Notas iniciais
Postagem: 2021/12/05 18:45 Revisão: 2025/12/11 16:02 Se ficou curioso sobre algo que eu não disse mas você gostaria de saber, mande sua pergunta, eu juro que responderei à todos.

— Muito bem, muito bem... Agora que eu já conheço todos, vamos falar sobre a matéria. Como eu disse antes, eu serei a sua professora de alquimia. — Então ela escreveu a palavra para alquimia na lousa, embora eu não soubesse o que significava até então. — Algum de vocês já ouviu falar sobre essa matéria?

— Va... Var já leu sobre. — Depois de um breve período de silêncio entre os alunos, Tweng Var levantou sua mão e finalmente falou.

— Ótimo. A alquimia de fato é uma arte pouco utilizada pelos Elfos e Humanos, por isso também é pouco conhecida. E você poderia dizer para sala o que você entende como alquimia?

— Si...Sim... — O garoto réptil se levantou para falar. Eu não tinha certeza, mas ele parecia envergonhado de alguma maneira. — Desculpe se estiver errado. Alquimia é sobre misturar ingredientes específicos para fazer poções ou... Remédios?

— Está bom assim, pode se sentar. — A Lâmia sorriu para o aluno e continuou. — Alquimia estuda os efeitos de plantas, frutos e ervas, entre muitos outros ingredientes, para tirar proveito de suas características únicas e usá-los para os mais diversos objetivos. Desde remédios e venenos, até para produtos de beleza para a pele e cabelo.


Foi após essa explicação que eu entendi o que se tratava a palavra alquimia.

Isso me lembrou muito os filmes e livros de um certo bruxo britânico que vai para uma escola de magia.

Será que usaremos caldeirões e veremos mandrágoras também?


— Quando Yan e Oda escolheram Oriohn para criar os seres pensantes, a água e a vegetação já haviam sido criadas, e a água reagia ao calor do sol, gerando as nuvens, e a vegetação geravam os gases que compões o ar que respiramos. Então podemos dizer que a alquimia já existe, em sua forma mais básica possível, desde antes da criação dos próprios Guardiões.


Era incrível como a maneira que Nalian explicava fazia minha atenção se prender.

Sua voz suave era gostosa de se ouvir, ao mesmo tempo que ela gesticulava e escrevia ou desenhava algumas coisas na lousa.

Seu rosto também era muito bonito e casava perfeitamente com sua doce voz.

Se não fossem seus olhos amedrontadores...


Além disso, não era na alquimia que havia aquela lenda de transformar ferro em ouro?

Quando eu pensei em perguntar sobre isso, eu acabei me lembrando da estranheza que foi quando perguntei sobre a vida fora de Oriohn, então decidi evitar perguntas que seriam normais na Terra por aqui. Pelo menos por enquanto.


— Embora fantástica, a alquimia não é muito estudada pelos Elfos e Humanos, e por isso é possível acreditar que ainda há muita coisa a descobrir sobre essa matéria. — A professora continuava a explicar o mais básico sobre a matéria. — A academia tem uma pequena horta onde cultivamos alguns ingredientes comuns para preparação de remédios, então nós vamos visitá-la para conhecer um pouco mais sobre elas.


Mandrágoras!

Com certeza haverá mandrágoras!


A professora levou todos os alunos para fora da sala e nos guiou pelos corredores da academia.

De fato, existia uma horta no campus, mas não parecia tão pequena como a professora deu a entender, era uma grande cúpula de vidro, devendo ter o tamanho de uma quadra de futebol.

Dentro da cúpula havia uma enorme variedade de plantas, além de alguns poucos animais.

O cheiro dentro daquele lugar era um pouco forte, pois havia vários odores misturados.

Mas eu fiquei maravilhado com a beleza daquele lugar.

Algumas plantas e ervas que estavam lá dentro eu já conhecia, pois eu recolhia para vendê-las em minhas viagens.


— Fiquem à vontade para olharem ao redor e me perguntar se houver alguma curiosidade, mas não toquem em nada. — A professora liberou a sala para observar por si as plantas de lá.


Havia placas de madeira com informações de cada uma das plantas, como seus nomes e alguns efeitos conhecidos.

Então eu aproveitei para ler o máximo possível, inclusive anotando minhas perguntas no caderninho que sempre estava comigo.

Khonar se aproximava de mim às vezes e observava as plantas comigo, mas ele não parecia tão interessado no assunto quanto eu, então ele se afastava e eu acabei observando sozinho na maior parte do tempo.


Até que eu vi uma planta extremamente interessante.

Talvez não para os outros alunos, mas para mim claramente ela chamava atenção.

Ela estava dentro de um aquário de vidro para impedir que qualquer um tocasse nela.

Seu nome era "Olhos da Morte".

Realmente era um nome forte para aquela planta.

Foi apenas ela que me deixou curioso o suficiente para chamar a professora para perguntar.


— Professora Nalian... — Ela me escutou e se aproximou. — O que é essa planta? Por que ela está nesse aquário?


Eu agi como se não tivesse lido a plaqueta, para deixá-la me explicar novamente.


