecido e então tentar realizar uma reanimação com magia de eletricidade.

Também foram encontrados vários Círculos Mágicos no local onde o experimento foi realizado.

Além de substâncias estranhas e frascos vazios.

Ninguém pode dizer ao certo o que realmente esse estudioso fez, mas a pessoa realmente voltou à vida.


Para a infelicidade do estudioso, o seu parente revivido não tinha qualquer sinal de consciência, tornando-se apenas um corpo sem emoções e sentimentos, sem qualquer tipo de reação psicológica.

Mesmo assim o corpo continuou reagindo à luz e estímulos físicos, além da necessidade de se alimentar.

Depois de alguns dias percebeu-se que o corpo também estava em estado de decomposição.


Mesmo com a falha em seu experimento, o estudioso continuou mantendo o corpo reanimado consigo e buscou uma maneira de parar a decomposição usando magia.

Em seus estudos e experimentos ele conseguiu parar a decomposição, só que o corpo já estava com uma aparência cadavérica, além de torná-lo agressivo.

Frustrado com sua falha, ele desistiu da pesquisa, matou o corpo reanimado de seu ente querido e o enterrou no cemitério.

A partir desse momento, todos os corpos que foram enterrados começaram a voltar à vida como zumbis.

Ninguém sabia o que estava acontecendo.

De alguma maneira os mortos vivos se espalharam pela cidade em uma noite e atacaram os moradores.

Alguns conseguiram fugir, mas a maioria da cidade morreu.

Porém eles se recusaram a permanecer mortos.


Então, todos aqueles que morrem nessa cidade se tornam Zumbis.

Aventureiros tentaram eliminar os mortos-vivos, mas muitos falharam e acabaram por se tornar cidadãos da Cidade Cemitério.

Por algum motivo, os zumbis nunca se afastaram da cidade.

Como não há nada valioso no lugar e por conta de o perigo de algum morto voltar a vida, além de não apresentar ameaça aos arredores, nenhum reino ou império se propôs a exterminar esses mortos-vivos.

Nenhum exército foi formado para eliminar os Zumbis.

A cidade está abandonada da mesma maneira até hoje.

Toda a noite os zumbis acordam e ficam vagando pela cidade, enquanto descansam de dia.

Mesmo que alguém tente alguma coisa durante o dia, os zumbis acordam e começam a caçar o intruso.


Fora isso, um cheiro de podridão tomou conta do lugar, é um cheiro tão forte e ruim que parece ser venenoso.

A quantidade enorme de insetos forma uma nuvem e deixa o lugar escurecido.

Grandes aranhas fizeram seus lares lá por conta da quantidade de moscas.

Mesmo sem os Zumbis, hoje as ruinas da cidade já é perigosa, mas o fato de que, caso você morra acabará se tornando um Zumbi, faz com que ninguém se aventure pela cidade.


Teoricamente é a cidade mais pacífica e segura de toda Oriohn.

Para os Zumbis, claro.

A cidade ficou tão conhecida como a Cidade Amaldiçoada ou a Cidade Cemitério que nem o seu nome real foi lembrado.

E isso tudo aconteceu antes de terminar a Primeira Grande Era e os Orcs Cinzentos ainda não eram chamados de Renegados.

Por isso nem os Renegados ousam se aproximar do lugar, pois eles já conheciam a situação antes de explodirem em fúria.


É uma história triste, mesmo assim curiosa.

Então existe algo como necromancia nesse mundo.

Isso é muito interessante.

Da maneira como o livro descreve a situação, parece que necromancia é algo muito mal-visto pelas pessoas de Oriohn, algo como um tabu.

Mesmo assim eu acho que devem existir pessoas que estudam essa área.

Não os Elfos, mas os Humanos provavelmente devem ser curiosos e insanos o suficiente para isso.

Até porque foram os humanos que fizeram isso.


Uma mistura de medo e curiosidade ficou em mim depois de ler esse livro.

Como deve ser um Zumbi?

Será que ele anda lentamente?

Será que ele tem mais interesse em comer cérebro?

Se ele ficar sem a cabeça ele vai morrer?

E o melhor de tudo.

Por que o nome Zumbi é escrito exatamente dessa maneira?

Novamente, a palavra para essa criatura é idêntica ao que se tem na terra.

Claro, a grafia de Oriohn é diferente, as letras são escritas de maneira diferente, mas as letras que compõem o nome dessa criatura se pronunciam exatamente dessa maneira.

Zumbi.


O legal é que eu acabei de ler esse livro e agora é hora de dormir.

Eu não estou com medo.

Até porque eu provavelmente estou em um dos lugares mais seguros de Oriohn.

Mas tenho a impressão de que se eu dormir agora eu vou sonhar com isso.

Eu terei pesadelos.

Pesadelos com Zumbis.

Mesmo que eu nunca me lembre dos sonhos que tenho.

Então eu decidi sair andar um pouco para tirar o assunto da minha cabeça.


A noite era bela e o céu estrelado estava limpo.

As Khadjin formavam constelações desconhecidas para as pessoas da terra.

No pátio da academia, algumas luzes em postes iluminavam o local.

Era uma iluminação relativamente fraca, de propósito, para incentivar os alunos a se recolherem.

No pátio da academia, que parecia uma praça, eu me sentei em um dos bancos e comecei a observar os pequenos astros que iluminavam o céu noturno.


— Dinus? Tudo bem? Está com algum problema? — O diretor Yunis andava pelo pátio quando me viu sentado. Eu não havia notado a presença dele até ele falar.

— Boa noite, Diretor. Está tudo bem sim. Só estou com dificuldade para dormir, por isso vir respirar um pouco aqui fora e observar as Khadjin. — Eu respondi.

— Muito bem. É difícil alguém da sua idade fazer esse tipo de coisa. Se importa se eu se sentar ao seu lado para observar também? — Yunis estava agindo estranhamente, como se ele não fosse o diretor da academia, apenas um conhecido meu, e como se ele não fosse bem mais velho que eu.

— Claro. Pode se sentar. — Eu fiquei estranhado com a pergunta dele. Enquanto observávamos as estrelas eu lembrei da comoção que foi quando eu sugeri vida alienígena na aula e fiquei curioso para ver a reação do Diretor. — E pensar, cada um desse pontos brilhantes são uma Khadji igual à nossa. Será que existe vida em outro Khondji como existe aqui em Oriohn?

— Hmmm. Essa é uma boa pergunta, porém um pouco irrelevante. — Yunis respondeu seriamente. — Você sabe que quando Yan e Oda terminaram de criar a vida em Oriohn, eles deixaram os Guardiões para cuidar de nós e saíram pelo universo para continuar criando. Então, teoricamente, eles devem ter criado vida em outros Khondjin além daqui. Mas isso é irrelevante pois nunca entraremos em contato com algum desses seres.

— Mas você não acha que conseguiremos viajar pelo espaço algum dia? — Yunis inesperadamente respondeu minha pergunta com seriedade. Eu acabei dando corda ao assunto.

— Viajar pelo espaço? Não existe ar fora de Oriohn, então não teríamos como respirar no espaço. Além disso, sem o Ar também não há como usar asas para voar. — Yunis continuava respondendo com seriedade.

— Bom... — Eu pensei um pouco antes de continuar. — Uma flecha não precisa de asas ou do ar para "voar". Pode ser que algum dia alguém descubra uma maneira de nos arremessar aos céus como uma flecha. Também podemos tentar de alguma maneira espremer uma grande quantidade de ar dentro de um recipiente para que possamos levar conosco para lá. Alguma coisa assim.

— É... — O Diretor parecia perdido. — Essas ideias são boas sim. Talvez com bastante pesquisa nós possamos fazer algo assim. Agora... Me perdoe Dinus, mas eu preciso ir.

— Claro! Boa noite, Diretor Yunis. — Eu sorri enquanto Yunis se levantava do banco. — E me desculpe pelo assunto estranho.

— Não tem problemas. É bom jovens como você pensar além dessa maneira. — Quando Yunis já se afastava, ele parou, se virou para mim e sorriu. — E muito obrigado por se tornar amigo do meu filho.


O sorriso do Diretor era diferente.

Dessa vez não parecia um sorriso forçado ou um pequeno sorriso de canto de boca, ele estava alegremente sorrindo.

Olhando para Yunis eu não consegui dizer nada, apenas sorri de volta e acenei com a cabeça.

Então o Elfo da Planície se foi na noite.

Acho que posso ir dormir agora.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Deixe-me saber o que você achou desse capítulo. Agradeço profundamente qualquer apoio. Aproveite e siga a página no Facebook em https://www.facebook.com/MukiokuTensei