— Esses são os "Olhos da Morte". — Professora começou a falar, um pouco mais alto, para que todos escutassem. — Vejam só, essa é uma boa pergunta. As frutas dessa planta são um ótimo exemplo de frutas perigosas. Essas frutas que parecem olhos podem levar à morte se consumidas. Elas sobrecarregam o nosso organismo fazendo nossa própria energia nos matar. Então não comam essas frutas.


Entendi.

Eu sabia que planta era aquela.

Eu já conhecia de alguma maneira.

Aquilo era Guaraná.

Guaraná é conhecido como um energético natural.

Em um mundo onde existe magia, o guaraná é mortal.


Mas, será que há uma maneira de consumi-lo?

Embora eu não me recorde de sabores da vida passada, eu lembro que guaraná era conhecido como algo gostoso.

Talvez se eu fizer um suco dessa fruta, eu possa evitar a sobrecarga de energia.

Embora deva ser muito perigoso experimentar esse tipo de coisa.

De qualquer maneira, eu sentia magia emanando daquela planta.


Enquanto eu estava perdido em pensamentos observando o guaraná, Khonar, do qual eu nem havia reparado que estava do meu lado, falou.


— Você foi se interessar logo na planta mais assustadora daqui, hein? — Khonar chegou de mansinho, provavelmente já na intenção. — Veja esses olhos! Parecem nos encarar de alguma maneira.


Eu levei um susto.

Khonar estava acompanhado de Myuwa, quem começou a conversar com ele ainda na sala de aula por sentar-se ao seu lado.

Com os dois maiores alunos da sala também estava Liki, que parecia menor ainda por estar próxima deles.

Ela me encarava seriamente enquanto eu recuperava o folego do susto.

Myuwa estava apenas olhando para o guaraná e conversando com Khonar enquanto ria.


Liki era pequena e mesmo assim maior que eu.

Ela fez uma expressão difícil quando trocou olhares comigo.


— Você é... Liki, certo? — Eu tentei dar um sorriso agradável para ela, pois ela parecia desconfortável de alguma forma. — Acho que já nos vimos antes, em Marima.


Eu realmente não me lembro dela em específico, já que muitos Elfos de Marima vieram conversar comigo naquele tempo, mas eu queria tentar descontrair de alguma maneira.

Quando eu disse isso a pequena Elfa abriu um grande sorriso.


— Então você se lembra de mim! — Coitada, ela nem imagina que eu não faço ideia. Melhor eu deixar assim. — Eu conversei com você em Marima a dois anos atrás. E pensar que te reencontraria aqui.


Então ela estava ansiosa para que eu me lembrasse dela.

Que fofinha.

Ela fez uma expressão tão bonitinha quando eu falei.

Embora ela seja mais velha que eu, eu não consigo vê-la dessa maneira.

Para mim ela é apenas uma criança.

Apesar de que ela tenha acabado de entrar na fase adolescência.

Lembrando que para todas as raças de Elfos que eu conheci, até os 5 anos de idades eles são considerados "Bebês", entre 6 e 11 anos de idade é a infância, e dos 12 aos 17 anos é a fase da adolescência, cada fase tendo 6 anos e havendo suas festas de aniversários no início de cada uma das fases.


Com 18 anos os Elfos são adultos, mas eles continuam desenvolvendo seus corpos até perto dos 30 anos e geralmente se casam e tem filhos entre seus 40 e 60 anos.

Normalmente um casal de Elfo tem 2 filhos no máximo.

Então minha mãe já é considerada diferente por ter 3 filhos.

Acredito que por eu sair de casa tão cedo minha mãe naturalmente acabou gerando um filho para "substituir" a minha presença.

Eu acho que foi um chamado natural do corpo dela.

Mesmo vivendo centenas de anos depois disso, eles não geram mais crianças.

Eu lembro como foi constrangedor quando eu perguntei aos meus pais como que as crianças nasciam.

Claramente eu já sabia, mas por via das dúvidas, pelo fato de sermos Elfos, eu perguntei mesmo assim.

Elfos se reproduzem iguais aos humanos, mas minha mãe ficou muito vermelha quando eu perguntei.


— Faz tempo que você chegou? Como está o pessoal de Marima? — Eu continuei a conversa com Liki enquanto olhava outras plantas.

— Eles estão bem, como de costume. Eu cheguei faz uma semana. Até vi você passeando com o seu Lobo Doméstico pelo pátio esses dias.

— Ah! Então você me viu passeando com Huskie...


Conversa vai, conversa vem e eu acabei combinando com Liki para ela me ajudar a treinar Huskie sem a coleira.

Os Elfos da Floresta não suportavam ver animais com essas coleiras.

Quando menos percebi a aula já havia acabado e estávamos voltando para a sala.

Notas finais
Caso encontre algum erro gramatical ou de digitação, fique à vontade para me enviar a correção. Deixe-me saber o que você achou desse capítulo. Agradeço profundamente qualquer apoio. Aproveite e siga a página no Facebook em https://www.facebook.com/MukiokuTensei